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Bananada 2008

Uma das discussões mais polêmicas desde a fundação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes é a de que existem certos nomes que passaram a se repetir sempre entre os eventos nacionais. De gritos de panelinha a exclusão, já existem propostas para até associações dos não associados, além de teorias da conspiração sobre a formação da nova música brasileira.

Na boa, isso é aquele velho papo do músico que espera que todos trabalhem por ele. O nome se repete porque no passar da régua não existem tantas boas bandas independentes para a quantidade de espaço que os festivais oferecem. Já cantei a bola uma vez para o Abril Pro Rock diminuir a programação, valorizar o passe de quem toca e promover uma noite menos cansativa. É mais ou menos como faz o Coquetel Molotov: com quatro bandas por noite, o risco de se repetir é bem menor.

E eis que a grande corporação do rock, a Monstro Discos divulga ontem a programação final do Bananada para cair de vez a teoria. Grade formada quase que inteiramente por bandas inéditas em festivais. Com exceção das locais, que neste sempre pagam de headliners, tem um monte dessas promessas que você fala mais do que escuta. Da Mallu Magalhães à Are You God? passando por Curumim e o Bad Folks. Tem ainda Sweet Fanny Adams e Amp, das novas bandas do Recife que já pintaram aqui no blog. Das palavras de Fabrício Nobre “Bananada é pesquisa!”.

SEXTA FEIRA 23.05
01:30h Mandatory Suicide (GO)
01:00h Johnny Suxxx & The Fuckin’ Boys (GO)
00:30h Mechanics (GO)
00:00h Are You God ? (SP)
23:30h Sapo Banjo (SP)
23:00h Identidade (RS)
22:30h Curumim (SP)
22:00h Inbleeding (GO)
21:30h Jonas Sá (RJ)
21:00h Fim do Silêncio (SP)
20:30h Goldfish Memories (GO)
20:00h The Melt (MT)
19:40h Mugo (GO)
19:20h Bad Lucky Charmers (GO)

SÁBADO 24.05
01:30h Violins (GO)
01:00h Diego de Moraes e o Sindicato (GO)
00:30h Motherfish (GO)
00:00h Do Amor (RJ)
23:30h Mallu Magalhães (SP)
23:00h Cérebro Eletrônico (SP)
22:30h Sweet Fanny Adams (PE)
22:00h Shakemakers (GO)
21:30h Chimpanzé Club Trio (SP)
21:00h Bang Bang Babies (GO)
20:30h Abesta (SC)
20:00h Filhos de Empregada (PA)
19:40h Abluesados (GO)
19:20h Gloom (GO)

DOMINGO 25.05
00:30h A banda da Eline (GO)
00:00h Necropsy Room (GO)
23:30h MQN (GO)
23:00h M. Takara 3 (SP)
22:30h O lendario chucrobillyman (PR)
22:00h A grande trepada (RJ)
21:30h Amp (PE)
21:00h Black Drawing Chalks (GO)
20:30h Bad Folks (PR)
20:00h Orquestra Abstrata/Seven (GO)
19:30h Big Nitrons (Santos – SP)
19:00h Fire Friend (DF / SP)
18:40h The Backbiters (GO)
18:20h Sweet Racers (GO)

Pata de Elefante

Música instrumental sempre costuma passar uma falsa impressão de que ela precisa ser complicada, mais elaborada e de difícil recepção. A banda gaúcha Pata de Elefante pensa o contrário. Com um excelente novo disco recém lançado, eles fazem a mais pura e simples formula do pop, só que sem vocais. Canções que se constroem em repetição constante, com referências sonora que não remetem a outros grupos instrumentais, mas sim a grandes nomes da música pop, como Bob Dylan, The Who e Beatles.

A banda tem três integrantes. Gustavo Telles na bateria e Daniel Mossmann e Gabriel Guedes se revezando entre guitarra e baixo, no melhor estilo Tortoise (grande nome instrumental de Chicago). Os três compõem as músicas do grupo, “música pra tocas as pessoas”, segundo Telles. As primeiras faixas deste novo trabalho deles já pode ser encontrado para download na Internet, tanto no site oficial www.patadeelefante.com, quanto nas paginas que a banda mantêm no MySpace e Trama Virtual.

Debates
Até o fim do ano, o país não tem mais festival independente no calendário. Mas Salvador recebe o Fórum de Música, Mercado e Tecnologia. Passam por lá os jornalistas Alexandre Matias, Alex Antunes e o produtor do Goiânia Noise Fabrício Nobre, entre outros nomes. Quem for do Recife e quiser conferir, a melhor opção é enbarcar em quase 12 horas de estrada entre as cidades, numa viagem de ônibus que sai metade do valor de avião.

Agenda
Silvério Pessoa volta ao Teatro Santa Isabel para celebrar o sucesso do seu DVD “Cabeça Elétrica, Coração Acústico”. O show será dia 1 de dezembro. Ingressos promocionais estão sendo vendidos pelo preço único de R$ 20 nas lojas Tribos. Quem for ao teatro, desembolsa R$ 30 na inteira e R$ 15 com carteira de estudante

Goiânia Noise 2007

noise.jpg

Saiu ontem a programação oficial! Mas eu tava doente, de cama, completamente fudido, por isso só to coloando aqui agora. O bom é que, assim, todo mundo que publicou ontem não rouba minha trabalheira de encontrar os links de todas as bandas, como geralmente acontece :-P

Confere ai:

SEXTA | 23.11
Mugo
(GO)
Seven (GO)
Barfly (GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Superguidis (RS)
Cooper Cobras (RJ)
Violins (GO)
Os Haxixins
(SP)
MQN (GO)
Sick Sick Sinners (PR)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)
Rubín & Los Subtitulados
(Argentina)
The Dts (EUA)
Pato Fu (MG)

