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Resenhas – Coquetel Molotov 1

MQN – Bad Ass Rock’n'Roll
Guitarras bem altas e vocais perto do berro. Quem duvida da fórmula despretensiosa de rock’n'roll do MQN, basta conferir o nome de faixas como “Come Into This Place Called Hell” e “My Baby Sold Her Heart to the Devil”. Barulheira super afinada pela banda de Goiânia que faz do segundo disco um manual sobre como se divertir com um tipo de rock cada vez mais raro entre os independentes de destaque. Daqueles que a gente dá carreira, bate cabeça, funga o nariz e cospe no chão.


Totonho e os Cabras – Sabotador de Satélite
Exemplo mais clássico da criatividade nordestina em reprocessar suas batidas regionais com os samplers eletrônicos. O segundo disco de Totonho, primeiro gravado e lançado 100% pela Trama, com produção de Carlos Eduardo Miranda, rima com a vontade de experimentar de vizinhos como Chico César, Cordel do Fogo Encantado e Otto. Em alguns momentos seria bobo, se não fosse muito divertido falar versos como “o peito da morena / quando aperta faz fom fom”.


We Are Scientists – With Love and Squalor
“If you wanna use my body / go for it”. Prova inegável que existem nerds no Reino Unido, o We Are Scientists fez de seu disco de estréia item necessário na prateleira de quem não resiste fechar os olhos e fazer pose quando escuta o Weezer. A comparação é inevitável, ao ponto de dizer que eles já são o equivalente britânico da banda de Rivers Cuomo. Não faltam, no homônimo, riffzinhos instigados e músicas que devem virar cartaz de festa muito breve.


Diplo – Florida
A compilação de remixes e experimentação nas 12 músicas é de uma sobriedade e mesmo “sombriedade” hipnotizante. Se Displo faz sucesso na pista, o disco dele é para uma degustação muito mais tranquila. Nos EUA, a Flórida costuma ser pousada dos velhinhos, mas para essa aqui, tem que ter as idéias ainda novinhas na cabeça. Tem ainda um funk carioca empurrado lá na última faixa, apenas na versão brasileira do disco.

Mada 2007 – Considerações finais

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NATAL – Festivais independentes estão assumindo, cada vez mais, a função de peneira para a nova música brasileira. É um formato que se repete. Cerca de 30 bandas são jogadas para uma avaliação em três etapas distintas. A primeira pelo público, a segunda pela imprensa especializada e a terceira pelas outras bandas que estão se apresentando. E, por enquanto, essa parece ser a melhor maneira encontrada para uma seleção natural apontar novidades em tempos que qualquer um consegue ter um disco prensado. Neste último fim de semana, o festival Mada, em Natal, tentou cumprir sua parte nessa história.

Foram três dias de apresentações. As atrações principais, para atrair o público a cumprir sua parte eram Nação Zumbi, Mombojó, Paralamas do Sucesso, Detonautas e Skank. Elas não desempenharam um papel muito bom. Com exceção da pernambucana Mombojó e da mineira Skank, que reuniram maior número de público, no geral pouca gente estava disposta a ver o Mada este ano. Nos últimos três anos, o evento perdeu cerca de 40% de seu público.

Estive no evento a convite do patrocinador oficial Tim, para conferir que nomes chamaram atenção nesse vestibular do rock. Tarefa complicada, considerando que muitas das apresentações ainda deixam a desejar. Fica muito claro, nessa nova etapa da música que vivemos, que ter uma boa presença no palco é muito mais importante que ter um disco próprio. Mesmo assim, a maioria das bandas se apresentou como se estivessem dentro de um estúdio, sem público e com pouca motivação.

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Sorte de quem soube aproveitar a vantagem visual. De cada noite do evento, pelo menos dois nomes podem ser guardados. Madame Saatan, do Pará, tem um domínio de público de fazer inveja. A vocalista Sammliz, 32 anos, tem carisma e voz para desbancar qualquer ídolo adolescente. A banda também tem hits, bons o suficiente para sair da apresentação já com alguns bem presos na memória. De todas, essa foi a melhor surpresa do evento. Na mesma noite, Neguedmundo, atração local, dá sinais que a música negra é muito mais forte em Natal que o próprio rock.

Essa preocupação com o palco também foi fundamental para a brasilense Lucy and the Popsonics mostrar que tem muito mais potencial que o apresentado por um show prejudicado pela técnica. Começaram sem os instrumentos funcionando, terminaram com um pequeno número de novos fãs. Tocam rock cheio de programação eletrônica, desse que já é moda, o que tem ajudado eles a fazer quase todo o circuito de festivais independentes esse ano.

Rockassetes (SE), Cabaret (RJ) e a pernambucana Mellotrons são nomes que também sabem a importância que é mostrar algo diferente ao vivo. Ganharam o público que ainda não os conhecia fácil, já nas primeiras músicas. Boas músicas, seus discos já mostraram que eles já tinham, presença e carisma dão o passo adiante. O mesmo para a Superguidis, de Porto Alegre, que tocou na última noite. Tirar oito, de 33 atrações, parece um saldo positivo para o festival, que recebeu respectivamente cinco, dois e oito mil pessoas por noite.

