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Rixa?

Semana passada, a revista Laboratório Pop publicou em seu site uma matéria sobre o festival Música Alimento da Alma, o Mada, que acontece em Natal. A revista é editada no Rio de Janeiro. A maioria dos jornalistas – incluindo o que assinou o texto – são cariocas. Agora vem o fato bizarro: todo o texto tinha um clima de rixa entre o festival Mada e o Abril pro Rock. Com frases como “botou o Abril no chão”. E, o mais estranho, com uma suposta rixa também entre as cidades de Recife e Natal.

O que deixa o comentário curioso é que o organizador do Mada, Jomardo, é um dos principais investidores da revista carioca. Essas relações sempre são muito perigosos. Primeiro pelo óbvio, que é a rixa que não existe. Depois pela associação de um veículo de grande circulação com um evento de grande porte. Fica a incomoda sensação que a provocação – e a criação dessa tal rixa – foi intencional.

Clipe
A banda Mundo Livre S/A lança quinta-feira o clipe da música “Abrindo o Coração para uma Cachorra Chapada e Bêbada”, do novo EP Bebadogroove. Será no bar Boratcho, que fica na Galeria Joana D’arc, no Pina. A festa tem discotecagem de Renato L, Bahiano e Tchêras

Abril pro Rock
Ainda não garantiu sua entrada? Aproveite então a promoção do ingresso social. Quem doar 1kg de alimento, paga apenas R$ 25 no preço do ingresso inteiro por dia. Falando em Abril, domingo, quem acompanha a Orquestra Imperial é o músico Jorge Mautner.

Curitiba
Começou a primeira rodada de boatos para o Curitiba Rock Festival. Os nomes são Arctic Monkeys, Black Rebel Motorcycle Club, Ian Brown, Sisters of Mercy e Dandy Warhols. Ainda é um tanto exagerado, mas qualquer das opções já é uma ótima notícia!

Sem prioridades

Semana passada, a Ordem dos Músicos em Pernambuco enfrentou pela primeira vez, cara a cara, os questionamentos e exigências dos músicos do Estado. Depois de tanto se perguntar “pra que uma OMB?”, a impressão final é que ninguém tinha muita certeza de que resposta gostaria de receber. O motivo? Porque a ordem dizia que iria continuar fiscalizando e os músicos disseram que continuaram encontrando palco para se apresentar.

O que falhou em ser dito é que a OMB existe, por lei, para servir o músico e não contrário. Se o palco não é mais problema, então categoria e representantes deveriam passar para outras questões, como a programação das rádios. Um órgão federal como a OMB pode ser o impulso necessário para garantir uma cota justa e de qualidade para artistas locais nas rádios da cidade. Necessidade que já é gritantemente maior que um palco para quem faz música hoje.

Natal
O festival Mada está negociando, ainda nos bastidores, a vinda da The Bravery para o Nordeste. Banda de Nova York que puxa de New Order até Franz Ferdinand nas influências. Desconhecida, mas interessante.

Incentivo
Um adolescente de 16 anos atingiu a marca de 1 bilhão de downloads pagos no site da Apple. Recebeu uma ligação às 1h da manhã e ganhou um iMac, 10 iPods e U$ 10 mil em downloads de música. A música premiada foi a “Speed of Sound”, do Coldplay.

Mudança
O Esteroclipe, programa apresentado por China e Fábio Trummer que dá espaço para clipes de bandas locais está com novo horário. Agora é exibido apenas aos domingos, ainda sem horário definido. O programa vai passar a ter duas horas de duração. Ainda pela Estação TV (canal 14).

Cansei de Ser Sexy

Finalmente, chegou o dia oficial em que a MP3 mudou significativamente o mercado fonográfico no Brasil. Pode anotar o nome da banda, Cansei de Ser Sexy, que andava mais falada que ouvida. Depois de colocar suas músicas em formato digital online, descolaram um contrato com uma gravadora de grande porte, distribuição e até matérias fora do país. Ponto não só para a banda, mas também pela iniciativa da Trama, que entrega agora o homônimo nas lojas.

“Começou como brincadeira, a gente gravou as músicas em apenas um dia só para colocar no site”, lembra a vocalista e figura de frente da banda, Luisa Lovefoxxx. Aliás, sobre o nome dela, vale lembrar também que a Cansei de Ser Sexy é uma banda como não existe faz tempo. Trabalha na música um conceito que mistura moda, comportamento, figurinos, nomes e fotologs. “A banda só tem dois anos, mas já aconteceu muita coisa surpreendente”, continua.

Transição longe de ser dolorosa. Quem acompanhou esse processo da banda, pelo o site Trama Virtual, vai perceber mudanças fortes nas músicas. “É porque agora foi bem gravado, né!”, comenta Luisa. “Agora cada uma das três guitarras foi gravada em separado, tem até bateria eletrônica, o CD foi pré-produzido e mixado”, enumera, “até os volumes estavam no lugar certo”. O mais importante dessa mudança, ela faz questão de deixar frisado: “A gente fez tudo do jeito que quis”.

A parte complicada – e necessária na fama – também já entrou na rotina da Cansei de Ser Sexy. Nos fóruns da Internet, muita gente já começa a falar mal da conquista da banda. “De repente a gente tava na capa do jornal e o gráfico das pessoas que tinham raiva da gente começou a crescer”, comenta. “Mas eu posso garantir que nada mudou na banda. A gente tá sempre junto todo dia, continuamos os mesmos”.

E de todas as novidades que a banda traz (trilha de seriados americanos e participação em games), o mais legal vem no próprio CD. A caixinha encarta também um CD-R, virgem, com a mensagem “Faça bom uso dele”.

“Minha arte é chamada egocêntrica-soft-pornô”. Musicologicamente falando, não tem realmente nada de novo ou que chame atenção na Cansei de Ser Sexy. Um electro-rock que, desta vez, está bem amarrado, recheados de efeitos e repetições. Os mais ligados no gênero vão lembrar logo de Fischerspooner, Audio Bullys e uma grande quantidade de referências da pista das boates. A novidade (muito boa) são brasileiros fazendo isso com competência e aceitação.

Pode ser o primeiro disco da banda, mas as 12 faixas não vão chegar na mão de quem ainda não ouviu pelo menos uma das músicas. É o típico “produto seguro” da indústria, tudo graças a então dor de cabeça que eram as MP3s. O melhor do disco da Cansei de Ser Sexy não está na música, mas sim no recado que traz: as gravadoras estão despertando para o potencial da Internet.

Publicado originalmente em 31.10.05