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Como se comportar em uma conferência

sxsw

Com o Porto Musical começando nesta quarta-feira, o texto que Derek Silvers publicou recentemente em seu site parece providencial. Para quem não o conhece, Derek é o fundador da CDBaby, um dos cases de maior sucesso no mercado independente dos Estados Unidos. Ele faz discos sob-demanda para bandas e, aos poucos, foi crescendo uma estatística interessante de que quem está vendendo pouco são as grandes gravadoras. Em seus 15 anos de trabalho, ele já esteve em diversas conferências similares ao Porto, como a Womex e SWSW e escreveu esse guia abaixo, que ele chamou de “O TAO da promoção: é tudo sobre eles e não sobre você“.

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Noites Abrafin no Porto Musical

irmaos

Além da programação de conferencistas, que já falei aqui no Pop up (representantes do SXSW, LastFM, Sire Records, só para listar alguns), e dos showcases que saiu recentemente no site oficial (Curumin, Mad Professor, Burro Morto, entre outros), o Porto Musical vai hospedar uma das reuniões anuais da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin). Aproveitando a passagem de produtores de eventos em todo o país, acontece na cidade mais uma vez a “Noites Abrafin”, este ano em parceria com a turma do Fora do Eixo.

Quem produz as três noites, que terão basicamente bandas do Nordeste – a exceção é a Dimitri Pellz do Mato Grosso do Sul – é a turma do Lumo Coletivo. Eles descolaram o palco no primeiro andar do bar Burburinho, perto de onde tudo acontece no festival. A ótima programação encerra com as três melhores bandas de rock da cidade – Vamoz, Amp e Sweet Fanny Adams – e também apresenta o novo som da Nublado (PB) e Rejects (RN), que foram citadas recentementes aqui no blog.

Dia 18
23:30 Amps & Lina (PE)
00:10 Calistoga (RN)
00:50 Irmãos da Bailarina (BA)
01:30 Sweet Fanny Adams (PE)

Dia 19
23:30 Nuda (PE)
00:10 Nublado (PB)
00:50 Reject (RN)
01:30 Vamoz (PE)

Dia 20
23:30 Candeias Rock City (PE)
00:10 Plastique Noir (CE)
00:50 Dimitri Pellz (MS)
01:30 Amp (PE)

Conferências do Porto Musical 2009

jonas

Ainda não é a lista completa. O evento, que acontece em junho no Recife, divulgou hoje uma parte dos nomes que estarão na cidade participando de palestras e conferências. Tem muita gente legal, como Brent Grulke, do South by Southwest (que eu já entrevistei aqui) e ainda representantes do LastFM e Sound Exchange. Já estou até sabendo de mais nomes bem bons que estão para vir, mas que ainda não dá para divulgar.

Olha a lista parcial:

Aluízer Malab (Brasil) falando no Go Brazil! sobre o mercado brasileiro para artistas estrangeiros.

Beto Villares (Brasil) falando no Go Brazil! sobre o mercado das trilhas sonoras.

Brent Grulke
da South By South West (EUA), uma das mais importantes convenções de música do mundo, falando no Go International! sobre os métodos de aproximação para o mercado norte americano através de um foco e uma espectativa realística.

Bryan Calhoun do Sound Exchange (EUA) falando no Go Digital! sobre performances no mundo digital com estratégias de marketing para os indies e seu público.

Deborah Sztanjberg e Paulo César de Araújo (Brasil) falando no Go Brazil! sobre o controverso caso sobre a biografia de Roberto Carlos e a importância das biografias no showbusiness.

Frédéric Gluzman da V.O. (França) falando no Go International! sobre turnês de artistas brasileiros na Europa.

John Ingham
(Head of Music and Content at ESP/Inglaterra) falando no Go Digital! sobre as novas tendências e formatos no mundo digital.

Jonas Woost (na foto) da Last fm (Alemanha) falando no Go Digital! sobre gravar e produzir músicas com o presente digital. Será que isso tem futuro?

