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Saga eletropanda

Lembro que ano passado eu perguntei a Fernanda e ao Pil, do Lucy and the Popsonics, o que uma banda independente faz depois de tocar em práticamente todos os festivais independentes do Brasil. E eles falaram logo de que a idéia era partir para shows internacionais, além de “cumprir a promessa de tocar na Fraça”. Agora confere as datas já marcadas da French Cowboy Tour que a dupla (ops, trio) vai entrar agora:

pandas.jpg05/03 – Portland, OR, Estados Unidos – Dante´s
06/03 – Los Angeles, LA, Estados Unidos – Club Transistor
07/03 – San Francisco, CA, Estados Unidos – Club Loaded @Rickshaw Stop
08/03 – Los Angeles, CA, Estados Unidos – Echo
09/03 – Orlando, FL, Estados Unidos – TBA
12/03 – Jacksonville, FL, Estados Unidos – Club TSI
13/03 – Austin, TX, Estados Unidos – Flamingo Cantina @SXSW
19/03 – Tulsa, OK, Estados Unidos – The Continental
21/03 – Springfield, MO, Estados Unidos – Black Box Revue
23/03 – Chicago, IL, Estados Unidos -  Schubas Tavern
24/03 – Detroit, MI, Estados Unidos – Scrummage University
26/03 – New York, NY, Estados Unidos – Knitting Factory
27/03 – Boston, MA, Estados Unidos – Milky Way
29/03 – Berlin, Alemanha – TBA
31/03 – Hamburgo, Alemanha – Hafenklang
03/04 – Madrid, Espanha – La Pequeña Bety
05/04 – Nantes, França – IDEAL festival

Eles são os únicos brasileiros no Irresistible Dirty Extra Action Lovers (Ideal) da França, que tem bandas do Japão à Europa. Como vocês sabem, algumas das bandas mais importantes do cenário independente estão se armando com tudo para o South by Southwest (SXSW) deste ano. Confere o novo MySpace do MQN, que também divulga em breve as datas de shows nos Estados Unidos.

Foto de Pedro Ladeira

Sem frescura, agora

O último dia do Recbeat fechou com chave de ouro a edição deste ano. Edição foda e se por um lado nem todas as atrações eram 100% boas, todas tiveram utilidade e encontraram público.  Acho que a atração que melhor ilustra isso é a banda Les Frères Guissé, de Senegal. Para mim passou batido, mas juntou uma multidão de gente no fim querendo comprar disco, CD, dar abraço, tirar foto e pedir um dos caras em casamento.

A noite começou com a Bande Ciné. Tinha um nervosismo claro no palco, mas acho que minha ressalva com a banda vai além disso. São dois pontos, o primeiro e mais grave é que parece que metade da banda pensa numa proposta totalmente diferente de outra metade. Como? De um lado, estão tocando e dançando agitados, do outro estão tímidos, escondidos e fazendo a linha low profile. Parece que estão tocando em banda diferentes. E, ok, isso ainda se enquadra no nervosismo. O segundo são os covers. A banda encontrou um lance que é muito legal, mas ainda acho que a vibe seria eles fazerem músicas próprias naquele ritmo e cantadas em francês. Rolava até parodias com nossa língua, com personagens próprios, etc. Serge Gainsbourg é um cara foda, mas ele só é foda para muita pouca gente.

Vi o show da Les Frères Guissé do fosso. Aquela área colada com o palco que é usada por fotógrafos. Tão de perto, eu ficava achando muito deslocado. Fiquei pensando “será que essa vai ser a bola fora?”. Mas foi certamente a maior reação de público de todos os quatro dias. Sem contar, claro, atrações principais. Para um grupo que ninguém tinha visto aqui, parece que eles saíram com fã clube e tudo mais que tem direito.

O Porca Borboletas foi uma atração apenas OK. Acho que pesou o fato de termos muitas bandas aqui parecidas com a proposta deles no palco. Teve menos impacto, o que acabou exigindo mais da música deles, que no fim da contas é um rock simples, que nem ofende, nem necessariamente agrada. Deu uma esfriada na noite, que entraria logo em seguida no ápice de todo o Recbeat.

