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Entrevista: Carol Morena e Rayan Lins

A Paraiba sempre foi um dos principais celeiros da boa música independente do Nordeste. São de lá a Cabruêra, ChicoCôrrea, Star 61, Zefirina Bomba e agora o Burro Morto, bandas que sempre foram, em algum momento, centro da atenção quando o assunto era selos, festivais, etc. É de se estranhar que, até então, o estado não tivesse um festival de música nos moldes de um Abril Pro Rock ou DoSol, como acontece em todos os outros estados da região.

Precisou a iniciativa de uma dupla bem nova, Carol Morena e Rayan Lins, que produziam shows menos na cidade quando muito marmanjo só pensava em encher a cara, para mudar essa situação. Eles começaram com a cara e coragem o Festival Mundo, que agora vai para a quarta edição e já coloca João Pessoa no mapa dos festivais, já que eles são um dos próximos nomes a compar a lista da Associação Brasileira de Festivais Independentes, a Abrafin.

Abaixo, entrevista que fiz com os dois:

- A Paraiba tem sempre nomes representativos. Cabruera, Zefirina Bomba, ChicoCorrea, agora o Burro Morto… Porque vocês acham que demorou tanto a João Pessoa ter um festival que fizesse parte do circuito?

RAYAN – Faltava gente comprometida, Bruno. Não é fácil produzir por aqui, tem que formar público e fortalecer, mostrar a vantagem de ter uma cena forte e unida e na maioria das vezes ficar batendo em teclas básicas demais. Sempre falo que nosso trabalho é muitas vezes até educativo. Antes tínhamos o Mormarço, que tinha tudo pra entrar nesse circuito, mas aí Ilsom foi pra São Paulo com o Zefirina e acabou tudo, a cidade voltou ao zero. Foi a partir dai, também, que resolvi fazer o festival e posteriormente integrar Carol nisso, que é uma pessoa que sempre se mostrou comprometida e afim de fazer algo pra melhorar essa situação de marasmo por aqui. Nós realmente queremos colocar a Paraíba no mapa e integrar o circuito de festivais independentes, abrindo portas pra mais bandas virem tocar aqui e mais bandas daqui irem tocar fora.

CAROL – É uma questão de interesse, por saber que o trabalho ganha muito em qualidade e dinâmica quando se sabe que ele faz parte de um circuito maior, não estando isolado. A gente tem a preocupação de dar uma circulada e ver outros festivais no país, ver shows, ver realmente o que está acontecendo com a música independente nesses últimos anos. Isso torna o festival realmente verdadeiro e justificável. João pessoa já teve outros festivais, como o Mormarço, que, ao seu modo, também fazia uma boa circulação de músicos e público. A diferença é que hoje esse mercado está mais articulado, sendo maior a visibilidade dessas produções.

- Essa soa meio clichê, mas afinal qual a dificuldade em se fazer um festival como o Mundo em João Pessoa? É o público? As próprias bandas? Outros apoios?

CAROL – A questão principal é dinheiro, sempre foi. Sempre nos preocupamos em fazer um festival completo, que realmente fosse vitrine da produção local e que pudesse trazer artistas que somassem à programação, numa estrutura bacana. João Pessoa merece e pode fazer isso, e estamos fazendo.

É uma dificuldade constante ter apoio de empresas privadas. Não adianta só apresentar o projeto do festival, a gente tem que fazer a empresa acreditar nisso, provar a todo segundo que realmente é um projeto importante, explicar que a gente não tem o Capital Inicial ou Biquini Cavadão porque não é a nossa proposta mesmo, entende?  Ainda ter que explicar isso hoje em dia é desestimulante, e a quantidade de respostas negativas também.

Apoio público é complicado. Editais locais são complicados, acabam sempre contemplando um único perfil de produção cultural, sempre voltada pra música popular, entende? Sempre temos apoio da prefeitura, custeando alguns itens do nosso orçamento, mas este ano foi duplamente complicado por ser ano eleitoral e esse apoio acabou não rolando.

Público não sustenta as atrações do festival, além de ser sempre uma incógnita. Não é difícil ver gente reclamando de pagar 6 ou 8 reais pra entrar, é um absurdo! São poucas as pessoas que sai de casa pra conhecer bandas, nós damos nó em pingo d’água aqui, hehehe.

RAYAN – É sempre difícil produzir algo do tipo em qualquer canto, mas aqui é quase impossível. O público é complicado, reclamam quando não tem nada diferente acontecendo na cidade, mas não são abertos a novidades, querem sempre as mesmas figurinhas carimbadas e deixam de comparecer por não conhecer uma atração.

