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Maior em quê?

Carnaval não é só folia. Durante os quatro dias de fevereiro, a Bahia aproveita para fazer uma movimentação imensa na sua indústria do axé music. Mesma história no Rio de Janeiro, com o mercado do samba. Cidades onde a festa é tradição aproveitam para lançar novas músicas, novos artistas, discos e produtos agregados. São quatro dias que garantem um ano inteiro de repertório novo para rádios, lojas e televisão. Só que nem aproveita é o Recife.

Não existe renovação no frevo local. Novos artistas e novas composições não ganham destaque. Nas ruas de Olinda, num espaço menor que uma hora, o frevo de Vassourinhas tocou nove vezes. Falta de compositores, com certeza, está longe de ser motivo para isso. Durante uma entrevista para a Rádio Folha FM 96,7, o secretário de Cultura Roberto Peixe disse que o Recife tem o maior Carnaval do mundo. Menos na música, pelo visto.

Novo
Por falar em frevo novo, a prefeitura de Olinda escolheu um composto por J. Michielis para representar a cidade como Primeira Capital Brasileira da Cultura. Quem interpreta a canção é o músico Silvério Pessoa, junto com o maestro Adelmo Apolônio. A música já está circulando pela Internet.

Violência
O slogan da revista Bizz diz que “música é tudo”. Infelizmente, parece que isso também inclui violência. Transitar no palco do festival RecBeat estava impossível, com uma briga acontecendo a cada dois metros de distância. Para piorar, a Nação Zumbi foi obrigada a fazer um show bem mais baixo e lento que o normal.

Mombojó
O último segredo sobre o novo disco do Mombojó, que passeia pela cidade para ouvidos exclusivos, era o nome. Mas, esse fim de semana, o boato era que a criança já tinha sido batizada. E o nome escolhido foi Laça Cheddar. Pode?

Zine?
O músico China fez o que deve ser o primeiro fanzine via Orkut. É só procurar pela comunidade “Que conversa é essa?“. Lá, ele entrevista pessoas de frente e de bastidores da música local. A idéia é ótima.

Nação Zumbi – Futura

Mais aguardado na música independente nacional do que o resultado da CPI do Mensalão, o novo disco da Nação Zumbi chega nas lojas do País na segunda-feira. “Futura”, que já tinha uma prévia circulando pela Internet no último mês, é o sexto da banda que estava há três anos sem novidade na praça. Período que rodou o mundo, absorveu referências, influências e transformou seu som em pleno palco.

A espera foi longa, mas antes de apertar o “play” é preciso se livrar de qualquer expectativa do que pode ser encontrado nas 12 faixas de “Futura”. O maracatu da Nação Zumbi perdeu uma tonelada, está menos percussivo, mais elétrico e até mesmo eletrônico. O pé, ainda com um cheiro forte de mangue, está fincado agora com muito mais força no dub, numa experiência linear, reflexiva e dançante. Sinais que a banda já mostrava no anterior homônimo.

A expectativa não vale nem sequer para a primeira impressão de “Hoje, Amanhã e Depois”, hit fácil e certo que já é trabalho de divulgação. O que segue no disco está mais contido, melancolico, conduzido de forma elétrica da marcação do baixo e guitarra. Em segundo plano, a percussão é acompanhada por efeitos e rebites eletrônicos que vão de VK7’s, TR808 (teclados sintetizados) a sons de videogames.

O primeiro grande surto vem na faixa sete, “Expresso da Elétrica Avenida”. Puxada por uma batida eletrônica, quase feita para as pistas de dança não fosse o grave da voz de Jorge du Peixe. Dela em diante, o disco fica agitado, com batidas mais fortes, chegando a lembrar os trabalhos anteriores da banda. “Pode Acreditar”, nome da penúltima música, é a palavra de ordem para “Futura”. Nação Zumbi surpreende, tirando o excesso regional do rock pernambucano.

Na sua fase mais psicodélica, a Nação Zumbi não só deu um tempo na batida do maracatu, como também dosou os instrumentos. “É um pouco da técnica do gringo que está trabalhando com a gente. Ele já tinha feito um pouco disso no anterior, só que agora ele estava com a gente desde o início”, explica o baixista Dengue, em referência a Scott Hardy.

“A gente procurou fazer umas levadas mais livres, não está mais preso a um certo regionalismo”, comenta. Depois de três anos na estrada, fazendo o show do DVD, ele reflete que esse é, provavelmente, o disco mais pensado por toda a banda. “A gente teve tempo de conversar bastante, na hora que entrou em estúdio ainda conversou mais. E isso fez uma diferença muito grande no ‘Futura’”.

Dos planos da banda para esse disco, ficou de fora o sampler com um discursso de Che Guevara, porque a gravadora não conseguiu os direitos do áudio. “Foi um discurso antigo que ele fez em Cuba, algum universitário acabou prensando em vinil. Precisamos tirar em cima da hora para não perder a música”, lembra. Agora, a banda prepara a turnê de divulgação de “Futura”, que deve chegar no Recife em dezembro.

Publicado originalmente em 12.10.05

Diversão limitada

Faz vergonha não poder ir para um show e se sentir seguro. Sexta-feira, enquanto o Los Hermanos se apresentava no Clube Internacional, uma fileira inteira de carros era arrombada nos espaços externos usados como estacionamento. Enquanto a preocupação da organização com a segurança conseguiu levar policiais para dentro da casa de shows, a Secretaria de Defesa Social se esquece que também precisa trabalhar do lado de fora.

