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Alegre, despretensioso e de enlouquecer

A incrível Orquestra Contemporânea de Olinda fez esse fim de semana sua estréia em palcos norte-americanos. O primeiro show foi na Big Apple e quem foi conferir de perto foi o New York Times, que fez uma cobertura bem generosa da noite sob o título de “rock band and traditional brass, marching from Brazil to Broadway”. O texto começa, como era de se esperar, lembrando que Pernambuco é aquela terra onde, na década de 90, Chico Science e Nação Zumbi conseguiu ecoar até o além-mar e conquistar ouvidos norte-americanos.

Segue dizendo que, com a mudança do perfil de selos como o Sony Latin, agora é bem mais complicado conhecer os sons das sempre efervescentes Recife e Olinda. E termina dizendo que a banda, no final da apresentação, fez uma marcha de frevo pelo público e o arrastou para as ruas, terminando o show fazendo Carnaval em Nova York.

A new and encouraging sign, though, comes from Orquestra Contemporânea de Olinda, which played its first American gig on Thursday at Lincoln Center’s Rubinstein Atrium. It’s a contemporary rock band collided with a traditional brass band, with drum rhythms leavening the mixture. It’s joyous and unpretentious and it gets over like crazy.

Olinda, just outside of Recife, has busy local artisans and an intense, small-scale carnival tradition; it’s obsessed with folklore as living tradition. The ten-piece Orquestra furthers that relationship between very old and very new. The guitarist Juliano Holanda, with his fuzzed-out Fender Telecaster, and the singer and percussionist Tiné, with his notched stick and scraper, were both doing the same thing: scratching out percussive sounds. Likewise the tubaist Alex Santana and the electric bassist Hugo Gila, bumping out the low end. Likewise the conga and military-drum percussionist Gilú and the trap-set drummer Rapha B, making the music swing, slow and fast.

Aqui tem o texto completo, com direito a foto do público dançando no Lincoln Center.

Melhores de 2008

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Eu gostei tanto da maneira como essa tirinha acima traduz meu sentimento aos discos deste ano, que tinha pensado em publicar apenas ela como explicação para não fazer uma lista. Fiz questão até de traduzir para o português. Mas pensei aqui com calma que seria rabugento demais. Não tenho o otimismo do Matias para achar que tiveram 50 discos que merecem destaque no ano e percebi que, até agora, quase todas as listas praticamente não têm nomes nacionais.

Resolvi fazer um Top 10 de discos de bandas independentes lançados este ano. Para minha supresa, fazendo as contas aqui, revirando CDs, relendo matérias e relembrando shows, acabei me deparando muito mais com discos de Pernambuco que de outros estados. Ficaram de fora, mas merecem menções, o Million Dollar Surf Band, do Dead Rocks; e o Um Olho no Fósforo, outro na Fagulha, do Pata de Elefante.

10- Curumin – Japan Pop Show
9- Wado - Terceiro Mundo Festivo
8- 3naMassa - Na Confraria das Sedutoras
7- Orquestra Contemporânea de Olinda – Orquestra Contemporânea de Olinda
6- Rivotrill – Curva do Vento
5- São Paulo Underground – The Principle of Intrusive Relationships
4- Cérebro Eletrônico – Pareço Moderno
3- Guizado – Punx
2- Amp – Pharmaco Dinamica
1 – Volver - Acima da Chuva

To the gig, on the road

Meu ego tá lá em cima. Tudo bem que no inverno o movimento migratório das bandas do Recife sempre aponta para o sul, mas olha o email que o Marcelo manda: “Nuda toca aqui em BH em uma festa que estou fazendo e achei legal te avisar, já que conheci a banda através do seu blog“. Legal, hein? Olha as datas deles:

07/06 – Belo Horizonte, no Matriz – Festa do Outro Rock – Organizado pelo Fórceps.
08/06 – Uberlândia, no GOMA – Organizado pelo coletivo local Goma.
12/06 – Goiânia – Egg Music
14/06 – Cuiabá – Festival Volume/Segundo Dia

Quem também está de passagem pelo centro-oeste e sudeste é a Orquestra Contemporânea de Olinda. Desse vez acho que não foi culpa minha. Os shows deles:

07/06 – FESTA DO RONCA RONCA (OI FM) – RJ – 22h
12/06 – SESC POMPÉIA – SP – 21h
13/06 – SESC CAMPINAS – 19h30 – Orquestra Contemporânea de Olinda e Alceu Valença
14/06 – FNAC – BRASILIA – 17h
14/06 – ARENA – BRASILIA – 22h – Orquestra Contemporânea de Olinda, Buguinha DUB e Casa de Farinha.