Já as bandas, de um ano pra cá, estão mais antenadas, procurando se profissionalizar e viver a banda. Nos sentimos parte desse processo, pois independente das oficinas e debates do festival, estamos sempre conversando com as bandas e dando dicas, mostrando o que tá acontecendo fora do estado e o que elas podem fazer pra crescer mais e mais.

A grande dificuldade que sentimos é realmente a falta de incentivo, seja pública, seja privada. Tanto município, quanto estado possuem leis de incentivo, mas que simplesmente não funcionam para outros movimentos que não os regionais. Ano passado mesmo, só de cabeça agora, me lembro de dois festivais e uma coletânea que não entraram nessas leis de incentivo.

As empresas privadas de médio porte do estado preferem investir em shows de forró, enquanto as de grande porte não possuem sede aqui, é muita burocracia e eles não vêem a importância de investir em marketing cultural local, vem tudo pronto e enlatado de fora.

Enquanto isso a gente vai tirando leite de pedra e construindo parcerias como a do Sebrae e da Coca, que mesmo não sendo patrocínios, são apoios importantes pra realização do festival.

- O que estamos vendo em outros estados é realmente o que tem de mais legal ai? Ou existem outras bandas que vocês percebem no dia a dia e que ainda não chegaram aos festivais? O que deveriamos estar ouvindo? =)

CAROL – Eu costumo dizer que o grande problema das bandas locais é a falta de noção de produção. Nos últimos tempos isso tem melhorado um pouco, posso dizer no máximo 4 bandas que estão abrindo os olhos pra fora do estado agora, e é importantíssimo tocar fora, não só por divulgação, mas por amadurecimento.

Fora essas que você citou, a Star 61, Sem Horas, Nublado e Reis da Cocada Preta estão se articulando, e, por conseqüência amadurecendo, independente de estilos ou gosto pessoal. Elas merecem crédito por isso. Mas confesso que ainda sinto falta de um grande nome dentro do rock por aqui.

- Lembro que vocês foram ao Abril Pro Rock apresentar proposta de filiação na Abrafin. Como é que está esse processo? Perto, longe? O que falta?

RAYAN – Nossa filiação com a Abrafin deveria ter sido concluída no encontro que aconteceu no Calango, mas resolveram adiar e conferir de perto a edição deste ano. Em parte por problemas internos da associação e em parte por problemas internos nosso (pois acabamos transparecendo que talvez este ano não houvesse o festival). Conversamos com o Pablo Capilé durante a Feira da Música em Fortaleza e pudemos apresentar melhor o festival, ele gostou e foi daí que já fechamos o Macaco Bong. Tudo está caminhando para que próximo ano o Festival Mundo já esteja integrando a Abrafin.

- Fiz essa pergunta a Foca, do DoSol, e acho que devo repetir ela um monte ainda. Como foi a seleção de bandas do festival? Queria que vocês justificassem algumas das atrações convidadas.

RAYAN – A verdade é que acabamos tendo critérios diferentes para bandas paraibanas e bandas de outro estado e vou explicar por que. Nos dois casos, gosto pessoal da gente influência muito, mas é muito mais forte com as bandas de fora. A vontade de apresentar algo novo e que você curte pro público é muito forte. Mas é claro que, além disso, conta também a vontade da banda em tocar aqui e o trabalho que ela vem desenvolvendo. Nunca tivemos grandes nomes, até porque nunca foi essa a intenção do festival,  o que nos importa é que sejam bandas comprometidas com o que fazem.

Já com as bandas daqui, o gosto pessoal pesa menos, tentamos escolher bandas que façam bem o seu som, independente de gostarmos daquele estilo ou não. Bandas realmente afim de crescer e que tenham mais chances de dar certo. É uma forma também de incentivo para outras bandas se espelharem e fazerem a coisa da maneira certa.

Temos o Macaco Bong, que é uma puta banda, tem tocado em quase todos os festivais e é realmente foda. E o Cabruêra, que apesar de ser local, deve ter tocado mais na Europa que por aqui nos últimos tempos. Estávamos em negociação com eles desde o ano passado e finalmente fechamos esse ano. Vai ser ótimo pra diversificar ainda mais o festival.

