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É sempre assim

Eu fiquei doente por um dia e meio e parece que perdi de registrar praticamente tudo que aconteceu de interessante no ano. A segunda edição do Podcast não pode ser gravada domingo (por sinal, precisamos de dicas de como captar os dois canais do Skype, quem souber, ajudae), mas vai ser agora.

Teve a música nova do CSS, Rat is Dead, que saiu ontem no site da banda. Eles estão montando um banco de dados de todo mundo que baixa a música, portanto, quem quiser fazer o download, a melhor indicação é mesmo ir no http://css.retrofuzz.com/

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Eu gostei. Achei bem boa, apesar da reação geral ter sido mais fria. Principalmente quando o parametro é o primeiro disco da banda. O que dá para antecipar é que o CSS tá entrando de acordo com uma sonoridade menos afetada e mais pop, uma maturidade que praticamente ninguém achava possível que eles atingissem no pré-Tim Festival, quando a questão ainda era se as meninas eram ou não gordas.

É preciso pensar que, mesmo tendo crescido muito, a banda ainda circula lá fora dentro de um gueto. O mesmo que o Vampire Weekend, por exemplo, conseguiu com bem menos esforço (claro, ser do Brasil complica um bocado). Essas músicas podem servir de trampolim para elas chegarem num outro nível. Com sorte e um pouco de grife Subpop, no próximo Roskilde o nome deles já figura numa fonte maior que 8 no cartaz.

E de carona no sucesso crescente do Sims on Stage (plataforma que incorporou o antigo site SingShot ao jogo The Sims), o MySpace tira da geladeira seu projeto de um karaokê online. Não dá para gravar pela webcam ainda, mas você já pode cantar a música de algumas bandas favoritas. Parece bobo, eu sei. Mas é bobo o suficiente para fazer render um fim de semana inteiro na frente do computador cantando. Tipo Guitar Heroe (mais sobre isso depois).

A notícia bizarra desses últimos dois dias foi o Skol Beats. Alguns já devem estar por dentro que esse é o ano que os grandes eventos de música vão passar a dar mais atenção aos blogs (alguns já prometerem até credenciar). Se a carroça for ser puxada pelo SB (foram eles que fizeram aquela lista dos sites mais relevantes, lembra?), então a coisa promete também ficar confusa.

Entre domingo e segunda eu recebi cinco convites pessoais, de fontes diferentes relacionadas ao festival, para participar de uma coletiva de imprensa. Cinco. Não cheguei a recusar nem o primeiro, nem o segundo, que justificasse os outros três. O faniquito se espalhou pelo Twitter (“quem quer participar da coletiva?”), Orkut e mensagens de MSN. Até uma agência de blogs entrou na história.

O último convite chegou a ligar na hora marcada para avisar que estava tendo a tal coletiva. Que no fim, não divulgou nada que já não fosse notícia velha: O Skol Beats vai mudar de lugar e voltar a ser apenas um dia. E nenhuma atração divulgada.

E, por fim, para quem gosta de papo sério: a lista Nordeste Independente entrou numa boa fase de discussões. O tópico da vez são as casas de shows (com o gancho do Recife ter perdido mais uma), numa troca legal de experiência entre as cidades. Quer fazer parte? nordeste-independente-subscribe@yahoogroups.com

Efeito Arco-Íris

Considerando o sucesso da iniciativa da banda Radiohead, a conseqüência foi quase inevitável. Nos últimos três meses que seguiram o lançamento online do disco “In Rainbows”, uma enxurrada de artistas decidiu seguir o mesmo caminho e disponibilizar seus discos para que o fã decidisse o preço – ou nem isso, pegasse tudo logo de graça. O caso mais recente foi o Nine Inch Nails que decidiu não vender o disco, mas oferecer um link para download direto.

Ao contrário do Radiohead, que é só sorriso, até agora quem decidiu seguir o caminho devolveu apenas reclamações. O motivo é tão óbvio que não merecia sequer explicação. Cada caso é um caso e da mesma forma que um artista não vende a mesma quantidade de discos que o outro, nem todos vão ter o mesmo resultado ao experimentar as novidades da Internet. A própria banda inglesa pivô da situação já decidiu lançar um disco físico que, por sinal, já esgotou nas prateleiras.