Todos os últimos shows que aconteceram na cidade fizeram parte dessa história. Nação Zumbi no Clube Português, Engenheiros do Hawaii no Catamarã, são outros dois que encerraram com vários carros arrombados. Como a grande arma da SDS contra o crime é a Lei Seca, podemos ter a consciência tranqüila que, na hora do roubo, os ladrões estavam todos sóbrios.

Recbeat
A programação do Recbeat causou controvérsias nas rodas de conversa do Recife. Só que muita gente esquece que em festival independente a gente vai para conhecer novas bandas e sons. E não para ver o ídolo do Disk MTV. Num papo rápido, o produtor Gutie disse ainda que não considera a grade fechada e alguma surpresa pode surgir. Fica a sugestão da coluna: Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta.

Anti-Jabá
Foi aberta uma votação pública para pressionar os deputados a aprovarem a lei contra a prática do Jabá. Isso significa que da próxima vez que uma gravadora der um carro de presente para um gerente de rádio, ele pode ir para a cadeia. É um passo pequeno e significativo para ouvirmos música boa nas programações locais. Para participar, basta acessar www2.camara.gov.br

Parcerias
Para ajudar a trazer bandas internacionais para o Porto Musical, a programação do evento fechou parcerias com várias organizações culturais interessadas em divulgar seu país. A Flemish Authorities, da Bélgica, traz o Think of One e o Bureau Export de La Musique Française traz o Bumcello. Um exemplo de como não é complicado fazer shows internacionais.

Previsões

Não precisa ser vidente para saber que em 2006 uma coisa esta certa que não vai mudar: a relação entre os festivais do Recife. Enquanto algumas bandas tentam se profissionalizar, o principal suporte delas, os grandes palcos locais, não fazem questão de sair do esquema provinciano. Tocar em um significa se comprometer a não tocar no concorrente. Estamos a apenas três dias do primeiro ano e algumas bandas já estão sofrendo a consequência disso.

A justificativa é a agenda. Os festivais costumam ser muito próximos – acontece um a cada três meses e, muitas vezes, mais de um por mês. E isso, em teoria, desvaloriza o nome da banda com o público. O Recife deve ser a única cidade do país onde fazer show é visto como algo ruim para a banda.

Divulgação zumbi
Sexta-feira tem show da Nação Zumbi. A presença, confirmada no Festival da Juventude junto com Mombojó, mais parece um boato. Não existe nenhum cartaz, lambe-lambe ou flyer avisando o próximo show da banda. A confirmação está no site do evento http://www.festivaldajuventude.pe.gov.br. No domingo, tem DJ Dolores e Coco Raizes de Arcoverde. O resto dá pra passar.

Los Hermanos
Corra. Os ingressos dos Los Hermanos já estão sendo vendidos desde ontem de manhã. O show, para quem ainda não se ligou, vai registrar imagens deles para o próximo DVD. A pressa tem motivo. As cadeiras são marcadas e até às 14h de ontem, vários emails já circulavam na Internet com pessoas confirmando que já garantiram o seu. O preço é alto, mas vale por dois shows. Um no teatro da UFPE e outro no Internacional.

Pátio do Rock
A organização do Pátio do Rock já está recebendo material das bandas para sua edição de 2006. O festival foi uma das boas notícias do ano que passou, dando uma injeção de novidade para a programação dos shows do Recife. Os interessados devem mandar um CD demo e release para a administração do Pátio de São Pedro, na Casa 4, no próprio Pátio.

Rec Beat
Já foram divulgados os nomes das 12 bandas escolhidas para as semifinais do festival Rec Beat. Quem quiser saber, pode acessar o site www.recbeat.com.br/seletivas ou então o Recife Rock. A seleção foi bem variada. Contemplou reggae, punk rock e pop, em nomes ainda desconhecidos e outros como Carfax e The Playboys que já tem público formado na cidade.

Publicado orignalmente em 03.01.06

Tudo de novo

Já ouvi uma vez que não é bom ser músico em Pernambuco, mas é muito bom ser músico pernambucano. Pura verdade. 2005 encerra com um adesivo do Sedex colado nas bandas de rock que lançaram seu primeiro trabalho ainda este ano. Numa conversa um tanto tensa com Lúcio Maia, o guitarrista da Nação Zumbi disparou: “não precisa hipocrisia, a gente sai porque no Recife não rola dinheiro”.

Faltam lugares decentes de médio porte na cidade para as bandas se apresentarem. O resultado são nomes super novos, como a Volver e a Rádio de Outono, com agendas já recheadas no sudeste do país. E o problema cresce. O público não aceita pagar o valor merecido de uma apresentação local. Com tanto desinteresse, só faltam os patrocinadores irem embora.

Abril
O Festival Abril pro Rock revelou para a coluna sua primeira banda confirmada. É a Cidadão Instigado, dona do disco independente “E o Meto Tufo de Experiência” (Slag Records), um dos mais elogiados pela crítica em 2005. O nome é disputado. Dois outros produtores da cidade já tinham mostrado interesse em organizar um show aqui no primeiro semestre.

Gringos
Recife já tem um show internacional marcado para 2006. São os portugueses da The Gift. Eletro-pop na encruzilhada entre Placebo e Portishead que já rendeu o prêmio MTV European Music Awards em 2005. As chances são que a banda vá se apresentar ou no Porto Musical ou no festival Abril pro Rock. Quem não conhece, as músicas estão no site http://www.thegift.pt/.

Vizinhos
O Tim Festival, que já trouxe os shows dos Strokes, Kraftewek e PJ Harvey para o Brasil anunciou que está bastante interessado em produzir uma edição do evento em Salvador. A idéia é agregar o público do Norte-Nordeste que não pode bancar uma passagem e hospedagem em São Paulo.

Publicado originalmente em 27.12.05