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Antiguadade x Modernidades

identidade

Identidade, também conhecida como a banda que acompanha o Jupiter Maçã nos palcos, está com disco novo para ser lançado nesta quarta-feira. Antiguidade x Modernidades, sai pelo próprio selo deles, o Marquise 51. Para movimentar a estréia, três músicas novas já estão disponíveis no MySpace deles, incluindo a que dá nome ao disco. Antes de ir até lá conferir, você pode baixar a mesma, Antiguidade x Modernidade, aqui no Pop up! No repertório final do quarteto vão ter 10 músicas inéditas.

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Cobertura: Goiânia Noise 2007

GOIÂNIA – Numa primeira impressão rápida, passando a vista pelo longo e belo cenário do Centro Cultural Oscar Niemeyer, o festival Goiânia Noise, que encerrou este fim de semana sua 13ª edição, impressiona. Com o passar dos três dias de show, o queixo cai ainda mais. Numa localização distante da cidade, com uma das mais bem montadas estruturas já vistas num evento do porte, funciona como um modelo para todos os festivais independentes do país.

O modelo beira a perfeição: as bandas trabalham nos bastidores, como roadies, apresentadores e responsáveis por palcos. As atrações se misturam, sem existir dias por gêneros. Mundo Livre S/A toca antes do Sepultura; Cordel do Fogo Encantado se apresenta após o Korzus. Assim, o público também desenvolve níveis de interação que superam qualquer noção de “tribo”. Como se o rock fosse uma força homogênea que une todos que adoram essa música, não importando suas ramificações.

O horário de verão não funciona muito bem para Goiânia, uma cidade de arquitetura muito jovem, lembrando muito pouco de uma grande metrópole. Os shows começam as 18h e, até às 20h, as bandas tocam debaixo de um sol forte. A importância política do Noise se percebe pelos visitantes que o festival recebe. Figuras nacionais como o produtor Miranda (atualmente do programa de TV Ídolos), representantes de selos internacionais e produtores dos principais festivais de todo o país. Todos vindos a convite do evento.

A curadoria da programação surpreende. Não existe, entre as 41 bandas que tocaram lá, alguma que seja visivelmente ruim, equivocada ou sem proposta. Todos os shows são proveitosos. Mas o palco desmistifica alguns nomes, como a local Barfly, que tem um ótimo disco, mas uma apresentação que deixa muito a desejar; assim como a Valentina, que fez seu último show da carreira. O contrário da Black Drawing Chalks, que compensa um disco regular com uma das melhores apresentações da noite. Entre os mitos da casa, só crescem o das bandas Violins e a instrumental Pata de Elefante, com shows que arrancavam coros (para o Violins) e aplausos seguidos de sorrisos e fanatismo (para ambos).

O Goiânia Noise serve de plataforma para novas promessas no pop nacional do cenário independente. Além das citadas, juntam ao time dos bons os shows dos bem humorados mods paulistas do Haxinxins; também de São Paulo a Ecos Falsos e, do Rio Grande do Sul, a banda Superguidis. Já no time dos excelentes, os cariocas da Pelvs; o gaúcho Júpiter Maçã e a estreante The Name, essa com um pop oitentista cantado em inglês.

Sendo um evento tão importante, as atrações principais se reforçam como grandes jogadores no campo nacional da música independente. Consagração para as pernambucanas do Cordel do Fogo Encantado e Mundo Livre S/A, que sem tocar em rádio ou participar de qualquer programação de TV, conseguem reunir um público cada vez maior em qualquer extremo do país. O Goiânia Noise deu ainda a oportunidade do Brasil conferir em primeira mão uma das bandas mais comentadas do novo pop internacional, a americana Battles, que fez o melhor show dos três dias de evento.

Um paragrafo para o Battles. Mais uma banda que reforça como o formato pop do Brasil insiste em permanecer atrasados. Chovem bandas de guitarra-baixo-bateria. A experiência, quando existe, é em timbres, misturas de gêneros, mas nunca em novos sons. A banda americana reforça a importância de grupos menores, como os paulistas do Hurtmold e Guizado, de construir novas texturas e trazer novos sons para o universo da música pop. Com uma bateria na frente e várias mesas com computadores e samplers, desafiavam a experiência visual. O público atento procurava encontrar de onde saia cada novo som. E dessa troca, tinhamos um verdadeiro espetáculo.

Como atual centro dos festivais independentes do Brasil, o Goiânia Noise não encerra com sua programação. Os nomes que passaram pelos três dias de rock em um cada vez menos remoto Centro Oeste brasileiro já saem do palco com convite para integrar a programação de eventos em outros estados do país. E, cumprindo sua função, o festival independente põe para girar a nova música brasileira.

Abril pro Rock 2007 – Primeira noite

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A edição de 15 anos do Abril pro Rock, que começou na sexta-feira 13 de 2007, foi muito mais importante do que muito certamente se progamou. Tudo por causa de uma trinca com Nação Zumbi, Moptop e Mutantes. Uma banda que propõe a originalidade, uma que a subverte e, a terceira, mais experiente e com pose de tiozinho de propaganda de refrigerante, que questiona o que é original na música popular – aliás, em todo a nação – brasileira. Parece confuso? É só prestar bastante atenção. Mas antes, claro, é preciso dar mérito a quem abriu a primeira noite do evento.

