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Números para quem precisa

O Ibope divulgou semana passada uma pesquisa realizada em julho sobre o perfil do internauta no Brasil. Surpreendentemente, passamos mais tempo conectados em casa que os Estados Unidos (segundo lugar) e que o Japão (terceiro). Basta somar 1+1 com outra pesquisa, esta realizada pelo Ipea, que diz que, no nosso país, existe mais gente com acesso a Internet do que pessoas que já viram um filme no cinema ou uma exposição em teatro pelo menos uma vez na vida.

Traduzindo: nossa sociedade inteira que consome cultura passa o dia na Internet. Enquanto isso, no Brasil, só existe um único modelo de comercialização de música digital em atuação, o portal iMusica. Uma oportunidade grande de mercado exposta, sem nenhum interessado em explorar o potencial de vender canções pela Web. Com metade dos nossos números, artistas em paises vizinhos já geram receita com a iniciativa.  

Novo da Nação
O próximo disco da Nação Zumbi, primeiro pela Deckdisc, já tem nome e até faixas definidas. Vai se chamar “Fome de Tudo”, com produção confirmada pelo Mario Caldato. Entre as músicas, “Carnaval”, “Inferno” e “Outra Bossa”. Participações especiais, até agora, de Junio Barreto, Céu e Orquestra Popular do Recife.

Festival
No mesmo fim de semana do Coquetel Molotov, outros dois festivais agitam estados vizinhos. O Festival Mundo, em João Pessoa, entra na terceira edição e vai ter presença da Vamoz e Playboys; já no Pará, nossa terra será representada no Se Rasgum no Rock pela Sweet Fanny Adams e Cordel do Fogo Encantado.

Sem respostas
O festival Pe no Rock pisou feio na bola. Ignorou a própria seletiva de bandas que armou, encaixou bandas por indicação de terceiros e esta fazendo tudo isso com dinheiro patrocinado pelo Estado. Sem atender ninguém no telefone, o produtor Sávio parece que só vai dar as caras quando fizerem a primeira denúncia.

Férias
A Radiola de Ficha agora volta em outubro!

Projeto parecidos, valores diferentes

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No ano passado, a Secretaria de Cultura da Prefeitura da Cidade do Recife distribuiu, através do Sistema de Incentivo a Cultura (SIC), um total de R$ 329.947,48 entre 11 projetos ligados à área de música. Aproveitando a recente lista dos aprovados para este ano, a reportagem da Folha de Pernambuco foi conferir cada um dos projetos aprovados na edição anterior. Na primeira matéria dessa série (publicado dia 04/07), foi mostrada a dificuldade que alguns projetos tem em captar recursos, sinalizando uma possível mudança no perfil do sistema. Nesta, será observado os detalhes dos projetos da área de música.

No SIC, música não é apenas a área com o maior número de projetos aprovados, como é também a que tem os maiores valores. Seguido de teatro, que em 2006 aprovou dez projetos. No total, todos os aprovados somaram R$ 1,200,000 (um milhão e duzentos mil), que equivale a 1% da arrecadação do município. Parcela que ainda é considerado pouca para a maioria dos produtores, que defendem um recorte maior dessa arrecadação.

Para ter uma idéia de quanto representa este valor, consultamos o técnico de som Leonardo Domingues, do estúdio Mr. Mouse. Segundo ele, um disco com média de 12 faixas, gravado e mixado em estúdio, com uma prensagem de mil cópias, tem custo médio hoje de R$ 20 mil. O que significa que com o valor total arrecadado poderiam ter sido gravados, por exemplo, cerca de 17 CDs. Para o SIC, custos de lançamentos devem ser suprimidos, o projeto tem que ter a cultura como um fim e também uma contrapartida social.

Os 11 projetos observados tem diferenças entre os valores específicos. Os horários de gravação, por exemplo, estão custeadas entre R$ 40 e R$ 80, sendo o último valor cobrado por menos que quatro estúdios da cidade. Os mais requisitados pelos artistas que aprovam no SIC, o Fábrica e Mr.Mouse, tem valor tabelado respectivamente de R$ 70 e R$ 60, sendo sempre negociado de acordo com o cliente. Apresentam também valores diferentes para a prensagem dos CDs, serviço que só é oferecido por duas empresas, ambas cobrando o mesmo valor de R$ 4.

Segundo as regras de pontuação do SIC, esses detalhes técnicos tem peso 1 na decisão da aprovação do projeto. Para o secretário de cultura da cidade, João Roberto Peixe, “não se pode padronizar todas as áreas, cultura é algo que tem uma flexibilidade muito grande, então não teríamos como ter todos os discos ou obras de arte feitas com o mesmo valor”. A garantia que a Prefeitura pode dar é estabelecer um limite de R$ 50 mil por projeto. “Um projeto diferenciado requer um custo diferenciado por ser tecnicamente diferente, não temos como estabelecer critérios para isso”, explica.

