Tagged: Jornalismo musical

Sobre crítica e internet

Um Museu de Grandes Novidades: crítica e jornalismo musical em tempos de internet é meu mais recente artigo publicado, dessa vez em parceria com meu orientador no doutorado, Jeder Janotti Jr. O texto começa falando sobre como a crítica de música se re-configura tornando ela própria um produto de consumo, que serve muito menos para orientar a compra de discos como se dizia, mas para promover um diálogo entre os ouvintes. Encerra contextualizando o papel da produção crítica do público e que diferentes formas essa prática tem assumido na internet.

O texto original, na verdade, é a espinha dorsal da minha tese de doutorado e foi publicado no último congresso da Compós e também foi selecionado para o livro Rumos da Cultura da Música, organizado por Simone Pereira de Sá (UFF), que também conta a participação de Adriana Amaral, Micael Herschmann e Felipe Trotta, além da própria Simone, entre vários. Quem interessar, pode comprar direto na editora.

Promoção: O Som do Pasquim

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Lembra do Som do Pasquim? Falei recentemente como a nova edição do livro, editado originalmente na década de 70, escancarava a atual preguiça do jornalismo cultural brasileiro. Agora, a editora responsável pelo retorno dessa coleção de textos organizadas pelo Tárik de Souza está sorteando dois exemplares aqui para os leitores do Pop up. Quer levar um? É fácil, e podem participar pessoas do Brasil inteiro.

Só tem uma pegadinha. Para ganhar, tem que mostrar que também é contra essa preguiça e mostrar que tem interesse mesmo em ler. Lá no site oficial da editora você pode baixar o primeiro capítulo. Vai lá, é a entrevista com o Chico Buarque. As duas primeiras pessoas que mandarem email falando qual entrevista, das citadas no índice, mas tem vontade de ler, levam uma edição para casa.

Atualização: PROMOÇÃO ENCERRADA! Foram 10 emails em cinco minutos. Um recorde aqui no site =P. Parabéns para Rodrigo Medeiros, de Recife e Lafaiete Júnior, de Belo Horizonte!

O som do Pasquim

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A simples idéia de um bate papo entre Ziraldo e Chico Buarque já parece ser algo inspirador. Pensar, então, que ele e toda a toda turma do Pasquim reuniu, sob organização de Tarik de Souza, algumas das principais conversas que eles tiveram não apenas com o carioca, mas também figuras como Raul Seixas, Luiz Gonzaga e Waldick Soriano faz de “O Som do Pasquim” um adição certa a qualquer biblioteca de música que se preze. Daqueles para se ter mesmo quando não vai ser lida uma página de todo o livro.

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Não acredite no hype

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Estou lendo o Pitchfork 500, livro do portal guru da música indie, em ordem aleatória. É a melhor maneira de saborear esses guias que tem apenas um sentido cronológico. Ontem eu esbarrei na página 99, que traz uma lista de gêneros que o jornalismo musical tentou inventar mas que não deram tão certo como esperado. Achei tão legal que resolvi reproduzir – traduzido, claro – aqui. Engraçado que eles já começam lembrando que esse parece ser um mal da era MySpace, mas na verdade já é uma prática bem antiga, olha só:

Grebo: Parece nome de vilão da primeira trilogia Guerra nas Estrelas, mas o gênero era a promessa no começo da década de 90 na Inglaterra. Nomes bobos de bandas como “Ned’s Atomic Dustbin”, “Gaye Bykers on Acid” e “Carter Unstoppable Sex Machine” era o máximo na época. O visual incluia dreadlocks, cabeça parcialmente raspada, botas e calças militares. Então, era mesmo tipo um vilão de Guerra nas Estrelas.

Digital Hardcore: O gênero inteiro estava centralizado em uma única banda, a Atari Teenage Riot, que ganhou paixão da crítica com muito mais que um nome bem legal. Sua marca eram as batidas computadorizadas mega-aceleradas, que os fez assinar com o mesmo selo dos Beastie Boys, o Grand Royal Records. O selo parou de funcionar no ano seguinte.

Happy Hardcore: Esse tipo de techno acelerado, tocado por figuras com cara de ratos em roupas super ajustadas, sobreviveu por tanto tempo quanto um verdadeiro roedor viciado em anfetamina.

New Wave da New Wave: Eles começaram junto com o Britpop no selo Fierce Panda. O primeiro lançamento, Shagging in the Streets, foi na verdade uma compilação. Eram roqueiros de calça de couro, sempre acompanhados pela bandeira da inglaterra.

Cow Punk: Sinceramente, seria bobo pensar que o conceito de punks caipiras pegaria como moda. Mesmo assim, o mote do “cow punk” durou por meses. Toda essa cena desmoronou empiricamente, nós achamos, porque a banda punk de Minneapolis Cow não era de Cow Punk. Foi isso, ou então um dilema de consciência dos guitarristas vegans.

