Hoje tem lançamento do CD da Amp na Nox. A melhor banda de rock da cidade (desculpa, Vamoz!) vai lançar Pharmakodinamica pela Monstro e para coroar, vai ter uma noitada do selo na cidade. MQN e Black Drawing Chalks, que estão no Nordeste para o Festival DoSol, tocam aqui juntos com o Macaco Bong (eles não estão no cartaz, mas como decidiram ficar na cidade o mês inteiro, também vão tocar), Amp e Vamoz.
Vá! Tem clone de cerveja e faz muito tempo que não tem um show de rock assim por aqui. Também vai ser minha despedida oficial do Recife. É, estou indo embora. Quem não se ligou no que estava rolando no Twitter ai na direita, pega a explicação que vai vir só amanhã. Ou então vai lá que eu conto tudo.
Essa é a capa do CD tributo ao Mudhoney que a Monstro vai lançar como parte da comemoração dos 10 anos da gravadora e em homenagem a banda que influenciou 11 em cada 10 de seus artistas. Mas também tem música de gente de fora, como a baiana Pitty e os potiguares Sinks. Falei com eles para disponibilizar pelo menos uma faixa aqui… Vamos ver se rola depois da correria do Noise :)
A arte ficou ficou incrível, assinada por Márcio, do Mechanics. No set, o vereador canta Here Comes Sickness. Aliás, olha só quem canta o que:
1 – Walverdes – Suck You Dry
2 – Ambervisions – Touch me, i’m sick
3 – Detetives – El Sol q Ciega (blidding sun)
4 – Macaco Bong – You Got It
5 – Autoramas – In’n'out of grace
6 – MQN – Poisoned Water
7 – Lucy and the Popsonics – Well Well Song (generation spokesmodel + fashion forecast)
8 – The Dead Rocks – March to Fuzz
9 – Vamoz – Pokin Around
10 – Mechanics – Here Come Sickness
11 – Pitty – If i think
12 – Holger – No Song 3
13 – Superguidis – Into the Drink
14 – AMP – Thorn
15 – The Sinks – Who you driving now
16 – Motherfish – Real Low Vibe
17 – Debate – Good Enough
E por falar em novos festivais, Fernando Rosa, o Senhor F, manda avisar que nos dias 27, 28 e 29 de novembro acontece em Brasília o El Mapa de Todos. Parceria com a Sylvie Piccolotto, da Scatter Records, para aumentar o diálogo entre o que é produzido aqui e na América Latina. Para quem ainda não ficou sabendo, desde que perceberam como estamos perto de tantos países que está se discutindo nos bastidores uma possível Abrafin latina.
Outro dia escrevi sobre o quanto é contraditório a gente conhecer tanta banda dos Estados Unidos e Europa e quase nenhuma dos paises vizinhos. O que deixa pensar que, logo aqui do lado, é capaz de nunca terem ouvido falar em Los Hermanos ou até Chico Buarque (ou vai dizer que você conhece o Chico do Uruguai?). Uma das coisas mais legais do El Mapa é poder ver essas bandas ao vivo e quebrar esse tabú. Olha só a programação:
A turma do Mundo Livre, por sinal, deu dica do vídeo da música Estela ao vivo no Circo Voador. A música é a faixa inédita da coletânea Combat Samba, produzida por Miranda.
Foi muito bom pagar pela língua e dizer que foi difícil encontrar 16 bandas que valessem a pena nas 97 inscritas no festival Microfonia. Porque as duas semi-finais foram supreendentes, com um nível que era impossível imaginar nas passadas. Para ter idéia do quanto foi difícil chegar ao resultado final, desses concorrentes todos, 11 levaram pelo menos um voto. E os empates fizeram que nós, os jurados, votassemos mais duas vezes até conseguir chegar em A Comuna, Candeias Rock City, The Keith e Voyeur.
Na verdade, o nível foi tão bom, que não me espantaria se na próxima edição do Abril Pro Rock pelo menos duas das não selecionadas apareçam na programação do festival. Se todo fim de semana tivesse show de pelo menos duas dessas 16 a cidade já seria um lugar melhor para viver =P Eu votei na Banda de Joseph Tourton, Candeias Rock City, The Keith e Love Toys. Se pudesse escolher mais uma seria a Ugly Boys. Em ambas repescagens votei na Voyeur.
Espero que as bandas percebam que o público que estava no UK nesses dois dias era apenas para ver eles. Ninguém bateu lá por acidente. Então não tem mais desculpa para elas não se encontrarem mais vezes, fazerem mais shows e animarem mais a noite do Recife. Mais do que qualquer prêmio, se isso acontecer, o Microfonia vai ter cumprindo sua função.
Eu disse dois posts abaixo que ainda não tinha visto um show do Macaco Bong que justificasse o louvor pela banda. Esse show foi quarta-feira, no encerramento do Microfonia. Que banda. A equação palco apertado + som bom foi fundamental, além do bom clima que a noite estava com a vitória das bandas.
Eu me devia uma visita ao Festival Mundo desde sua segunda edição. Naquele ano fui convidado para apresentar o Overmundo para o público da Paraíba e, por motivos pessoais, acabei tendo que voltar para o Recife logo após a conferência. Nos outros dois anos também não consegui estar lá, mesmo acontecendo em uma cidade vizinha. Problema corrigido esse ano. Sai do jornal direto para a rodoviária, encontrei com Montarroyos e seguimos em direção a João Pessoa. Por lá, já esbarramos nos Macaco Bongs, Calistoga e o pessoal do Cabaret, que terminava passagem de som.