Apesar disso, existem subjetividades relevantes entre os projetos aprovados. Enquanto o disco “Coque: Arrebentado Muros Invisíveis” pediu R$ 24.084,91 para um projeto que incluía ensaio, transporte e gravação de oito bandas diferentes, o disco “Maestro Ademir Araújo – O Mestre da Banda” conseguiu quase o dobro, R$ 49.999,09 (havia pedido R$ 71,590,79). Sem especificar transportes ou horas de ensaio, a única diferença entre os dois projetos é que o segundo previa o pagamento de direitos autorais no valor total de R$ 3 mil.

Observando os projetos concluídos, foi percebido que existe também um acumulo das funções propostas. Muitas vezes o próprio músico é o projetista, captador de recursos e, principalmente, produtor musical e executivo do projeto do disco. Situação que é comum na cadeia produtiva da música independente, quando as funções existentes no modelo de uma grande gravadora são suprimidas. No Sic, juntas, essas funções somam cerca de R$ 10 mil em quase todos os projetos.

Uma outra subjetividade delicada diz respeito a contrapartida social proposta pelos projetos. Em quase todos os projetos referentes a gravação de disco, é oferecido a doação de uma parte da prensagem. O grupo Sá Grama, por exemplo, destinou 150 cópias, de uma prensagem de 3 mil CDs, ao Instituto Social à Criança, presidido pela dama do Recife. Já o CD “Onde o Amor foi Demais”, que aprovou um valor de R$ 48.232, ofereceu a contrapartida na forma de “Gerar empregos diretos e indiretos … porque a gravação vai ser feita em nossa cidade”.

Segundo sociólogo, compositor e professor da pós graduação em sociologia da UFPE Paulo Marcondes, “a contrapartida é válida, porque o CD é o material que o artista dispõe e, apesar de ser um produto estético, é também de mercado”. Numa reflexão em primeira instância, entretanto, ele também opina que “seria mais válido que fossem determinados um número de shows pagos, com a renda revertida para essas instituições, porque hoje em dia o artista fatura verdadeiramente com o show e não com o disco”.

Academia x Realidade

Às vezes espanta comprovar como a academia é realmente distante do mundo real. Durante o último fim de semana acompanhei um encontro na Universidade Federal da Bahia que rendeu algumas pérolas que merecem destaque. Frases do tipo “a gravadora Sony/BMG”, quando a última foi comprada pela Universal mês retrasado; “o Creative Commons é um site”, sobre a ONG; “sem o Ecad o músico NÃO recebe o dinheiro”; e “o DRM não faz diferença”, sobre a licença de música digital que chega a proibir que você escute um um disco do Gorillaz ou Marisa Monte.

Mas o mais espantoso foi participar de um grupo sobre “novas tecnologias da indústria fonográfica” onde ninguém presente conhecia o LastFM. Serviço online que há cinco anos já revoluciona o conceito de rádio na Internet, recentemente comprado pela gigante da comunicação CBS e com uma filial funcionando no Brasil. Enquanto a falsa idéia de uma “crise na música” (falsa porque ninguém parou de ouvir música, e sim passou a ouvir mais) divertir essas pessoas, os debates devem continuar nesse clima atrasado.

Crise?
Indústria significa processo. As grandes gravadoras estão em crise, mas elas não são a indústria, e sim parte desse processo. Se a Sony deixar de existir hoje, ninguém vai deixar de ouvir nenhum de seus artistas. Se uma nova banda surge amanhã, não precisará da Sony para ser ouvida. Acreditar que existe uma crise geral é tão perigoso quanto afirmar isso.

Casa Nova
A Nação Zumbi saiu definitivamente da gravadora Trama e agora faz parte do cast de artistas da Deckdisc. É a mesma gravadora da Pitty, Cachorro Grande, Matanza, Dead Fish, Gram e Ratos de Porão. O novo disco da Nação deve sair em outubro e quem está cotado para produzir é Mário Caldato, que já assinou trabalhos do Beastie Boys e Beck.

Internet
O MySpace tá cheio de boas bandas pernambucanas que ainda não estão no circuito de shows. Quem estiver disposto a conhecer, vale a pena visitar os endereços do Pescosso Colorido, Bantorra e Electrozion. As duas primeiras são de rap, a terceira, como o nome já dá a dica, é uma mistura de reggae, dub e samplers que é bem curiosa.

