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Festival DoSol 2009: Programação

danko

Um dos principais festivais hoje no Nordeste, o DoSol divulga sua tradicional maratona de 31 shows que acontecem na Ribeira, em Natal. Com patrocínio da Oi, eles trazem dois grandes nomes internacionais na programação, Danko Jones e The Exploited, além de uma banda norueguesa. Uma outra novidade é que esse ano o festival terá um drops em Recife, com parte de sua programação sendo apresentada na cidade vizinha. Entre os nomes nacionais, tem o excelente Cassim e Barbária e a novissima Vendo 147. Confira a escalação:

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Rejects

rejects

Natal caminhava bem para se tornar o novo centro oficial do rock no Nordeste, mas no espaço do último ano, as principais bandas que começavam a representar a cidade em festivais – Barbiekill, The Sinks, Camarones Orquestra Guitarrística e Bandini – encerram atividade, com a única remanscente, Calistoga, seguindo em passo mais lentos e cada vez mais próximos a cena Straight Edge que fazem parte. Depois do banho de água fria, o Mogul da cena independente local, Anderson Foca, retoma folego com o Rejects. Um trio rock incrivelmente pesado, que já deu a cara outras vezes aqui no site.

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Quer tocar num festival?

demosul

Se fosse levantar uma estatísca dos emails e comentários que recebo aqui no Pop up, talvez um dos Top 3 tópicos recorrentes seriam os de bandas perguntando como faz para entrar nesse circuito de festivais independentes. E, para a alegria dela, dois eventos abriram inscrição essa semana em busca de novos talentos. Um no sul do país e outro no Nordeste, então tem oportunidade para ambos os lados.

O primeiro é o Demo Sul, que acontece em outubro em Londrina, Paraná. Já passaram por lá figuras da primeira divisão como o Mudhoney (na foto acima, tocando lá) e a Nação Zumbi, assim como os novos talentos Vanguart e Macaco Bong. Quem quiser tocar no mesmo palco que eles, basta entrar em contato com a Braço Direito Produções, que organiza o evento que também é filiado a Abrafin.

Pode mandar o CD com a música (em qualquer formato) e texto de apresentação para o endereço Rua Xingu, 136, Vila Nova. CEP 86025-390 – Londrina, Paraná

O segundo é o festival Mada – Música Alimento da Alma. É uma das vitrines mais importantes do mercado independente, porque tem um dos maiores números de imprensa convidada. Só para ilustrar, foi o único festival independente que o Cansei de Ser Sexy tocou no Brasil, partindo para o exterior logo em seguida. Outros nomes, como o Moptop, assinaram contratam com gravadora com um empurrãozinho do evento. Na horário nobre eles trazem desde os Paralamas do Sucesso à O Rappa e Cordel do Fogo Encantado. Ele também acontece em outubro, lá em Natal.

Assim como o Demo Sul, o prazo para enviar material é até julho. Quem quiser mandar o CD com músicas o endereço é Av. Deodoro da Fonseca, 402 / 1002 – Petrópolis. CEP 59020-600 – Natal / RN.

Uma dica: tente entrar em contato com a produção antes de mandar material para saber como funciona o evento. Para bandas iniciantes, participar de um evento desses é antes de tudo um investimento. Geralmente não são dadas passagem de avião ou cachê para atrações menores, apenas uma ajuda simbólica de custo. A pior coisa que pode acontecer – e infelizmente continua acontecendo – é a banda ser chamada para tocar e depois desistir, achando que vai ter tratamento especial.

Outra dica: Se encarar o investimento, use o festival como um evento satélite. Entre em contato com bandas e produtores de outros estados e aproveite para fechar uma turnê na vizinhança. O MySpace está ai para isso. Você já vai ter um grande cartão de visitas que é a chancela de um grande evento, portanto saiba usar essa vantagem.

Calistoga

calistoga De: Natal – RN
Selo:
Independente
Para quem gosta de: At the Drive In, Fugazi e Mars Volta

Natal sempre foi um dos patinhos feios da música no Nordeste. Praticamente todos os estados da região tem um nome representativo na música popular brasileira na antiga e na nova geração. Só para listar alguns, temos Lenine / Nação Zumbi em Pernambuco; Zé Ramalho / Cabruêra na Paraiba; Fagner / Cidadão Instigado no Ceará; Gilberto Gil / Pitty na Bahia; Djavan / Wado no Alagoas, Alcione no Maranhão e por ai vai. O Rio Grande Norte parecia um observador distante e, por algum tempo, isso era algo realmente ruim. Mas só até certo tempo.

