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Festival, na rádio e enquete

Existe uma santíssima trindade do rock independente? Meio que levantei a questão, sem intenção, na entrevista que fiz com o Beto Bruno, do Cachorro Grande. O Bruno Maia, do Sobremusica, transformou em debate na hora e, num movimento esperto, postou todo nosso papo nos comentários. Tem gente participando, opinando e discordando. Fico com minha opinião: Cachorro – Forgotten – Autoramas. E vocês? Opinem lá!

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Vamoz

Por acaso, cheguei na conclusão desses três nomes após duas edições do Festival DoSol, de Natal. Anderson Foca, que tá na lista de personalidades do ano do prêmio Dynamite, arma um oasis de rock na Ribeira, centro histórico – creio eu – da capital do Rio Grande do Norte. Como se três dias de shows não fosse o bastante, seu bar ainda promove prévias com shows do Tequila Baby, Ludov e Sugar Kane. Quem quiser se armar para conferir de perto, eu recomendo. Saca só a programação:

Primeira noite

Segunda noite

Terceira noite

Lembra das edições passadas do festival? Não? Aqui tem a cobertura em vídeo da Trama Virtual. Ou minha cobertura do ano passado (cobri também a primeira edição, mas não consigo achar o texto!). Esse ano, Foca não me convidou, ele me DESAFIOU cobrir um evento com tanta banda. Desafio aceito!

Para as bandas de Natal, se liguem no vacilo em não ter pelo menos uma página no Trama Virtual. Já tem gente querendo conhecer o som de vocês e não tem como!

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E de volta ao mala do Bruno Maia, que está cobrindo o festival Roskilde (que é algo, tipo assim, melhor de todos festivais internacionais), ele manda o recado de que amanhã estréia seu novo programa de rádio, chamado Aleatório. Vai ao ar pelo Multishow e também terá versão online. E quem tem banda independente, vou soltar logo o rojão aqui: ele tá querendo música de vocês para tocar lá. Então, siliga!

Mada 2007 – Considerações finais

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NATAL – Festivais independentes estão assumindo, cada vez mais, a função de peneira para a nova música brasileira. É um formato que se repete. Cerca de 30 bandas são jogadas para uma avaliação em três etapas distintas. A primeira pelo público, a segunda pela imprensa especializada e a terceira pelas outras bandas que estão se apresentando. E, por enquanto, essa parece ser a melhor maneira encontrada para uma seleção natural apontar novidades em tempos que qualquer um consegue ter um disco prensado. Neste último fim de semana, o festival Mada, em Natal, tentou cumprir sua parte nessa história.

Foram três dias de apresentações. As atrações principais, para atrair o público a cumprir sua parte eram Nação Zumbi, Mombojó, Paralamas do Sucesso, Detonautas e Skank. Elas não desempenharam um papel muito bom. Com exceção da pernambucana Mombojó e da mineira Skank, que reuniram maior número de público, no geral pouca gente estava disposta a ver o Mada este ano. Nos últimos três anos, o evento perdeu cerca de 40% de seu público.

Estive no evento a convite do patrocinador oficial Tim, para conferir que nomes chamaram atenção nesse vestibular do rock. Tarefa complicada, considerando que muitas das apresentações ainda deixam a desejar. Fica muito claro, nessa nova etapa da música que vivemos, que ter uma boa presença no palco é muito mais importante que ter um disco próprio. Mesmo assim, a maioria das bandas se apresentou como se estivessem dentro de um estúdio, sem público e com pouca motivação.

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Sorte de quem soube aproveitar a vantagem visual. De cada noite do evento, pelo menos dois nomes podem ser guardados. Madame Saatan, do Pará, tem um domínio de público de fazer inveja. A vocalista Sammliz, 32 anos, tem carisma e voz para desbancar qualquer ídolo adolescente. A banda também tem hits, bons o suficiente para sair da apresentação já com alguns bem presos na memória. De todas, essa foi a melhor surpresa do evento. Na mesma noite, Neguedmundo, atração local, dá sinais que a música negra é muito mais forte em Natal que o próprio rock.

Essa preocupação com o palco também foi fundamental para a brasilense Lucy and the Popsonics mostrar que tem muito mais potencial que o apresentado por um show prejudicado pela técnica. Começaram sem os instrumentos funcionando, terminaram com um pequeno número de novos fãs. Tocam rock cheio de programação eletrônica, desse que já é moda, o que tem ajudado eles a fazer quase todo o circuito de festivais independentes esse ano.

