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Melhor do ano… igual pedreiro!

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A revista Rolling Stone desse mês publicou sua lista de melhores do ano, de acordo com 50 pessoas – entre colaboradores, artistas e jornalistas – consultadas. E, pela primeira vez em muito tempo, um grande veículo de circulação massiva escolheu um disco de artista independente para o primeiro lugar. Ano passado eles disseram que era o Paulinho da Viola… e agora, o Macaco Bong!

A euforia do lado dos festivais é grande. E nem é apenas pelo primeiro lugar. Tirando Lenine e Ney Matogrosso, todo mundo que está lá é da nova safra e de fora de qualquer esquema de gravadora. Olha a lista:

1 – “Artista Igual Pedreiro”, Macaco Bong
2 – “Mallu Magalhães”, Mallu Magalhães
3 – “Na Confraria das Sedutoras”, 3 na Massa
4 – “Donkey”, CSS
5 – “Labiata”, Lenine
6 – “Punx”, Guizado
7 – “Japan Pop Show”, Curumin
8 – “Pareço Moderno”, Cérebro Eletrônico
9 – “Inclassificá veis”, Ney Matogrosso

A foto no post é de Renato Reis.

Recbeat 2007 – Segundo dia

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Com o transito louco do carnaval, todos os ônibus escoando pelas mesmas ruas, tudo bem infernal, é quase impossível chegar na hora planejada nos pólos. Me atrasei no segundo dia do Recbeat e peguei apenas o “boa noite!” de despedida do Rivotrill. Uma agonia quando isso acontece, porque metade do caminho entre minha casa e o Recife Antigo é preciso ser feito a pé nessa época. E quando se está na ponte, vendo o palco de longe, com as luzes vermelhas e fumaças, é algo bem próximo à sensação de ver seu ônibus ir embora num dia de chuva. Você fica olhando, cerrando a vista, tentando ativar a supervisão, dá uma corridinha e quando finalmente se aproxima constata: é, perdeu.

Nessas horas, o que resta é perguntar. Uma parte me diz que a banda foi super chata, outra me diz que foi excelente. Não por acaso, ambas argumentam usando os mesmos motivos. Como sai perguntando mais aleatoriamente, não me atentei muito ao gosto de quem opinava. Vai parecer um comentário genérico, mas vindo de quem não assistiu ao show não podia ser diferente. Um som com muita informação no palco, misturando jazz e referências folclóricas, e que – isto foi de comum acordo a todos – teve uma ótima resposta do público. Fico na dívida aqui de ver um show dos caras.

Algo fundamental a se considerar nesta noite do Recbeat. Na outra ponta da ilha, o Marco Zero recebia um mix de Mundo Livre S/A, Nação Zumbi, Marcelo D2, Pitty e Lenine. No Recife, estes nomes juntos formam o melhor sentido para a palavra confusão. Nas ruas paralelas estava impossível. Terceira vez consecutiva que vejo venda e consumo de crack no meio da rua, em plena mesa de bar. Muita briga, arrastão, colegas apanhando pelo descuido. Abortei qualquer intenção de chegar próximo ao palco principal do Recife Antigo já no começo da noite.

Volta então, no turbilhão da confusão, para o Recbeat. Era uma banda de pós-rock no palco? Breeders, Pixies? Canja Rave, guitar band de Porto Alegre. Parecia surpreender, mas ao mesmo tempo, indie demais para um palco de carnaval. Talvez isso + a cabeça ainda atordoada das ruas laterais fizeram do show um pouco confuso. Não mais confuso que Isca de Polícia. Show chato, descartável, desnecessário. Até agora, único erro real dessa programação.

Forçando a barra para uma reflexão… acho que a programação do Recbeat ficaria ótima se seguisse uma unidade. Canja Rave teria mais clima numa noite com o Mellotrons; Digitaria com o Montage; Bonde do Rolê com Mister Catra. Tudo bem que essa coisa de “noite por ritmos” tem muita cara de Abril pro Rock, mas ainda acho que seja algo que funcione melhor.