Vou repetir aqui: queria tocar na Orquesta Típica Fernadez Fierro. Que show foda. Os caras sincronizados nos passos, com uma formação de quatro acordeons na frente. O vocalista estragava um bocado, mas a imagem da banda era intimidadora suficiente para superar isso. Fico pensando a quanto tempo tinha uma banda dessas aqui do lado do Brasil e nunca fiquei sabendo. Depois dessa apresentação, me obriguei a procurar mais da música argentina.

A melhor surpresa do festival, para mim, também veio nessa noite. O Lucy and the Popsonics que tocou no palco do Cais da Alfândega não parece em nada com a banda que vi a dois anos no Mada, ou ano passado no DoSol. Eles cresceram, tipo assim, MUITO, no show. Antes eram tímidos, agora faziam do palco um palanque deles para o rock. A música estava mais acelerada, com mais atitude e peso rocker. Foi legal ver que eles, sem nunca terem tocado aqui antes, já tinham um pequeno fã clube coladinhos no palco cantando todas as músicas sem errar a letra.

O cover do Sepultura foi fundamental para mostrar que eles tinham não apenas encontrado, mas entrado de acordo com uma personalidade própria. A participação especial de Fabrício Nobre (MQN) no fim só foi a cereja no bolo que trazia o recado de que o electro que se foda, aquela era uma banda de rock. Eles pegaram uma rebaba do público que já se amontoava para ver o Pato Fu, o que contou a favor para o clima deles no palco. “Nunca tinha visto tanta gente assim”, dizia sorridente Fernanda Popsonic, “e a gente só trouxe cinco CDs para vender!”.

Confesso que não sei o que falar do Pato Fu. Assisti o show pagando de “mas já vi isso em outubro, no Noise”, só para pagar pela língua (deu para reparar o quanto eu fiz isso durante o Recbeat inteiro?). Nunca vi uma banda tão feliz no palco, nem um público cantar músicas inteiras sem parar, em coro que as vezes superava a voz de Fernanda Takai. Porque diabos, fiquei pensando, eles passaram seis anos sem tocar aqui?

As fotos estão no post abaixo :)

Recbeat 2008 – Quarto dia

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Eu quero tocar na Orquesta Típica Fernandez Fierro. Juro que quero. As melhores bandas são aquelas que você termina o show querendo fazer parte daquela história. E é muito raro para mim encontrar bandas assim. Ok, talvez no máximo eu quisesse estar no lugar daquele baixista do Pato Fu, mas é mais por ele ser um cara muito legal no palco que pela banda propriamente dita.

Recbeat um tanto histórico esse. Lembro quando na metade do caminho falei para Gutie que ainda não tinha tido um show ruim e ele com sorriso confiante falou “nem vai ter!”. Não teve mesmo. O produtor do festival, que descobri essa semana que é também meu vizinho, também foi acertado nas últimas palavras sobre a edição deste ano. “Gosto de confiar na sensibilidade das pessoas para conhecer coisas novas.  O Recbeat tem essa função, que é na verdade de todos os festivais independentes hoje, de circular músicas e artistas que nunca teriam acesso ao público daqui. Quem imaginaria que teria um grupo legal assim em Senegal? Ou como a Panico do Chile?”

E ai? Alguém ai ainda tem mais folego para dizer algo sobre o Carnaval? Da minha parte, fica só as imagens. Fotos de Costa Neto:

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Recbeat 2008

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Eu tinha feito uns mil planos para uma expectativa de ano novo aqui. Mas tá foda. Eu tenho respondido email em mesa de bar, escrito matéria no banheiro e feito entrevista no elevador, para conseguir usar o máximo possível do meu tempo para dar conta de tudo que inventei de fazer.

