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Transformer

Boas idéias demoram, mas eventualmente, chegam. Em dias onde todo mundo inventa de ser DJ, Bruno Pedrosa (do núcleo dos DJs de padaria) dá um reforço classe A no repertório das noites da cidade. “Transformer”, CD que nasce com patrocínio da Chesf, traz músicas de artistas pernambucanos remixados por DJs que vão do dono da idéia à presenças nacionais, tipo o Drumagick (SP). As 14 faixas tem desde Cordel do Fogo Encantado à Mundo Livre S/A com programações que ficam entre o drum’n’brass e tecno.

Tudo feito com responsabilidade. Bruno Pedrosa fez questão de pedir a versão “master” (a que tem a voz e instrumentos gravados em canais diferentes) para cada artista. Deu liberdade artística para cada DJ convidado fazer da maneira que achasse melhor o remix. Assim, no som, não tem nada de realmente modernoso. Essa é a melhor parte do CD, que não embarca na moda trance ou no afetado electro para embalar músicas tão regionais. Todos os sons casam muito bem na “versão pista”.

O disco já abre com uma preciosidade. É a música “Morte e Vida Stanley”, do Cordel do Fogo Encantado, que ainda não tinha sido registrado pela banda em nenhum disco. Nesse mesmo quesito, traz também “Meu Esquema”, do Mundo Livre S/A. A trupe de 04 tinha perdido as masters quando se desligou da primeira gravadora. Entraram em estúdio para refazer tudo, apenas para participar do disco. Por isso, aproveitou ainda para entrar em versão acústica, encerrando o “Transformer”.

Apesar de vir com esse estigma, “Transformer” não é para ser tomado como um “disco de festa / balada / pista”, etc. Dentro dessa categoria estão “Na Boléia da Toyota”, de Silvério Pessoa com remix do Drumagick e “Deixe-se Acreditar”, do Mombojó em versão BTK and Spleen. Fora dela, estão “O Baile”, de Erasto Vasconcelos e “Veja Lá”, do Bonsucesso Samba Clube, em climão de Lounge Eufrásio Barbosa com batidas leves e discretas.

A versão jungle de Mombojó está entre os pontos altos de todo o disco. Não altera arranjo nenhum da música, apenas com as batidas “anosnoventa” por cima, casando tudo com perfeição. Consegue renovar o clima da banda de uma maneira legal e com cara que vai dar muito certo numa festa perdida na noite da cidade.

Cotação: [rate 5]
Escute: Mombojó – Deixe-se acreditar / BTK and Spleen remix
[http://www.popup.mus.br/mp3/mombo.mp3]

Virou moda

Não foi o pop dos anos 90, indies, nem a música com interferências eletrônica ou regionais. Quase ninguém se deu conta, mas o que acabou virando moda foi mesmo o gênero “mpb-rock-em-cima-do-muro”. Começou com o surto do Los Hermanos e hoje as bandas que mais chamam atenção de público e crítica são a Nervoso, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Cidadão Instigado, Columbia e a lista segue, sem ter medo de soar pop demais.

Recife, por sinal, está muito bem nessa onda. Mombojó, Parafusa, Mula Manca e a Triste Figura, Del Rey e, forçando um pouco a barra, até a Rádio de Outono. O mais curioso é que essas são as músicas mais simples. Ninguém parece estar muito interessado em inovação ou rebuscamento. Por isso, não dê ouvido ao exagero que fazem com forçada invasão de referências que a mídia do sudeste persiste. Confie nos palcos.

No embalo
Procurando por sons interessantes no festival Cultura Independente, uma banda conseguiu ser realmente surpreendente: a Circo Vivant. Trompete, trombone, teclado, baixo, guitarra e voz, climão de Roberto e Erasmo com circo, que não tem medo de parecer com Los Hermanos na época boa – aquela onde eles ainda faziam melodia. A banda já se apresentou no Pátio do Rock e, ao vivo, parecem ser ainda mais promissores que no primeiro CD Demo. Quem quiser conferir, é uma ótima aposta para 2006. As músicas estão no site www.tramavirtual.com.br/circo_vivant.

Falando em moda
O jornalista paulista Lúcio Ribeiro deve ter gostado da comida típica do Recife. Ele vai voltar a cidade pela terceira vez em menos de cinco meses com sua festa “Popload”. De tanto querer lançar modas na sua coluna, ele decidiu fazer parte do mundo fashion e chega direto de uma apresentação no São Paulo Fashion Week. Aqui, ele toca na abertura da Comtex, feira importante para a indústria têxtil e mercado de roupas do Nordeste.

Na Internet
Ninguém faz a menor idéia ainda de quem seja Ewerton Assumção. Sua música, “Vou te excluir do meu orkut” foi a mais comentada na rede nessa última semana. Já tem até a letra no portal Terra. Quem também vazou na rede foi “Meds”, novo disco do Placebo, bem regular, sem hits certos e que promete passar batido.

Publicado originalmente em 24.01.06

Vacilos no reggae

Alguém já percebeu como é estranho que nenhuma banda de Reggae se destaca na cidade? Estranho porque o gênero faz parte de um dos movimentos mais fortes do Recife. O único que tem um evento certo toda semana e, quase todo mês, uma atração de porte nacional lotando algum clube. Espaço para crescer tem de sobra.

A desproporção é porque, segundo apurou esta coluna, os produtores não estão pagando as bandas locais. Por isso, faltam estrutura e incentivo de se profissionalizar. E, principalmente, recurso para fazer a música chegar aos outros Estados. A única exceção são os shows organizados pela prefeitura, como a Terça Negra.

As vésperas de uma banda de reggae ter sido escolhida para abrir o show dos Rolling Stones no Rio de Janeiro, a cidade perde boas oportunidades de somar mais essa referência no repertório nacional.

Dentro e Fora
A banda portuguesa The Gift, ao encontrar a versão online da Radiola de Ficha, mandou um email para confirmar sua presença no Porto Musical. A programação completa do evento está prometida para a próxima semana. Um boato recente na Internet confirmava também a presença da Orquestra Imperial, projeto de Amarante, Seu Jorge e Kassim para o Abril pro Rock. A organização negou a informação.

Mombojó
O novo disco do Mombojó já passeia em MP3 pelo Recife. A banda trouxe uma versão ainda sem mixagem para mostrar a alguns amigos. Quem escutou, disse que está completamente diferente do anterior, “Nadadenovo“. Os arranjos, melodias e até letras revelam uma nova banda, que pode deixar alguns fãs de pé atrás. O mais elogiado foi a participação de Catatau, do Cidadão Instigado.

Lá fora
A banda da vez, pelo menos até o fim da semana, se chama Infadels. Quinteto inglês que acaba de deixar vazar na Internet seu primeiro disco, “We are not Infadels”. Rock com interferências eletrônicas, tudo na medida, bem menos afetado que a similar The Rapture. O single “Can’t Get Enought” é a sugestão para começar a degustação.

Publicado originalmente em 17.01.06