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It’s all happening

Uma das frases mais legais do filme “Quase Famosos” – aquele onde o menino se mete a jornalista e segue uma banda pelos Estados Unidos junto com várias groupies – é uma que diz “It’s all happening”. Esta tudo acontecendo. Depois de decretarem o fim de um Recife moderno, uma época que sempre tinham shows e festas nos fins de semana, os últimos dias deram sinais que, sim, tudo está acontecendo (on more time, já dizia o Daft Punk). As janelas no msn mudaram a pergunta. Agora é “vai?”.

E agora, sem o sufoco do desespero, dá para pensar com mais calma no que aconteceu. 2005 foi palco de um movimento migratório enorme na cidade. A maioria dos produtores e bandas decidiram arrumar as malas e seguir para São Paulo e Rio de Janeiro. Alguns, a gente até agradece terem ido embora. O frio genérico do inverno recifense chega para dar fôlego e ânimo para novas caras aparecerem na noite. Já está tudo acontecendo.

Garanhuns
Com menos correntes políticas o Festival de Inverno de Garanhuns trouxe uma excelente programação este ano. Para quem não lembra, a edição anterior precisou dividir orçamento com o Ano do Brasil na França. E o resultado é para quem ficou aqui foi uma verdadeira bomba. Shows ruins que mal juntaram 100 pessoas no palco pop. Este sim, vale a pena se programar para ir.
[confira a programação de shows clicando aqui]

Conta-gotas
Já passou a data que o Mombojó prometeu estar com o disco completo de graça na Internet, assim como fez com o anterior “Nadadenovo”. Mas o site ainda não saiu do lugar, e disponibiliza as faixas a conta-gotas. No site da Trama Virtual, eles colocaram mais uma esta semana, da música “Realismo Convincente”.

Finalista
A banda pernambucana “Meus 15 anos… que corpo lindo” é uma das 20 finalistas do festival Trama Universitário. As quatro vencedoras vão participar de uma turnê pelo Brasil e gravar numa coletânea da gravadora. Para votar, tem que acessar e se cadastrar no www.tramauniversitario.com.br. Lá tem música dos finalistas, para quem quiser ouvir.

Microfonia
Já chegou o material de divulgação do festival. As inscrições começam dia 1 de julho. Igual a edição anterior, o vencedor toca no Abril pro Rock, ganha R$ 4 mil, 20 horas de estúdio, fotos e o escambau. Vá preparando a garganta.

Curtas
Rápidas e exclusivas: Dead Fish (ES) toca no Recife em agosto, no clube Libano / A banda Gritando HC (SP) vai passar pela cidade, mas não vai fazer show nenhum / O tão perguntado primeiro disco do Mellotrons chega da fábrica esta semana / Por enquanto, chega nas lojas a coletânea Alto Falante 2, gravado ao vivo com bandas do Alto Zé do Pinho.

Mombojó – Homem Espuma

O novo disco do Mombojó se chama “Homem Espuma” e chega nas lojas no dia 5 de maio. Podia ser uma notícia comum no meio de música do Recife, onde tantos discos já são lançados por semana. Mas tem uma diferença enorme. O Mombojó quebra um hiato de quase sete anos sem que um artista do Recife fechasse contrato com uma gravadora de grande porte. Sair da independência, às vezes, é bom para dar razão a uma cena geralmente tão elogiada no País. A Folha de Pernambuco já teve acesso ao disco e adianta porque, em 14 faixas, eles são a banda certa para estar nessa posição.

Numa visão geral, “Homem Espuma” é um disco muito mais difícil que o anterior “Nadadenovo”. Cada música tem pelo menos cinco ou seis texturas de som diferente e esse é um tipo de construção que não é feita há um bom tempo aqui. Num exemplo bem específico, o tecladista Chiquinho usa nove instrumentos diferentes, incluindo um vibraphone, uma mistura de teclado com xilophone. Os meninos dão logo as cartas que querem experimentar quase todos os sons que cabem nas suas músicas.

É um disco recheado de participações. A produção é assinada por Ganjaman (Instituto) e Lúcio Maia (Nação Zumbi). Nas faixas, vozes de Daniel Belleza, Céu, Tom Zé e programações de Fernando Catatau (Cidadão Instigado) e Maurício Takara (Hurtmold). Por fim, nessa já longa introdução, vale dizer que está tudo mais linear. O som da banda faz uma linha com menos swing e segue a “MPB de trompete”, que faz nomes como Los Hermanos pular na memória. É uma boa associação, ainda assim.

“Homem Espuma” abre com “O mais Vendido”, que mostra o vocalista Felipe S. com uma voz bem melhor do que era conhecido pelas músicas antigas. “Não quero ser o mais vendo / eu quero entrar no seu coração”, desafia de maneira indireta o ouvinte. Quem chama atenção é mesmo a faixa quatro, “Realismo convincente. Com uma participação bem desnecessária de Tom Zé, ela conquista com uma melodia mais pesada e o viciante grito de Daniel Belleza como fundo do Mini Moog (um desses nove teclados que é usado).

