Alguns dos principais festivais do segundo semestre que ainda não fecharam a programação já começaram a divulgar algumas atrações principais. Essa chegou hoje e é nível “parem as maquinas”. Marcelo Camelo faz sua estréia solo, acompanhado pelo Hurtmold, no Recife. Ele é o primeiro grande nome nacional anunciado pelo No Ar: Coquetel Molotov. O festival será nos dias 19 e 20 de setembro no Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco. Além deles, mais três suecos: Peter Bjorn and John, Club 8 e Shout Out Louds. A programação final tá perto de sair. Teve até uma banda indicada por mim, legal isso. :P
Quem também mandou novidades foi o Mada. O festival de Natal vai ter show do Motossiera – a banda estava desativada, o que só deixa a notícia melhor ainda – e o americano Josh Rouse. É um folk bem pop, agradável na primeira impressão. Eu nem conhecia… fui ouvir só por ter sido anunciado. Já tem quase tudo divulgado, anota ai: Seu Jorge, Pato Fu, Lobão, Cordel do Fogo Encantado, o Rappa, Curumin, Mallu Magalhães, Sweet Fanny Adams, Poliester, Falcatrua, Brand New Hate, Lunares, Síntese Modular, Rosa de Pedra, Poetas Elétricos, Barbiekill e Macanjo.
Enquanto isso, o Tim Festival começa a ficar interessante. Minha banda favorita desse ano, a MGMT, foi confirmada na programação. Além deles, The National, Gogol Bordello e Paul Weller são oficiais. No palco jazz, Carla Bley e Esperanza Spalding. Não oficialmente, falam ainda de Klaxons e Gossip.
Você sabe como é aquele papo de murphy: o Pop Up foi invadido por algum tipo de hacker frustrado com o wordpress (e estava derrubando os logins de todos os sites que usam a ferramenta). Quando consegui deixar tudo em ordem, viajei para o interior e fiquei sem Internet. Quando voltei, meu computador ficou sem funcionar. Por isso essa sensação de entregue as moscas que o blog deixou nos últimos dias.
Se bem que nem é para tanto. Os comentários sobre a programação do Fig animaram a casa durante esse meio tempo. Bizarro, vocês viram? Programação de primeira, mas com todo mundo reclamando porque não tem… Ana Carolina. Como agora não estou mais no jornal – não estou? – não vou poder fazer cobertura do Festival de Inverno como nos anos anteriores. Mas garanto que vou dar um jeito de ir ver Cidadão Instigado na Guadalajara Praça Euclides Dourado.
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Vou entrar no clima do novo Mac – fucking yeah! – e ativar o Time Machine. Nesse tempo que eu estive offline o Porão do Rock divulgou quase toda sua programação. Vai ter Muse sim – aliás, viajei na comoção. Sério que a banda tá com essa bola toda? – mas também vai ter muita banda independente legal. De cara, parabéns já para a Tom Bloch que demorou a entrar no circuito. E no Pilulas do Porão ainda vai ter o The Hives. Esse sim, um show gringo que eu queria ver.
Quem também deu um adianto na programação foi o Mada. Confirmou sua parcela MPB das atrações com Seu Jorge e Pato Fu. O Rappa – que retornou… ou você também não tinha percebido que eles tinham ido embora? – também deve tocar lá. Mas também tem Curumim, Sweet Fanny Adams e Mallu Magalhães. Mallu, ao que parece, deve pintar no Recife também. Mas em outra época.
E esse fim de semana eu conferi em primeira mão a programação do Calango. Sem trocadilho: tá de primeira. Tem uma sequência imbatível de música instrumental com o melhor do que o cenário independente tem para oferecer. Uma eu já adiantei aqui, o Pata de Elefante. Corre o risco até de competir com o festão que foi o Bananada. Mas só vendo para crer. Eu vou ver… e você?
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De volta a programação normal… essa semana tem podcast novo com participação de Pablo Capilé. Resenha de um monte de disco – tava em débito com essa, né – e umas entrevistas para temperar um pouco o clima da cena independente. Eu volto decentemente, prometo.
Depois de visitar tantos festivais, ficou meio claro que aquele formato clássico de grande evento para 10 mil pessoas acabou. A tendência parece ser realmente diminuir. Perder o público interessado apenas na “balada”, para ficar aquele que gosta mesmo de música. As últimas três edições de eventos como o Porão do Rock, em Brasília, e o nosso Abril pro Rock, servem de exemplo de que quantidade de público não é mais equivalente à qualidade dos shows.
