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Música na chapa

Eu fiquei sem saber o que dizer depois de um vídeo tão bem resolvido como esse. Mas, vale o toque, começa quarta-feira um esquema classe no Rio de Janeiro. O Música Chappa Quente é grauito e dura quatro semanas. Toda quarta-feira, algumas figuras centrais de todo o burburinho da música digital vão tentar abrir caminho para alguma conclusão sobre o futuro desta indústria antropofágica.

A produção é uma parceria entre os ótimos Sobremusica, Tecnopop, Rinoceronte Producoes e Lunuz, entre os assuntos, estão Youtube, pós-jornalismo e produção independente. A programação já fala por sí só, confere abaixo! :)

Antes, só um toque. Visitem o site oficial. Todos os debates vão ser disponibilizado em áudio e vídeo, que é pra ninguém ficar de fora!

14 de março
9h -
A CADEIA PRODUTIVA DA MÚSICA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Sérgio Sá Leitão (BNDES), Arthur Bezerra (SEBRAE-RJ), Sydney Sanches (advogado, um dos responsáveis pelo estudo Cadeia Produtiva da Economia da Música no estado do RJ), Bruno Levinson (Humaitá Pra Peixe) e Rodrigo Lariú
14h – PÓS-JORNALISMO: BLOGS E INTERNET 2.0
Diego Assis (G1), Felipe Vaz (Overmundo), Celso Fonseca (Terra) e Berna Ceppas
Local: PUC-Rio, Auditório Pe. José Anchieta. Rua Marquês de São Vicente, 225 – Gávea

21 de março
9h – RÁDIOS ON-LINE E PODCASTS: DE OUVINTE A PROGRAMADOR
Maestro Billy (ABPod), Giuliano Djadjah (Rádio Janela) e Paulo Daudt (Multishow)
14h - YOUTUBE, MYSPACE, NAPSTER, ITUNES: AS NOVAS PLATAFORMAS ON-LINE
Alexandre Matias, Gisela Castro (ESPM), André do Valle (FGV), Marcelo Ferla e Silvio Meira (C.E.S.A.R)
Local: UFRJ, Salão Dourado do FCC. Av. Pasteur, 250 – 2º andar – Urca

28 de março
9h - ARTISTAS S/A: O TRABALHO ALÉM DOS PALCOS
André Barcinski, Mauro Benzaquem e Luciano Marsiglia (Revista BIZZ)
14h - NOVOS CONSUMIDORES E NOVAS FORMAS DE MARKETING
Lúcio Ribeiro, Jerome Vonk, Léo Feijó e André Eppinghaus
Local: ESPM, Auditório. Rua do Rosário, 90 – 12º andar – Centro

04 de abril
9h - MERCADO INDEPENDENTE: EXPERIÊNCIAS E VIABILIZAÇÕES
Fabrício Nobre (pres. ABRAFIN), Paulo André (Abril Pro Rock), Gabriel Moptop, Gabriel Autoramas e Ricardo Cruz (Rolling Stone)
14h - DIREITO AUTORAL NA NOVA MÚSICA
Paulo Rosa (pres. ABPD), Creative Commons, Felippe Llerena (iMúsica/ABMI), Bruno Natal e Antonio Carlos Miguel
Local: UERJ, Teatro Noel Rosa. Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã

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Na coluna Rádiola de Ficha de amanhã, não percam, mais um nome do Abril pro Rock, que divulga programação na quarta-feira. Mas como o leior aqui do blog é legal, eu vou dar a canja de dizer mais DOIS nomes. Que tal? :)

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O jornal inglês The Guardian listou os 10 próximos lançamentos da temporada que você simplesmente não pode deixa de ouvir. Confere a lista! :)

Top 10 – The Guardian

The Twang – Title TBC
Eles dizem “somos apenas rapazes normais e não daqueles que ficam falando por ai o que fazem com suas mulheres”

Arctic Monkeys – Favourite Worst Nightmare
Eles dizem “tentamos experimentar. Acabamos com breakbeats no disco”

Bjork – Volta
Ela diz “nos somos todos animais, então vamos fazer batidas tribais universais” (medo)

