Você costuma pagar para frequentar shows? Alguns produtores e bandas do Nordeste andam comentando que o público não está contribuindo muito com as casas que abrem para apresentações de bandas locais. Esse foi o assunto principal da quarta edição do Podcast Nordeste Independente, gravado por mim e pelo Luciano Matos, de Salvador.
Tem ainda mais um pouco de festival Bananada, uma entrevista com o Fabrício Nobre (MQN, Abrafin, Monstro) sobre a qualidade do público de Goiânia, e uma vista rápida pela cena de João Pessoa. Essa foi nossa edição menos bairrista, com apenas uma banda de Pernambuco e uma da Bahia. Sacaê o tracklist:
Há mais ou menos três meses, entrei bebado na piscina com meu celular. Ele voltou a funcionar tem poucos dias, não sei como (talvez se eu tivesse testado antes, ele teria voltado antes :P). Para comemorar e testar as funções, fiz umas entrevistas no Coquetel Molotov. Acabou ficando legal! A música da Vamoz, que toca no começo, é a “Target of Rock” e não aquela que diz no final.
Edição surpreendente, essa última do festival, hein? Acho que o show do Love is All na primeira noite foi o mais representativo. Uma banda que ninguém conhece, ninguém estava falando, não apareceu em canto nenhum desde que foi anunciada, mas com o público inteiro desesperado na frente do palco, dançando e até arriscando cantar. Receptividade como não se via no Recife já tem bastante tempo.
Representativo, mas não bastou isso. Na segunda noite, recorde de público antes da metade do festival. Os ingressos esgotaram e as pessoas não param de chegar mesmo assim. Fila como nunca se vê no teatro da UFPE. Se não fosse proibido ultrapassar, eu arriscaria que tinha mais gente do que cabe no teatro. Gente da cidade falando que aquela era a primeira vez que estava indo para Coquetel Molotov, gente de outros estados (Bahia, João Pessoa, Natal, etc), que disse nunca ter vindo antes ao Recife. Realmente, algo surpreendente.
Quando o Coquetel Molotov começou, era um festival esquisito. Hoje, parece que sua fase de transição passou e agora é difícil imaginar como a cidade era antes. No final da banda Vamoz! um menino que não devia ter passado dos 16 reclamava com os amigos dizendo “que absurdo! Viu o que o vocalista falou no palco? Que era um show de rock, eu sai na mesma hora que ele avisou”. Novos tempos, novos públicos. Mesmo com um som deficiente – muito deficiente, pelo que parece, esqueceram de tirar a regulação do Nouvelle Vague qdo começaram os show – a Vamoz fez bonito. Detalhe que o público nem sempre repara, ainda mais com a presença de palco super profissional do trio.
Nessa hora, deixei de ver os shows para fazer essas entrevistas do video. Vi duas músicas só do Wado e pareceu tão bom quanto estava deslocado. Era a atração que mais trazia informação nas músicas, coisa que o público realmente não conseguiu processar. Quem curtiu, tem a boa nova de que ele já tem um novo show marcado na cidade, junto com a elogiada Inquilinus. Coloco os detalhes aqui em breve. O clima por trás do palco era muito, mas muito agitado. Alguns vários convidados assistiam o show de Cibelle por trás do palco, todos vidrados, sem tirar os olhos dela. O cineasta Leo Falcão ficava no laptop cuidando do telão que projetava imagens.
Estavam todos lá. O pessoal do Supercordas, do Love is All, as meninas do Hello Saferide e o Suburban Kids with Biblical Names. O clima era de confraternização, junto com gente de outras bandas da cidade, alguns jornalistas de fora da cidade que estavam cobrindo o evento. Quando começou o Nouvelle Vague, parecia uma festa inteira a parte, menor apenas da catarse causada no público que, tá ok, talvez nem soubesse o que era o Bauhaus, mas entrou no clima nas versões sempre deliciosas que a banda francesa faz das músicas. Fiquei pensando até onde aquilo era um cover de luxo, até passar a pensar o quanto eu estava pensando bobagem. :P
No segundo dia, o karaokê indie armado pela patrocinadora Tim tinha virado atração-mor do festival. Até os caras do Love is All ficavam assistindo as perolas do público. Tudo só aumentava a zona livre do festival, que dava proporção de que aquela era mesmo a edição mais numerosa. Perto do último show, algumas bancas de camiseta já estavam vazia.Teve bronca no bar. A polícia apareceu para proibir a venda de bebidas que estavam fazendo do lado de fora do teatro e teve até gente sendo presa. Resultado, acabou a bebida no meio da noite. O pessoal foi agil e conseguiu repor, mas por latas ainda quentes. Bronca com cerveja, aliás, é um clássico em festival de música. Com exceção do Tim Festival, onde a bebida custa mais caro que duas garrafas. Aí ninguém bebe mesmo :P
Esse mês tem um monte de festival acontecendo ao mesmo tempo. Além do Coquetel Molotov, em João Pessoa tem o Festival Mundo. O evento começou pequeno, ganhou proporção e, no terceiro ano, será numa área bem grande, no melhor estilo Woodstock. A programação traz, além de shows, palestras e uma feira de negócios. Se liga, Abrafin, que perfil eles já tem! :) Estão na lista dos guerreiros, como o DoSol, que fazem mágica com pouco patrocínio, trazendo bandas de fora para se apresentar na Paraíba. E assim como o Bananada, os headliners são da casa! Confere ai a programação completa:
O site do festival tá bem legal. Por sinal, parabéns a Coca Cola Zero por estar patrocinando o primeiro, do que espero que sejam muitos festivais independentes no Nordeste! =)
Não sei se é meu clima de férias, mas Recife parece estar fervendo mais uma vez. Começa no dia 03 a Mimo, Mostra Internacional de Música em Olinda. Hamilton de Holanda, Yamandu Costa, Egberto Gismonti, Naná Vasconcelos e a Orquestra Petrobrás são apenas cinco, dos 35 que baixam aqui, com apresentações gratuitas nas várias igrejas da cidade. Tem até curso de regência, também gratuito.E além do festival Coquetel Molotov, a cidade também ganha uma nova festa decente. Toda quinta-feira do mês, no Castigliani Café, que fica ao lado da sala de cinema da Fundação Joaquim Nabuco. Discotecagem da TV PRMVR – Raul Luna e Alberto Lins + 1 convidado por noite. É clima de pós-happy hour, para depois partir de vez para a noite. “Sucessos do Underground, Hits das Trevas, Recife em chamas”. Vê o cartaz, que legal, lá no blog de Rodrigo Edipo (que também é da TV PRMVR). E é de graça, então faz o favor de não perder. Nesse ponto, alguém já deve ter pensado “mas caramba, esse foi o blog que mais falou do disco do Interpol antes de ser lançado, sempre empolgado com cada faixa revelada, de repente o disco sai e não se diz nada?”. Eu ouvi sim, claro. Quando vazou e quando foi lançado oficialmente. Já digo o que foi que achei. E já já você também vai ouvir e me dizer o que achou. Espera, que eu explico com calma o que aconteceu, porque foi coisa grande.
É verdade. O Pop up exagerou na dose, tanto que chamou a atenção da gravadora EMI. Resultado, pela primeira vez a major mandou um disco para um blog no Brasil! (Ou pelo menos eu acho que seja a primeira vez, se tiver errado, avisem) E, se não fosse pouco, também vai armar um sorteio em parceria para algum leitor deste espaço, de qualquer lugar do país, levar o CD original para casa. Se empolgou? Eu conto os detalhes com calma, mas só depois. Fica atento.