O mais impressionante é a postura de tédio que o mercado de música brasileiro tem em relação a tudo isso. O ano de 2008 começa morno, com o primeiro trimestre fechando sem nenhum lançamento mais relevante do que a parceria entre Bethânia e Omara Portuondo. No lugar de pressa e vontade de experimentar, caminhamos com calma e sem novidades. As pesquisas de vendas do mercado digital começam a representar mais exceções que bons modelos de mercado.

Internacional
A turnê que a contora francesa Lisa Li-Lund faz pelo Brasil – produzida pelo coletivo Coquetel Molotov – acaba de ganhar uma parada no Recife, graças a parceria com o consulado francês e a prefeitura. Ela se apresenta aqui no dia 4 de abril. As referências no som folk vão do Velvet Underground à Sonic Youth, passando por extremos de covers que ela faz de Justin Timberlake. Para conhecer sua música só basta acessar o www.myspace.com/lisalilund

Pelada
Uma das extravagâncias – e essa é uma leve, consdirando o histórico de uma banda que viaja pilotando o próprio avião – do Iron Maiden durante a turnê do Brasil foi participar de um amistoso de futebol. O time adversário era formado por parte do Sepultura (Derrick e Andreas Kisser), junto com funcionários da EMI e outros fãs da banda escolhidas pelo MySpace. O Iron ganhou, por sinal.

Lançamento
Erasto Vasconcelos lança disco novo “Estrela Brilhante”, na quinta-feira com um pocket show na loja Passa Disco. Gravado com incentivo do Funcultura, ele reúne 15 faixas inéditas de autoria de Erasto. É uma homenagem ao Maracatu do Baque Virado e ao mestre Veludinho, que, segundo o compositor, “foi a vida toda um tambor forte”.

E o Abril pro Rock 2008?

Comossessabem, este ano eu e o Guilherme nos metemos na curadoria e assessoria do Abril pro Rock 2008. Por isso, é suspeito da minha parte dizer que o festival esse ano será foda. Mas vai ser foda. :) A única coisa ruim é que nos últimos três anos, o Pop up e o Recife Rock se tornaram fontes oficiais de furo de toda a programação (ano passado, acertamos praticamente todos os nomes).

Para quem andou desligado nos últimos dois dias, estão confirmados já três gringos no APR2008. New York Dolls, Helloween e Gamma Ray.  Esses não são os únicos. A lista completa sai dia 5 de março. Alguns dos nacionais – ‘fica a dica’ – já começaram a vazar pelo orkut.

Enquanto isso, vocês podem acompanhar tudo pelo nosso novo esforço de inserir o festival na Internet na forma que bem merece. Tem para todos os gostos. Quando o site oficial for ao ar, entra também o blog nessa lista :)

Sessões Alto Falante

Ontem foi a estréia do Sessões Alto Falante. Uma parceria entre o programa da Rede Minas (que também exibe na Cultura) e o MySpace Brasil (por sinal, primeira parceria fechada por eles). O esquema é tipo o Sessions at 53th street, só que com bandas do Brasil. O Alto Falante convida alguém para se apresentar num estúdio parceiro, tudo é filmado e na quinta-feira entra no MySpaceTV.

O primeiro foi com a banda Carolina Diz (Júlia Says?). E já está no ar.

E o MySpace Brasil?

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Equipe do MySpace Brasil

Os últimos dois meses foram decisivos na forma como vamos consumir música no futuro. Desencadeado pela decisão da banda Radiohead em deixar que o público decida quanto vale seu disco, várias ações foram desenvolvidas de forma muito acelerada, reconfigurando a própria cadeia produtiva da música. Paralelamente, esse foi o tempo que a maior plataforma social de música no mundo, o site de relacionamentos MySpace, se instalou no Brasil. Passado esse primeiro impacto de novidades, a Folha de Pernambuco conversou sobre as mudanças com o jornalista Luiz Pimentel, Diretor de Conteúdo e um dos elaboradores do MySpace Brasil (http://br.myspace.com)

Criado em fevereiro de 1999, o MySpace chegou a marca de 100 milhões de usuários em 2006, se confirmado como principal rede social do mundo. Em apenas um ano, esse número dobrou, e com uma média de crescimento de 200 mil novos usuários por dia, o site já tem mais de 200 milhões de pessoas cadastradas. A grande maioria desse número é de bandas e músicos em geral. “Um portal como o MySpace fazia falta enorme aqui. Quer dizer, sempre tivemos MySpace, mas com ele em inglês ficava sempre uma plataforma distante”, comenta Pimentel. “Quando lançamos a versão em português, havia 55 mil bandas brasileiras, agora triplicou o número de registros e de acessos ao site”.