José da Silva da LusAfrica (França) falando no Go International! sobre como criar, sustentar e desenvolver um selo nestes tempos difíceis.

Nelson Motta (Brasil) falando no Go Brazil! sobre a música brasileira hoje em dia.

Patrick Torquato (Brasil) falando no Go Brazil! sobre a importância das rádios públicas no Brasil na promoção da música.

A nova gestão da Abrafin

Ontem teve a votação para nova gestão da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (abrafin). Apesar do presidente continuar sendo Fabrício Nobre, do Goiânia Noise / Bananada, quase todos os outros cargos tiveram mudanças. A chapa assume pelos próximo dois anos agora na configuração que está logo abaixo. Na principal novidade, está a saída de Paulo André (Abril Pro Rock) da vice-presidência e entrada de Pablo Capilé (Calango) no lugar.

A coordenação continua quase toda com os festivais mais antigos. Até porque eles precisaram enfrentar um dos períodos mais difíceis para a associação. Afinal, a crise econômica aperta onde doi mais nos festivais, que é o bolso do Patrocinador. Mas já tem alguns eventos mais novos ocupando cargos importantes. Por sinal, para quem ainda não sabe, a Abrafin faz três reuniões anuais. Quem quiser se filiar, só tem agora mais duas chances de pegar o encontro. O próximo será na Feira da Música / Porto Musical, no Recife em maio. A terceira é em dezembro.

Dessa primeira reunião, além da nova gestão, teve a divulgação oficial de seis novos festivais na Abrafin: Festival Mundo (PB), Forcaos (CE), Macondo Circus (RS), 53hc (BH), Cururu Siriri (MT) e Release Alternativo (GO). Agora são 38 afiliados em todo o país. O resultado saiu depois de dois dias inteiros de reunião em Brasília, com a presença de 25 festivais, além de alguns órgãos importantes como o Ministério da Cultura, o Senaes e o Sebrae. Resta agora esperar pelo planejamento 2009 e pesquisa feita por Bruno Ramos, que deve sair em março.

É interessante perceber como a Abrafin parece estar numa constante montanha russa. Os maiores problemas deles na primeira etapa aparentemente tinham passado até agora – em parte, uma repentina maturidade dos principais críticos a Associação em reconhecer os resultados dos trabalhos realizados – mas a subida tranquila foi só para uma nova queda. A crise financeira já afastou o principal patrocinador de cultura do país de cenário. A Petrobrás agora só libera verba através de edital (antes, ela escolhia vários eventos para apoiar diretamente). Por muito pouco não deixou até o Flamengo na mão.

Se num primeiro momento os festivais fizeram questão de serem ouvidos e percebidos, parece que chegou a hora de mostrar o que eles tem efetivamente a dizer. A recuada da Petrobras, mudanças na Lei Rounet e na gestão pública municipal de boa parte das capitais vai servir de provação para o sempre controverso termo “independente”. Alguns eventos já estão se preparando planos B, para garantir que vão acontecer mesmo sem patrocínio nenhum. É esperar e ver o resultado.

E boa parte da responsabilidade vai estar com essa turma aqui, ó:

Presidente: Fabricio Nobre – Goiania Noise Festival (Goiânia – GO)
Vice-Presidente: Pablo Capilé – Festival Calango (Cuiabá – MT)
Secretario Geral: Talles Lopes – Jambolada (Uberlândia – MG)

Diretor Financeiro: Leonardo Belém (Leo Bigode) – Bananada (Goiânia – GO)
Diretora de Comunicaçao: Marielle Ramires – Grito Rock – (Cuiabá – MT)
Diretor Institucional: Aluizer Malab – Eletronika (Belo Horizonte – MG)
Diretor de Ação Internacional: Paulo André Pires – Abril Pro Rock (Recife – PE)
Diretor de Açao Politica : Daniel “Zen” Santana – Varadouro (Rio Branco – AC)

