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The Dead Rocks – Million Dollar Surf Band

Você não precisa gostar de ir a praia, ou mesmo de surfar, para gostar de surf music. Essa é uma das verdades inalienáveis da música pop que se confirmam sempre na cena de abertura de um filme como Pulp Fuction ou em um disco como esse do Dead Rocks. Quando pensamos em termos de música instrumental – de cara, a mais experimental de todo o universo pop – podemos dizer que aqui é sempre terreno para jogo ganho. Quer dizer, me mostre um cara que não goste de surf music e eu te mostro um mal caráter, na certa.
Jogo ganho da metade para o fim, claro. Esse argumento de partida complica toda a primeira parte do processo. Afinal, se eu te pedir agora “pensa em alguma surf music”, você vai saber que elementos somar, que caminho seguir e onde pretende chegar. Tem essa sensação de que se desgasta fácil, acaba rápido, tem pouca coisa para se fazer depois das últimas três décadas. Como se atinge então alguma criatividade que dure cerca de uma hora e se divida em três faixas?
Parece que na cabeça desse trio do interior de São Paulo isso sequer está guardado na gaveta dos problemas. Na verdade estava tudo armazenado no deposito “One Million Dollar Surf Band”, que agora eles resolveram lançar em formato de CD. Embalaram tudo em digipack e estamparam um selo de 10 anos da Monstro Discos. Ou, numa perspectiva mais obsessiva, de quem ainda não conseguiu superar o efeito do repeat mental, lançaram o mais ouro puro do gênero que uma banda brasileira podia conseguir esse ano.
Tem os dois extremos mais clássicos da surf music aqui. O “Million Dollar Theme”, que abre, é acelerado, quase faceiro, com vários braking-points de guitarra que ditam o compasso da dança. Já “Sonic Stars” é mais soturna, intercalada por silêncios, ambas pérolas do rock mais viciantes, carregando um texto sem palavras que remete ao imaginário da praia. Primeiro a aventura com a prancha, depois o conflito da competição, tudo para desaguar em “Boogie Splash Crash”, a baladinha da festa sob sol.
Dead Rocks não perde muito tempo com aquela masturbação virtuosa disfarçada por referências quase acadêmicas tão comum na música instrumental. Eles traçam um destino claro, da mais pura diversão em forma de rock, e seguem nele até o fim. Tem uns tropeços, como em “Nicotine”, com riffs que já soam familiares demais, com uma certa dificuldade de compor seu clima. Seria uma música mais tensa, talvez. Mas tensão é algo difícil de se resolver em dois minutos sem palavras.
Não que a banda esteja livre de referências. É clássico do Dead Rocks prestar homenagem a música brasileira – a versão que eles fizeram para Preciso me Encontrar nunca saiu do meu top sete de faixas mais executadas pelo iTunes – e tanto milhão espalhado pelo disco tem um motivo. Eles trouxeram nada menos que uma versão para “O Milionário”, dos Incríveis, e “País Tropical” de Jorge Ben. A primeira, respeitosamente executada quase como a original; já a segunda, surpreendentemente aparece com uma baladinha com jeitão de lual.
O momento 4:20 do disco – fundamental, afinal, é o único elemento clássico do surf music que sai da praia – fica nos três minutos finais. “Delirius Tremens” são meio minuto com os sons de ondas do mar, que emenda com “Telephone Call”, canção delirante toda acompanhada por toques de telefones. O spoiler é quase inevitável… quando atendem e falam, acaba tudo. Se você não entendeu, cata no Google. Eu também não sabia dessas coisas até outro dia.
Deixando um pouco o deslumbre das faixas de lado, “Million Dollar Surf Band” tem um papel importante de re-contextualização do Dead Rocks. A surf music tem ameaçado cada vez mais o cerco que a World Music faz na música brasileira na Europa. A passos bem curtos, mas ainda assim, presente em cada vez mais coletâneas e circuitos próprios. E essa foi uma das bandas que abriu esse caminho no velho continente pelos idos de 2005.
De lá para cá, o Dead Rocks teve seu grande momento com a vinda de Daddy-O Grande para o Brasil, com quem tocou em São Paulo, Brasília e Goiânia (no festival Bananada) em sete shows, durante seis dias seguidos. Esse disco se encaixa nesse momento em que a bola foi levantada para eles darem o saque. E eles a deixaram lá, no alto, parada, para fazer mais uma turnê fora do país. Voltaram agora, com um saque que pode atingir este ou o próximo continente, determinando muito do futuro na banda.
