A cultura da troca – Parte um

O ano de 1999 foi cabalístico para a música. Aliás, para o mundo todo em geral. De certa forma, ele definiu boa parte de uma cultura global que vivemos hoje. Muito diferente do que foi previsto por Stanley Kubrick em 2001 uma Odisséia no Espaço (o filme começa sua história em 1999), esse foi o ano em que George W. Bush anunciou a candidatura a presidência dos Estados Unidos. O Euro começava a circular e, com um ano de atraso, a Microsoft lançava o Windows 98, enquanto a Apple dava início a sua revolução – e o retorno a era Steve Jobs – com o primeiro iBook.
É um período que diz muito sobre nossa cultura pop hoje. Matrix foi lançado (e tinha a história ambientada) em 1999. Assim como o primeiro episódio de Bob Esponja abria as portas para a geração pós-Ren & Stimpy de desenhos animados. Foi quando o Strokes lançou o primeiro disco em Nova York, dando início a corrida pelo indie rock e, no Brasil, foi o ano de lançamento do primeiro disco dos Los Hermanos. Last Night e Anna Julia eram hits irmãos, que tocavam em toda rádio, toda festa e todo top da MTV.
Foi o ano do “bug do milênio” e o Brasil viveu sua paranóia apocalíptica de várias formas, principalmente no famoso “apagão”, que forçou o país a entrar em alerta. A rede Manchete saia do ar, dando lugara para a RedeTV, enquanto a rede Globo estreava a primeira edição do Mais Você, com Ana Maria Braga. Também descobriamos, com grande atraso, o quanto que o episódio 1 de Star Wars era uma bela bosta. Em meio a tantas grandes transformações, a chegada do novo milênio também foi acompanhada pelo lançamento de um novo programa para a internet, o Napster.