Rockassetes (SE), Cabaret (RJ) e a pernambucana Mellotrons são nomes que também sabem a importância que é mostrar algo diferente ao vivo. Ganharam o público que ainda não os conhecia fácil, já nas primeiras músicas. Boas músicas, seus discos já mostraram que eles já tinham, presença e carisma dão o passo adiante. O mesmo para a Superguidis, de Porto Alegre, que tocou na última noite. Tirar oito, de 33 atrações, parece um saldo positivo para o festival, que recebeu respectivamente cinco, dois e oito mil pessoas por noite.

O oitavo nome dessa lista merece atenção especial. Moveis Coloniais de Acaju, de Brasília, é a banda independente com o maior potencial hoje no Brasil, sem sombras de dúvida. São reis no palco, na música – um ska mais pop, divertido de ouvir e de ver – e na simpatia que nunca dá trégua. Fizeram cerca de três mil pessoas resistirem a chuva forte apenas para fazer parte daquele momento. Algo que algumas atrações principais, como o Detonautas, não conseguiu. Se o fim do Los Hermanos deixar uma lacuna para uma próxima grande banda nacional, Moveis Coloniais já é vencedor desse cargo.

Infelizmente, o Mada ainda é carente dos jogadores intermediários dessa partida. A única banda que ainda não está na última fase, mas já acumula muita experiência de estrada presente na programação foi a MQN, de Goiânia. Resultado: jogaram sozinhos e fizeram um show que está longe da performance insana que eles costumam ter sempre no palco. E mesmo numa noite de astral mais baixo, o vocalista Fabrício Nobre, continua como melhor exemplo do que é sempre ter presença no palco. Hard rock com cerveja e palavrão voando para o público, difícil de não se contagiar.

Formatos
O “se” na frase sobre o Móveis Coloniais é o novo ponto fundamental a cada passagem de festivais. O Mada, assim como o Abril pro Rock, reforçaram este ano que o formato clássico, com mais de 10 mil pessoas circulando nos shows, mudou. A tendência parece ser realmente diminuir, perdendo o público que quer apenas balada, para o que se interessa mesmo por música. Reflexão que veio no fim da noite do evento, num papo entre jornalistas e músicos, ao som das últimas músicas do Skank e os primeiros raios do sol.

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Mada 2007 – Segunda noite

Na segunda rodada de shows, ficou claro que este ano o Mada perdeu alguma coisa. Complicado dizer tão em cima o que foi, mas eu apostaria na programação. Poucas surpresas, quase nada para se levar para casa na memória. A chuva contribuiu bastante também para esse resultado. Pouco menos de 3 mil pessoas, quando nos anos anteriores costumava passar de 10. Sempre que isso acontece, o “formato festival” acaba sendo colocado em cheque. Muita oferta para pouca demanda igual à circulação irregular de tantas bandas.

Esse “cheque”, ou falência, fica fácil de ser notado ao se assistir tantos shows em seqüência. O novo discurso independente é de que o palco é mais importante que o disco. Verdade. Mas poucos ainda se preocupam com o fato de que estão ali para uma experiência visual, não apenas sonora. Dessa última parte, a responsabilidade é da equipe técnica. E considerando a inexistência acústica da beira-mar, o Mada cumpriu sua função de maneira excelente. Jogou para as bandas a responsabilidade final, mas elas deixaram a peteca cair.

Pandora no Hako é uma banda local. Bandas “de proposta” são as mais difíceis. A deles é a de misturar músicas de antigas séries e desenhos animados japoneses num desafinado metal melódico. A informação passa despercebida para quem não é um iniciado. Se fossem armados de um cosplay, com o mínimo de preocupação estética no visual, teriam chamado atenção. Como não fizeram, foram apenas esquisitos e esquecíveis. Abriram a noite apenas para a comunidade nerd local.

Enquanto o Lucy and the Popsonics, de Brasília, tinham essa preocupação em mente, mas certamente centrada nos palcos pequenos onde já se apresentaram. No espaço enorme que um grande festival oferece, a dupla ficou perdida no que poderia ter sido um ótimo show. Mesmo caso da carioca Manacá. Boa performance, mas banda que deixa a desejar, principalmente quando se separam demais no tamanho grande do palco. Potencial desperdiçado.

A noite deu a primeira melhorada com o Rockassetes, de Sergipe. A banda tem hits certos no repertório, e isso já os coloca muito à frente de várias que passaram por esses três dias do repertório. Falta apenas um pouco de maldade na postura do palco. Coisa que eles conseguiram somente no fim dos 30 minutos de show. Conversando com os integrantes depois, eles entregam logo o jogo de que é a ansiedade de estar num grande evento. Mas se o festival é o novo “peneirão-vestibular” do rock independente, criar expectativas demais pode acabar reprovando.