No meio tempo, segue a programação do Recbeat. Esse ano o festival deu uma investida em bandas da América Latina, reflexo da participação de Gutie, produtor do evento, na criação de uma espécie de Abrafin da região latina. Tem algumas coisas que quero muito ver, como a Orquestra Típica e Marina de La Riva. Outras coisas que já vi, mas que quero ver no “efeito recbeat” (tocar numa área aberta, de graça, pra gente que nunca iria num festival independente) são o Móveis Coloniais e Lucy and the Popsonics.

Sábado – 02/02 – A partir das 20h30
00h30 – DEVOTOS & CLEMENTE (PE / SP)
23h00 – QG IMPERIAL & RAS BERNARDO (SP / RJ)
22h00 – OS OUTROS (RJ)
21h00 – JÚLIA SAYS (PE)
20h00 – RAMMA SECA (PE)

Domingo – 03/02 – A partir das 16h
00h30 – MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF)
23h20 – boTECOeletro (RJ)
22h10 – MARINA DE LA RIVA (SP)
21h00 – ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA (PE)
20h00 – TRIO POUCA CHINFRA E A COZINHA (PE)
16h30 – CONCENTRAÇÃO DO BLOCO QUANTA LADEIRA

Segunda – 04/02 – A partir das 17h
00h30 – PANICO (Chile)
23h10 – CHRIS MURRAY & FIREBUG (Canadá / SP)
22h00 – FINO COLETIVO & DAVI MORAES (RJ)
21h00 – METALEIRAS DA AMAZÔNIA (PA)
20h00 – ISAAR (PE)
17h00 – RECBITINHO – CARROÇA DE MAMULENGO (CE)

Terça – 05/02 – A partir das 19h 30
00h15 – PATO FU (MG)
23h15 – ORQUESTA TIPICA FERNANDEZ FIERRO (Argentina)
22h10 – LUCY AND THE POPSONICS (DF)
21h00 – PORCAS BORBOLETAS (MG)
20h00 – LES FRÈRES GUISSÉ (Senegal)
19h20 – BANDE CINÉ (PE)

O Recbeat (eu sei que escreve Rec-Beat, mas eu acho assim mais bonito) também vai fazer shows no Nascedouro de Peixinhos.

Domingo – 03/02 – A partir das 15h
18h30 – SAMBA DE COCO RAÍZES DE ARCOVERDE (PE)
17h10 – QG IMPERIAL & RAS BERNARDO (SP / RJ)
16h30 – ETNIA (PE)
15h00 – MARACATU NAÇÃO AXÉ DA LUA

Segunda – 04/02 – A partir das 15h
18h30 – DEVOTOS (PE)
17h10 – boTECOeletro (RJ)
16h30 – MAGNATAS DA BEIRA MAR (PE)
15h00 – AFOXÉ OYÁ ALAXÉ

Terça – 05/02 – A partir das 14h
18h40 – CORDEL DO FOGO ENCANTADO (PE)
17h10 – CHRIS MURRAY & FIREBUG (Canadá / SP)
16h00 – CARROÇA DE MAMULENGO (CE)
15h00 – COMBO PERCUSSIVO (PE)
14h00 – TROÇA ABANADORES DO ARRUDA

Para ver tudo que já saiu no Popup sobre o Recbeat, é só seguir a tag!

Lucy and the Popsonics

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Um dos principais lançamentos que a Monstro Disco desse semestre é a dupla de Brasília Lucy & the Popsonics. Fernanda e Pil, um casal de Brasília, passou a burocracia de encontrar um baterista pra a banda de electro-rock que fizeram contratando Lucy. Lucy é um MP3 player carregado com batidas e programações eletrônicas feitas por eles. Atitude e performance deles que serviu para tocar em vários festivais independentes do Brasil. “A Fábula (ou a Farsa) de Dois Eletropandas” é IDM com postura rocker, com letras muito bobas e de nomes super criativos.

A entrevista editada com eles foi para a Folha de Pernambuco, aqui eu descarrego o bruto de um papo por que rolou por email. Com as respostas foram todas muito legais, achei que não dava para abrir mão de nada.

)) Primeiros discos são sempre bons para apresentações. Então, explica para quem não conhece, o que é o Lucy and the Popsonics?