Festival Mundo 2008: Programação


Outubro vai ser um mês bem movimentado no Nordeste, pontuado pelos festivais DoSol, Boom Bahia e Mundo. O primeiro já divulgou sua programação aqui – com direito a The Donnas e Forgotten Boys – e agora é vez do Festival Mundo, que acontece em João Pessoa, na Paraiba. Dois dias de shows, mas que também inclui debates, exposições de arte e oficinas.

Uma das coisas que mais gostei é que o Festival Mundo repensa um pouco a proposta de maratona de shows. No lugar de 20 bandas se esmagando no tempo para tocar 20 minutos, uma programação mais enxuta traz menos atrações em favor de shows maiores e mais proveitosos. O que também aumenta o mérito de entrar numa escalação.

Ah sim, esse também tem eu! Estarei participando de um dos debates sobre indústria fonográfica. O outro é sobre produção e será com o pessoal do Macaco Bong.

Sem mais delongas:

Sexta – 17/10 - A partir das 19hrs

Macaco Bong | MT
Cabaret | RJ
Calistoga | RN
Sem Horas | PB
Camarones Orquesta Guitarrística | RN
Outona | PB

Sábado – 18/10 - A partir das 19hrs

Cabruêra | PB
Burro Morto | PB
Sweet Fanny Adams | PE
O Garfo | CE
Nublado | PB
Elmo | PB
Cerva Grátis | PB

MOSTRA AUDIOVISUAL

A mostra audiovisual exibirá a evolução do rock em João Pessoa, com documentários e videoclipes de bandas locais, com destaque para o lançamento do primeiro videoclipe da banda paraibana Burro Morto, além de exibição de curtas-metragens.

OFICINAS

Home Studio
Data: 18 e 19 de outubro (sábado e domingo)
Local: Estúdio 24h (Praça Antenor Navarro – Centro Histórico)
Horário: 14h às 18h (carga horária de 8hrs)
Conteúdo: Oficina musical básica sobre técnicas de gravação, edição e mixagem em um computador pessoal; noções de hardwares e softwares; pré-produção; dicas e truques.
Inscrições Gratuitas | 10 vagas 

Ministrantes: Leo Marinho, Ruy Neto e Daniel – Sócios do Estúdio 24 (PB). Haley – Técnico do Estúdio Peixe-Boi (PB). (Todos são também músicos e integram a banda Burro Morto – PB).

Produção de videoclipe com baixo orçamento

Data: 14 a 17 de outubro
Local: Ksa Rock (R. Duque de Caxias, nº73, Centro)
Horário: 15h às 19h (carga horária de 12hrs)
Conteúdo: Estética de som/imagem; edição; manejo de equipamento; como trabalhar com baixos orçamentos e, como resultado, início de produção de um vídeo clipe com a turma.
Inscrições Gratuitas | 15 vagas 
Ministrante: Carlos Dowling – Cineasta e Presidente da ABD-PB (Associação Brasileira de Documentaristas).

Inscrições para oficinas pelos e-mail festivalmundo@gmail.com até dia 11 de outubro.                                   

DEBATES

I- Profissionalização de bandas no mercado independente

Data: 18 de outubro
Local: Intoca (Centro Histórico)
Horário: 14h às 16h
Vagas: 30
Gratuito

Conteúdo: Explanação e debate sobre o mercado independente e suas tendências; dicas de produção e divulgação para bandas novas; circuito de casas de shows e festivais independentes no Brasil; intercâmbio e troca de experiências; caminhos para sobreviver e crescer no independente, tomando como base a experiência da banda Macaco Bong (MT).

Convidados: Bruno Kayapy, Ynaiã Benthroldo e Ney Hugo – Integrantes da banda Macaco Bong (MT) e fazem parte do Instituto Cultural Espaço Cubo, onde são produtores musicais e co-realizadores de eventos e festivais. Também são militantes da Volume (Voluntários da Música).

II- Rock: contracultura e produto de mercado

Data: 18 de outubro
Local: Intoca (Centro Histórico)
Horário: 16h às 18h
Vagas: 30 vagas
Gratuito

Conteúdo: Pontos de vista sobre o que aconteceu efetivamente nos últimos 10 anos e o que há por vir; Rumos da indústria fonográfica e a produção independente deste gênero de música que revolucionou o mundo.

Convidados: Bruno Nogueira (PE) – Jornalista especializado em crítica cultural e mestre em comunicação social, onde desenvolveu pesquisa sobre indústria fonográfica e internet. Trabalhou na Folha de Pernambuco, Jornal do Comércio e está no Diário de Pernambuco. Colaborou com as revistas Continente Multicultural e Coquetel Molotov e é um dos colaboradores do site RecifeRock. Cobriu alguns dos principais festivais do país. Fez curadoria para o Abril Pro Rock 2008 e para o projeto Pátio do Rock. Foi professor da Faculdade Barros Melo (Aeso). 

