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Editorial: Sobre prêmios

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Existe uma regra geral na música brasileira que manda você desconfiar, o máximo possível, de qualquer premiação. Isso valia até para o impecável e hoje saudoso prêmio Tim. Talvez essa regra tenha nascido daquele tipo mais comum de artista, o que pensa que o sucesso só chega quando outra pessoa trabalha por você, afinal, a premissa da desconfiança é que certamente aquele troféu foi comprado por alguém. Mesmo entre os que estão ali no palco, perto de receber a homenagem, vai ter que concorde com essa idéia. E o fato que, no fim das contas, nem ao menos importa tanto assim se isso é verdade ou mentira.

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O último dia ensolarado do ano

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A Sweet Fanny Adams volta a dar notícias. Depois de emplacar o hit C’Mon Girl na série Alice, eles vão virar trilha mais uma vez. A banda é uma das convidadas para o novo seriado que a MTV Brasil vai lançar esse semestre, chamado Descolados. O nome é terrível, quase sugerindo uma versão da novela Malhação do canal de Clipes, mas pela sinopse, as histórias contadas parecem ser mais interessantes. A série vai se passar na noite de São Paulo, mostrando a vida de alguns amigos que vivem o cotidiano das boates da maior cidade do país.

O investimento é grande. Pelo que tem sido dito em jornais e sites, os primeiros 13 episódios da temporada piloto vão custar R$ 5 milhões. Apesar da produtora por trás ser grande, o dinheiro vai ser todo investido em atores novos e desconhecidos. E em bandas novas para fazer a trilha também! A música da SFA se chama The Last Sunny Day of the Year. Teve mixagem de Rodrigo Coelho (que já assinou o EP anterior deles) e masterização de Felipe Tichauer, em Miami. Segundo a banda, um EP novo deve ser lançado em junho.

Coelho é o responsável por toda a trilha sonora da série e, ao que tudo indica, várias outras bandas pernambucanas devem entrar na série, como Amp, River Raid, Karina Buhr e Chambaril.

Sem querer ser chato…

Mas fiquei impressionando com a repercussão do VMB. Neste exato momento, meus feeds mostram nada menos que oito blogs falando do fiasco da apresentação do Bloc Party na MTV. Desses, pelo menos cinco são alguns dos principais endereços de música hoje na internet brazuca. Enquanto isso, em uma lista de discussão, o show chegou a ganhar dois tópicos onde quase nasce uma cpi do playback.

Nem vou entrar na questão sobre o que é que estavam esperando tanto de uma banda que nasceu dia desses e tem apenas um, dos três discos lançados com 20% de músicas legais. Ou que diferença faz na carreira deles uma apresentação furada num canal a cabo em um país que não tem dinheiro nem para comprar televisão. Mas não dá pra estranhar que ninguém sequer deu atenção a um dos momentos mais incríveis do rock independente. Reforçando o bom momento do Nordeste, por sinal. Na mesma noite, Pitty e Cascadura cantaram juntos uma homenagem que já histórica ao Úteros em Fúria.

E se você já cansou de ver o mesmo vídeo do BP fazendo PB (sacou?), ai vai algo que realmente valeu a pena na premiação:

Cinco bandas encerram uma fase da MTV

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Depois de anunciar a retirada dos videoclipes da programação, a MTV parece ter começado a exportar seu processo autodestrutivo para todos que se aproximam do canal. Um dos novos produtos lançados é um especial com cinco bandas de rock, juntas numa única apresentação no Via Funchal, em São Paulo, para lançamento de um CD e DVD. Por trás da produção, esconde também a tentativa da emissora em definir seu novo público alvo, aos poucos que deixa de ser um canal de música para se transformar num canal restrito a adolescentes de classe média. Tipo “Malhação 24h”.

As cinco bandas convidadas foram NxZero, Forfun, Hateen, Fresno e Moptop. Com exceção da última da lista, estão todas no último fenômeno que as grandes gravadoras conseguiram lançar dentro e fora do Brasil, o emocore (numa explicação rápida e rasteira, é a mesma atitude dos góticos da década de 80 aliada a sonoridade hardcore). Adorados pelo público e odiados por grande parte da crítica, as bandas acabaram de entrar em numa exposição arriscada.