Toda essa questão sobre “o que mostrar no palco” fica ainda mais crítica com outra local, a Memória Rom. É como assistir um ensaio. Ok, um ensaio mais empolgado, mas ainda assim pouca preocupação visual, traduzida em calça jeans, camisa de algodão e uma banda que ficou meio neurótica no palco. Eles já tinham se dado bem em outro festival local, o DoSol, mas acabaram se prejudicando no Mada.

Nessa seqüência tediosa, uma banda como a Cabaret já sobe no palco sabendo onde mirar para o gol. São personagens, com visual, roupa e hits em cada manga. Quem passar por perto, para. Quem parar, canta. E quem canta, vira cúmplice da brincadeira toda que eles fazem no palco. É difícil medir algo que não seja jabá para uma banda acontecer, mas se existir, então é apenas isso que falta para esses cariocas.

De todas as apresentações da noite, o Mellotrons pareceu a que estava mais em cima do muro nessas questões. São de fora, mas tem um público local que berrava cada letra exatamente na frente do palco. Eles tem “hit” – dá pra sair do show cantando pelo menos umas duas músicas de cabeça – mas o inglês infelizmente acaba sendo um obstáculo. O peso contra, na real, é que eles trazem informação demais para o palco. Isso não é ruim. Até porque eles mostram que se divertem bastante improvisando teclados e outros instrumentos, mas para um público que está sendo bombardeado de shows numa única noite, compromete. Quem não estiver grudadinho ali na grade, acompanhando os sorrisos, se dispersa logo.

Mesmo não sendo de Natal, já vi shows suficientes do Bugs para afirmar sem medo que eles são a grande banda de rock dessa cidade. Por terem essa maldade necessária para o palco, boas músicas, maturidade, etc, etc. E como toda banda, também mandam uma bola fora. O show funcionou para quem era local, mas se colocarmos eles nessa lógica do festival como um funil de novas bandas, hoje eles teriam ficado na borda.

A maior surpresa da noite foi o Mombojó. Não sei o que colocaram na água da cidade para a presença deles atrair tanta gente assim, já que eles não tocam em rádio, não estão nas paradas, nas novelas, nem nos canais tradicionais. E pela primeira vez, desde os incontáveis shows que assisti dessa banda, desde que eles tinham apenas metade dos integrantes e se chamavam Play Damião, eu vi eles saberem o que fazer com tanto público.

Show violento, com o vocalista Felipe S correndo e se contorcendo, subindo, pulando e caindo por todo canto do palco. Talvez seja aquela troca secreta que artista e público faz no palco. O Mombojó parece finalmente ter recebido o suficiente para oferecer algo no palco. No momento final, com Deixe-se Acreditar, um jornalista carioca que assistia o show ao meu lado chegou a dizer “caramba, parece até que são os Beatles de tanta comoção”. Meio exagerado, mas ótimo para passar uma idéia de como foi.

Mas o melhor show da noite, foi mesmo do Moveis Coloniais de Acaju. O que falei antes sobre o Cabaret, se aplica nessa banda de Brasília multiplicado por 30. Porque, aqui, quem olha também pula feito pipoca, grita bastante e sorri na frente de toda a metaleira da banda, formada por nove pessoas, correndo feito loucos no palco. Com o buraco deixado pelo Los Hermanos, eu aposto que falta pouco para esse se tornar a próxima grande banda jovem do Brasil.

O Mada também serviu para desmistificar essa história de que Natal tem uma grande relação com o Detonautas. Quando eles subiram no palco, numa pose meio hippie pró-paz que não cai bem no novo discurso social e anti-violência da banda, boa parte do público fez questão de ir embora. Média de 1000 pessoas encararam a chuva para curtir um show que teve até Raul Seixas e só terminou depois das 4h da manhã.

Atualizem suas playlists!

Sabe o Wry? Essa semana chegou um email do Mário Bross, vocalista da banda, com o seguinte recado: “acabamos de jogar 4 musicas novinhas do Wry na nossa pagina no Myspace“. Quatro músicas que, vale destacar, são todas ótimas. Lá no espaço deles você só escuta, mas aqui para o Pop up o download foi liberado. Escolhi a mais legal, na minha opinião, Sister. Para quem anda sonâmbulo das informações, o Wry é aquela banda de Sorocaba que se mudou para a Inglaterra e agora é aquela banda da Inglaterra. Pega seu encarte do Rakes, Subways e todas as novas bandas bacanas daquele lado do mundo e dá uma lida nos agradecimentos. Achou? Então…

MP3 | Wry – Sister

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Na mesma linha do Wry, e também com novidade circulando no MySpace é a Sweet Fanny Adams, do Recife. Fazia tempo que queria ver uma banda assim dar as caras na cidade e acabei tomando gosto de verdade pelas músicas. Eles apareceram pela primeira vez num concurso de bandas de estudantes para tocar no Abril pro Rock – de onde nunca vou esquecer a quase traumática audição de 170 CDs – e foi um dos quatro finalistas. E como o MySpace meio que definiu o novo “formato demo da era MP3″, eles também lançaram cinco músicas. Minha favorita é a Flaming Veins. O nome esquisito da banda é tipo uma versão britânica para o nosso “…a inês é morta”.

