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To the gig, on the road

Meu ego tá lá em cima. Tudo bem que no inverno o movimento migratório das bandas do Recife sempre aponta para o sul, mas olha o email que o Marcelo manda: “Nuda toca aqui em BH em uma festa que estou fazendo e achei legal te avisar, já que conheci a banda através do seu blog“. Legal, hein? Olha as datas deles:

07/06 – Belo Horizonte, no Matriz – Festa do Outro Rock – Organizado pelo Fórceps.
08/06 – Uberlândia, no GOMA – Organizado pelo coletivo local Goma.
12/06 – Goiânia – Egg Music
14/06 – Cuiabá – Festival Volume/Segundo Dia

Quem também está de passagem pelo centro-oeste e sudeste é a Orquestra Contemporânea de Olinda. Desse vez acho que não foi culpa minha. Os shows deles:

07/06 – FESTA DO RONCA RONCA (OI FM) – RJ – 22h
12/06 – SESC POMPÉIA – SP – 21h
13/06 – SESC CAMPINAS – 19h30 – Orquestra Contemporânea de Olinda e Alceu Valença
14/06 – FNAC – BRASILIA – 17h
14/06 – ARENA – BRASILIA – 22h – Orquestra Contemporânea de Olinda, Buguinha DUB e Casa de Farinha.

Em junho também tem show da Mula Manca e a Fabulosa Figura. Eles vão para o Rio de Janeiro, onde ainda chegam a fazer uma apresentação como o seu Chico junto com Vítor Araújo na festa… não posso falar ainda :P Mas de lá eles partem para um circuito de casas locais.

Mais pertinho de casa, tem Vamoz e Amp, o top of the pops do Recife, com show em João Pessoa junto com a Madalena Moog. Esse eu queria ir ver, mas o horário esbarra nos compromissos. Mais perto da sexta eu publico a agenda dos shows daqui. Preciso me redimir com a minha irresponsável afirmação no podcast de que tem pouca coisa rolando na cidade.

Compre discos

Se nada mudar até o final deste mês, o Brasil deve perder sua última fábrica de vinil. O Recife vive uma parte acelerada desse processo, sem nenhum artista local interessado em se lançar no formato clássico do bolachão, algo que ainda é muito comum nos Estados Unidos. Tão acelerado, que em nenhum Shopping Center da cidade hoje tem uma loja de CDs. E vamos acabar perdendo um dos grandes prazeres da música, que é se debruçar numa prateleira, catando disco por disco.

O mapa, para quem reconhece esse prazer e não quer deixá-lo morrer, é muito fácil de seguir. A Passa Disco, no Sítio Trindade, é reduto essencial do repertório pernambucano. Já o centro do Recife guarda raridades na Flowers, que fica por trás do cinema São Luiz, e na Blackout, localizada na rua da Riachuelo. A partir dessas, se entra num mundo próprio dos fãs de boa música. O restante é por sua conta.

Em São Paulo
A capital paulista está tomada pela mostra internacional de cinema, mas, no último fim de semana, quem quisesse uma programação diferente o esquema era o seguinte: Ortinho e Zé Cafofinho de um lado, Mula Manca e Fabulosa Figura do outro.

Contagem interrompida
O novo disco da Nação Zumbi, “Fome de Tudo“, chega oficialmente às lojas no dia 25. Quem for esperto, no entanto, já pode degustar tudo, porque ele caiu inteiro na Internet neste último fim de semana. Depois de ouvir, vale a pena comprar um original.

Agenda
O fim de semana chega com um novo festival de música no Recife. O Virtuemusica será na área externa do Armazém 14, com shows de Fresno (RS), Ramirez (RJ), Ludov (SP), Autoramas (RJ), The Sinks (RN), Fóssil (CE), Encarne (CE) e mais nove bandas locais.

Causa e consequência

Escuta essa. Aproveitei uma viagem que fiz semana passada para visitar uma das maiores gravadoras independentes do país. Conversa vai, conversa vêm, eles revelam que estavam bem interessados em contratar pelo menos duas bandas de Pernambuco. Pensou que era uma boa notícia? Nem é, porque isso não deve mais acontecer. Segundo eles, “porque no Recife ninguém compra os discos das bandas”.

Faz sentido. Como vão lançar um artista que não vai ser valorizado na própria cidade natal? Falaram até dos shows, que ninguém está querendo pagar R$ 10 para ver uma banda. Sndo didático, e até chato, vale explicar. A música funciona numa cadeia produtiva. Não adianta uma banda lançar um disco e/ou eu escrever sobre ele, se você não está mais nem ai para isso. Sem um desses três elementos, neste caso o público, ela não funciona. Entendeu?

Falando nisso
Ziggy Marley não vem mais para o Recife. E o motivo é o que foi dito logo acima. O cachê do filho de Bob Marley custa R$ 160 mil reais e exigiria pelo menos 5 mil pagantes num show. E, como os produtores já bem sabem, é mais fácil dar esse público da porta para fora, sem nem sequer entrar.

No estúdio
Quer se redimir disso? Ainda está em tempo. A banda Vamoz, uma das mais legais da cidade, está em estúdio terminando o próximo disco. Quem está na fase final desse processo é a Mula Manca e a Triste Figura. E quem já está com a bolachinha pronta e vendendo por ai é o Mellotrons.

Virou moda

Não foi o pop dos anos 90, indies, nem a música com interferências eletrônica ou regionais. Quase ninguém se deu conta, mas o que acabou virando moda foi mesmo o gênero “mpb-rock-em-cima-do-muro”. Começou com o surto do Los Hermanos e hoje as bandas que mais chamam atenção de público e crítica são a Nervoso, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Cidadão Instigado, Columbia e a lista segue, sem ter medo de soar pop demais.

Recife, por sinal, está muito bem nessa onda. Mombojó, Parafusa, Mula Manca e a Triste Figura, Del Rey e, forçando um pouco a barra, até a Rádio de Outono. O mais curioso é que essas são as músicas mais simples. Ninguém parece estar muito interessado em inovação ou rebuscamento. Por isso, não dê ouvido ao exagero que fazem com forçada invasão de referências que a mídia do sudeste persiste. Confie nos palcos.

No embalo
Procurando por sons interessantes no festival Cultura Independente, uma banda conseguiu ser realmente surpreendente: a Circo Vivant. Trompete, trombone, teclado, baixo, guitarra e voz, climão de Roberto e Erasmo com circo, que não tem medo de parecer com Los Hermanos na época boa – aquela onde eles ainda faziam melodia. A banda já se apresentou no Pátio do Rock e, ao vivo, parecem ser ainda mais promissores que no primeiro CD Demo. Quem quiser conferir, é uma ótima aposta para 2006. As músicas estão no site www.tramavirtual.com.br/circo_vivant.

Falando em moda
O jornalista paulista Lúcio Ribeiro deve ter gostado da comida típica do Recife. Ele vai voltar a cidade pela terceira vez em menos de cinco meses com sua festa “Popload”. De tanto querer lançar modas na sua coluna, ele decidiu fazer parte do mundo fashion e chega direto de uma apresentação no São Paulo Fashion Week. Aqui, ele toca na abertura da Comtex, feira importante para a indústria têxtil e mercado de roupas do Nordeste.

Na Internet
Ninguém faz a menor idéia ainda de quem seja Ewerton Assumção. Sua música, “Vou te excluir do meu orkut” foi a mais comentada na rede nessa última semana. Já tem até a letra no portal Terra. Quem também vazou na rede foi “Meds”, novo disco do Placebo, bem regular, sem hits certos e que promete passar batido.

Publicado originalmente em 24.01.06