Tagged: Nação Zumbi

Academia x Realidade

Às vezes espanta comprovar como a academia é realmente distante do mundo real. Durante o último fim de semana acompanhei um encontro na Universidade Federal da Bahia que rendeu algumas pérolas que merecem destaque. Frases do tipo “a gravadora Sony/BMG”, quando a última foi comprada pela Universal mês retrasado; “o Creative Commons é um site”, sobre a ONG; “sem o Ecad o músico NÃO recebe o dinheiro”; e “o DRM não faz diferença”, sobre a licença de música digital que chega a proibir que você escute um um disco do Gorillaz ou Marisa Monte.

Mas o mais espantoso foi participar de um grupo sobre “novas tecnologias da indústria fonográfica” onde ninguém presente conhecia o LastFM. Serviço online que há cinco anos já revoluciona o conceito de rádio na Internet, recentemente comprado pela gigante da comunicação CBS e com uma filial funcionando no Brasil. Enquanto a falsa idéia de uma “crise na música” (falsa porque ninguém parou de ouvir música, e sim passou a ouvir mais) divertir essas pessoas, os debates devem continuar nesse clima atrasado.

Crise?
Indústria significa processo. As grandes gravadoras estão em crise, mas elas não são a indústria, e sim parte desse processo. Se a Sony deixar de existir hoje, ninguém vai deixar de ouvir nenhum de seus artistas. Se uma nova banda surge amanhã, não precisará da Sony para ser ouvida. Acreditar que existe uma crise geral é tão perigoso quanto afirmar isso.

Casa Nova
A Nação Zumbi saiu definitivamente da gravadora Trama e agora faz parte do cast de artistas da Deckdisc. É a mesma gravadora da Pitty, Cachorro Grande, Matanza, Dead Fish, Gram e Ratos de Porão. O novo disco da Nação deve sair em outubro e quem está cotado para produzir é Mário Caldato, que já assinou trabalhos do Beastie Boys e Beck.

Internet
O MySpace tá cheio de boas bandas pernambucanas que ainda não estão no circuito de shows. Quem estiver disposto a conhecer, vale a pena visitar os endereços do Pescosso Colorido, Bantorra e Electrozion. As duas primeiras são de rap, a terceira, como o nome já dá a dica, é uma mistura de reggae, dub e samplers que é bem curiosa.

Entrevista – Ortinho

orto.jpg

Fim de tarde chuvoso no bar Copo Sujo, no bairro de Santo Amaro. Passada as formalidades – aperto de mão, entrega do novo disco e a infeliz recusa da parte deste repórter em acompanhar na cerveja – Ortinho dispara algumas horas de declarações ácidas – “a gravadora pagava jabá  para o Querosene e Jacaré” – e reflexões sobre o momento da cidade – “quero atingir uma minoria de massa” – e adianta os planos para o show que fará naquela noite. Um dos poucos músicos da geração 90 que não quer trocar o Recife por São Paulo, onde já morou durante alguns anos, Ortinho lança disco Somos.

Hoje as pessoas perderam o conjunto, se individualizaram muito, não tinha um lugar diversificado como era a Soparia. Acho que até uma banda com o porte que a Nação Zumbi está hoje ainda tocaria num bar como aquele“, recorda. Esse é um dos motivos pelo lançamento no bar. “Resolvi fazer isso no Boratcho porque lembrei que aquela galeria [a Joana D'arc, no Pina] já foi um ponto assim, até Lenine se apresentava lá“. O novo disco já circula na cidade há tempos, mas Ortinho ainda não tinha feito nenhum lançamento oficial.

Longe da sombra que um dia a banda Querosene e Jacaré fez nos dissidentes – entre os companeiros, estão também AD Luna, da banda Monjolo e Cinval – Ortinho já se livrou do modo de produção dos anos 90, quando foi lançado pela Paradoxxx, na época mesma gravadora do Sepultura e Raimundos. O novo clipe não está  interessado em paradas da MTV. “Vou por no YouTube mesmo, também no meu site novo onde o ‘Somos’ e todos meus discos anteriores vão estar inteiros para download“, adianta.

Essa aposta de Ortinho no Recife, mesmo já tendo apresentado Somos em show lotado em São Paulo uma semana antes, é importante para uma cidade que sofre de constante êxodo artístico. “Falta respeito para essa geração 90, além de profissionalismo aqui, tenho minhas críticas, mas ainda curto mais o Recife“, comenta o músico. “E falta mercado, rádio nunca me deu nada na vida“, completa.

SITE DE ORTINHO | www.ortinho.com.br

N.D.E = Textinho curto porque foi escrito originalmente para caber no espaço reduzido do jornal. Versão inteira estará disponível em breve no RecifeRock!