O MySpace é uma ferramenta poderosa. Nos Estados Unidos, turnês inteiras são fechadas e novos artistas contratados por selos e gravadoras através do site. Uma das estratégias mais vitoriosas, já em implementação no Brasil, é a articulação para que artistas lancem o disco primeiro no MySpace (para ser ouvido apenas) antes do CD físico chegar às lojas. “Nós estamos fazendo uma tonelada de lançamentos”, celebra Luiz Pimentel. Só no mês de janeiro, a plataforma serviu de ponto de partida para o novo clipe do Sepultura e dos discos das bandas Nitrominds, Carbona, Hill Valleys, Miss Kittin, Nada Surf e Bullet for My Valentine.

Sobre a forma como vamos passar a consumir música, os números dão ao MySpace posição central para o olho do furacão da música digital. “São 270 milhões de perfis no mundo inteiro, 120 milhões de visitantes diferentes por mês, 10 milhões de bandas no MySpace. São uploadeadas (enviadas) 10 milhões de fotos todos os dias, 100 mil vídeos, e os números não param de crescer. Você não tem limite de amigos, nem de fotos nem de vídeos, tem um blog acoplado ao seu perfil, um instant messenger com skype gratuito, pode ouvir músicas, assistir vídeos de todos esses artistas e adicionar todo esse conteúdo ao seu próprio perfil, que é inteiro customizável”.

Por ser uma ferramenta que permite interação com outros sites, o MySpace tem uma experiência positiva de remunerar artistas pelo download de música através do serviço Snocap. “O usuário que gosta, vai lá e compra a faixa por uma vitrine, por trás, ele está comprando do Snocap”, explica Pimentel. É similar ao que acontece com a Trama e sua plataforma Trama Virtual e ao mais recente serviço lançado pelo site Last.FM, com diferença de uma escala global – já estão sendo implementadas versões indiana e russa do site.

No momento, esse é o principal entrave para o Brasil. “Aqui há essa dificuldade de editores, mas vamos chegar a um modelo justo para os artistas, para que valorizem a própria obra”, comenta Luiz. “Na verdade, as bandas acabam inserindo o MySpace nas gravadoras, pois de modo geral elas gostam e usam. A maioria dos perfis de bandas, daqui e de fora, é tocado pelos próprios artistas. E nós somos amigos das gravadoras no sentido de que acabamos promovendo artistas”, completa.

Enquanto não chega a um acordo com os jogadores principais da indústria fonográfica, o MySpace Brasil se aproxima de outras frentes que também estão provocando mudanças no cenário nacional. Em breve, eles devem anunciar uma parceria com a Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin). “Nosso universo com o da Abrafin é o da música boa. Aqui não existe jabá, ninguém nunca sequer fez menção de falar para eu colocar tal banda, nada disso. Então, estamos juntos. Falta formalizar o melhor para ambos, afinal isso é o princípio de parceria”, conclui.

Bandas fecham turnês internacionais pela plataforma

Uma das definições desse novo mercado de música é que ele funciona totalmente através de nichos. Uma banda que encontraria poucos seguidores no Recife, por exemplo, consegue juntar público considerável pelo Brasil com muito mais facilidade e encontrar pares na Europa na distância de um clique. É o caso da banda de trash-death metal Project 666 (www.myspace.com/project666metal), de Olinda. “Uma das vantagens é que a banda recebe visibilidade no mundo todo. Para nós, que fazemos um som que visa tocar na Europa, o site já rendeu comentários de produtores e bandas de lá”, comenta o baterista da banda, Eduardo Martins.

Situação parecida com a da banda Astronautas (www.myspace.com/osastronautas). Depois de fechar o circuito de festivais independentes no Brasil, eles começam a mirar no exterior e o MySpace é um dos principais passaportes para o exterior. “Temos realizado contatos muito importantes, dentro e sobretudo fora do Brasil”, conta o vocalista André Frank. “Produtoras, agenciadores, bandas, estamos montando nossa turnê européia inteira a partir do MySpace”, completa.