O oitavo nome dessa lista merece atenção especial. Moveis Coloniais de Acaju, de Brasília, é a banda independente com o maior potencial hoje no Brasil, sem sombras de dúvida. São reis no palco, na música – um ska mais pop, divertido de ouvir e de ver – e na simpatia que nunca dá trégua. Fizeram cerca de três mil pessoas resistirem a chuva forte apenas para fazer parte daquele momento. Algo que algumas atrações principais, como o Detonautas, não conseguiu. Se o fim do Los Hermanos deixar uma lacuna para uma próxima grande banda nacional, Moveis Coloniais já é vencedor desse cargo.

Infelizmente, o Mada ainda é carente dos jogadores intermediários dessa partida. A única banda que ainda não está na última fase, mas já acumula muita experiência de estrada presente na programação foi a MQN, de Goiânia. Resultado: jogaram sozinhos e fizeram um show que está longe da performance insana que eles costumam ter sempre no palco. E mesmo numa noite de astral mais baixo, o vocalista Fabrício Nobre, continua como melhor exemplo do que é sempre ter presença no palco. Hard rock com cerveja e palavrão voando para o público, difícil de não se contagiar.

Formatos
O “se” na frase sobre o Móveis Coloniais é o novo ponto fundamental a cada passagem de festivais. O Mada, assim como o Abril pro Rock, reforçaram este ano que o formato clássico, com mais de 10 mil pessoas circulando nos shows, mudou. A tendência parece ser realmente diminuir, perdendo o público que quer apenas balada, para o que se interessa mesmo por música. Reflexão que veio no fim da noite do evento, num papo entre jornalistas e músicos, ao som das últimas músicas do Skank e os primeiros raios do sol.

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Programação MADA 2007

Então, perdão pelo baque. Estava mudando de servidor e, dividindo o tempo com tanta coisa, o Pop up passou um dias tentando se recompor. Agora de volta a nossa programação normal.

@@@@@@

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O Mada, de Natal, divulgou a programação final do festival. Confere ai:

QUINTA 3/5
BABY PLEASE |RN
CLAUDIA`S PARACHUTE |MT
ORQUESTRA BOCA SECA |RN
CABOZÓ |RN
REVERSE |RJ
MADAME SAATAN |PA
NEGUEDMUNDO |RN
PARALAMAS DO SUCESSO |DF
NAÇÃO ZUMBI |PE

SEXTA 4/5
LUCY AND THE POPSONICS |DF
ROCKASSETES |SE
MELLOTRONS |PE
CABARET |RJ
BUGS |RN
MEMORIA ROM |RN
MOMBOJÓ |PE
MOVEIS COLONIAIS DE ACAJU |DF
DETONAUTAS |RJ
MONTAGE |CE na area eletronica

SABADO 5/5
DALILA NO CAOS |PB
JANE FONDA |RN
BELINA MAMÂO |RN
ELETRO |RJ
PÚBLICA |RS
MQN |GO
LABORATORIO POP / SELETIVA |RJ
SUPERGUIDIS |RS
CARTOLAS |RS
RUSSIAN FUTURIST |CANADÁ
SKANK |MG

E ai, o que você achou? Diz ai! =)

Foto do Skank tirada do Flick do Eugênio Oliveira

Festival DoSol em vídeo

Os programas que a Trama Virtual fez quando esteve lá. Eu apareço em um, mas só de costas. :)

Programa 1

Programa 2

Café com discos

Café da manhã em Natal. Encontro histórico, passando despercebido pela fila para pegar o pão com queijo, bolo e leite. A mesa do canto está com Fabrício Nobre, do MQN e Monstro Discos, Fred 04, o pessoal do Walverdes, alguns jornalistas, todos disfarçam sua ressaca numa conversa sobre projetos futuros. Aquele papo de que ninguém está comprando disco, que lembrou da edição passada desta coluna. Todos viajando longe em histórias de lançar singles em vinil, disco duplo com DVD. A idéia é pegar aquele público mais louco mesmo, que ainda gosta de comprar música por kg.

Igual um rapaz que estava lá no festival DoSol. Desesperado, com as mãos coçando para por as mãos no Bebadogroove, do Mundo Livre. “Eu estou doido por esse disco, mas agora eles só vendem em shows, por isso nunca encontrei”. É nessas que a gente entende que as idéias de 04 nem são tão loucas assim. Um dos stands lá faturou mais de R$ 1 mil em vendas. Foi só falar no palco que “o CD tá a venda logo ali”, que todos saíram marchando para comprar. Foi bonito de ver.

Os pais
Se você é feito os potiguares, que adoram um hardcores melódico sem cair nesse papo de emo, vai gostar dessa notícia. Já ouviu falar no NOFX? Uma das banda mais legais de todas. Pais de todo esse papo de punk da Califórnia. Conhece? Pois comece a juntar uma graninha, que os meninos estão chegando no Brasil. Vai ser histórico.

Fotos
O festival Coquetel Molotov já começou. Lá na Livraria Saraiva, eles colocaram uma exposição das fotos dos shows da edição passada. Material bonito, revelado em papel fosco, bem charmoso. Vale uma conferida para começar a empolgar.

Promoção
Agora já era. Só para quem lê antes no jornal, DVD Cliperarama da Deckdisc. Coleção de clipes da gravadora, com Cachorro Grande, MxPx, Marcelinho da Lua e uma pá de gente.