Agora a cidade do sol começa a perfurar seu espaço na música e, graças ao passado limpo, pode fazer isso sem culpas ou sombra de um grande irmão (que digam os pernambucanos). Esse começo de século pode ser deles da forma que quiserem – como tem provado, por exemplo, na música de Roberta Sá. E, no que diz respeito ao rock, o Calistoga tem hoje a melhor cadeira na primeira fila. Após o fim (ou pausa) abrupta de nomes como o Sinks, que estava com uma agenda invejável de 19 shows em 16 dias, eles são o novo nome a se prestar atenção na região.

Tudo graça a voz de Dante, encorpada com uma identidade e força que faz você identificá-la mesmo se cercada por gritos e rojões. É a única coisa que chama mais atenção que o fato deles tocarem post-hardcore, um subgênero pouco popular entre bandas do Nordeste, como ninguém. Recheado de referências a Fugazi e até do punk rock californiano, Dante canta em inglês, acompanhado por Fernando Júnior, Henrique e Gustavo Rocha. E esse som tem dado cada vez mais forma ao rock potiguar, que era conhecido até então por nomes como Bugs e Bonnies, que seguem uma vertente mais clássica.

O EP Normal People Brigade foi lançado em Natal encartado num dos fanzines mais legais do Brasil, que é editado lá, o Lado[R]. Tem sete músicas, todas de autoria própria da banda, gravadas no Estúdio DoSol, o mesmo que produz o festival em Natal onde o Calistoga já se apresentou três vezes. Abaixo tem uma entrevista rápida que fiz com eles:

O que é que vocês tem ouvido ultimamente?
De tudo muito! Fugazi, At The Drive-in, QOTSA, Fu Manchu, Faraquet, disco novo do Eu Serei a Hiena (tá muito foda), Faith no More, Kyuss, The Mars Volta, Dinosaur jr., The Dillinger Escape Plan, Hurtmold, A Perfect Circle, Helmet, Mondo Generator, e por ai vai….

Alguns integrantes da banda são vegans e outros apenas vegetarianos. O Calistoga segue algum tipo de ideologia? Isso é algo individual ou é fundamental para a banda?
Isso é algo individual de cada um da banda, hoje em dia não são mais todos que possuem essa postura, o baterista deixou de ser, e isso não interferiu em nada, às vezes colocamos esse assunto nas nossas letras, isso é normal, afinal acreditamos nisso.

Recentemente vocês decidiram sair dos projetos paralelos “The Sinks” e “Camaronês Orquestra Guitarrística”. A impressão que ficou é porque elas estavam tendo mais destaque que o Calistoga. Porque essa divisão, de fato, aconteceu?
Não foi só o The Sinks e o Camarones que abrimos mão, e sim todos os nossos projetos paralelos. Foram uma serie de fatores que levou a gente a tomar essa decisão. não é questão de destaque e sim de prioridade. Não que não defendíamos as outras bandas, mas é que o Calistoga é a NOSSA banda. Tocamos o som que acreditamos. Em relação à saída das outras bandas, conversamos e para um melhor futuro do Calistoga seria necessário sair das outras bandas, mais não tem nada a ver com o destaque das outras bandas e sim com o tempo que elas estavam nos tirando, a gente quer poder ter o tempo necessário pra se dedicar inteiramente ao Calistoga, simples assim!

Agora que estão concentrados na banda, onde vocês pretendem chegar com o Calistoga? Qual o plano de ação para a banda para os próximos três anos?
Sempre estivemos concentrado na banda, mas agora teremos mais tempo para produzir! Estamos entrando em estúdio para gravar mais um EP. Ele vai conter cinco músicas, já estamos agendando a festa de lançamento que deve ser no começo de maio, também estamos tentando viabilizar alguns shows fora da cidade e até uma possível turnê. Então é gravar, tocar, viajar e divulgar. Além do EP deve sair um DVD com outras bandas locais e um Cd com 10 musicas que deve ser gravado no meio desse ano. Nossos planejamentos sempre são em base de cada ano e a ordem para 2009 é produzir, além de ter mais tempo para pesquisar equipamentos, gravação e produção musical em geral.