SÁBADO | 24.11
Woolloongabbas (GO)
Control Z
(GO)
Valentina (GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Pelvs (RJ)
Sangue Seco (GO)
Kassin + 2 (RJ)
Perrosky (Chile)
Mechanics
(GO)
Mukeka de Rato (ES)
Korzus (SP)
The Legendary Tigerman (Portugal)
Jupiter Maçã (RS)
Cordel Do Fogo Encantado (PE)

Domingo | 25.11
Perfect Violence
(GO)
Black Drawing Chalks (GO)
Rollin’ Chamas
(GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Ecos Falsos (SP)
Damn Laser Vampires (RS)
Macaco Bong
(MT)
Motherfish (GO)
Pata de Elefante (RS)
Spiritual Carnage
(GO)
The Battles (EUA)
Motosierra
(Uruguai)
Mundo Livre SA (PE)
Sepultura
(MG)


seleta.jpg
Quer tocar no Noise? Se você passou a vista com detalhe na programação, percebeu que está reservado um espaço em cada um dos três dias para uma banda selecionada pela Trama Virtual. Para participar é só dar uma conferida no site! Por falar em dar uma conferida, muitas das bandas escaladas já apareceram aqui no Pop up em resenhas e entrevistas. É só ir atrás ne busca ou nas tags. =)


fome.jpgTás com fome?

Café com discos

Café da manhã em Natal. Encontro histórico, passando despercebido pela fila para pegar o pão com queijo, bolo e leite. A mesa do canto está com Fabrício Nobre, do MQN e Monstro Discos, Fred 04, o pessoal do Walverdes, alguns jornalistas, todos disfarçam sua ressaca numa conversa sobre projetos futuros. Aquele papo de que ninguém está comprando disco, que lembrou da edição passada desta coluna. Todos viajando longe em histórias de lançar singles em vinil, disco duplo com DVD. A idéia é pegar aquele público mais louco mesmo, que ainda gosta de comprar música por kg.

Igual um rapaz que estava lá no festival DoSol. Desesperado, com as mãos coçando para por as mãos no Bebadogroove, do Mundo Livre. “Eu estou doido por esse disco, mas agora eles só vendem em shows, por isso nunca encontrei”. É nessas que a gente entende que as idéias de 04 nem são tão loucas assim. Um dos stands lá faturou mais de R$ 1 mil em vendas. Foi só falar no palco que “o CD tá a venda logo ali”, que todos saíram marchando para comprar. Foi bonito de ver.

Os pais
Se você é feito os potiguares, que adoram um hardcores melódico sem cair nesse papo de emo, vai gostar dessa notícia. Já ouviu falar no NOFX? Uma das banda mais legais de todas. Pais de todo esse papo de punk da Califórnia. Conhece? Pois comece a juntar uma graninha, que os meninos estão chegando no Brasil. Vai ser histórico.

Fotos
O festival Coquetel Molotov já começou. Lá na Livraria Saraiva, eles colocaram uma exposição das fotos dos shows da edição passada. Material bonito, revelado em papel fosco, bem charmoso. Vale uma conferida para começar a empolgar.

Promoção
Agora já era. Só para quem lê antes no jornal, DVD Cliperarama da Deckdisc. Coleção de clipes da gravadora, com Cachorro Grande, MxPx, Marcelinho da Lua e uma pá de gente.

Barfly – The Longest Turn

Escutar o disco do Barfly traz à memória uma lembrança engraçada e pré-conceituosa. Daqueles dias pouco distantes, onde o bilheteiro do cinema recomendava “tem certeza? o filme é nacional”, quando muitas vezes o filme na verdade era muito bom. Depois de exatos 1m15, quanda passa o refrão de “Daylight”, a primeira música, o encarte volta à mão com a pergunta “isso é nacional mesmo?”. É sim. A postura natural do grande mercado de discos é de que artistas brasileiros cantando em inglês não funcionam. Se fosse verdade, o Barfly seria então a exceção que faz a regra.

A única coisa no Barfly que não é exceção é o selo da Monstro Discos no verso do disco. A gravadora de Goiâna, e as bandas dessas cidades, são as que tem de mais legal aparecendo no rock independente do Brasil. No resto, “The Longest Turn” consegue mesmo correr na lateral de muita coisa feita no país. Primeiro por fazer um disco de puro rock inglês com cheiro de anos 80 com muita qualidade, sem deixar se afetar por sotaques, expressões ou até mesmo moda, como fizeram os badalados paulistas do Wry.

O disco tem 12 músicas, todas carregadas de uma melancolia que contrapõe a energia de uma guitar-band (são três guitarras no grupo). É a estréia dessa banda goiana, que começou oficialmente em 2003 já com um EP de sete faixas bem elogiado em zines na Internet. Apesar das referências aos anos 80 (e muito também do que estorou no começo dos anos 90, como o Sonic Youth), não é um banda amargurada. A harmonia melancólica é só clima, quase de pretexto, para letras que falam sobre muito do cotidiano.

Cláudio Ribeiro, voz e guitarra, é uma das melhores surpresas do Barfly. Um letrista de primeira linha, que fala bem sobre aqueles amores que fazem a gente se sentir mal. Parece ser o dono da voz certa para cantar o que escreve, começando sempre em graves e esticando agudos nos refrões de uma maneira que vicia o ouvido. Mesmo com seus pontos baixos, o disco é daquelas que dá vontade de acreditar no rock independente.

Barfly – The Longest Turn
Gravadora: Monstro Discos
Preço: R$ 15 [compre aqui]
Escute: Daylight

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