“Tempo de Carne e Osso” vem em seguida com a ótima participação de Céu. Algum sinal divino deveria apontar que essa parceria entre ela e a banda permaneça com mais força. A música é uma das mais bonitas de todo o disco. O Mombojó gravou ainda uma versão totalmente nova para “Swinga”, música que já mostrava nos shows. O disco ganha novos pontos altos em “Vídeo-game” e em “Desencano”, que tem letra de China. “Minar”, fecha o “Homem-Espuma”, como um golpe final certeiro. Meio eletrônica, lentinha e com arranjos viciantes.

Entrevista
O Mombojó continua com a mesma boa modesta nessa nova fase Trama. “A gravadora é bem pé no chão, não tem muita regalia na verdade. A mudança mais efetiva para gente é que lá tem vários setores, como divulgação e Internet que nos favorecem muito”, comenta o vocalista Felipe S. Eles levam essa história de pé no chão ao pé da letra. A divulgação inicial vai começar na Europa, com datas todas marcadas pela própria produção que a banda já contava.

O nome do novo disco, ele explica, veio do Orkut. “Estimulei os integrantes da comunidade a darem sugestões para o nome, quem desse as melhores, a gente ia mandando por email umas outras músicas que não estão no CD”, comenta. A relação com a banda e a internet é bem grande. Os planos são de colocar o “Homem Espuma” todo online na semana de lançamento. Otimista com o novo disco, Felipe S. fez uma reflexão bem madura sobre o trabalho. “Ele tem menos edição, menos interferência de computadores, então mostra muito mais nossos erros espontâneos”.

Uma lógica natural que vem do novo disco é que agora as participações vêm todas de São Paulo, ou de artistas que estão morando lá. “Mas foi tudo bem casual, eram pessoas que nos momentos da gravação tiveram alguma proximidade, exatamente como foi com o disco anterior”, lembra.

Apesar das datas já marcadas pela Europa e cidades do Sudeste do Brasil, “queremos visitar lugares onde o Mombojó nunca esteve antes”, comenta Felipe, a banda não esqueceu a terra natal. Um primeiro show já está marcado no auditório da Livraria Cultura, em formato pocket, para mostrar ao público o que eles podem esperar do “Homem Espuma”.

Mombojó – Homem Espuma
Gravadora: Trama
Escute aqui:
Tempo de Carne e Osso

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Minar

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Mais trabalho sujo

Mudar é sempre um processo complicado. Nos últimos três anos, os festivais tem feito um esforço considerável para mudar os hábitos do público do Recife. Mostrar que uma banda como o Rappa ou Los Hermanos já cabem num contexto sozinhas e não num grande evento. Trazer o que tem de novo, bom e interessante na música parece um serviço desanimador quando se encontram públicos de pouco mais de mil pessoas (como aconteceu em 2005 no Coquetel e este ano no Abril).

Mas eles seguem como quem dá murro em ponta de faca. E, por essa iniciativa saudável, os festivais estão de parabéns. Mudar o hábito de quem gosta de música vai ser um processo lento e constantemente questionável. Mas é necessário. Recife precisa parar de ser essa cidade que “não dá dinheiro para músico”, frase que já está virando clichê pela mídia.

Motorhead
O produtor Paulo André Pires (Abril pro Rock) confirmou que está negociando a vinda da banda Motorhead para o Recife em outubro. Faz parte de uma parceria dele com o festival Live’n'Load, que já resultou na vinda do Atrocity para o país. Sinal que a história pode dar certo.

Europa
Silvério Pessoa e o Mombojó já estão com datas marcadas para turnê na Europa em maio. Os gringos vão rever a turnê do “Cabeça Elétrica, Coração Acústico” e conhecer – sim, antes de nós mesmo – os shows para o novo “Homem-Espuma”.

Punk
Não recomendo perder essa. Quinta-feira, a galera do Cólera re-configura a banda e vira o Rádio Clash. Sim, se todo mundo anda fazendo projeto de homenagem, eles vão mandar um repertório do The Clash em show no Novo Pina, às 22h.

Bobagem
Alexandre Matias, dono do verdadeiro Trabalho Sujo, está sendo detonado no orkut apenas porque registrou no Trama Virtual suas impressões sobre a cidade de Maceió. O pessoal só está provando que é realmente atrasado fazendo esse tipo de bobagem

Absurdo
Roubaram a sanfona de Arlindo dos 8 Baixos. Praticamente um patrimônio da música nordestina, o instrumento e o instrumentista. Para ter uma idéia, Arlindo, que é cego, só voltou a tocar o 8 baixos depois de muitos pedidos de Luiz Gonzaga. Agora, está ameaçando que não toca mais.

DoSol
O festival de Natal revelou algumas boas novidades para nós (eu e agora vocês). Confirmados: Dance of Days, Ludov, MQN, Parafusa e Carfax. Em negociação: Dead Fish e Forgotten Boys. No puro chute: parece que vai ter Cordel também.

Pensando aqui…
Será que o Recife merece receber novidades? A informação que chegou até este colunista era que na sexta-feira do Abril pro Rock, tinha mais gente no Garagem (sim, numa borracharia) que no show do Stereo Total. Meu voto é para que “não, não merece”.