Depois da queda de importância do disco, essa é a segunda mudança mais significativa desse novo tempo da música. O que significa que quem precisa dessa cadeia para sobreviver, vai ter que se adaptar. A maioria das bandas ainda não se adaptou a isso. Fazem shows que são pura transposição do estúdio de ensaio. Sem atrativo visual ou o menor cuidado cênico. Até se tocarem dessa importância, devem perder bastante público e oportunidades de entrarem em festivais.
Vizinho hermano
Já pensou ser vizinho do Marcelo Camelo, do Los Hermanos? Isso não está longe de acontecer. Depois desse recesso da banda, ele está se organizando para vir morar aqui no Recife. Não fosse o bastante, já tem evento tentando marcar apresentação solo dele na região.
Novidade
O DJ Dolores já está com o disco novo finalizado. Ele adianta que as músicas estão bem diferentes do anterior Aparelhagem. Sem data certa para ser lançado, existe a chance do CD sair junto com um livro de ilustrações. Para quem não conhece, os ótimos desenhos de Dolores estão na última edição da revista Ragú.
Metal na TV
Agora, o público headbanger do Recife vai poder acompanhar um dos programas mais populares de Heavy Metal no Brasil. O Stay Heavy passa a ser exibido na região metropolitana pela TV Nova (canal 22 na grade aberta e 29 pela operadora Cabo+). O programa vai ao ar todas as segundas-feiras, das 19h às 20h.
Revistas
A história que corre, ainda nos bastidores, é que a revista Bizz deve sair de circulação de novo até o fim do ano. Enquanto eles ainda sofrem para conseguir um anunciante, a última edição da concorrente RollingStone veio com 54 páginas inteiras de propagandas. Este mês, a primeira também perdeu todos seus principais colaboradores para a segunda.
NATAL – Festivais independentes estão assumindo, cada vez mais, a função de peneira para a nova música brasileira. É um formato que se repete. Cerca de 30 bandas são jogadas para uma avaliação em três etapas distintas. A primeira pelo público, a segunda pela imprensa especializada e a terceira pelas outras bandas que estão se apresentando. E, por enquanto, essa parece ser a melhor maneira encontrada para uma seleção natural apontar novidades em tempos que qualquer um consegue ter um disco prensado. Neste último fim de semana, o festival Mada, em Natal, tentou cumprir sua parte nessa história.
Foram três dias de apresentações. As atrações principais, para atrair o público a cumprir sua parte eram Nação Zumbi, Mombojó, Paralamas do Sucesso, Detonautas e Skank. Elas não desempenharam um papel muito bom. Com exceção da pernambucana Mombojó e da mineira Skank, que reuniram maior número de público, no geral pouca gente estava disposta a ver o Mada este ano. Nos últimos três anos, o evento perdeu cerca de 40% de seu público.
Estive no evento a convite do patrocinador oficial Tim, para conferir que nomes chamaram atenção nesse vestibular do rock. Tarefa complicada, considerando que muitas das apresentações ainda deixam a desejar. Fica muito claro, nessa nova etapa da música que vivemos, que ter uma boa presença no palco é muito mais importante que ter um disco próprio. Mesmo assim, a maioria das bandas se apresentou como se estivessem dentro de um estúdio, sem público e com pouca motivação.
Sorte de quem soube aproveitar a vantagem visual. De cada noite do evento, pelo menos dois nomes podem ser guardados. Madame Saatan, do Pará, tem um domínio de público de fazer inveja. A vocalista Sammliz, 32 anos, tem carisma e voz para desbancar qualquer ídolo adolescente. A banda também tem hits, bons o suficiente para sair da apresentação já com alguns bem presos na memória. De todas, essa foi a melhor surpresa do evento. Na mesma noite, Neguedmundo, atração local, dá sinais que a música negra é muito mais forte em Natal que o próprio rock.
Essa preocupação com o palco também foi fundamental para a brasilense Lucy and the Popsonics mostrar que tem muito mais potencial que o apresentado por um show prejudicado pela técnica. Começaram sem os instrumentos funcionando, terminaram com um pequeno número de novos fãs. Tocam rock cheio de programação eletrônica, desse que já é moda, o que tem ajudado eles a fazer quase todo o circuito de festivais independentes esse ano.
