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Compre discos

Se nada mudar até o final deste mês, o Brasil deve perder sua última fábrica de vinil. O Recife vive uma parte acelerada desse processo, sem nenhum artista local interessado em se lançar no formato clássico do bolachão, algo que ainda é muito comum nos Estados Unidos. Tão acelerado, que em nenhum Shopping Center da cidade hoje tem uma loja de CDs. E vamos acabar perdendo um dos grandes prazeres da música, que é se debruçar numa prateleira, catando disco por disco.

O mapa, para quem reconhece esse prazer e não quer deixá-lo morrer, é muito fácil de seguir. A Passa Disco, no Sítio Trindade, é reduto essencial do repertório pernambucano. Já o centro do Recife guarda raridades na Flowers, que fica por trás do cinema São Luiz, e na Blackout, localizada na rua da Riachuelo. A partir dessas, se entra num mundo próprio dos fãs de boa música. O restante é por sua conta.

Em São Paulo
A capital paulista está tomada pela mostra internacional de cinema, mas, no último fim de semana, quem quisesse uma programação diferente o esquema era o seguinte: Ortinho e Zé Cafofinho de um lado, Mula Manca e Fabulosa Figura do outro.

Contagem interrompida
O novo disco da Nação Zumbi, “Fome de Tudo“, chega oficialmente às lojas no dia 25. Quem for esperto, no entanto, já pode degustar tudo, porque ele caiu inteiro na Internet neste último fim de semana. Depois de ouvir, vale a pena comprar um original.

Agenda
O fim de semana chega com um novo festival de música no Recife. O Virtuemusica será na área externa do Armazém 14, com shows de Fresno (RS), Ramirez (RJ), Ludov (SP), Autoramas (RJ), The Sinks (RN), Fóssil (CE), Encarne (CE) e mais nove bandas locais.

Entrevista – Ortinho

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Fim de tarde chuvoso no bar Copo Sujo, no bairro de Santo Amaro. Passada as formalidades – aperto de mão, entrega do novo disco e a infeliz recusa da parte deste repórter em acompanhar na cerveja – Ortinho dispara algumas horas de declarações ácidas – “a gravadora pagava jabá  para o Querosene e Jacaré” – e reflexões sobre o momento da cidade – “quero atingir uma minoria de massa” – e adianta os planos para o show que fará naquela noite. Um dos poucos músicos da geração 90 que não quer trocar o Recife por São Paulo, onde já morou durante alguns anos, Ortinho lança disco Somos.

Hoje as pessoas perderam o conjunto, se individualizaram muito, não tinha um lugar diversificado como era a Soparia. Acho que até uma banda com o porte que a Nação Zumbi está hoje ainda tocaria num bar como aquele“, recorda. Esse é um dos motivos pelo lançamento no bar. “Resolvi fazer isso no Boratcho porque lembrei que aquela galeria [a Joana D'arc, no Pina] já foi um ponto assim, até Lenine se apresentava lá“. O novo disco já circula na cidade há tempos, mas Ortinho ainda não tinha feito nenhum lançamento oficial.

Longe da sombra que um dia a banda Querosene e Jacaré fez nos dissidentes – entre os companeiros, estão também AD Luna, da banda Monjolo e Cinval – Ortinho já se livrou do modo de produção dos anos 90, quando foi lançado pela Paradoxxx, na época mesma gravadora do Sepultura e Raimundos. O novo clipe não está  interessado em paradas da MTV. “Vou por no YouTube mesmo, também no meu site novo onde o ‘Somos’ e todos meus discos anteriores vão estar inteiros para download“, adianta.

Essa aposta de Ortinho no Recife, mesmo já tendo apresentado Somos em show lotado em São Paulo uma semana antes, é importante para uma cidade que sofre de constante êxodo artístico. “Falta respeito para essa geração 90, além de profissionalismo aqui, tenho minhas críticas, mas ainda curto mais o Recife“, comenta o músico. “E falta mercado, rádio nunca me deu nada na vida“, completa.

SITE DE ORTINHO | www.ortinho.com.br

N.D.E = Textinho curto porque foi escrito originalmente para caber no espaço reduzido do jornal. Versão inteira estará disponível em breve no RecifeRock!

N.D.E 2 = O clipe não tá aqui no texto porque, até agora, não apareceu no YouTube, nem no site novo