N.D.E 2 = O clipe não tá aqui no texto porque, até agora, não apareceu no YouTube, nem no site novo

Abril pro Rock 2007 – Primeira noite

nacao-zumbibettini9703.jpg

A edição de 15 anos do Abril pro Rock, que começou na sexta-feira 13 de 2007, foi muito mais importante do que muito certamente se progamou. Tudo por causa de uma trinca com Nação Zumbi, Moptop e Mutantes. Uma banda que propõe a originalidade, uma que a subverte e, a terceira, mais experiente e com pose de tiozinho de propaganda de refrigerante, que questiona o que é original na música popular – aliás, em todo a nação – brasileira. Parece confuso? É só prestar bastante atenção. Mas antes, claro, é preciso dar mérito a quem abriu a primeira noite do evento.

Um equivoco na ordem dos shows transformou o Palco 3 na melhor surpresa do ano. Explicando: o Quarto das Cinzas, do Ceará, poderia ter continuado no prório quarto que não faria diferença aos ouvidos de ninguém. Mas se tinha que tocar, que fosse um espaço menor. Como o que ficou reservado para a local Canivetes, responsável por um ótimo começo de festa. Tudo parecia ok, até mesmo o público, que mesmo cedo já começava a marcar presença no Centro de Convenções. O rock sessentista dos meninos podia inaugurar num espaço maior, enquanto os cearenese não teriam dificuldade de fazer o mesmo show chato no palco pequeno.

Canivetes é da escola de Júpiter Maçã e fizeram muito bem o dever de casa. Show empolgante, deixou a dever apenas pela tensão de tocar num grande evento. Se estivessem mais a vontade, aposto que poderiam ter quebrado alguma coisa ali em grande estilo.

Resultado: ótima novidade para quem ainda não conhecia eles  – a banda se apresenta regularmente na cidade, tendo sido selecionada antes para o festival  Pátio do Rock – apresentado com a pressão da estréia junto ao começo timido do festival. Enquanto um público maior era recebido por uma apresentação, do Quarto das Cinzas, que se esforçou para ficar no regular. Quando a Bonnies, de Natal, voltou ao palco 3, essa dança das cadeiras fez ainda mais sentido

Faltou um pouco de agrupamento. Intercalar bandas que são bem diferentes sempre causa um choque que o público responde com dispersão. Foi o que aconteceu com o Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicletas, de Salvador. Ótimo show, banda legal, mas que se apresentou apenas para os curiosos. A frente do palco estava tranquila o suficiente para circular e bater um papo. Mas com talento, os bahianos conseguiram fazer um troca da curiosidade pela animação em menos de 10 minutos – a metade – do show.

Até que começa, então, a dita trinca. Nação Zumbi faz seu show de número zilhões no Recife sempre com jogo ganho. Mesmo não tocando músicas da época do finado Chico Science, eles descobrem que, sim – aliás, porque não seria assim – os fãs conhecem todos os outros discos. Renovação de repertório? É delicado associar renovação a Nação Zumbi. Banda que reprocessa idéias que já vinham de Alceu Valença, Ave Sangria e de tantos pernambucanos antes deles. Isso é pecado? Na voz de Jorge du Peixe não parece. Na guitarra destruidora de Lúcio Maia, mesmo tocando o hino do Santa Cruz, tudo se encaixa perfeitamente. Reprocessar? Sim, essa parece uma idéia legal.

Aí o Moptop, do Rio de Janeiro, entra no palco. Mais do mesmo? Eles estão fazendo igual a outras bandas que estão estourando lá fora? Opa, mas não é exatamente isso que a Nação fez momentos antes? Na visão – aliás, audição – de tantas pessoas, agora parece algo errado. Primeira e seguramente melhor representante de um novo rock no Brasl, os cariocas fizeram o show para deixar a vista brilhando com a esperança de renovação. Isso mesmo. Esqueça esse pensamento submisso de que precisamos inventar algo. Se arte se confunde com reprodução, então o inverso também é verdade. E nós refrões de “ser alguém cansa demais”, eles dão o recado. São ótimos no que fazem. Tão ótimos como a resposta do público berrando no palco.

Mas porque todo esse papo? Afinal, muito antes do Abril pro Rock pensar em surgir, Sérgio Dias, o guitarrista do Mutantes soltou a máxima de que “o violão é português, a cerveja é alemã,  futebol é inglês, a bossa nova é jazz, tudo que o Brasil diz ser genuinamente brasileiro vem de outros lugares”. Então, porque perder tempo tentando encontrar a materialide do autêntico? No palco, os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, junto com Zélia Duncan e um time de músicos dão o recado óbvio de que aquele *é um momento de Sérgio Dias*. Ele é o maestro e o que mais se aproveita deste retorno. O público reconhece e grita “Sérgio, Sérgio,  Sérgio” entre as canções

Deveria ser o show menos autêntico de toda a noite, afinal, estavam lá repetindo um mesmo repertório que já fazem há mais de 30 anos.  Isso não foi problema. De Ando Meio Desligado à Minha Menina, qualquer pulo deles no palco é razão para catarse. Tudo com um clima meio “fofo”, que deixa irrestivel tentar argumentar contra o momento. Mas nem é essa intenção. Nesse jogo de contextos sobre o que é autêntivo, o Mutantes serviu para demonstrar que não é isso que o público quer. Mas sim qualidade, como esta 15ª edição do Abril pro Rock.

