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Melhor do ano… igual pedreiro!

macaco

A revista Rolling Stone desse mês publicou sua lista de melhores do ano, de acordo com 50 pessoas – entre colaboradores, artistas e jornalistas – consultadas. E, pela primeira vez em muito tempo, um grande veículo de circulação massiva escolheu um disco de artista independente para o primeiro lugar. Ano passado eles disseram que era o Paulinho da Viola… e agora, o Macaco Bong!

A euforia do lado dos festivais é grande. E nem é apenas pelo primeiro lugar. Tirando Lenine e Ney Matogrosso, todo mundo que está lá é da nova safra e de fora de qualquer esquema de gravadora. Olha a lista:

1 – “Artista Igual Pedreiro”, Macaco Bong
2 – “Mallu Magalhães”, Mallu Magalhães
3 – “Na Confraria das Sedutoras”, 3 na Massa
4 – “Donkey”, CSS
5 – “Labiata”, Lenine
6 – “Punx”, Guizado
7 – “Japan Pop Show”, Curumin
8 – “Pareço Moderno”, Cérebro Eletrônico
9 – “Inclassificá veis”, Ney Matogrosso

A foto no post é de Renato Reis.

Cuidado com o que deseja

“Não sei porque tanta crítica a Mallu. Se não me engano um dos maiores discursos desse ‘novos tempos da música’ é o fato da internet ser o “canal de divulgação alternativa já que os grandes veículos não abrem as portas’, então por esse ângulo deveriamos estar festejanto o ‘caso Mallu’, pois se conseguiu através da net uma alcance inacreditável para um trabalho Indie. Mas parace que é necessário ter um limite para esse alcance, pois se for demais, fere o prinicipio básico do “universo indie” , que é ficar sempre para um público restrito e participar ativamete das lamentaçoes de não ter espaço algum e fazer coro do descontentameto por não ter indies nos veículos de massa, pois assim fica mais facil estar sempre criticando tudo e a todos.”

Jomardo Jomas, produtor do festival Mada.

E digo mais… O mimimi não é apenas por que o gueto foi exposto. Mas porque mais uma vez a bomba explodiu para o lado onde não estava olhando. A frase acima vem de um debate em outro contexto. Mallu ganhou a mídia, o etc, mas agora está ganhando também os festivais independentes. E ai vem a questão: eles estão abrindo espaço para alguém que vem de cima, ou dando sequência ao apoio para quem vem de baixo?

Resposta a parte, ela reforça o coro que “a nova música brasileira” é muito mais difícil de se mapear que se imagina. E assim como Cansei de Ser Sexy, Bonde do Rolê e, forçando um pouco a barra, até o Moptop, o maquinário independente tem tido muito pouco poder revelador para novos talentos. Pelo menos em termos pop.

Mallu do Bonfim

E a Mallu Magalhães cantando no Pelourinho com vestido de fita do Senhor do Bonfim, acompanhado por uma percussão no melhor estilo Olodum?

Entrevista: Mallu Magalhães

Mallu Magalhães é um dos mais divertidos acidentes que já aconteceu na música pop. Acidente porque chegou ao complicado prestigio de hype ao preencher a enorme carência de um público que, perto do fim da primeira década do milênio, não tinha mais novos ídolos na música nacional. Um buraco deixado por bandas como Los Hermanos e codificado em comportamento a partir de filmes como Juno. E que chega ao ápice agora que ela lança finalmente o primeiro disco, que leva o nome dela como título.

Essa carência se manifesta em dois públicos. Aquele que acha o máximo recitar as referências que ela faz a Bob Dylan e Johnny Cash, e aqueles que sentem prazer em condenar o simples fato de ela ter referências aos 16 anos. Faz lembrar até outros acidentes do pop, como o trio norte-americano Hanson, que também tinha uma música sem letra, Mmmbop, que grudava feito chiclete igual a Tchubaruba.

Mallu não se importa com isso. Completamente consciente do momento que está vivendo, a suspeita de que ela brinca com a própria idade é intrigante. Vai de respostas sérias a outras totalmente sem sentido quando parece que quer apenas despistar a entrevista. Como quando é perguntada sobre o que acha de, ao viajar, conhecer pessoas que se identificam com Tchubaruba; e ela responde que “além de conhecer a loucura dos aeroportos, conhecer novos olhos não tem preço”.

“Acho que a graça é não se importar com isso, sabe?, diz Mallu. “Tocar para quem quiser ouvir, seja de 10 ou 80 anos, de onde for, tanto faz”. Nessa hora, que a maturidade parece tomar de volta o rumo da conversa, ela chega a dar aula aos mais ansiosos por explicações e fecha com “música é assim”. E, assim, ela passa pelo palco de um festival médio como o Bananada, em Goiânia, ao Coquetel Molotov no Recife e o gigante Planeta Terra, em São Paulo.