Por isso, Digitaria foi um show totalmente passável. Eletrônico, alto, muito alto, que afastou mais público do que poderia suportar. Frente do palco vazia, mesmo com toda a macaquice que eles tentavam fazer para animar. Tinha gente empolgada sim, claro. Quem ficou para ver eles, não fez esforço. Dançou com vontade, mas ainda não vi um show de música eletrônica ao ar livre – exceção do Fatboy Slim – que tenha realmente se dado bem no Recife. Posso estar errado, mas o inferninho apertado ainda é preferência para as pistas.

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Eu já vi shows suficientes do Bonde do Rolê para ter certeza que aquele seria mais outro fracasso. Surpresa. Aliás, surpresa fantástica. Eu posso falar bastante, mas não escrevo palavrão por qualquer coisa. E preciso dizer que rock-funk-curitibano do trio, ali naquele palco, foi simplesmente do caralho. Vou rebaixar aqui qualquer tentativa cabeçoide de uma analise aprofundada para me resumir a esta única avaliação: do caralho.

Considerado tanta gente de periferia que estava lá, a resposta do público ao pancadão é quase imediata. Complicado apenas porque o Bonde é uma banda com muita referência sonora, letras complicadas. Num determinado momento, dava para ver que o publico realmente funkeiro e de cabeça rosa e amarela simplesmente parou de dançar e ficou olhando para o palco. Tudo parecia muito louco, muito complexo. Boa parte desistiu, pelo “ainda bem” do restante das pessoas claramente assustadas com o risco de pancadaria iminente.

Os fotógrafos são um ótimo parâmetro de quão surpreendente foi o show. Em todos os outros, eles se entediavam na primeira música e já iam embora com uns poucos cliques. Durante o Bonde, ninguém quis sair. “Claro! Num show desses tudo é possível, qualquer coisa pode acontecer”, disse um deles, Ivan Alecrim, do Jornal do Commercio. E durante o Rolê, rolou de tudo. Deles descendo em pleno show para beijar as meninas, a um coro do público “vai Marina, mostra a vagina!”. Marina, a vocalista do trio, não mostrou. Mas não deixou de ser tudo muito memorável.

Programação de hoje

17h00 RECBITINHO: CIA TEATRO RASGADO
19h30 MELLOTRONS | PE
20h30 VANGUART | MT
21h30 RAIES DANÇA TEATRO | SP
23h00 MR CATRA | RJ
00h00 INSTITUTO canta Tim Maia Racional | SP
01h00 MONTAGE | CE

Lenine – Acústico MTV

No recém lançado musical “Alabê de Jerusalém”, Altay Veloso faz uma narrativa pessoal para a história de Jesus Cristo. Dois pernambucanos interpretam papéis fundamentais no conto. Um deles é Lenine, vestido como “o ateu”. Veloso diria mais tarde que ninguém seria mais perfeito para o personagem. Essa verdade se potencializa este fim de semana, quando Lenine lança a primeira parte do seu Acústico MTV. Trabalho que começa com o próprio músico desbancando a crença no formato “se o microfone está ligado, não é acústico”.

Sendo mais reflexivo, Lenine lembra que essa imagem do acústico, como uma apresentação de volume mais baixo, tem raízes na sua própria origem. “Acho que era mais um produto diferenciado porque era direcionado para as bandas de rock”. E ele, de novo, desafia as crenças. “Para mim foi mesmo uma oportunidade de evidenciar minha banda e me divertir no processo”, diz, sempre num tom tranqüilo de voz. “Eu me diverti muito”, garante.

Mesmo para alguém que lança o terceiro disco seguido ao vivo, escolher um repertório não pareceu tarefa complicada para Lenine. O acústico dá um tempo nas músicas do anterior InCitté, mas vem recheado dos lugares comuns de sua carreira. “Jack Soul Brasileiro”, “A Ponte” e “Hoje eu Quero Sair Só” pontuam esses momentos. O que impressiona mais são os convidados, como Iggor Cavaleira, Julieta Venegas, Richard Boná e Gog. Mas esses só farão mais diferença para o público quando chegar o segundo momento do projeto, que será o DVD.

A maneira diferente de Lenine fazer acústico – tocando com orquestra e em um tom muito mais alto, quase elétrico – é exemplo fundamental de sua posição hoje na música. Ele é o único artista do Estado que não tem “pernambucano” como adjetivo. Fica cada vez mais difícil demarcar uma geografia nas músicas que ele faz. “É música e ponto. Contemporâneo e ponto”, como ele mesmo bem encerra o assunto.