Rockassetes (SE), Cabaret (RJ) e a pernambucana Mellotrons são nomes que também sabem a importância que é mostrar algo diferente ao vivo. Ganharam o público que ainda não os conhecia fácil, já nas primeiras músicas. Boas músicas, seus discos já mostraram que eles já tinham, presença e carisma dão o passo adiante. O mesmo para a Superguidis, de Porto Alegre, que tocou na última noite. Tirar oito, de 33 atrações, parece um saldo positivo para o festival, que recebeu respectivamente cinco, dois e oito mil pessoas por noite.
O oitavo nome dessa lista merece atenção especial. Moveis Coloniais de Acaju, de Brasília, é a banda independente com o maior potencial hoje no Brasil, sem sombras de dúvida. São reis no palco, na música – um ska mais pop, divertido de ouvir e de ver – e na simpatia que nunca dá trégua. Fizeram cerca de três mil pessoas resistirem a chuva forte apenas para fazer parte daquele momento. Algo que algumas atrações principais, como o Detonautas, não conseguiu. Se o fim do Los Hermanos deixar uma lacuna para uma próxima grande banda nacional, Moveis Coloniais já é vencedor desse cargo.
Infelizmente, o Mada ainda é carente dos jogadores intermediários dessa partida. A única banda que ainda não está na última fase, mas já acumula muita experiência de estrada presente na programação foi a MQN, de Goiânia. Resultado: jogaram sozinhos e fizeram um show que está longe da performance insana que eles costumam ter sempre no palco. E mesmo numa noite de astral mais baixo, o vocalista Fabrício Nobre, continua como melhor exemplo do que é sempre ter presença no palco. Hard rock com cerveja e palavrão voando para o público, difícil de não se contagiar.
Formatos
O “se” na frase sobre o Móveis Coloniais é o novo ponto fundamental a cada passagem de festivais. O Mada, assim como o Abril pro Rock, reforçaram este ano que o formato clássico, com mais de 10 mil pessoas circulando nos shows, mudou. A tendência parece ser realmente diminuir, perdendo o público que quer apenas balada, para o que se interessa mesmo por música. Reflexão que veio no fim da noite do evento, num papo entre jornalistas e músicos, ao som das últimas músicas do Skank e os primeiros raios do sol.
Na segunda rodada de shows, ficou claro que este ano o Mada perdeu alguma coisa. Complicado dizer tão em cima o que foi, mas eu apostaria na programação. Poucas surpresas, quase nada para se levar para casa na memória. A chuva contribuiu bastante também para esse resultado. Pouco menos de 3 mil pessoas, quando nos anos anteriores costumava passar de 10. Sempre que isso acontece, o “formato festival” acaba sendo colocado em cheque. Muita oferta para pouca demanda igual à circulação irregular de tantas bandas.
Esse “cheque”, ou falência, fica fácil de ser notado ao se assistir tantos shows em seqüência. O novo discurso independente é de que o palco é mais importante que o disco. Verdade. Mas poucos ainda se preocupam com o fato de que estão ali para uma experiência visual, não apenas sonora. Dessa última parte, a responsabilidade é da equipe técnica. E considerando a inexistência acústica da beira-mar, o Mada cumpriu sua função de maneira excelente. Jogou para as bandas a responsabilidade final, mas elas deixaram a peteca cair.
Pandora no Hako é uma banda local. Bandas “de proposta” são as mais difíceis. A deles é a de misturar músicas de antigas séries e desenhos animados japoneses num desafinado metal melódico. A informação passa despercebida para quem não é um iniciado. Se fossem armados de um cosplay, com o mínimo de preocupação estética no visual, teriam chamado atenção. Como não fizeram, foram apenas esquisitos e esquecíveis. Abriram a noite apenas para a comunidade nerd local.
Enquanto o Lucy and the Popsonics, de Brasília,tinham essa preocupação em mente, mas certamente centrada nos palcos pequenos onde já se apresentaram. No espaço enorme que um grande festival oferece, a dupla ficou perdida no que poderia ter sido um ótimo show. Mesmo caso da carioca Manacá. Boa performance, mas banda que deixa a desejar, principalmente quando se separam demais no tamanho grande do palco. Potencial desperdiçado.