FERNANDA
O Lucy And The Popsonics é uma mini banda, com dois integrantes, que faz bases no computador e toca guitarra, baixo e cantam por cima. Hoje, as pessoas dizem que fazemos eletro-rock, mas antes de nos chamarem assim, éramos conhecidos pelo minimalismo das músicas e letras. Somos fofos, apaixonados e cantamos sobre coisas do mundo pop.

PIL
Um garoto, uma garota e um mp3 player.

)) Muito do que a banda conquistou até agora foi antes de lançar um disco. Com a CD na mão, já mudou alguma coisa?

FERNANDA
Muita coisa mudou. A respeitabilidade é infinitamente maior. Antes abriamos os shows, agora tocamos em horários mais legais.
Para os jornalistas e produtores, passamos a existir oficialmente. O nosso disco também encontrou algumas portas já abertas porque muita gente já tinha ouvido falar da gente, o que facilitou o trabalho. Como banda, acho que trabalhar em um disco engrandece muito também. Aprendemos muito com os produtores e acho que com todos os outros envolvidos: arte gráfica, fotografia, estilismo.

PIL
Acho que com o cd conquistamos reconhecimento para a música que fazemos. Antes de ter o disco, as pessoas conheciam a gente porque ou éramos um casal, ou marketeiros, ou banda de internet, ou por causa das roupas, ou posers, etc. Agora podem falar da nossa música.

)) Eu percebi que na Internet você está sempre com o status “estudando”. Em que nível de prioridade a banda está na vida de vocês? Vem algo primeiro, vcs já estão abrindo mão de algo?

FERNANDA
Nós não abrimos mão dos estudos e do trabalho. Nós só abriremos no dia em que vivermos de música. Quando ela nos pagar o suficiente para largarmos nossas vidas de hoje com tranquilidade. Ainda não trabalhamos seriamente a possibilidade de largar tudo um dia.

Confesso que a música me atrapalha um pouco e por isso sempre estudo em horários meio esquisitos: no meio da noite, fim de semana. Eu realmente estou sempre estudando quando não estou trabalhando com a música. O Pil tenta se dedicar ao trabalho sempre mais quando não estamos tocando também. Mas, as coisas tem andado cada dia que passa mais difíceis de lidar. Os shows nos exigem mais. Agora mesmo estamos em produção de mais músicas, um novo set pra show. Por mais que não estejamos tocando, sabemos que quando voltarmos para a estrada, tudo ficará mais difícil, então estamos sempre na correria. Agora mesmo quando você me passou a entrevista, estava preparando uma apresentação de trabalho e agora são as 2 da manhã de domingo para segunda. hehehe.

Para os shows, nós estamos tendo de ensaiar todos os dias. Temos arrumado alguns exercícios para estudar mais os instrumentos e assim tocarmos melhor daqui pra frente. Acho que isso irá nos ajudar. Para aguentar shows maiores, estamos tendo que fazer regimes… até pensamos em fazer algum exercício físico, mas tomaria muito tempo da gente. Estamos preocupados em dormir e descansar mais quando estamos em Brasília. Estamos evitando as festinhas. Agora só saimos para jantar em família e para ir ao cinema. hehehe. Aliás, simpsons é muito legal! hehehe.

PIL
Ainda não houve necessidade de abrir mão de nada. Todo o trabalho da banda é muito divertido. Encaro como hobby, então se em algum momento, se abri mão de algo, na verdade foi uma opção pelo entretenimento. Posso ter deixado de dormir ou comer, mas fiz por prazer.

)) Ser banda e ser um casal se misturam? Facilita ou dificulta?

FERNANDA
Facilita e dificulta. Facilita por termos os mesmos gostos, os mesmos horários e nos amamos muito. Quando estamos fora, é mais que uma viagem a trabalho é diversão. Gostamos de passar pelas coisas juntos. Curtimos as mesmas coisas. Dificulta porque se brigamos por causa da banda, muitas vezes a gente leva pro lado pessoal. Estamos ainda aprendendo a lidar com isso. Ainda não somos profissionais do ramo! hehehe.

