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Café com discos

Café da manhã em Natal. Encontro histórico, passando despercebido pela fila para pegar o pão com queijo, bolo e leite. A mesa do canto está com Fabrício Nobre, do MQN e Monstro Discos, Fred 04, o pessoal do Walverdes, alguns jornalistas, todos disfarçam sua ressaca numa conversa sobre projetos futuros. Aquele papo de que ninguém está comprando disco, que lembrou da edição passada desta coluna. Todos viajando longe em histórias de lançar singles em vinil, disco duplo com DVD. A idéia é pegar aquele público mais louco mesmo, que ainda gosta de comprar música por kg.

Igual um rapaz que estava lá no festival DoSol. Desesperado, com as mãos coçando para por as mãos no Bebadogroove, do Mundo Livre. “Eu estou doido por esse disco, mas agora eles só vendem em shows, por isso nunca encontrei”. É nessas que a gente entende que as idéias de 04 nem são tão loucas assim. Um dos stands lá faturou mais de R$ 1 mil em vendas. Foi só falar no palco que “o CD tá a venda logo ali”, que todos saíram marchando para comprar. Foi bonito de ver.

Os pais
Se você é feito os potiguares, que adoram um hardcores melódico sem cair nesse papo de emo, vai gostar dessa notícia. Já ouviu falar no NOFX? Uma das banda mais legais de todas. Pais de todo esse papo de punk da Califórnia. Conhece? Pois comece a juntar uma graninha, que os meninos estão chegando no Brasil. Vai ser histórico.

Fotos
O festival Coquetel Molotov já começou. Lá na Livraria Saraiva, eles colocaram uma exposição das fotos dos shows da edição passada. Material bonito, revelado em papel fosco, bem charmoso. Vale uma conferida para começar a empolgar.

Promoção
Agora já era. Só para quem lê antes no jornal, DVD Cliperarama da Deckdisc. Coleção de clipes da gravadora, com Cachorro Grande, MxPx, Marcelinho da Lua e uma pá de gente.

Rixa?

Semana passada, a revista Laboratório Pop publicou em seu site uma matéria sobre o festival Música Alimento da Alma, o Mada, que acontece em Natal. A revista é editada no Rio de Janeiro. A maioria dos jornalistas – incluindo o que assinou o texto – são cariocas. Agora vem o fato bizarro: todo o texto tinha um clima de rixa entre o festival Mada e o Abril pro Rock. Com frases como “botou o Abril no chão”. E, o mais estranho, com uma suposta rixa também entre as cidades de Recife e Natal.

O que deixa o comentário curioso é que o organizador do Mada, Jomardo, é um dos principais investidores da revista carioca. Essas relações sempre são muito perigosos. Primeiro pelo óbvio, que é a rixa que não existe. Depois pela associação de um veículo de grande circulação com um evento de grande porte. Fica a incomoda sensação que a provocação – e a criação dessa tal rixa – foi intencional.

Clipe
A banda Mundo Livre S/A lança quinta-feira o clipe da música “Abrindo o Coração para uma Cachorra Chapada e Bêbada”, do novo EP Bebadogroove. Será no bar Boratcho, que fica na Galeria Joana D’arc, no Pina. A festa tem discotecagem de Renato L, Bahiano e Tchêras

Abril pro Rock
Ainda não garantiu sua entrada? Aproveite então a promoção do ingresso social. Quem doar 1kg de alimento, paga apenas R$ 25 no preço do ingresso inteiro por dia. Falando em Abril, domingo, quem acompanha a Orquestra Imperial é o músico Jorge Mautner.

Curitiba
Começou a primeira rodada de boatos para o Curitiba Rock Festival. Os nomes são Arctic Monkeys, Black Rebel Motorcycle Club, Ian Brown, Sisters of Mercy e Dandy Warhols. Ainda é um tanto exagerado, mas qualquer das opções já é uma ótima notícia!