Não existe caso, com exceção talvez do Sepultura, de uma banda brasileira que cante em inglês e que tenha conseguido fazer sucesso dentro do Brasil. O que é mais provável acontecer? A banda começar a cantar em português ou vocês tentarem a sorte nos EUA e Europa?
A Mallu Magalhães canta em inglês e faz sucesso no Brasil! (risos) Bom, não vamos cantar em português, gostamos de cantar em inglês e acreditamos que o idioma se encaixa melhor com o nosso estilo. Outra coisa, não temos nenhuma pretensão em fazer “sucesso”, a gente toca o que gosta e só esperamos o reconhecimento do nosso trabalho. A gente quer tocar bastante por aí mais não estamos tentando ser famosos, longe disso. Se rolar esquema da gente ir para fora do Brasil vai ser muito bem vindo, mas acho que antes queremos tocar muito por aqui ainda, temos muitas cidades brasileiras pra ir/conhecer ainda!

Natal nunca foi muito famosa por exportar bandas para outros estados. Que outras bandas dai vocês recomendam aos curiosos?
Vale a pena escutar o The Automatics pra quem gosta de indie (dos bons e velhos), o Distro que vem melhorando muito a cada trabalho, vale uma atenção. O Kawa Nui ótima banda de ska da cidade, o disco de estréia ta no forno! Tem o cd novo do DuSouto que ta prometendo também… e bandas mais novas como Fewell e Venice Under Water estão com um trabalho bem legal. Acho que Natal esta passando por uma fase muito boa, as bandas estão organizadas e se preocupando em ficar mais “profissionais” o que é muito bom para a cena local.

Escute a Calistoga no MySpace
Veja fotos da banda no Fotolog

Banho de água fria na cena de Natal

sinks

Duas das principais bandas de Natal encerraram – ao menos temporariamente – as atividades agora no começo do mês. A The Sinks, que estava na disputa para ser uma das principais convocações em festivais independentes desse ano, junto com a Camarones Orquestra Guitarrística, anunciaram que seus integrantes (que são quase os mesmos) decidiram deixar a banda. O motivo principal foi para se dedicar ao grupo original deles, o Calistoga. Ambas passaram, respectivamente, pelo Abril Pro Rock do ano passado e o Rec-Beat desse ano e representavam quase tudo que se escuta de Natal nesse circuito.

Quem se prejudicou nessa foi a The Sinks. A banda precisou cancelar uma turnê de 19 shows em 16 datas pelo Brasil (eles fariam o circuito do interior de São Paulo que já foi comentado aqui no Pop up). Uma delas, inclusive, já movimentava o burburinho em São Paulo sobre a volta de Chuck Hipólito, do Forgotten Boys, aos palcos. Ele se apresentaria com o Sinks em um show no Club Belfiori. Chucky era fã declarado da banda e chegou a remixar o primeiro EP deles.

Perguntei a Anderson Foca – produtor do festival DoSol, mentor das bandas e baixista do Sinks – sobre o que acontece agora. “Não sei se o Sinks vai continuar com esse nome, mas vou dar continuidade no trabalho junto com Chucky, já que queríamos fazer algo juntos a muito tempo. Não sei se vai ser uma banda, deve ser mais um projeto já que somos bastante ocupados com nossas coisas, eu em Natal e ele em São Paulo. Mas a idéia é que possamos compor e fazer coisas juntos esse ano”.

Quanto ao Camarones, “com a Saída de quatro integrantes vai ser difícil reformular. A banda deve mesmo acabar. Ana deve tocar baixo junto com uma cantora local chamada Camila Masiso”. Até lá, Natal fica sem produto de exportação – e todas as atenções vão acabar se voltando ao Calistoga, que será a próxima banda da semana aqui no Pop up. Mas, mesmo com desfalque nas bandas, a cidade segue com o Festival DoSol e Mada, além de uma programação de rock no ano inteiro como só acontece lá.