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Abril pro Rock 2007 – Primeira noite

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A edição de 15 anos do Abril pro Rock, que começou na sexta-feira 13 de 2007, foi muito mais importante do que muito certamente se progamou. Tudo por causa de uma trinca com Nação Zumbi, Moptop e Mutantes. Uma banda que propõe a originalidade, uma que a subverte e, a terceira, mais experiente e com pose de tiozinho de propaganda de refrigerante, que questiona o que é original na música popular – aliás, em todo a nação – brasileira. Parece confuso? É só prestar bastante atenção. Mas antes, claro, é preciso dar mérito a quem abriu a primeira noite do evento.

Um equivoco na ordem dos shows transformou o Palco 3 na melhor surpresa do ano. Explicando: o Quarto das Cinzas, do Ceará, poderia ter continuado no prório quarto que não faria diferença aos ouvidos de ninguém. Mas se tinha que tocar, que fosse um espaço menor. Como o que ficou reservado para a local Canivetes, responsável por um ótimo começo de festa. Tudo parecia ok, até mesmo o público, que mesmo cedo já começava a marcar presença no Centro de Convenções. O rock sessentista dos meninos podia inaugurar num espaço maior, enquanto os cearenese não teriam dificuldade de fazer o mesmo show chato no palco pequeno.

Canivetes é da escola de Júpiter Maçã e fizeram muito bem o dever de casa. Show empolgante, deixou a dever apenas pela tensão de tocar num grande evento. Se estivessem mais a vontade, aposto que poderiam ter quebrado alguma coisa ali em grande estilo.

Resultado: ótima novidade para quem ainda não conhecia eles  – a banda se apresenta regularmente na cidade, tendo sido selecionada antes para o festival  Pátio do Rock – apresentado com a pressão da estréia junto ao começo timido do festival. Enquanto um público maior era recebido por uma apresentação, do Quarto das Cinzas, que se esforçou para ficar no regular. Quando a Bonnies, de Natal, voltou ao palco 3, essa dança das cadeiras fez ainda mais sentido

Faltou um pouco de agrupamento. Intercalar bandas que são bem diferentes sempre causa um choque que o público responde com dispersão. Foi o que aconteceu com o Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicletas, de Salvador. Ótimo show, banda legal, mas que se apresentou apenas para os curiosos. A frente do palco estava tranquila o suficiente para circular e bater um papo. Mas com talento, os bahianos conseguiram fazer um troca da curiosidade pela animação em menos de 10 minutos – a metade – do show.

Até que começa, então, a dita trinca. Nação Zumbi faz seu show de número zilhões no Recife sempre com jogo ganho. Mesmo não tocando músicas da época do finado Chico Science, eles descobrem que, sim – aliás, porque não seria assim – os fãs conhecem todos os outros discos. Renovação de repertório? É delicado associar renovação a Nação Zumbi. Banda que reprocessa idéias que já vinham de Alceu Valença, Ave Sangria e de tantos pernambucanos antes deles. Isso é pecado? Na voz de Jorge du Peixe não parece. Na guitarra destruidora de Lúcio Maia, mesmo tocando o hino do Santa Cruz, tudo se encaixa perfeitamente. Reprocessar? Sim, essa parece uma idéia legal.

Aí o Moptop, do Rio de Janeiro, entra no palco. Mais do mesmo? Eles estão fazendo igual a outras bandas que estão estourando lá fora? Opa, mas não é exatamente isso que a Nação fez momentos antes? Na visão – aliás, audição – de tantas pessoas, agora parece algo errado. Primeira e seguramente melhor representante de um novo rock no Brasl, os cariocas fizeram o show para deixar a vista brilhando com a esperança de renovação. Isso mesmo. Esqueça esse pensamento submisso de que precisamos inventar algo. Se arte se confunde com reprodução, então o inverso também é verdade. E nós refrões de “ser alguém cansa demais”, eles dão o recado. São ótimos no que fazem. Tão ótimos como a resposta do público berrando no palco.

Mas porque todo esse papo? Afinal, muito antes do Abril pro Rock pensar em surgir, Sérgio Dias, o guitarrista do Mutantes soltou a máxima de que “o violão é português, a cerveja é alemã,  futebol é inglês, a bossa nova é jazz, tudo que o Brasil diz ser genuinamente brasileiro vem de outros lugares”. Então, porque perder tempo tentando encontrar a materialide do autêntico? No palco, os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, junto com Zélia Duncan e um time de músicos dão o recado óbvio de que aquele *é um momento de Sérgio Dias*. Ele é o maestro e o que mais se aproveita deste retorno. O público reconhece e grita “Sérgio, Sérgio,  Sérgio” entre as canções

Deveria ser o show menos autêntico de toda a noite, afinal, estavam lá repetindo um mesmo repertório que já fazem há mais de 30 anos.  Isso não foi problema. De Ando Meio Desligado à Minha Menina, qualquer pulo deles no palco é razão para catarse. Tudo com um clima meio “fofo”, que deixa irrestivel tentar argumentar contra o momento. Mas nem é essa intenção. Nesse jogo de contextos sobre o que é autêntivo, o Mutantes serviu para demonstrar que não é isso que o público quer. Mas sim qualidade, como esta 15ª edição do Abril pro Rock.