Mas Mallu Magalhães ainda não aproveita esse circuito da mesma forma que as outras bandas e produtores que o integram. Sempre super protegida, ela chega na hora do show e sai logo depois. Sempre acompanhada pelo pai, ela ainda se comporta como alguém que não está perdendo muita coisa nessa programação. “Tem um pessoal fazendo musica de verdade. mas tem também muita gente fazendo a mesma coisa”. E antes de cair na responsabilidade da afirmação, regrede um pouco o diálogo para completar a frase. “Mas foi sempre assim, não é mesmo? Em todos os lugares, décadas… o legal é que temos muitos estilos… afinal, somos o Brasil.”

Nesse processo Fast Forward, o primeiro disco já chega com quase todas as músicas conhecidas pelo público. A diferença é que aqueles shows para quase ninguém em clubs de São Paulo – onde conheceria pessoalmente o então ex-namorado Hélio Flanders, do Vanguart – deram espaço para uma estrutura que, mesmo no meio independente, é gigante. Com assessoria, produção executiva, artística, segurança e até o patrocínio da Vivo, que vai distribuir o disco nos celulares de seus clientes. “É tudo bem natural, parte da mesma arte”, reflete Mallu. “Tudo está ali para complementar”.

“Eu tento sempre construir o mais verdadeiro e descobridor de mim mesma o possível”, arrisca a cantora. Em outras entrevistas que deu, ela sempre tem o cuidado de deixar respostas sobre a carreira na voz do empresário. Por isso, qualquer questão sobre como opera essa estrutura, ela deixa a cargo do produtor Rossato. O que esperamos sinceramente que mude, já que sua ex-banda, o Bidê ou Balde, não é exatamente um sinônimo de sucesso da música nacional. “Tenho uns planos de projetos paralelos. Mais discos, shows! viagens! desenhos!”, se empolga, como quem sabe que vislumbra um caminho complicado. “”O impossível assim vem também. As mais destemidas descobertas e abraços”

Mallu Magalhães oficializa sua carreira como parte de uma grife. Todas as músicas foram produzidas por Mário Caldato Jr., que já trabalho com grandes nacionais como Nação Zumbi, a pequenas lendas do lado de lá, como Beastie Boys e Beck. Ela chama ele de Marioca. “Antes de gravar, não sabia direito a função de um produtor, mas ficou evidente no estúdio”, conta. “Milhares eram as vezes que eu não sabia o que faltava e o Marioca ajustava um timbre, mudava de sala, colocava um efeito”.

E ela ainda encontra espaço para romantizar o processo técnico, dizendo que “as mesas antigas, os rolos de fita, o som dos chiados, todos foram escolhidos pela arte da intuição”. Arte que ainda não conseguiu dar a pegada certa ao principal porém de Mallu hoje nos palcos, que é a falta de entrosamento com uma banda de integrantes muito mais velhos. “Quando escrevo as músicas, tento passar para eles uma atmosfera quem vem do meu dentro. Eu bem que toco uns instrumentos, mas meus meninos são essenciais para caracterizar cada ponto”, explica a cantora.


Na faixa – Jimmi Hendrix era mais novo que Mallu quando começou a tocar, assim como Angus Young, ao fundar o AC/DC. Pouca idade, na música pop, está longe de ser um mérito. Mas o disco de Mallu já chega com a informação que foi gravado durante as férias, apenas para carimbar mais uma vez que ela tem apenas 16 anos. Algo que acrescenta pouco ao que se escuta faixa a faixa. E também chega caro, numa total falta de diálogo com o público com quem ela pode se comunicar.

“Compro cds sempre que dá, mas é caro”, concorda Mallu. “Eu fico esperando, escolhendo bem, até que vou e compro. Adoro ganhar cds. Para mim é o melhor presente; um cd bem pensado. Baixar, uma ou duas do mesmo cd, se gosto, vou pesquisar na net e depois nas lojas”, conclui.

Sua parcela conhecida, com as músicas Tchubaruba e Vanguart mostram mesmo uma cantora acima da média. Mas, nas novas, o folk de cidade grande parece pouco convincente. Tanto em Angelina quanto em Noil, a sensação é de que os ouvidos pedem uma Mallu ainda mais menina, ao contrário dos sinais que ela dá maturidade. O equilíbrio fica em Don’t Look Back, que ainda assim passa longe da tarefa de salvar o repertório.