PIL
Com certeza, facilita! Há uma mistura sim! Por exemplo: Viagem pra tocar, pra gente vira lua de mel. Passeio na tarde de domingo vira ensaio. E tudo isso é positivo.

)) Vocês acham a associação do com de vocês com o do Cansei de Ser Sexy valida? O que vocês acham da banda?

FERNANDA
Eu gosto do CSS. Gosto muito do disco deles e estou feliz pelo sucesso que eles estão alcançando a cada dia que passa. Eu fico mais feliz ainda quando eu penso que o que eles estão fazendo, ninguém, no Brasil, nunca fez antes. Alguns falam que o Sepultura já, mas acho que são níveis diferentes. Eles são do metal, né?

Sobre a comparação, nós fazemos pop e nós utilizamos bases eletrônicas como eles fazem, mas isso não implica dizer que fazemos a mesma coisa. Musicalmente, nós temos uma pegada mais rocker e utilizamos bases mais engraçadas, menos sérias. Nossas músicas acabam sendo mais brincadeira, mas também não deixa de ser algo dançante. Gosto quando as pessoas dançam nossas músicas de forma bem esquisita. Acho que esse é o lance. Não fazemos as pessoas dançar da forma normal. Tem de parecer esquisito. Eu as danço de forma bem esquisita!

O que me incomoda é o pré-conceito sobre o som e o estilo. Muita gente acaba caindo no lugar comum e não percebe. É muito cômodo utilizar a comparação para fazer críticas ruins e denegrir. É cômodo tentar não entender e fechar uma conclusão mais óbvia. Mas, acho que isso aconteceria de qualquer forma, se tocássemos outro estilo musical e tivessemos também uma boa aparição pública, as pessoas achariam outros referenciais com os mesmos objetivos. Disso, conclui-se que o problema não se centra nas referências utilizadas, mas em alguns fracos críticos musicais presentes hoje no Brasil.

Algumas pessoas nos perguntam sobre a “New Rave”. Bom, para começar, esse não é o primeiro movimento musical que mistura rock com eletrônico, mas as pessoas se deixam levar pelo pré-conceito imediato e não consegue distinguir coisas. Alguns dizem que somos próximos desse movimento. Eu acho isso muito questionável. Em alguns pontos nos aproximamos, em outros nos afastamos. Acho que somos o que somos e ponto.

PIL
Acho que temos pais e primos bem próximos. Provavelmente, ouvimos as mesmas coisas. Temos referências em comum, não tem como negar. Agora, eu vou ser bem sincero, eu nunca ouvi o disco do início ao fim. já ouvi em festas, vi clipes, e vi um pocket show aqui em brasília. foi muito massa! torço para que eles cheguem bem longe. fico surpreso qdo vejo a lovefoxx em ensaios de revistas gringas. Eles estão abrindo um caminho que a gente pode seguir. não vejo nenhum problema nisso. não fazemos nossa música por conta dessa possível facilidade ou pela admiração ao trabalho deles. Não é pra seguir uma “ondinha”, como já falaram sobre a gente. Cara, a música que fazemos é a mais fácil do mundo. Precisamos mexer um pouquinho no computador e conhecer alguns acordes. Só!

)) Que bandas, dessas que estão tocando em festivais independentes do brasil, que vocês gostam mais?

FERNANDA
Móveis Coloniais de Acajú (sempre!), Montage e MQN.

PIL
Qualquer show do móveis e do montage é fenomenal! nos shows do superguidis eu canto todas as músicas e no do MQN me dá vontade de tomar cerveja (isso é pq eu não bebo… hahahahhaah)

)) Quais festivais vocês mais tocaram? E dê detalhes! O melhor, o pior, a maior supresa e a maior decepção que tiveram circulando o país.