 

MAS E O RESTO?

Tem tanto a se falar sobre esta edição do festival. O Abril pro Rock lavou a alma depois do pouco público – chutaria menos de 300 – do ano passado. Desta vez, algo entre 4 ou 5 mil pessoas apostaram nos shows. E foram fundamentais para que estes dessem ainda mais certo. A climatização do Centro de Convenções estranha, oras impressiona, mas não chega tanto a funcionar. Cheguei a pensar em ir de casaco antes. Para lá do fim da noite, suando feito um porco, notei o quanto me arrependeria.

A organização do festival está afinada. Os tempos entre os shows eram minimos, suficiente apenas para se deslocar entre os palcos. Som e iluminação deram um avanço consideravel – ainda mais na estrutura sem acústica do pavilhão – e, por fim, teve um grande acerto em diminuir a área utilzada do Centro de Convenções. Faltou apenas mais expositores na feirinha de discos e roupas. Parece que ano passado assustou um pouco os lojistas.

Foto de Gustavo Bettini cedida pela produção do evento

Precisando de novidades?

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Escuta ai essa a banda e me diz se não é ótima:

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The Film é uma banda francesa e chegou ao meu ouvido numa indicação por msn. Não vou mentir. Viciei escutando apenas essa música. Nem vou me dar o trabalho aqui de ir catar um allmusic da banda. Como um amigo disse “se não tá no Oink, então nem o Pitchfork deve ter ouvido isso ainda”. Azar deles. Sorte nossa. Curtiu? Pega então o arquivo com qualidade ideal ai no download! =)

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Sim, sim, sim! Karen O publicou um posto em seu blog ontem. “Queria apenas dizer o que estou ouvindo recentemente”. São os discos Nine Times That Same Song do Love is All e Cryptograms do Deerhunter. Já baixou? Mas o que interessa em toda essa história é que ela confirmou que o próximo disco do Yeah Yeah Yeahs já está cozinhando. Sabe como ela definiu o novo trabalho? “Saboroso”.

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Você adora Lilly Alen? Você adora The Sims? Já viu o novo clipe dela? Não bastou cantar em simlish (o idioma do jogo) igual ao Cansei de Ser Sexy. Ela foi além e gravou um clipe inteiro como uma personagem do jogo.

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E o Abril pro Rock? E o Mada? O festival de Natal prometeu a programação para hoje, mas deu pra trás (opa). Já estão confirmada a chaterrima Hot Club de Paris e a ótima Cabaret. Sabe né?
Opa! Atualização de última hora: Jomardo Jomas, ninguém menos que o homem por trás do Mada, manda avisar: Hot Club, está fora. Então, para não defasar a lista, além da ótima Cabaret, vamos somar as ótimas Superguidis e Pública, que tal? De toda forma, aguardem nomes gringos no festival!

Já o debutante do ano, no Recife, prevê que as atrações estejam na boca do povo até próxima sexta-feira. Mas, com Marky Ramone, Mutantes, Lee Perry, Ratos de Porão, Dance of Days, Ronei Jorge e Los Porongas, precisava de mais? Precisava. Precisava Carbona? Ops. Falei. =)

Hey, Ho! Abril pro Rock 2007!

Marky Ramone

Definitivamente, essa é sempre a melhor época do ano. Correria para descobrir com antecedência os nomes que vão tocar nos festivais mais legais do começo do semestre. E o mais legal de todos, o Abril pro Rock, não podia ficar de fora da correria. Saca só o recado:

MESSAGE FROM MARKY – Jan. 11

Hi Everybody It’s great to be back home. I had an amazing time in Spain and will be going back for some festivals in the summer. The next show I will play will be in Torreno, Mexico on April 7 and Reciefe, Brazil on April 14. See you there. – Marky
Marky, pra quem não sacou, é o Marky Ramone. Último sobrevivente da dinastia Ramones, ex-The Intruders, agora Tequila Baby. Os grandes pais do punk voltam ao Recife, para o que promete ser a edição mais memorável de todas do Abril pro Rock.

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Quem também andou divulgando em fontes oficiais sua presença no Abril pro Rock foi a banda Mutantes. Pessoalmente, acho que a história já rendeu, ainda mais com tantos shows marcados, Recife saiu de promessa para o primeiro show (abril de 2006) para mais um na lista. Ainda assim, putz, é são os Mutantes. Algo não menos que histórico acontecendo na Mauricéia. Presença é obrigatória.

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O resto são especulações. Os gaúchos da banda Fresno juram de pé junto que tocam no Abril. A produção não confirma. Mas pode ser só jogo para criar expectativa. Como o emo (sim, emo, ok?) transforma tudo o que toca em ouro, nada mais justo. Do que eu já acompanhei desse povo, essa ainda é a banda que vale mais a pena.

E ai tem o The Playboys. “Paulo André não me ouve, Paulo André não me ouve”. Parece que o cara ouviu. Ou pelo menos já colocou as músicas na playlist. Semanas atrás, o produtor do Abril pro Rock soltou a cantada na comunidade do Orkut. E até agora só recebeu aprovações.

Mais, quem sabe, em breve! =)