Boas surpresas

Falem o que quiser da facilidade para pegar músicas na Internet. Nada substitui o prazer de comprar um ótimo disco pelo puro acaso. Atraído por uma capa bem simples, um fundo branco e um pequeno efeito na foto de um guitarrista, junto com um nome que parecia mais uma onomatopéia de uma metralhadora. “Ratatat”. Alguma coisa simplesmente parecia certo na caixinha perdida num mar de tantos CDs na prateleira da loja.

A mensagem do começo, falada em inglês, nem fez tanto sentido quando o “play” dava início aquela degustação injusta de 30 segundos. “Eu faço rap há 17 anos, ok? Eu não escrevo mais minhas coisas, ok?”. Isso mesmo, era todo instrumental. Guitarras, sintetizadores, palmas e beats. Rock, eletrônico e até minimalista. Um achado.

Da próxima vez que tiver um tempo livre, perca um pouco dele passeando naquela loja mais próxima. Escolha os CDs pelo acaso e perturbe um pouco o vendedor para ouvir cada um com cuidado. O prazer da descoberta vale muito mais que o mais rápido dos downloads.

Escute: Ratatat – Seventeen Years

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Sampa
Pernambuco está em alta em São Paulo. Durante essas últimas duas semanas, passaram pelos palcos de lá o Eddie, Bonsucesso Samba Clube, o DJ Bruno Pedrosa e o Mundo Livre S/A. Uma amiga de lá comentou que não adiantava marcar outro programa, porque todo mundo já estava certo que o show do fim de semana eram das bandas daqui.

Sirrose
O projeto de Silvério Pessoa cantando Reginaldo Rossi, o Sir Rossi, que foi adiantado aqui na Folha terça passada já tem datas para os primeiros shows. Claro, vai ser uma dobradinha com a Del Rey com músicas de Roberto Carlos. O encontro dos reis será no Clube das Pás, dia 07 de abril. Os ingressos vão custar R$ 12.

Internet
O Programa Independente, agora programa Recife Rock Independente, está colocando a partir de agora na Internet as edições que vão ao ar na Rádio Universitária. É só acessar o www.reciferock.com.br . Já o site CircuitoPE liberou, sexta-feira, seu terceiro podcast. Agora Fred 04, do Mundo Livre S/A, apresenta o novo e ótimo disco Bebadogroove. Para acessar: www.circuitope.org .

Tributo a Odair José – Vou tirar Você desse lugar

Dizer que o velho brega (aquele de Odair e Cauby), depois do novo brega (aquele do Calypso do pará), virou preciosidade cult já é repetir um clichê. O gênero deixou de passear no campo da pseudo-inteligência e já atingiu estado de moda. Que venham então os remakes, releituras e compilações, como esta “Vou tirar você desse lugar”, que inaugura o selo goiano Allegro, com bandas do cenário independente reapresentando, em clima rock e pop-chiclete, as músicas do ótimo Odair José.

O mesmo Odair que, em 1972, prometia tirar a meretriz da vida burlesca e chegava ao topo das paradas de sucesso. Sua prosa contemporânea que sofreu tanto com a ditadura quanto a construção de Chico Buarque, chega com novos arranjos de Paulo Miklos, Pato Fu e Zeca Baleiro. De apoio, nomes escondidos das cenas locais, com direito aos pernambucanos Mombojó, Mundo Livre S/A e Volver.

Ninguém quis ser brega no disco. Brincar com a área do verdadeiro Odair já seria um exagero. Todos deram uma assinatura muito forte nas músicas. Nada soa mais com o Mombojó que “Ela Voltou Diferente”, que eles registram na quinta faixa. Acaba sendo também uma boa maneira de conhecer novas bandas, como a ótima Jumbo Elektro e sua versão semi-eletrônica para “A Noita Mais Linda do Mundo”.

A introdução do disco é impecável. Com as versões de Suzana Flag, Pato Fu e Columbia, dando o tom certo de guitarras e vocais femininos para as músicas menos canastras do repertório de Odair. Conseguem até diminuir a presença do Titã Paulo Miklos, que começa os trabalhos com a música que dá título do CD.

