Tagged: MP3

Baixe uma música para comemorar

A Record Industry Associaton of America (Riaa) decidiu essa semana que vai parar de perseguir as pessoas que fazem download de música na Internet. Isso depois de passar o rodo em cerca de 35 mil pessoas, acusando elas de criminosos e fazendo com que eles pagassem severas multas por compartilhar as músicas de seus artistas favoritos. Esta longe de ser uma vitória. Na verdade, eles passaram a responsabilidade para os provedores de acesso. Mas uma coisa é certa… vai embora a piada mais divertida do mercado fonográfico.

comico-riaariaa

terrorist1

A notícia veio pela Folha. Vamos ter que arranjar outra coisa para fazer piada agora.

Crise?

A Nielsen SoundScan ainda faz hoje o mesmo trabalho que a deu fama no passado: as charts do Top 100 da Billboard. Mas ultimamente virou centro das atenções por conferir a venda de música online – álbuns e singles – nos Estados Unidos e Canadá. E eles encerram o ano avisando que em 2008 esse índice aumentou em 30%. Apesar de ser muito – afinal, o país lá está em crise econômica – não parece ser um resultado satisfatório para a indústria.

Ano passado o mesmo índice teve aumento superior a 50%. Pode até ser otimismo da minha parte, mas dobrar o consumo em dois anos ainda parece uma boa perspectiva para um mercado que até poucos dias redigia o discurso para o próprio apocalipse. E isso porque o recorte é bem específico. Queria ver como as vendas de músicas digitais se comportariam quando a iTunes Music Store passasse a funcionar aqui e o Brasil entrasse na conta.

Não é apenas mais um desses sites

Essa semana, nos Estados Unidos, aconteceu o SanFranMusicTech Summit, mais um desses eventos para discutir o futuro do consumo da música na internet. As conferências reuniram representantes dos principais jogadores hoje nessa partida, como o MySpace Music e Facebook, que definem lentamente o formato legal de circulação de MP3.

As apresentações mostravam um cenário que era ao mesmo tempo positivo – o acesso a rede vai crescer – e incerto – as gravadoras ainda precisarão saber como se comportar. Ou seja, nada de novo. No entanto, a presença de representantes dessas plataformas levantou o questionamento de que ambos os sites ignoraram totalmente as gravadoras independentes no recente acordo que criaram para vender música digital.

Um outro problema é que tanto o MySpace quanto o Facebook não dão flexibilidade para o artista que quer vender sua música. Parecido com o que acontece no Brasil com a Trama Virtual. Não importa quanto tempo de carreira ou sua importância no cenário musical, sua música vale o mesmo que a da banda que começou ontem.

Some isso a péssima interface de usuário – outro problema da Trama Virtual que, além da programação em Asp, obriga você a dar quatro cliques e um login para baixar uma música, não permite baixar discos, etc – as poucas possibilidades de customização da página e, na verdade, teremos jogadores principais que não tem exatamente as melhores ferramentas para vencer a disputa.

E entre as centenas de opções secundárias que são lançadas todos os dias, uma em particular chamou atenção no evento. O BANDCAMP. Um site que tem interface similar a do Blogger, só que com alguns recursos a mais. A descrição deles já é genial. “Não somos apenas-outro-lugar-para-por-sua-música. Nós criamos um site que é seu. Então, no lugar de nossa logomarca entupida de banners com propaganda de bate-papo sobre sexo para solteiros desesperados, seus fãs verão o seu design, sua musica, seu nome, sua URL. Você fica com todos os direitos autorais e nós apenas nos divertimos de fundo cuidando da parte tecnológica”.

As possibilidades do Bandcamp permitem que você venda uma mesma música por preços diferentes, de acordo com a qualidade do áudio, por exemplo. O player em flash permite que outras pessoas coloquem suas músicas em seus sites (coisa que faz MUITA falta no MySpace e Trama Virtual), além de fucionar automaticamente com vários serviços de cobrança online como o PayPal.

E, quem diria, não ser uma rede social acabou sendo algo positivo para o serviço. Porque você não precisa criar oooooutro perfil em oooooutro site que nunca vai acessar regularmente só para baixar uma única música. Por outro lado, o Bandcamp te dá ferramentas de marketing viral e estatísticas úteis para saber se as pessoas realmente ouviram sua música ou se desistiram ao ouvir sua voz horrível. Enquanto outros sites fazem uma estatística irreal, contando cada vez que apenas partam o play.

Não sei se vai pegar. Nunca entendi um site que ainda usa gif animado como o MySpace continuar com tanto sucesso. Mas fica a dica de quem quiser experimentar uma plataforma útil para ter um bom site de banda.

Volver – Acima da Chuva

Depois de uma espera quase infinita, saiu o segundo disco da Volver. É, de longe, um dos lançamentos mais importantes do rock pernambuco. Leva a banda para um segundo nível. Mais pop, mais acessível, a voz de Bruno Souto agora é aproveitada no seu potencial máximo. Reflexo da produção da Leo D e William Paiva, bem mais leve que as escolhas de Phelipe Seabra para o primeiro single “Tão Perto, Tão Certo”. E o mais importante: tem hit. Pelo menos metade do disco é de viciar apenas na primeira audição.