Marcus Alves (PB) – Jornalista, Mestre em Comunicação Social e Doutor em Sociologia. Desenvolveu pesquisas sobre a cultura pop/rock do Brasil nos anos 80. Autor do livro “Cultura rock e arte de massa”. É professor da Faculdade IESP, no curso de publicidade e propaganda. Foi professor do curso de extensão sobre “Pop/rock e a cultura brasileira” na faculdade IESP.

Festa Clash #1

Foto por Williame

Foi incrível lá em João Pessoa. A festa Clash é daquelas de fazer inveja que sua cidade não tem nada igual, e olha que foi só a primeira edição. Me prometi um set cheio de hits, mas não sou muito bom nisso. Abri com MGMT e ainda rolou Vampire Weekend, Interpol, Editors, Wombats, Joy Division… essa foi a segunda vez que toquei Bandini, de Natal, e geral da festa curtiu. Lá pelas três e meia ainda rolou uma galera hippie perguntando se eu não tinha nada com tambor. Foram quatro de Nação Zumbi em sequência, porque eu queria agradar mesmo.

A Ksa Rock, onde rolou a festa, é um espaço impressionante. Parabéns para Flaviano (do Star 61) e a galera que mantêm o local. Também curti o set de Guto, que abriu a noite e, claro, da anfitriã Carol Morena (que também é do Madalena Moog). Na foto acima dá para ter uma idéia curtinha de como foi… cheguei em casa quase sem voz.

Nordeste Independente #4

Você costuma pagar para frequentar shows? Alguns produtores e bandas do Nordeste andam comentando que o público não está contribuindo muito com as casas que abrem para apresentações de bandas locais. Esse foi o assunto principal da quarta edição do Podcast Nordeste Independente, gravado por mim e pelo Luciano Matos, de Salvador.

Tem ainda mais um pouco de festival Bananada, uma entrevista com o Fabrício Nobre (MQN, Abrafin, Monstro) sobre a qualidade do público de Goiânia, e uma vista rápida pela cena de João Pessoa. Essa foi nossa edição menos bairrista, com apenas uma banda de Pernambuco e uma da Bahia. Sacaê o tracklist:

1- Julia Says – Mohamed Saksak
2- Bad Folks – Pillow Case
3- The Dead Lovers Twisted Hearts – Walking Down the Streets
4- Dois em um – Dias
5- Star 61 – Fácil Demais
6- Cabruera – Bendito São José
7- Goldfish Memories – Rise Above the Flame

[podcast]http://www.popup.mus.br/mp3/neindie04.mp3[/podcast]

Para assinar no iTunes e outros players: http://feeds.feedburner.com/NordesteIndependente

Um Nordeste Independente

Pode acreditar, não é bairrismo. A música mais legal que é feita hoje no Brasil, está toda concentrada no Nordeste. O volume da produção é muito grande – ou muito alto, para fazer um trocadilho esperto – o que garantiu a criação de um novo eixo. Agora, as bandas do Sudeste e que batalham para conquistar espaço aqui na parte de cima. Só este mês, pelo menos, cada um dos principais estados da Região desovou um lançamento que esbanja essa qualidade.

Recife – MELLOTRONS
Do Recife, vem uma história que poderia render um filme super clichê de rock’n’roll. Banda batalha no esquema garagem / descola um festival / uma figura cheia de grana chega no fim com o papo de “vou bancar o trabalho de vocês!”. A diferença é que o encontro acabou ali mesmo. Como o Mellotrons, a banda da história, não é muito de conversa fiada, continuou andando com os próprios pés durante dois longos anos, até lançar agora o primeiro disco, homônimo.

“Mas a banda não é mais isso que está no disco”, entrega já de cara o vocalista Haymone Neto. Capinha branca, com símbolos braile e pouca informação, o disco convida o ouvido curioso para dez faixas, todas em inglês. Sem querer gerar polêmica, este pode ser o disco que acentua toda a discussão entre uma disputa estética local x global. Não é o decreto da morte da alfaia no rock recifense, apenas uma declaração simples e direta de que aqui pode ser feito música que comunica numa sonoridade mundial. Numa audição mais preguiçosa, podia até ser chamado de indie rock.