E, na boa, aposto que vai bater do lado de lá se o circuito independente não se tocar na grande banda que estão para perder para os gringos. Derrota para ser curtida com o próprio tema de um milhão de dólares, que abre o repertório desse disco.
The Dead Rocks – Million Dollar Theme
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A Brazilian Tribute to Mudhoney
Essa é a capa do CD tributo ao Mudhoney que a Monstro vai lançar como parte da comemoração dos 10 anos da gravadora e em homenagem a banda que influenciou 11 em cada 10 de seus artistas. Mas também tem música de gente de fora, como a baiana Pitty e os potiguares Sinks. Falei com eles para disponibilizar pelo menos uma faixa aqui… Vamos ver se rola depois da correria do Noise :)
A arte ficou ficou incrível, assinada por Márcio, do Mechanics. No set, o vereador canta Here Comes Sickness. Aliás, olha só quem canta o que:
1 – Walverdes – Suck You Dry
2 – Ambervisions – Touch me, i’m sick
3 – Detetives – El Sol q Ciega (blidding sun)
4 – Macaco Bong – You Got It
5 – Autoramas – In’n'out of grace
6 – MQN – Poisoned Water
7 – Lucy and the Popsonics – Well Well Song (generation spokesmodel + fashion forecast)
8 – The Dead Rocks – March to Fuzz
9 – Vamoz – Pokin Around
10 – Mechanics – Here Come Sickness
11 – Pitty – If i think
12 – Holger – No Song 3
13 – Superguidis – Into the Drink
14 – AMP – Thorn
15 – The Sinks – Who you driving now
16 – Motherfish – Real Low Vibe
17 – Debate – Good Enough

São Paulo Noise Festival
O que fazer quando o maior festival independente do país não tem mais para onde crescer na própria cidade? Estagnar? O Goiânia Noise escolheu olhar as cidades vizinhas e expandir. Vão fazer duas edições extras esse ano. Uma em Florianópolis e outra em São Paulo. A versão de Floripa foi menor e teve com headliners o Lendário Chucrobilly Man, Ambervisions e Sick Sick Sinners. Aconteceu em setembro.
Agora vem o Sampa Noise. A Monstro ainda não levou a programação inteira em peso, mas garantiu algumas das atrações principais no Eazy, na Barra Funda, entre os dias 21 e 22 de novembro. Quem quiser ver o Helmet ainda vai ter que ir até Goiânia. É torcer que o quarteto Bigode, Razuk, Márcio e Nobre tenham mais sorte que o Abril Pro Rock, que tentou o mesmo quando completou a primeira década.
Se depender da programação, sorte vai ser o de menos. Confere:
SEXTA 21/11
Black Mountain (Canadá)(Palco 1)
Flaming Sideburns (Finlândia)(Palco 2)
Motek (Belgica)(Palco 1)
Os Ambervisions (SC)(Palco 2)
The Tormentos (Argentina)(Palco 1)
Black Drawing Chalks (GO)(Palco 2)
SÁBADO 22/11
Vaselines (Escócia)(Palco 1)
Black Lips (USA)(Palco 2)
The Ganjas (Chile)(Palco 1)
Do Amor (RJ)(Palco 2)
Calumet-Hecla (USA)(Palco 1)
Homiepie (SP)(Palco 2)
Não tem festival independente em São Paulo? Nois fais!
Mudhoney de volta
Os pais do grunge vão fazer uma nova turnê no Brasil. Os dois ganchos principais são o festival Demo Sul, em Londrina, no dia 10 de outubro e a festa de 10 anos da Monstro Discos, no Martim Cererê, dia 18 de outubro. Eles ainda tocam em São Paulo, com duas datas no Clash (15, 16) e no dia das crianças em São Carlos. Segundo Fabrício Nobre (Monstro/MQN), Belo Horizonte, Salvador e Rio de Janeiro também devem receber a banda. Se alguém trouxer para o Recife, nós agradecemos :)
Na primeira semana de outubro a Monstro também lança uma coletâna especial em comemoração aos 20 anos do Mudhoney. Tem versões deles cantadas pelp MQN, Vamoz, Sinks, Amp, Mechanics e mais um monte das melhores bandas independentes. Em breve, uma prévia aqui mesmo no Pop up!