O melhor recorte do tributo é o que começa com “Eu Queria ser John Lennon”, por Columbia; segue com “Ela voltou Diferente”, por Mombojó; passa para “Eu, Você e a Praça”, com Zeca Baleiro; e encerra com uma bizarra, eletrônica e divertida versão de “Deixe essa vergonha de lado”, com Mundo Livre S/A.

Umas presenças são realmente descartáveis, como as bandas Shakemakers, que fazem uma leitura pobre de “Nunca Mais”. Não chega a ofender o trabalho final, que é embalado num encarte pra lá de simpático. De quebra, uma versão bossa nova para “Pare de usar a Pílula” e um emo para “Que Saudade de Você”. Só coisa fina.

O Próprio
Odair José, que está com 52 anos e bem ativo, volta para as prateleiras ainda em março. O disco, que vem pela Deckdisc, terá duas de autoria do próprio homenageado, chamadas “Longe de Mim” e “Pensão Alimentícia”. De outros, no mesmo clima, terá uma chamada “Brad Pitt”, “Despeitada” e “Bebo Choro”. Já são clássicos antes mesmo de sair.

Cotação: [rate 5]

Escute aqui:
Ela Voltou Diferente – Mombojó

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A Noite Mais Linda do Mundo – Jumbo Elektro

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Transformer

Boas idéias demoram, mas eventualmente, chegam. Em dias onde todo mundo inventa de ser DJ, Bruno Pedrosa (do núcleo dos DJs de padaria) dá um reforço classe A no repertório das noites da cidade. “Transformer”, CD que nasce com patrocínio da Chesf, traz músicas de artistas pernambucanos remixados por DJs que vão do dono da idéia à presenças nacionais, tipo o Drumagick (SP). As 14 faixas tem desde Cordel do Fogo Encantado à Mundo Livre S/A com programações que ficam entre o drum’n’brass e tecno.

Tudo feito com responsabilidade. Bruno Pedrosa fez questão de pedir a versão “master” (a que tem a voz e instrumentos gravados em canais diferentes) para cada artista. Deu liberdade artística para cada DJ convidado fazer da maneira que achasse melhor o remix. Assim, no som, não tem nada de realmente modernoso. Essa é a melhor parte do CD, que não embarca na moda trance ou no afetado electro para embalar músicas tão regionais. Todos os sons casam muito bem na “versão pista”.

O disco já abre com uma preciosidade. É a música “Morte e Vida Stanley”, do Cordel do Fogo Encantado, que ainda não tinha sido registrado pela banda em nenhum disco. Nesse mesmo quesito, traz também “Meu Esquema”, do Mundo Livre S/A. A trupe de 04 tinha perdido as masters quando se desligou da primeira gravadora. Entraram em estúdio para refazer tudo, apenas para participar do disco. Por isso, aproveitou ainda para entrar em versão acústica, encerrando o “Transformer”.

Apesar de vir com esse estigma, “Transformer” não é para ser tomado como um “disco de festa / balada / pista”, etc. Dentro dessa categoria estão “Na Boléia da Toyota”, de Silvério Pessoa com remix do Drumagick e “Deixe-se Acreditar”, do Mombojó em versão BTK and Spleen. Fora dela, estão “O Baile”, de Erasto Vasconcelos e “Veja Lá”, do Bonsucesso Samba Clube, em climão de Lounge Eufrásio Barbosa com batidas leves e discretas.

A versão jungle de Mombojó está entre os pontos altos de todo o disco. Não altera arranjo nenhum da música, apenas com as batidas “anosnoventa” por cima, casando tudo com perfeição. Consegue renovar o clima da banda de uma maneira legal e com cara que vai dar muito certo numa festa perdida na noite da cidade.

Cotação: [rate 5]
Escute: Mombojó – Deixe-se acreditar / BTK and Spleen remix
[http://www.popup.mus.br/mp3/mombo.mp3]