Um equivoco na ordem dos shows transformou o Palco 3 na melhor surpresa do ano. Explicando: o Quarto das Cinzas, do Ceará, poderia ter continuado no prório quarto que não faria diferença aos ouvidos de ninguém. Mas se tinha que tocar, que fosse um espaço menor. Como o que ficou reservado para a local Canivetes, responsável por um ótimo começo de festa. Tudo parecia ok, até mesmo o público, que mesmo cedo já começava a marcar presença no Centro de Convenções. O rock sessentista dos meninos podia inaugurar num espaço maior, enquanto os cearenese não teriam dificuldade de fazer o mesmo show chato no palco pequeno.

Canivetes é da escola de Júpiter Maçã e fizeram muito bem o dever de casa. Show empolgante, deixou a dever apenas pela tensão de tocar num grande evento. Se estivessem mais a vontade, aposto que poderiam ter quebrado alguma coisa ali em grande estilo.

Resultado: ótima novidade para quem ainda não conhecia eles  – a banda se apresenta regularmente na cidade, tendo sido selecionada antes para o festival  Pátio do Rock – apresentado com a pressão da estréia junto ao começo timido do festival. Enquanto um público maior era recebido por uma apresentação, do Quarto das Cinzas, que se esforçou para ficar no regular. Quando a Bonnies, de Natal, voltou ao palco 3, essa dança das cadeiras fez ainda mais sentido

Faltou um pouco de agrupamento. Intercalar bandas que são bem diferentes sempre causa um choque que o público responde com dispersão. Foi o que aconteceu com o Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicletas, de Salvador. Ótimo show, banda legal, mas que se apresentou apenas para os curiosos. A frente do palco estava tranquila o suficiente para circular e bater um papo. Mas com talento, os bahianos conseguiram fazer um troca da curiosidade pela animação em menos de 10 minutos – a metade – do show.

Até que começa, então, a dita trinca. Nação Zumbi faz seu show de número zilhões no Recife sempre com jogo ganho. Mesmo não tocando músicas da época do finado Chico Science, eles descobrem que, sim – aliás, porque não seria assim – os fãs conhecem todos os outros discos. Renovação de repertório? É delicado associar renovação a Nação Zumbi. Banda que reprocessa idéias que já vinham de Alceu Valença, Ave Sangria e de tantos pernambucanos antes deles. Isso é pecado? Na voz de Jorge du Peixe não parece. Na guitarra destruidora de Lúcio Maia, mesmo tocando o hino do Santa Cruz, tudo se encaixa perfeitamente. Reprocessar? Sim, essa parece uma idéia legal.

Aí o Moptop, do Rio de Janeiro, entra no palco. Mais do mesmo? Eles estão fazendo igual a outras bandas que estão estourando lá fora? Opa, mas não é exatamente isso que a Nação fez momentos antes? Na visão – aliás, audição – de tantas pessoas, agora parece algo errado. Primeira e seguramente melhor representante de um novo rock no Brasl, os cariocas fizeram o show para deixar a vista brilhando com a esperança de renovação. Isso mesmo. Esqueça esse pensamento submisso de que precisamos inventar algo. Se arte se confunde com reprodução, então o inverso também é verdade. E nós refrões de “ser alguém cansa demais”, eles dão o recado. São ótimos no que fazem. Tão ótimos como a resposta do público berrando no palco.

Mas porque todo esse papo? Afinal, muito antes do Abril pro Rock pensar em surgir, Sérgio Dias, o guitarrista do Mutantes soltou a máxima de que “o violão é português, a cerveja é alemã,  futebol é inglês, a bossa nova é jazz, tudo que o Brasil diz ser genuinamente brasileiro vem de outros lugares”. Então, porque perder tempo tentando encontrar a materialide do autêntico? No palco, os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, junto com Zélia Duncan e um time de músicos dão o recado óbvio de que aquele *é um momento de Sérgio Dias*. Ele é o maestro e o que mais se aproveita deste retorno. O público reconhece e grita “Sérgio, Sérgio,  Sérgio” entre as canções

Deveria ser o show menos autêntico de toda a noite, afinal, estavam lá repetindo um mesmo repertório que já fazem há mais de 30 anos.  Isso não foi problema. De Ando Meio Desligado à Minha Menina, qualquer pulo deles no palco é razão para catarse. Tudo com um clima meio “fofo”, que deixa irrestivel tentar argumentar contra o momento. Mas nem é essa intenção. Nesse jogo de contextos sobre o que é autêntivo, o Mutantes serviu para demonstrar que não é isso que o público quer. Mas sim qualidade, como esta 15ª edição do Abril pro Rock.

 

MAS E O RESTO?

Tem tanto a se falar sobre esta edição do festival. O Abril pro Rock lavou a alma depois do pouco público – chutaria menos de 300 – do ano passado. Desta vez, algo entre 4 ou 5 mil pessoas apostaram nos shows. E foram fundamentais para que estes dessem ainda mais certo. A climatização do Centro de Convenções estranha, oras impressiona, mas não chega tanto a funcionar. Cheguei a pensar em ir de casaco antes. Para lá do fim da noite, suando feito um porco, notei o quanto me arrependeria.

A organização do festival está afinada. Os tempos entre os shows eram minimos, suficiente apenas para se deslocar entre os palcos. Som e iluminação deram um avanço consideravel – ainda mais na estrutura sem acústica do pavilhão – e, por fim, teve um grande acerto em diminuir a área utilzada do Centro de Convenções. Faltou apenas mais expositores na feirinha de discos e roupas. Parece que ano passado assustou um pouco os lojistas.

Foto de Gustavo Bettini cedida pela produção do evento