Em junho também tem show da Mula Manca e a Fabulosa Figura. Eles vão para o Rio de Janeiro, onde ainda chegam a fazer uma apresentação como o seu Chico junto com Vítor Araújo na festa… não posso falar ainda :P Mas de lá eles partem para um circuito de casas locais.

Mais pertinho de casa, tem Vamoz e Amp, o top of the pops do Recife, com show em João Pessoa junto com a Madalena Moog. Esse eu queria ir ver, mas o horário esbarra nos compromissos. Mais perto da sexta eu publico a agenda dos shows daqui. Preciso me redimir com a minha irresponsável afirmação no podcast de que tem pouca coisa rolando na cidade.

Orquestra Contemporânea de Olinda

Quem conhece a música que é feita em Pernambuco percebe com facilidade como a cidade de Olinda emula noções de um gênero próprio. Existe uma estética própria que vai muito além da música unindo bandas como a Eddie e o Bonsucesso Sambaclube. Dois casos onde explicar a cidade é muito mais fácil que dizer que tipo de música que eles tocam. Parece complexo, mas é só mais um daqueles casos só-vendo-pra-entender. De um certo modo, é a música feita por essas bandas que se espera ouvir quando falamos que determinado grupo vem daqui.

E é exatamente por isso que qualquer mudança significativa na música daqui vai vir de uma dessas bandas. Sem muito alarde, a Orquestra Contemporânea de Olinda começou o fim de semana avisando que o primeiro disco já está pronto e vai ter lançamento pelo selo Som Livre Apresenta. Eles fizeram um dos melhores shows no Abril Pro Rock do ano passado, mas como não tinham nada lançado da maneira tradicional, acabaram não criando tanto barulho na cidade (em comparação a, por exemplo, um Vitor Araújo ou como a própria Academia da Berlinda fez quando lançou disco), mas emendaram com ótimos shows tanto no Festival de Inverno de Garanhuns quanto no Recbeat desse ano.

Essa é a primeira mudança. A Orquestra desafia o agendamento que tranqüiliza a vida dos jornalistas. Ninguém estava mandando release para avisar que eles estavam trabalhando. Sinal de que acompanhar uma cena local já exige muito mais trabalho (que na minha opinião, ainda não é feito). E Mombojó, Nação Zumbi e Vitor Araújo a parte, essa notícia é do tipo bombástica. Som Livre, para quem não se tocou ainda, é a maior gravadora nacional em atividade, a única que não está choramingando por crise. Afinal, funciona dentro da maior rede de comunicação do país, a Globo.

A união é perfeita, porque a Som Livre também desafia esse mesmo agendamento. Eles mandam CD e até marcam entrevistas, mas seus artistas ainda estão presos num limbo entre o independente e o mainstream. Não tocam na novela, nem estão nos festivais. Melhor exemplo para observar é a excelente dupla gaúcha Tom Bloch. É natural esperar uma grande estratégia de Marketing, considerando a quem eles respondem, mas em termos de estratégia, o selo parece ser muito mais cauteloso que qualquer Deckdisc ou Biscoito Fino.

Na verdade eles estão legitimando o modo de trabalho em que o artista precisa fazer um pouco mais do que apenas tocar (algo que ainda é confuso entre os independentes). E com uma música que é consciente da delimitação geográfica que faz parte, mas despida de qualquer clichê do mesmo, a Orquestra (fundada por Gilsinho, ex Bonsucesso Samba Clube) tem agora além de potencial, ferramenta para ir além desse nível dos festivais.

Só esbarram um pouco no azar, pelo menos em termos de momento mercado. A música que eles tocam está na maior fase de divas, enquanto na orquestra estão doze homens. É verdade que uma voz feminina, em termos estéticos, acrescentaria muito pouco as atuais composições (o que é natural, afinal, foram compostas para voz masculina), mas os parâmetros para estar na televisão ou numa trilha sonora são sempre baseados em termos esquisitos. Do tipo “queremos lançar uma nova diva”.