Tributo a Odair José – Vou tirar Você desse lugar

Dizer que o velho brega (aquele de Odair e Cauby), depois do novo brega (aquele do Calypso do pará), virou preciosidade cult já é repetir um clichê. O gênero deixou de passear no campo da pseudo-inteligência e já atingiu estado de moda. Que venham então os remakes, releituras e compilações, como esta “Vou tirar você desse lugar”, que inaugura o selo goiano Allegro, com bandas do cenário independente reapresentando, em clima rock e pop-chiclete, as músicas do ótimo Odair José.

O mesmo Odair que, em 1972, prometia tirar a meretriz da vida burlesca e chegava ao topo das paradas de sucesso. Sua prosa contemporânea que sofreu tanto com a ditadura quanto a construção de Chico Buarque, chega com novos arranjos de Paulo Miklos, Pato Fu e Zeca Baleiro. De apoio, nomes escondidos das cenas locais, com direito aos pernambucanos Mombojó, Mundo Livre S/A e Volver.

Ninguém quis ser brega no disco. Brincar com a área do verdadeiro Odair já seria um exagero. Todos deram uma assinatura muito forte nas músicas. Nada soa mais com o Mombojó que “Ela Voltou Diferente”, que eles registram na quinta faixa. Acaba sendo também uma boa maneira de conhecer novas bandas, como a ótima Jumbo Elektro e sua versão semi-eletrônica para “A Noita Mais Linda do Mundo”.

A introdução do disco é impecável. Com as versões de Suzana Flag, Pato Fu e Columbia, dando o tom certo de guitarras e vocais femininos para as músicas menos canastras do repertório de Odair. Conseguem até diminuir a presença do Titã Paulo Miklos, que começa os trabalhos com a música que dá título do CD.

O melhor recorte do tributo é o que começa com “Eu Queria ser John Lennon”, por Columbia; segue com “Ela voltou Diferente”, por Mombojó; passa para “Eu, Você e a Praça”, com Zeca Baleiro; e encerra com uma bizarra, eletrônica e divertida versão de “Deixe essa vergonha de lado”, com Mundo Livre S/A.

Umas presenças são realmente descartáveis, como as bandas Shakemakers, que fazem uma leitura pobre de “Nunca Mais”. Não chega a ofender o trabalho final, que é embalado num encarte pra lá de simpático. De quebra, uma versão bossa nova para “Pare de usar a Pílula” e um emo para “Que Saudade de Você”. Só coisa fina.

O Próprio
Odair José, que está com 52 anos e bem ativo, volta para as prateleiras ainda em março. O disco, que vem pela Deckdisc, terá duas de autoria do próprio homenageado, chamadas “Longe de Mim” e “Pensão Alimentícia”. De outros, no mesmo clima, terá uma chamada “Brad Pitt”, “Despeitada” e “Bebo Choro”. Já são clássicos antes mesmo de sair.

Cotação: [rate 5]

Escute aqui:
Ela Voltou Diferente – Mombojó

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A Noite Mais Linda do Mundo – Jumbo Elektro

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Maior em quê?

Carnaval não é só folia. Durante os quatro dias de fevereiro, a Bahia aproveita para fazer uma movimentação imensa na sua indústria do axé music. Mesma história no Rio de Janeiro, com o mercado do samba. Cidades onde a festa é tradição aproveitam para lançar novas músicas, novos artistas, discos e produtos agregados. São quatro dias que garantem um ano inteiro de repertório novo para rádios, lojas e televisão. Só que nem aproveita é o Recife.

Não existe renovação no frevo local. Novos artistas e novas composições não ganham destaque. Nas ruas de Olinda, num espaço menor que uma hora, o frevo de Vassourinhas tocou nove vezes. Falta de compositores, com certeza, está longe de ser motivo para isso. Durante uma entrevista para a Rádio Folha FM 96,7, o secretário de Cultura Roberto Peixe disse que o Recife tem o maior Carnaval do mundo. Menos na música, pelo visto.

Novo
Por falar em frevo novo, a prefeitura de Olinda escolheu um composto por J. Michielis para representar a cidade como Primeira Capital Brasileira da Cultura. Quem interpreta a canção é o músico Silvério Pessoa, junto com o maestro Adelmo Apolônio. A música já está circulando pela Internet.

Violência
O slogan da revista Bizz diz que “música é tudo”. Infelizmente, parece que isso também inclui violência. Transitar no palco do festival RecBeat estava impossível, com uma briga acontecendo a cada dois metros de distância. Para piorar, a Nação Zumbi foi obrigada a fazer um show bem mais baixo e lento que o normal.

Mombojó
O último segredo sobre o novo disco do Mombojó, que passeia pela cidade para ouvidos exclusivos, era o nome. Mas, esse fim de semana, o boato era que a criança já tinha sido batizada. E o nome escolhido foi Laça Cheddar. Pode?

Zine?
O músico China fez o que deve ser o primeiro fanzine via Orkut. É só procurar pela comunidade “Que conversa é essa?“. Lá, ele entrevista pessoas de frente e de bastidores da música local. A idéia é ótima.