Corremos com o check in no hotel e depois para o jantar, mas não foi o suficiente para pegar o show da primeira banda. Era a Outona, atração local que tocava hardcore melódico. Dei uma espiada lá no Foca e ele disse que não chamou atenção. Eu fico me devendo uma vista, já que a banda não usou metade do tempo que tinha de show. As fotos chamam atenção pelo visual bem cuidado deles. Coisa que fez falta em boa parte de outros mais experientes que passaram pelo palco.
Este ano o Festival Mundo se viu obrigado a diminuir de proporção. O lugar onde acontecia antes não podia receber um evento este ano por causa da eleição municipal. Num passeio rápido pelo Galpão 14, escolhido como substituto, já ficava evidente a importância que o evento tem em João Pessoa. Eles estão apertando o Fast Forward, descarregando informação em excesso para que o público local perceba o que está acontecendo nas cidades vizinhas. O vai e vem blasé das pessoas ficou entre as sensações mais angustiantes do evento.
As duas bandas potiguares não se deram muito bem na estréia que fizeram no festival, pelo mesmo problema da Outona. Como a programação é menor, dava mais tempo de apresentação para cada atração. E nem o Camarones Orquestra Guitarristica e a Calistoga pareciam preparados para um repertório de 40 minutos. A primeira, instrumental, divide as músicas com um começo mais rock, encerrando com reggae e versões para trilhas de desenhos animados. Resultado: esticaram a parte mais difícil de acompanhar, por ser mais lenta.
O mesmo aconteceu com o Calistoga. Acho eles uma das melhores bandas de rock do Nordeste hoje – entre as mais novas, claro! – mas o pique desandou da metade para o fim. Chegaram a terminar mais tímidos, quando deviam levantar e instigar o público cada vez mais. Não vou me meter a produtor de banda aqui, mas de repente escolher algum cover conhecido ajudasse. Sem isso, acabaram perdendo as pessoas que assistiam tudo da frente do palco. Por sinal, nessa primeira noite, o Festival Mundo teve cerca de 300 pessoas conferindo os shows.
Coube a Star 61 dar o primeiro suspiro de esperança da noite. Tocando em casa, começaram brincando um pouco com folk, quase escondendo o potencial glam do vocalista Flaviano. Ele sabe comportar no palco como poucos e, rapidinho, faz caretas, pulas e jogas as plumas para cima, tira a roupa e transforma totalmente a falsa primeira impressão do show. Me lembrou o que escrevi no Boom Bahia sobre se levar a sério. Eles conseguem fazer escracho e ultrapassar o limite do rídiculo sem precisar pagar de personagem.
Isso é a chave central. É impossível não se contagiar quando Flaviano sai para o meio do público, sobe o muro e ensaia um strip tease. O Star 61 consegue existir nos limites no bom senso e, ao mesmo tempo, soar agradavelmente pop. O constrangimento é zero, enquanto a diversão e as músicas já não podem se medir em notas. Eles são uma prova de que o Festival Mundo está tentando mostrar uma realidade rock que já existe na cidade, só precisa ser disseminada.
Tanta purpurina acabou complicando o meio de campo para o Cabaret. Afinal, a proposta das duas bandas eram a mesma. E quando Marvel, vocalista da banda carioca, cantou “O Vira” do Secos e Molhados numa ponta do show do Star, ficou claro que ele não ia vencer na disputa da imagem. Mas acho que isso só não passou de um bom desafio… O Cabaret precisaria, talvez pela primeira vez em festival, mostrar que pode chamar atenção além do cênico.
Mas além de performer, Marvel – codinome que Márvio dos Anjos usa no palco – canta como poucos. Aliás, depois de rodar o país em festivais, vendo para lá de mais de 200 bandas diferentes, me sinto seguro em dizer que o cenário independente ainda precisa correr muito para chegar no nível do que eles conseguem fazer no palco. Mesmo nessa, que foi uma apresentação regular, com direito a falha no microfone quebrando a concentração da banda, o Cabaret surge como principal nome de fora nessa edição do Mundo.
O Cabaret é uma banda de hits, algo que ainda faz muita falta no circuito de festivais. É impossível sair do show sem ficar com pelo menos umas duas músicas no repeat mental. Acho que bandas como essa evidenciam a necessidade de um novo meio termo entre a cena independente e o mainstream, já que ela tem competência para transitar entre os dois meios sem pertencer necessariamente a nenhum deles. Mas não deixa de ser divertido imaginar o estrago que eles fariam com uma projeção maior.
Ao contrário do que acontece com o Macaco Bong, que tocou logo em seguida. Esse choque entre o pop e o experimental acabou não sendo bem assimilado pelo público, que ao não entender quando uma música começava e outra terminava decidiu deixar o local. Confesso que essa mistura de virtuosismo com stoner rock não consegue fazer muito sentido para mim, apesar de reconhecer o quanto a banda é foda no palco. Vi poucos shows dos Bong até hoje (acho que três), e ainda acho que não vi a mesma a banda que tem sido elevada ao patamar da cena independente.
Mas nessa noite, especificamente, tive a primeira decepção real com a banda. Um amp do palco estourou quando inventaram de esfregar a guitarra nele. E tive que ver os caras saírem do palco com cara de quem não queria saber, falando de forma bem ríspida para a produção do evento que “festival é assim, isso é normal”. Para uma turma que faz tanta questão em falar de cadeia produtiva, deviam saber que ferraram o dono do som, deram prejuízo ao festival e prejudicaram as bandas do dia seguinte. E não, isso não é normal.
Conversei com o pessoal da banda e eles explicaram o acontecido. Segundo Bruno Kayapy, o que aconteceu é que o amp sofreu um arranhão e o responsável pelo som do festival exigiu um novo. A banda até topou oferecer um novo, mas apenas em troca do que teria sido “danificado”. E ele acabou não aceitando e deixando a história para lá.