Falamos de momento, claro. Nada que a banda não tenha mostrado ainda que sabe trabalhar muito bem. Não precisamos esperar chegar dezembro para destacar o que deve ser o melhor disco lançado em Pernambuco em 2008. Até lá, é só para constatar se essa será mesmo a nova maior banda. Sem trocadilho com a quantidade de integrantes.

No MySpace da banda dá para ouvir seis músicas. Mas nada de downloads por enquanto.

Recbeat 2008

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Eu tinha feito uns mil planos para uma expectativa de ano novo aqui. Mas tá foda. Eu tenho respondido email em mesa de bar, escrito matéria no banheiro e feito entrevista no elevador, para conseguir usar o máximo possível do meu tempo para dar conta de tudo que inventei de fazer.

No meio tempo, segue a programação do Recbeat. Esse ano o festival deu uma investida em bandas da América Latina, reflexo da participação de Gutie, produtor do evento, na criação de uma espécie de Abrafin da região latina. Tem algumas coisas que quero muito ver, como a Orquestra Típica e Marina de La Riva. Outras coisas que já vi, mas que quero ver no “efeito recbeat” (tocar numa área aberta, de graça, pra gente que nunca iria num festival independente) são o Móveis Coloniais e Lucy and the Popsonics.

Sábado – 02/02 – A partir das 20h30
00h30 – DEVOTOS & CLEMENTE (PE / SP)
23h00 – QG IMPERIAL & RAS BERNARDO (SP / RJ)
22h00 – OS OUTROS (RJ)
21h00 – JÚLIA SAYS (PE)
20h00 – RAMMA SECA (PE)

Domingo – 03/02 – A partir das 16h
00h30 – MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF)
23h20 – boTECOeletro (RJ)
22h10 – MARINA DE LA RIVA (SP)
21h00 – ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA (PE)
20h00 – TRIO POUCA CHINFRA E A COZINHA (PE)
16h30 – CONCENTRAÇÃO DO BLOCO QUANTA LADEIRA

Segunda – 04/02 – A partir das 17h
00h30 – PANICO (Chile)
23h10 – CHRIS MURRAY & FIREBUG (Canadá / SP)
22h00 – FINO COLETIVO & DAVI MORAES (RJ)
21h00 – METALEIRAS DA AMAZÔNIA (PA)
20h00 – ISAAR (PE)
17h00 – RECBITINHO – CARROÇA DE MAMULENGO (CE)

Terça – 05/02 – A partir das 19h 30
00h15 – PATO FU (MG)
23h15 – ORQUESTA TIPICA FERNANDEZ FIERRO (Argentina)
22h10 – LUCY AND THE POPSONICS (DF)
21h00 – PORCAS BORBOLETAS (MG)
20h00 – LES FRÈRES GUISSÉ (Senegal)
19h20 – BANDE CINÉ (PE)

O Recbeat (eu sei que escreve Rec-Beat, mas eu acho assim mais bonito) também vai fazer shows no Nascedouro de Peixinhos.

Domingo – 03/02 – A partir das 15h
18h30 – SAMBA DE COCO RAÍZES DE ARCOVERDE (PE)
17h10 – QG IMPERIAL & RAS BERNARDO (SP / RJ)
16h30 – ETNIA (PE)
15h00 – MARACATU NAÇÃO AXÉ DA LUA

Segunda – 04/02 – A partir das 15h
18h30 – DEVOTOS (PE)
17h10 – boTECOeletro (RJ)
16h30 – MAGNATAS DA BEIRA MAR (PE)
15h00 – AFOXÉ OYÁ ALAXÉ

Terça – 05/02 – A partir das 14h
18h40 – CORDEL DO FOGO ENCANTADO (PE)
17h10 – CHRIS MURRAY & FIREBUG (Canadá / SP)
16h00 – CARROÇA DE MAMULENGO (CE)
15h00 – COMBO PERCUSSIVO (PE)
14h00 – TROÇA ABANADORES DO ARRUDA

Para ver tudo que já saiu no Popup sobre o Recbeat, é só seguir a tag!