“As bandas daqui sempre seguem um mesmo paradigma, por isso costumam ter sempre um tipo de rótulo. Às vezes, brinco dizendo que a gente é uma banda de rock entediada”, o vocalista arrisca uma definição. Essa necessidade de mudança do Mellotrons aparece pouco no disco, e vai ser mais notado para quem conferir o show. “Hoje não fazemos mais músicas em inglês, é provável que em breve estas do disco não apareçam mais no show”, completa.

A despreocupação se justifica. O Mellotrons já conseguiu formar um público no Recife, rompendo barreiras até de casas que dão pouca atenção ao rock local. O disco deles tem uma lógica meio doida, mas que é bem coerente. Não representa um ponto de partida para o futuro, mas sim para o passado. É um registro do que eles fizeram até agora na carreira. No palco, o esquema é mais “bola pra frente”, com outros trabalhos mais inéditos. O lançamento oficial no Recife ainda deve esperar até setembro, quando eles substituirão o guitarrista que trocou a banda pelo Havaí.

Escuta ai: Colors to Remind Me

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Paraíba – ZEFIRINA BOMBA

A primeira coisa que vão falar sobre a Zefirina é que ela é uma banda diferente porque não tem guitarras. Mas dê uma atenção no disco antes de virar os olhos em sinal de tédio. O nome “NoiscoreGrooveCocoEnvenenado” pode não ser o melhor convite, mas ele encarta 15 faixas de rock duro, gritado e divertido. Uma viola elétrica empacota algumas das letras mais bem sacadas da semana. “E se eu disser que não to nem ai para você? Vão dizer que eu to podendo!”. Agora imagine isso num berro rasgado, de quase desespero, cantado rápido com um trava-línguas.

O disco sai pela Trama, no mesmo esquema da paulista Cansei de Ser Sexy. “Não mudou quase nada para a banda, a gente continua no mesmo perrengue para conseguir show”, comenta o vocalista Ilson. A mudança para São Paulo, no entanto, foi providencial. Hoje, eles conseguem fazer cerca de sete shows por mês e já pagam o próprio aluguel. O disco é um pouco troféu deste momento. “A gente nunca pensou que isso pudesse dar certo, até quando vieram contratar a gente falamos que eles deviam estar loucos!”, ri.

Escuta ai: Alguma coisa por aí

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ChicoCorrea
Já faz um certo tempo que ChicoCorrea é “o cara” de João Pessoa e, porque não, do Nordeste. O que começou com uma idéia de simples de “só eu e um computador”, desencadeou numa banda e um currículo de shows que já passou até pelo Tim Festival. Sem contar na infinidade de outras bandas que o próprio já participou (ele é um dos “cabras” de Totonho, que também circula bastante pelo País). O primeiro disco, homônimo, acabou perdendo um pouco de seu caráter de cartão de visitas, já que ele praticamente já visitou todos os ouvidos interessados. São 11 faixas, mais duas bônus. Um misto de electro-côco-lounge. Baladinhas na voz de Larissa Montenegro. Lembra, de um ponto de vista um tanto grosseiro, o trabalho de DJ Dolores. Mas a pegada é menos “world music” e as referências menos periféricas.

Salvador – CASCADURA
Pensar em rock na Bahia continua uma idéia incomum. Mesmo com o estado dando tantas provas que destroem totalmente qualquer estigma axé. Cascadura, que lança seu “Bogary” junto com a revista OutraCoisa, é uma dessas provas. Formatinho econômico, com embalagem de papelão, o material encarta 13 faixas. Voz grave, que consegue criar hits radiofônicos com um efeito chiclete que é bastante perigoso para a pilha de qualquer discman. Termina uma música e, na hora, já dá vontade de acionar o “repeat”.

Cantado em português, a banda dosa bem as referências num rock que é mais maduro. Vai lembrar Capital Inicial nos seus melhores dias, pela sonoridade de “Elnora” e “Mesmo Estando do Outro Lado”, mas esses deslizes não vão comprometer o todo do disco. A guitarra sem distorção é passaporte para conquistar palcos grandes em qualquer estado do país.

Natal – BUGS
Nos últimos dois anos, a cena potiguar têm acelerado o processo para aumentar a importância de sua cena no rock do Nordeste. Nessa caminhada, eles já tem uma banda que está mais que lapidada para ganhar o país. A Bugs lançou este mês um novo EP – eles já têm um disco completo – chamado “Exílio”, pelo selo local Mudernage. Material curtinho, com seis músicas. Suficiente para mostrar a competência desses quatro rapazes. Rock que bebe um pouco da fonte do grunge e do hard rock.