Conselho Fiscal: Paulo “Linha Dura” – Consiencia Hip Hop (Cuiabá – MT), Andre “Pomba” – Mix Music (São Paulo – SP), Luis Mathias – Demo Sul (Londrina – PR) e Rodrigo Lariu – Evidente (Rio de Janeiro – RJ)

Representação no Nordeste: Ivan Ferraro – Feira da Música  (Fortaleza – CE)
Representação no Norte: Vinícius Lemos – Festival Casarão (Porto Velho – RO)
Representação no Sul: Vladmir Urban – Psycho Carnival (Curitiba – PR)
Representação Sudeste: Cláudio Rocha – Primeiro Campeonato Mineiro de Surf (Belo Horizonte – MG)
Representação Centro Oeste: Gustavo Sá – Porão Do Rock (Brasília – DF)
Representação Ibero Americana: Fernando Rosa – El Mapa de Todos (Brasília – DF)

Lanny Gordin – Duos

Fevereiro, Teatro de Santa Isabel, durante a Feira Música Brasil/Porto Musical e poucas noites antes do Carnaval no Recife. Começa uma tensão entre Lanny Gordin, o artista que está no palco, e o público presente. Uma disputa onde vence quem está mais concentrado naquele único momento. Disputa acirrada, até‚ que Lanny subitamente deixa a paleta da guitarra cair e simplesmente pára de tocar. São breves minutos onde fica claro quanto o passado já destruiu da mente de um dos melhores instrumentistas que o Brasil já acolheu. Detalhes que não serão percebidos no disco que ele lança agora, Duos.

Lanny Gordin nasceu na China, mas veio para o Brasil ainda criança. Foi um dos principais guitarristas e arranjadores da década de 60 e 70. Gravou com a Tropicália e Jovem Guarda. Para listar, ele aparece em Fa-Tal Gal, de Gal Costa; o homônimo de Jards Macalé de 1972 e Caetano Veloso, de 1969, fase mais psicodélica do cantor. “Quem quiser aprender a guitarra tem que ouvir Lanny Gordin“, diria mais tarde Jards Macalé, afirmando que o instrumentista, que chegou a ser apelidado de “Jimmi Hendrix brasileiro”, de “uma das mais profundas e ricas musicalidades do Brasil“.

Seus altos e baixos foram medidos do total ostracismo – quando afundou em dependência das drogas – ao status de personalidade cult da World Music. “Estou numa fase meio esquisita, coisas que ainda não entendo muito bem“, diz Lanny, no Santa Isabel após minutos infinitos de silêncio que seguiram a queda de sua paleta. “Mas vamos em frente“. Sua linha cronológica está parada nesse novo ponto alto, onde ele lança discos a cada pausa que faz numa extensa agenda de shows.

Duos não é a melhor porta de entrada para quem desconhece Lanny Gordin. Por causa de tanta história passada, a graça agora está justamente em ouvir sua guitarra reconstruir parte dos mitos da música brasileira que nasceram naquelas cordas. Mas as 16 faixas do disco são para os já iniciados, e favorecem convidados que fazem o dueto com o guitarrista. Max de Castro, Gal Costa, Caetano Veloso, Fernanda Takai, Adriano Calcanhoto, Junio Barreto, Rodrigo Amarante, Edgard Scandurra, o próprio Jards Macalê, entre outros seis, aparecem mais no que cantam que a cozinha instrumental do disco.

Alguns fazem isso muito bem. Curiosamente, são os mais novos como Vanessa da Mata e Junio Barreto, que conseguem transmitir um respeito mais honesto ao momento. As vozes de Caetano e Gilberto Gil lideram a lista dispensável no repertório. Agregam valor a um disco de duetos, mas se impõem mais alto que o guitarrista, que é o mais importante nesse CD. Corcovado fecha o disco totalmente instrumental, da maneira que ele deveria ser.

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