Parece meio esquisito falar de Acima da Chuva só agora. O disco já estava pronto há certo tempo, esperando apenas acertar uma masterização final. Tempo que a banda usou para injetar as novas músicas no inconsciente do público, que cantava todas as letras desde a edição passada do No Ar: Coquetel Molotov. Acabou servindo como uma boa estratégia. O público agora encontra um produto que eles já estão familiarizados.

A Volver acabou sendo a primeira banda Pernambucana a ter um disco lançado na integra pelo MySpace. O que acabou virando também a primeira banda que eu resolvi baixar o disco por lá. Um dos maiores trunfos que vai ser também a maior dificuldade da banda agora: o MySpace divide o disco por faixa, sem Tags, sem identificação, sem nem mesmo o nome da faixa no arquivo. E o mais importante: um agendamento totalmente diferente: será que os jornais locais vão vencer a preguiça de escrever sobre um disco que eles não receberam na tranquilidade da redação?

Vou pedir desculpa ao MySpace aqui, mas eu compilei todas as faixas em ordem, coloquei às tags e organizei num arquivo só a favor do leitor. Quem quiser baixar, o link tá ai:

Tocaê

No domingo passado eu aproveitei que estava no Recife Antigo e fui no Delta Café. Antes de ser atendido, o garçom já veio me entregar um tipo de cartão falando de uma nova ação da casa. Novidade bem boa na cidade, batizaodo de Tocaê. O C.E.S.A.R criou um sistema de compras de música por celular via bluetooth. Precisa comprar um cartão antes, que custa R$ 2, para ativar o serviço e baixar um programa que funciona como servidor de e-commerce. As faixas saem por R$ 0,50 e já tem no acervo uma quantidade grande de músicas de artistas pernambucanos. Boa parte é do catalogo da Candeeiro e também de artistas da Astronave.

Tem alguns aspectos bem negativos. O sistema de cobranças, por exemplo, deixa de fora uma parcela gigantesca do mercado que são os celulares pré-pagos. E apesar de ser uma idéia moderna, se sustenta ainda num modelo já antigo para comercialização de músicas. O consumidor tem pouca sensação de vantagem quando paga R$ 0,50 por uma faixa. O preço é acessível, mas tem um porém: as músicas tem bitrate de 64kbps, o que é muito (muito) baixo.

Mas ainda acho que os aspectos positivos tem peso muito maior. O mais importante é o de finalmente instalar na cidade um comércio descontínuo de música. Fico imaginando o poder que um serviço desses teria num colégio ou faculdade, por exemplo. E, se por um cobrar diretamente pelas músicas pode ser arriscado, acostuma mesmo que lentamente o público com a idéia de que pode conseguir faixas legalmente sem ser através de uma loja tradicional.

Mandei umas perguntas para Eduardo Peixoto, idealizador do serviço que acabou publicando as respostas no blog do Tocaê antes mesmo que eu atualizasse aqui.

O serviço foi inspirado em algum modelo? Qual? E, se foi o caso, que adaptações precisaram ser feitas?
A inspiração é na inclusão digital através do celular. O celular, além de telefone, é o MP3 e a camera da maioria dos brasileiros. O download de música digital cresceu mais de 100% no ano passado, muito impulsionado pelo side-load (do PC para o celular). A idéia é disponibilizar para os usuários de MP3 música a preço acessível. Note que só se paga uma vez. As músicas baixadas não possuem DRM, logo após baixadas podem ser transmitidas para outros dispositivos.

Esse primeiro catálogo foi tratado diretamente com selos? Eles tiveram uma compreensão imediata da idéia?
O primeiro catálogo foi tratado com os selos. Eles aderiram imediatamente a idéia. Estamos trabalhando agora numa interface para permitir que os artistas submetam diretamente seus conteúdos para o tocaê.

Aliás, sobre a idéia. Como ela funciona nos bastidores? Desses R$ 0,50 quanto é repassado para o artista? E quanto dos R$ 2 do cartão? Como funciona quando eles tem um selo ou editora? O dinheiro vai pra quem?
O dinheiro é compartilhado por toda a cadeia, que neste caso é muito menor que na distribuição de CDs. Se o conteúdo é colocado através do selo, a negociação do artista é com o selo. Estamos fechando o breakdown, vamos colocar isso no blog, será tudo com muita transparência.

Note que é um negócio principalmente voltado para artistas que não tem como principal remuneração a distribuição de música, mas a realização de shows. O tocaê vai permitir a estes artistas, identificar aonde (geograficamente) suas músicas estão sendo baixadas e planejar melhor os shows.

Quais são os spots do Tocaê? O que é preciso para uma empresa se tornar um?
Estamos trabalhando em alpha :) Iniciamos no Delta para sentir a aceitação, a funcionalidade e a interface. As empresas que quiserem participar podem entrar em contato conosco para adquirir um hotspot. Buscamos locais de alta circulação humana.

Você acha que esse modelo do Tocaê é definitivo ou ele pode migrar ainda para outro (como sugeriram nos comentários do site)?

Nenhum modelo é definitivo, mas não vamos nos limitar a remuneração através da venda de cartões. Existirão outras formas de patrocínio que poderam tornar o conteúdo disponibilizado ainda mais barato para o ouvinte.