Arriscado até para os próprios fãs, que ao verem todos os principais nomes do atual rock adolescente juntos, podem perceber o quanto do que está no palco é simplesmente fabricado. Com exceção visual e sonora do Moptop, que ainda mantêm uma postura honesta, o desavisado pode arriscar que as outras quatro bandas, na verdade, são a mesma. Não é um pecado, afinal música pop e indústria são baseadas em reprodução – e, afinal, não são bandas tão ruins – mas é erro da MTV em juntar, de maneira quase esquizofrênica, tudo no mesmo saco.

O disco acaba com um efeito de tiro pela culatra. Ele traz uma mensagem clara de que não vale mais a pena para uma banda nova e independente apostar no que antes foi o principal divulgador nacional de música pop. O canal perde oficialmente sua antiga função. Reflexo da postura que a MTV tem assumido quando, por exemplo, é convidada a fazer coberturas de eventos de música. Numa das primeiras tentativas de tentar lançar novos nomes do rock, fica a lembrança de que o canal exibiu apenas os repórteres na praia e numa partida de totó. Na segunda tentativa, a reportagem se resumiu a contar quantas pessoas no público vestiam camisas de banda.

Repertório
Para o público já fiel das bandas, o disco consegue trazer uma boa notícia. Todas as cinco convidadas estão na entressafra da produção do próximo disco e, no show, todas já apresentam músicas inéditas. Com sorte, quando elas derem conta do mau agouro que a MTV virou, liberem suas participações individuais na Internet. É difícil que o disco renda muito mais além disso, já que também não terá nenhuma turnê reunindo as bandas.

Entrevista – Nando Reis

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Nando Reis está no top 10 dos artistas nacionais mais complicados de entrevistar. Depois de toda historia que viveu com os Titãs, ele já aprendeu todas as manhas dos jornalistas. E o mais grave, sabe muito bem que precisa pouco deles. Por isso, não se intimida em lançar um disco no formato mais cansado da indústria brasileira, um acústico MTV, reprocessado na forma de um lual. Numa agenda de entrevistas entre vários veículos de mídia de todo o país, o músico parece se divertir muito mais que aproveitar a divulgação extra. Coisa de quem quer passar a imagem de estar sempre por cima.

Por isso a conversa com ele é sempre intercalada por longos “hmmmm“, encerrando em curtos “sim” ou “não“. Por quê? “Ah, por que sim“. Arrancar frases inteiras é um desafio. E depois muito cutucado, ele decide ceder. Diz que “na verdade não é acústico porque estou planejando um show onde vão ser usados instrumentos elétricos. Vai ter uma transição“. Também não é um lual. O programa da MTV foi gravado debaixo de um forte sol carioca. E, claro, na turnê que ele planeja agora, vai se apresentar em ambientes fechados.

No fundo, o que se passa é que Nando Reis aproveita ambos conceitos para lançar um de seus discos mais definitivos. São todos seus principais sucessos, num climão de que ele está  tocando violão bem ao lado do fã, com direito a vários convidados para encher a bola da festa. Ter certeza de onde mirar para acertar costuma ser sinônimo também para disco mais preguiçoso. O fã pode até estar ao lado, mas ele quer também novidades, por mais que Nando Reis negue isso.

Mas ele justifica que “os fãs sempre pedem músicas do Titãs quando eu toco“. E vai além numa longa defesa, explicando que “também pedem Cássia Eller, Marisa Monte, e de várias outras pessoas. Eu não gosto de ver minha carreira como algo seccionado, e sim como minha maneira de interpretar minas composições. Então não vou deixar de tocar algo da minha antiga banda só porque estou em carreira solo. Não funciona assim para mim“.

Discurso de um tipo raro de artista, aquele que tem liberdade total dentro da maior gravadora do pa¡s (e do mundo), a Universal. “Eu acho que o mito é outro. As gravadoras não manipulam seus artistas, mas existem alguns que querem, gostam e se permitem serem manipulados. Se a gravadora te contratou, então pressupõe que ela gosta de seu trabalho, não existe essa história de tentar mudar“, afirma, no que deve ser o maior desafio já  lançado até agora ao discurso contra as grandes corporaçäes da música.

Nando Reis usou essa liberdade para ditar seu próprio repertório e chamar os convidados que queria. Essa é, certamente, sua grande contribuição para o formato acústico, já que sempre são convidados apenas artistas da própria gravadora do músico em evidência. Isso, e o fato que, no fim das contas, Nando Reis ainda é um dos grandes compositores da música pop nacional, consegue transformar a questionável idéia de um lual num bom disco. 