O Papa quer ser Pop

Joseph Ratzinger ainda estava se acostumando a ser chamado de Bento XVI, quando na ocasião de sua primeira saída do Vaticano decidiu aparecer num show. Sim, desses de música mesmo. Foi na cidade alemã de Colónia e sua produção teve a feliz idéia de contratar um artista moderno – será que na esperança de acalmar uma das lideranças mais conservadoras que já teve? – para receber o pontífice. Ninguém menos que o nosso DJ Dolores. “Não sei porque diabos me chamaram, mas levaram a banda toda e com um ótimo cachê”, comenta Helder Aragão, o dito cujo. A apresentação foi em um estádio de futebol lotado, com cerca de 60 mil pessoas. “60 mil pessoas sóbrias”, reforça o DJ Dolores, que passou o restante do dia tentando de tudo para conseguir uma dose de whisky. Só depois de muito tempo que conseguiu uma garrafa de Jack Daniels, toda enrolada e escondida em um pano. “Parecia droga pesada!”, lembra. Ele não era o único brasileiro presente no evento. Pelé também curtia sóbrio os samplers de Dolores, ao lado de figuras como o diplomata Kofi Anan.

No Japão
Imagina como deve ser, para um artista de Pernambuco, tocar no Japão? Silvério Pessoa esteve lá se apresentando e publicou todo o diário de viagem, com direito a fotos, em seu blog. Os dois discos e o ótimo novo DVD já são vendidos até daquele lado do mundo. Quem quiser conferir em detalhes, o endereço é o www.monolitico-tema.blogspot.com

Livros
Everett True, que quase desembarcou no Recife ano passado para o festival Coquetel Molotov, acaba de lançar lá fora 600 páginas sobre a vida de Kurt Cobain. Numa época onde jornalistas ainda tinha esse poder de descobrir bandas, foi True quem disse que o Nirvana seria a próxima grande virada no rock. Por enquanto, não tem previsão do livro aparecer aqui.

Blues
Um “dream team” está sendo montado para se apresentar no Recife. Robben Forde, guitarrista que já acompanhou lendas como Miles Davis e Wayne Shorter. Ele será acompanhado pelo baterista Gary Novak, parte da banda de Alanis Morrisete e o baixista Chris Chaney, do Jane’s Addiction. O show será dia 15 de junho. Mais detalhes em breve.

Festivais
Foi lançado ontem o 1ø Edital Petrobrás de Festivais de Música. A primeira conquista concreta da Associação Brasileira de Festivais Independentes, a Abrafin. O Instituto Moreira Salles, que está mapeando esses eventos no país, será o responsável na gestão desse edital. O regulamento e ficha de inscrição estão no endereço www.editalfestivaisdemusica.com.br

Eta Carinae na Internet

Semana passada, falei na coluna que era burrice para uma banda como o Eta Carinae sair da Internet. Dirceu Melo, fundador e vocalista da banda, também concordar e fez questão de entrar em contato para explicar que não é isso que vai acontecer. O que foi publicado em outros jornais, na verdade, foi um erro de comunicação. A idéia é tirar o disco completo, mas deixar pelo menos até cinco faixas e experimentar o potencial de venda do CD. Também avisa que esta foi a condição dada por uma produtora francesa para negociar shows da Eta Carinae na Europa.

O que transfere a crítica, então, para a própria produtora. Nenhum artista independente deveria ser submetido a sair – mesmo que em parte – de seu principal meio de circulação; a Internet. Não existe histórico de nenhuma banda, seja de grande gravadora, pequena ou independente, que se prejudicou porque estava com suas músicas na Internet. Pelo contrário, cada vez mais festivais, gravadoras e o público têm dado mais valor com quem consegue se comunicar diretamente, sem intermediários.

Abril pro Rock
A maratona de shows começa sexta-feira. Duas dicas para quem não quiser perder um só momento: o ingresso social funciona de maneira simples. Você doa 1kg de alimento e paga R$ 30 no lugar do ingresso inteiro. A outra dica é o passaporte. É só combinar com aquele amigo que vai no sábado e com o outro do domingo para dividir a conta. Sai mais barato até que a meia-entrada. E uma dica pessoal: não perca o The Film, domingo.

PE no Rock
Está no ar o site com do festival PE no Rock. Ele tem informações sobre todas as bandas que vão tocar, incluindo a confirmação que o festival trará Andrew Tosh – filho da lenda do reggae Peter Tosh – junto com os detalhes para a seletiva das bandas. O endereço é o www.penorock.com.br

Errata
Semana passada cometi erro imperdoável na resenha sobre o ótimo disco de Gonzaga Leal. Durante audição e transcrição, confundi a voz do jornalista e ex-Ave Sangria Marco Polo com a do próprio cantor. Na verdade, é Polo quem conta, no fim do disco, sobre “a verdadeira história de Seu Waldir”.