FERNANDA
Tocamos muito em festivais em Brasília e Goiânia – óbvio – Cuiabá, Minas Gerais e Natal. É complicado dizer qual o melhor e qual o pior porque cada festival tem sua particularidade. Os piores foram em Brasília. Aqui os técnicos de som são as estrelas no palco. O artista tem implorar pela compaixão deles. No Mada tivemos problemas técnicos em 80% do nosso tempo de show. Isso não significa que foi o pior festival. Na verdade, foi um dos mais legais, só não tivemos a oportunidade de tocar direito. O Rio de Janeiro dá pouca estrutura para as bandas. Acredito que em todos os outros festivais nós tivemos momentos maiores de tranquilidade. Os melhores festivais são os feitos pela minha gravadora, a Monstro.

Fora dos festivais que nós tivemos os melhores e piores shows e as maiores decepções. O melhor show é o mais difícil porque já tivemos os vários melhores shows. Alguns em São Paulo, outros em Minas e em Goiânia. O pior show da minha vida foi o nosso lançamento do disco em Brasília. Na casa onde fomos fazer o show, não tinha a melhor estrutura de som. Pagamos um super som pra dar conta do recado, mas ele não funcionou na hora. Estavamos há 8 meses sem tocar em Brasília e havia uma super expectativa no nosso show aqui. Foi triste. Eu chorei de decepção depois do show. Se fosse para eleger um dos piores lugares para se tocar, em termos de infra-estrutura, Brasília estaria entre os tops. Rodando o país o lugar que mais sofremos para tocar foi em Porto Alegre. Pegamos horas de chá de cadeira no aeroporto, depois ao chegarmos em Florianópolis tinhamos que pegar um ônibus para Porto Alegre. Só que não havia mais ônibus porque chegamos muito tarde na cidade. Passamos 9 horas dormindo na rodoviária. Passamos algo em torno de 24 horas para chegar ao nosso destino. A viagem era para ter durado menos de 12 horas. No dia do show, tomamos um calote e ficamos um bom tempo sem dinheiro por isso.

A nossa primeira maior supresa foi o Bananada em Goiânia. Nunca tinha visto um povo tão louco e sedento por rock! A segunda maior surpresa foi conhecer o pessoal de Cuiabá. Eles são muito organizadinhos. Isso eu nunca tinha visto coisa igual. Parecia que eu estava em outro país.

Um dos shows mais engraçados foi um que uma menina invadiu o palco para dar um beijo na boca do Pil. Não fiquei com ciúmes porque eu entendo o sentimento dela. Deve ser legal conseguir fazer uma coisa dessas. hehehehe.

PIL
A gente não repetiu nenhum festival ainda. Acho que o melhor, que mais me surpreendeu foi o bananada em 2006. Foi nosso primeiro show fora de brasília e foi incrível ver como as pessoas estavam dispostas a nos ouvir, a se divertir com a gente. Goiânia tem os shows mais legais de sempre! quem já foi, sabe o que estou falando.

Minha maior decepção foi o Mada. Nos preparamos bastante. Tínhamos altas expectativas, mas tivemos problemas técnicos que prejudicou o início do show e acabou tirando todo o nosso tesão para o restante da apresentação. Isso, com o tempo muda, vc acaba percebendo que essas falhas são frequentes para qqer lugar ou artista, e que qdo solucionado, não deve interferir no restante do seu show. A estrada está nos trazendo isso. Um dia faremos shows bons independente das condições técnicas.

)) Vocês já estão perto de fechar o circuito de festivais ainda enquanto lançam o primeiro disco. Onde a dupla vislumbra o Lucy and the Popsonics em 2008?

FERNANDA
Tocando em mais festivais legais e fazendo o que gostamos de fazer a nossa maneira. Queremos cumprir a promessa de tocar na França.  Os festivais independentes brasileiros são legais, mas  têm seus limites.

PIL
Exterior e um circuito de casas e festas. Os festivais te apresentam para o público mas não são sustentáveis para se manter a banda ativa por dois, tres anos. não acontece da banda se repetir na programacao por dois anos consecutivos e concordo com isso. por isso estamos navegando nesses novos caminhos. o final do ano será muito legal pra gente e praticamente não teremos nenhum festival independente na agenda.