MP3 | Sweet Fanny Adams – Flaming Veins

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E o Interpol?

Já tem data certa para você ouvir a primeira faixa do novo disco do Interpol. Dia 07 de maio, quando The Heinrich Manouver chega as rádios na Europa. Segundo a revista Spin, o nome do terceiro trabalho da banda será Our Love to Admire e tem data oficial de lançamento no distante 10 de junho. Durante o show do Coachella eles aproveitaram para mostrar algumas novas para o público. De acordo com a cobertura da RollingStone americana, as músicas parecem bastante com a dos dois álbuns anteriores, só que mais alegre. Não ajuda tanto, mas já mata um pouco da ansiedade. No vídeo do show, a música Obstacle 1.

http://www.youtube.com/watch?v=Jf33das2FCw

Próxima parada… Mada, Natal!

CSS Quinta-feira chego em Natal para cobrir o festival Música Alimento da Alma, o Mada. Preso entre um gigante feito o Coachella e o nacional Skol Beats, podem pensar “pô, Mada?”. Mas sim, Mada! Afinal, quem chega nesses eventos maiores passa antes pelos festivais independentes. Ano passado, quando ainda nem sonhava que estaria no Jools Holland ao lado do Arctic Monkeys, o Cansei de Ser Sexy fez um dos melhores shos dos três dias de evento. Espaço bom para ficar atento a novidades, este ano estarão se apresentando Rockassetes, Pública, Móveis Coloniais de Acaju e Madame Saatan, entre outras bandas que por enquanto são mais faladas que ouvidas.

A foto ao lado eu tirei na edição do ano passado. Foi quando Lovefoxxx desceu do palco e se grudou com o público. Catarse foi o mínimo para descreve. Antes mesmo de começar a tocar, quando subiram no palco para ligar os instrumentos, a grade já era empurrada aos gritos por um monte de gente. Semanas depois, elas já estavam de malas prontas para a Europa. O que aconteceu depois, a gente já ficou até cansado de tanto saber.

Próximo da lista

Para quem gosta de festivais, o próximo no calendário é o Mada, em Natal. Fica aqui um “Guia Radiola de Ficha” sobre como conferir o evento – aproveitando que a cidade é vizinha – gastando pouco. As passagens de ônibus ficam R$ 40 cada trecho, ainda é mais em conta que ir de avião (passagem R$ 50) porque o aeroporto é distante da cidade. Juntar muitos amigos e dividir uma van, entretanto, é a opção mais em conta. Some ai também o passaporte para os três dias, que custa R$ 50 (R$ 100 para quem não tem carteira de estudante).

Natal é famosa pelos hotéis mais caros do Nordeste, mas também tem opções baratas. Exemplo da pousada Cidade do Sol, na Ribeira, que tem quartos para até três pessoas por R$ 30 a diária. É só procurar na Internet que descobre eles. A programação do Mada tem shows que valem a empreitada, como Paralamas do Sucesso, Móveis Coloniais de Acaju e Superguidis. Além do que, música é sempre um bom pretexto para fazer turismo.

Prêmio Dynamite/Toddy
Pernambuco está concorrendo em peso num dos maiores prêmios da música independente, com nomes em praticamente todas as categorias. Uma pena não termos sequer candidato para a categoria Casa de Shows. Para votar, entre em www.premiotoddy.com.br

Porão do Rock
Numa coluna anterior, disse que o festival de Brasília negociava a vinda das bandas Arctic Monkeys e Queens of the Stone Age. Numa reviravolta, as atrações anunciadas acabaram sendo bem mais fracas, as americanas The Bellrays e Mudhoney.

Agenda lotada
Em mês de Abril pro Rock, a agenda da cidade acaba ficando ainda mais disputada. Este fim de semana tem o aniversário das bandas Ataque Suicida e Matalanamão no Pátio de São Pedro. No seguinte, ninguém menos que Black Alien com a local Inquilinus no Clube Atlântico.