Em tempo. Essa entrevista foi feita antes dela oficializar o namoro com Marcelo Camelo. E, antes que você pergunte porque não toquei no assunto, na boa, é porque essa bobagem não faz a menor diferença. Pelo menos por enquanto.

Cobertura: Coquetel Molotov 2008, segundo dia

Os ingressos para o segundo dia do festival não esgotaram com antecedência. Na verdade, era possível tanto comprar na bilheteria como na mão de cambistas. Mas mesmo com essa folga, a impressão era de que o sábado estava muito mais cheio que a sexta-feira. Ou pelo menos quem estava ali tinha um interesse maior nos shows. Porque já cedo, às 19h, era impossível entrar na sala Cine UFPE, onde aconteciam as apresentações gratuitas.

Consegui assistir apenas o Pocilga Deluxe. Melhor de todos os poucos shows que já vi deles. Soar inconfundivelmente pop é algo difícil e eles parecem extremamente a vontade com isso. André Balaio cantava como alguém que realmente queria estar ali naquele momento e não tinha como não se contagiar com isso. Acho que eles já se encaixam nesse novo fenômeno do Recife, junto com a Amp, de bandas que já nascem prontas.

Sair da sala para fugir do calor não foi uma boa idéia. Com lotação esgotada, o acesso ficou no esquema do ‘sai um, entra um’. E tinha gente na fila já dizendo que estava ali pelo Club8, que seria o último show da sala. Confesso que não estava muito curioso para ver Zeca Viana & Onomatopeia Bum – não tinha gostado do que vi no Youtube – mas Dago, da Trama Virtual, viu e achou que o cara era gênio.

Restou ir para o teatro e esperar que as apresentações começassem por lá. Eu sei que o Coquetel Molotov foi, durante um bom tempo, um dos centros de um dos bate-bocas mais bobos que a cidade já viveu. Essa coisa de lado de lá contra o de cá, indie isso, olinda aquilo. Mas isso é ‘so last year’ e superado. Fiquei espantado em ver, ao vivo, como Catarina (que também é Catarina Dee Jah) ainda incorpora o discurso. 

Ela fez um show ótimo, mas sempre na defensiva, como se fosse ser julgada por uma comitiva shoegazer que recitaria Weezer a cada frase. E na verdade o que aconteceu foi longe disso. Não tinha como não ter uma resposta mais positiva, ainda mais considerando que ela devia ter a melhor banda de apoio de todo o festival. Com Mateus (Chambaril) no Contrabaixo, Felipe S (Mombojó) e Jr. Black nas participações especiais. Essa postura defensiva era mais fácil de perceber nos bastidores. Conversando com Catarina, ela disse que gostou de tudo, mesmo não se identificando tanto com o festival. Mas como assim? Não se identificar com quem toca sua música? Comofas?

Mas ok, esquece tudo isso agora.

Todo ano o Coquetel Molotov consegue dar um acerto gigantesco em uma das atrações menos conhecidas. Mas nesse ano exageraram na dose. Owen Pallett, o Final Fantasy, deve entrar na lista das coisas mais incríveis que já vi em um show. Com um violino e teclado, ele toca, grava o trecho e o repete enquanto vai para outro instrumento. Se auto-sampleando, criando música de uma forma que redefine o conceito de one-man-band. É uma música tranquila, daquelas que consegue provocar alegria e tristeza na mesma intensidade, deixando o interlocutor totalmente a vontade. E reforça a teoria de que a música pop canadense está a anos luz do restante do mundo.

Depois veio Mallu Magalhães. Essa foi a primeira vez que vi o show dela com banda. E preciso dizer: eles não fazem a menor falta. Existe uma diferença muito grande entre o que ela está fazendo no palco e o que eles estão. E nesse embate entre honestidade e cooptação, ela acaba perdendo. Mallu não funciona de forma arquitetada e seria dificil dizer que essa era a mesma menina que calou a boca de um monte de marmanjo no Bananada. O show foi legal, mas Recife ainda não viu A Mallu que causou tanto burburinho na música.

E mesmo dessa overdose do Coquetel – de todos que vi, não teve sequer um show ruim – ainda sobrou espaço para se impressionar com o Peter Bjorn & John. A banda sueca é muito, mas muito mais rock ao vivo. Mesmo o hit Young Folks – não vou mentir, eu assobiei na hora – é mais rápida e agressiva no palco. Conseguiu completar a catarse o público, que se levantou e se expremeu o máximo possível para dançar. Edição impressionante, melhor até agora e deve entrar para história.

Logo mais eu subo um vídeo aqui =)