 

MAS E O RESTO?

Tem tanto a se falar sobre esta edição do festival. O Abril pro Rock lavou a alma depois do pouco público – chutaria menos de 300 – do ano passado. Desta vez, algo entre 4 ou 5 mil pessoas apostaram nos shows. E foram fundamentais para que estes dessem ainda mais certo. A climatização do Centro de Convenções estranha, oras impressiona, mas não chega tanto a funcionar. Cheguei a pensar em ir de casaco antes. Para lá do fim da noite, suando feito um porco, notei o quanto me arrependeria.

A organização do festival está afinada. Os tempos entre os shows eram minimos, suficiente apenas para se deslocar entre os palcos. Som e iluminação deram um avanço consideravel – ainda mais na estrutura sem acústica do pavilhão – e, por fim, teve um grande acerto em diminuir a área utilzada do Centro de Convenções. Faltou apenas mais expositores na feirinha de discos e roupas. Parece que ano passado assustou um pouco os lojistas.

Foto de Gustavo Bettini cedida pela produção do evento

Programação MADA 2007

Então, perdão pelo baque. Estava mudando de servidor e, dividindo o tempo com tanta coisa, o Pop up passou um dias tentando se recompor. Agora de volta a nossa programação normal.

@@@@@@

skank.jpg

O Mada, de Natal, divulgou a programação final do festival. Confere ai:

QUINTA 3/5
BABY PLEASE |RN
CLAUDIA`S PARACHUTE |MT
ORQUESTRA BOCA SECA |RN
CABOZÓ |RN
REVERSE |RJ
MADAME SAATAN |PA
NEGUEDMUNDO |RN
PARALAMAS DO SUCESSO |DF
NAÇÃO ZUMBI |PE

SEXTA 4/5
LUCY AND THE POPSONICS |DF
ROCKASSETES |SE
MELLOTRONS |PE
CABARET |RJ
BUGS |RN
MEMORIA ROM |RN
MOMBOJÓ |PE
MOVEIS COLONIAIS DE ACAJU |DF
DETONAUTAS |RJ
MONTAGE |CE na area eletronica

SABADO 5/5
DALILA NO CAOS |PB
JANE FONDA |RN
BELINA MAMÂO |RN
ELETRO |RJ
PÚBLICA |RS
MQN |GO
LABORATORIO POP / SELETIVA |RJ
SUPERGUIDIS |RS
CARTOLAS |RS
RUSSIAN FUTURIST |CANADÁ
SKANK |MG

E ai, o que você achou? Diz ai! =)

Foto do Skank tirada do Flick do Eugênio Oliveira

Porão do Rock

Aproveitem as promoções das companhias aéreas este fim de semana para acompanhar os bons shows que os festivais vão trazer para o Brasil este semestre. Seguindo o calendário da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), o próximo imperdível da lista é Porão do Rock, em Brasília. A história que corre nos bastidores é que o evento deve trazer, em junho, pelo menos o show do Queens of the Stone Age ou o do Arctic Monkeys. E a passagem, para quem correr, sai 90% mais barata.

Quem foi conferir o Porão manda avisar que a estrutura lá é gigante, lembrando um pouco do que a gente vê nos festivais internacionais pela televisão e Internet. Ano passado, a banda Volver tocou e voltou com queixo caído. Este ano, nossos representantes confirmados são as bandas Vamoz e Nação Zumbi. Também estão confirmadas a banda americana The Beelrays, a portuguesa Born a Lyon, Mutantes e Angra. O Porão acontece entre os dias 1 e 3 de junho.

Guns n’Roses

A Secretaria de Turismo manda avisar que não vai ter o tal show do Guns n’Roses, como foi anunciado, naquele mesmo esquema com o Fatboy Slim no Marco Zero. Surpresos com a notícia, a assessoria informou ainda que não estão planejando nada do mesmo porte por um bom tempo.

Natal

O festival Tim Mada – Música Alimento da Alma, divulgou duas atrações principais da programação. A banda Skank e a Nação Zumbi. Vale a pena conferir também pela Moveis Coloniais de Acaju (BSB) e Cabaret (RJ). Esta última, já está fechando datas no Recife no mesmo fim de semana.

São Paulo

Pernambuco tomou conta da programação do Sesc Pompéia. Neste e no próximo mês serão apresentados shows de Zé Cafofinho, Volver, Nação Zumbi e Cordel do Fogo Encantado, entre outros conterrâneos. Um ótimo puxão de orelha para o público de centro conferir mais o Sesc daqui, que costuma atender mais a periferia