A noite deu a primeira melhorada com o Rockassetes, de Sergipe. A banda tem hits certos no repertório, e isso já os coloca muito à frente de várias que passaram por esses três dias do repertório. Falta apenas um pouco de maldade na postura do palco. Coisa que eles conseguiram somente no fim dos 30 minutos de show. Conversando com os integrantes depois, eles entregam logo o jogo de que é a ansiedade de estar num grande evento. Mas se o festival é o novo “peneirão-vestibular” do rock independente, criar expectativas demais pode acabar reprovando.
Toda essa questão sobre “o que mostrar no palco” fica ainda mais crítica com outra local, a Memória Rom. É como assistir um ensaio. Ok, um ensaio mais empolgado, mas ainda assim pouca preocupação visual, traduzida em calça jeans, camisa de algodão e uma banda que ficou meio neurótica no palco. Eles já tinham se dado bem em outro festival local, o DoSol, mas acabaram se prejudicando no Mada.
Nessa seqüência tediosa, uma banda como a Cabaret já sobe no palco sabendo onde mirar para o gol. São personagens, com visual, roupa e hits em cada manga. Quem passar por perto, para. Quem parar, canta. E quem canta, vira cúmplice da brincadeira toda que eles fazem no palco. É difícil medir algo que não seja jabá para uma banda acontecer, mas se existir, então é apenas isso que falta para esses cariocas.
De todas as apresentações da noite, o Mellotrons pareceu a que estava mais em cima do muro nessas questões. São de fora, mas tem um público local que berrava cada letra exatamente na frente do palco. Eles tem “hit” – dá pra sair do show cantando pelo menos umas duas músicas de cabeça – mas o inglês infelizmente acaba sendo um obstáculo. O peso contra, na real, é que eles trazem informação demais para o palco. Isso não é ruim. Até porque eles mostram que se divertem bastante improvisando teclados e outros instrumentos, mas para um público que está sendo bombardeado de shows numa única noite, compromete. Quem não estiver grudadinho ali na grade, acompanhando os sorrisos, se dispersa logo.
Mesmo não sendo de Natal, já vi shows suficientes do Bugs para afirmar sem medo que eles são a grande banda de rock dessa cidade. Por terem essa maldade necessária para o palco, boas músicas, maturidade, etc, etc. E como toda banda, também mandam uma bola fora. O show funcionou para quem era local, mas se colocarmos eles nessa lógica do festival como um funil de novas bandas, hoje eles teriam ficado na borda.
A maior surpresa da noite foi o Mombojó. Não sei o que colocaram na água da cidade para a presença deles atrair tanta gente assim, já que eles não tocam em rádio, não estão nas paradas, nas novelas, nem nos canais tradicionais. E pela primeira vez, desde os incontáveis shows que assisti dessa banda, desde que eles tinham apenas metade dos integrantes e se chamavam Play Damião, eu vi eles saberem o que fazer com tanto público.
Show violento, com o vocalista Felipe S correndo e se contorcendo, subindo, pulando e caindo por todo canto do palco. Talvez seja aquela troca secreta que artista e público faz no palco. O Mombojó parece finalmente ter recebido o suficiente para oferecer algo no palco. No momento final, com Deixe-se Acreditar, um jornalista carioca que assistia o show ao meu lado chegou a dizer “caramba, parece até que são os Beatles de tanta comoção”. Meio exagerado, mas ótimo para passar uma idéia de como foi.
Mas o melhor show da noite, foi mesmo do Moveis Coloniais de Acaju. O que falei antes sobre o Cabaret, se aplica nessa banda de Brasília multiplicado por 30. Porque, aqui, quem olha também pula feito pipoca, grita bastante e sorri na frente de toda a metaleira da banda, formada por nove pessoas, correndo feito loucos no palco. Com o buraco deixado pelo Los Hermanos, eu aposto que falta pouco para esse se tornar a próxima grande banda jovem do Brasil.
O Mada também serviu para desmistificar essa história de que Natal tem uma grande relação com o Detonautas. Quando eles subiram no palco, numa pose meio hippie pró-paz que não cai bem no novo discurso social e anti-violência da banda, boa parte do público fez questão de ir embora. Média de 1000 pessoas encararam a chuva para curtir um show que teve até Raul Seixas e só terminou depois das 4h da manhã.