Psychobilly: Muito mais uma fantasia de Halloween que um gênero musical, os Psychobillies se vestiam como zumbis mecânicos / caminhoneiros. Outros produtos “Billy” que não deram certam incluem o Butterbilly, a manteiga de café da manhã que vinha em uma lata de pomada, e Rubberbillies, o remédio.

New Rave: No dia 1 de novembro de 1976 o químico Richard Van Zandt, da Companhia Americana de Cianamido, registrou o patente de número 4.064.428 para seu “aparelho de luz química”. O “glowstick”, tão velho quanto o punk rock, virou moda entre os clubbers e dura até hoje. Mas, claro, o gênero teve vida tão longa quanto a luz que os tubos de plástico produzem.

Paisley Underground: Os índios fazendeiros tinham costumo de pintar a palma da mão e marcar as paredes para anunciar a chegada da colheita. O símbolo virou um motivo textil exportado pelos soldados da rainha da Inglaterra quando voltaram para a Escócia. Durante o verão do amor as bandas psicodélicas aplicaram esses símbolos que lembram o Yin Yang nas guitarras e nas roupas. Mas a moda é temporal e batizar um movimento musical de Paisley funcionou tão bem quanto oOshKosh Folk.

Mathrock: A verdadeira tragédia da curta vida do Mathrock foi a falta de proliferação no mainstream ou bandas de sucesso. Caso contrário, poderiam ter gerado o Geometry Funk, Vector Metal e Cominatorindie.

Glitch: Lembra quando sua avó descobriu o email e o Photoshop? De repente sua caixa de entrada estava lotada com fotos de cachorrinhos com vários efeitos de pincéis e cores gritantes. Pois é, as vezes as pessoas se empolgam demais com computadores.

Sobre a Oficina de Jornalismo e Música

Na quinta-feira começa a oficina sobre Jornalismo e Música que eu vou ministrar na Conteúdo Criativo. E tanto parece que ainda tem umas poucas vagas disponíveis – corre lá – como também a formação já de uma segunda turma. Para quem foi esperto e pegou a estréia, fica a novidade: a primeira turma vai fazer um exercício de cobertura na primeira noite do festival No Ar: Coquetel Molotov, como encerramento especial da oficina. E, sim, isso significa entrada garantida no show.

Como não custa reforçar:

Para adiantar um pouco, a música pop é só um recorte saudável para o debate. Algo que compreende ao surgimento do blues e do rock nos Estados Unidos até o que está acontecendo hoje em dia. O que já é MUITA coisa, mas deixa de fora música clássica e a idéia de que essa possa ser uma oficina de teoria da música. A idéia é abordar questões mais gerais comuns ao texto de música no jornalismo, começando com alguns principios básicos e com aulas sempre construidas em cima de questionamentos. Não é nenhuma aula de fórmulas, até porque isso não existe.

Abaixo, o anúncio completo da oficina:

Período
11 a 19 de setembro (4ª, 6ª, 2ª, 4ª e 6ª)

Horário das aulas
18h30 às 21h30

Carga horária
15 horas

Investimento
R$ 220

Informações
(81) 3076 0380
(81) 9666 0688
(81) 9686 0446
Ou pelo email oficina@conteudocriativo.com.br

Bruno Nogueira
Mestre em comunicação e especialista em Jornalismo e Critica Cultural. Trabalhou durante 2005 e 2008 como critico de musica do jornal Folha de Pernambuco. Antes disso também foi do Jornal do Commercio e, atualmente, é repórter de cultura do Diário de Pernambuco. Colaborou com as revistas Continente Multicultural e Coquetel Molotov e é um dos colaboradores do site RecifeRock. Representou Pernambuco na formação do portal Overmundo, capitaneado pelo etnomusicologo Hermano Vianna. Durante esse período, cobriu os festivais Abril Pro Rock, Recbeat, Goiânia Noise, Bananada, Mada, DoSol, Porão do Rock e Tim Festival. Fez curadoria de bandas independentes para o Abril Pro Rock em 2008 e para a Prefeitura do Recife no projeto Pátio do Rock. Foi professor de Indústria Fonográfica, no curso de Produção Fonográfica da Faculdade Barros Melo (Aeso) e das disciplinas de Teorias de Comunicação e Jornalismo Impresso no curso de jornalismo da instituição.

Conteúdo programático
Períodos estéticos da musica pop; cenas e movimentos musicais; indústria fonográfica; cadeia produtiva da musica; teoria da recepção; jornalismo opinativo; resposta social; cauda longa; crítica cultural; teoria do agendamento; cobertura de shows e festivais; entrevistas e perfis; resenha e critica de discos e música.