Rufus Wainwright – Release the Stars
Ele diz “eu vou de acordo com o som das maquinas registradoras”

Wilco – Sky Blue Sky
Jeff Tweed diz “não tenho mais vomitado tanto esses dias, e não preciso mais acordar a cada cinco minutos para fumar”

Ben Westbeech – Welcome to the Best Years of Your Life
Ele diz “meu estilo é tão abrangente quanto minha coleção de discos”

The White Stripes – Icky Thump
Jack White diz “tem de tudo, desde uma música que escrevi em 1998 a algo que escrevi ontem. Foi uma experiência muito boa. Meg estava em chamas”

Dizzee Rascal – Maths and English
Ele diz “agora estou ciente de um público além da minha cidade. Tenho outras pessoas em mente na hora de fazer música”

M.I.A. – K A L A
Ela diz “formas, cores, Africa, ruas, poder, prostitutas, novo mundo, bravo”

Mark Ronson – Version
Ele diz “eu só recebi apenas uma ameaça de morte até agora, de um fã de Morrisey de 13 anos de idade, então acho que sou muito bom”

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Por fim: Saca ai a capa da próxima Rolling Stone! :) Jack Bauer x Kiefer Sutherland.

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Indústria da música move suas engrenagens

Nenhum stand da Feira Música Brasil, evento mais importante de música que encerrou domingo no Recife, trazia videntes ou futurólogos. Nenhum tinha búzios ou tarô. Mas todos tentaram, juntos, durante quatro dias, tentar prever qual seria o futuro da música, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Estamos vivendo o fim das gravadoras? O fim do CD como suporte físico? O evento não chegou perto da resposta, mas como plataforma de negócios, cumpriu sua função em saldo mais que positivo.A palavra-chave para todo o evento é “circulação”. Nas conferências, tem a primeira etapa com a circulação de informação. César Prado, da Unimar Music; junto a João Moreirão, da Associação Brasileira de Música Independente, trouxeram os números fundamentais do contexto atual da música. Carga tributária de 45% sob os impostos e uma produção independente que equivale a 80% do total nacional e que… bem, que não circula. Foi o contexto para argumentar uma possível migração do mercado de música para a imaterialidade da Internet. Vendendo faixas de música à R$ 0,30, a distribuidora Tratore está entre os cincos maiores comerciantes do produto no mundo.

As conferencias são provocativas. Dos cerca de 20 nomes que passaram pelos auditórios do Porto Digital e Teatro Apolo, quase todos deixaram claro que a música não pode depender de patrocínio público. “Hoje a maior gravadora do país é a Petrobrás, de tanto projetos que apóia”, disse, em tom de repreensão, o presidente da Tratore Maurício Bussab. A provocação continuou em recados que o Brasil precisa passar a tratar sua música no meio digital, algo que não faz em nenhuma estância. O país possui poucos sites de artistas, não possui nada similar ao MySpace (um tipo de Orkut para música) ou ao Pitchforkmedia (imprensa que dita moda através da Internet).

Num último momento, a circulação é social. A parte mais proveitosa da Feira Música Brasil, assim como foi com os anos anteriores do Porto Musical, é o “networking”. A troca de cartões e servições. Bandas atrás de shows, produtores de shows atrás de bandas. Selos em busca de distribuidores, que estão lá em busco de selos, e por ai vai. Uma desculpa produtiva para juntar todo mundo no mesmo lugar e colocar as rodas dessa indústria para girar.

Shows
Parecia uma ordem, a maneira como Gilberto Gil distribuía sorriso entre os conferencistas e expositores dizendo “mas tem que terminar em festa”. A Feira Música Brasil teve de cenário o centenário do Frevo e o ritmo tombado como patrimônio imaterial. Durante a noite, o Marco Zero, Praça do Arsenal e Teatro Santa Isabel recebeu shows calorosos, sem violência e público positivo. Algumas passagens são históricas, como a do guitarrista da Tropicália, Lenny Gordin, e do sambista Nelson Sargento.

Gilberto Gil abre Feira da Música Brasil

O Ministro da Cultura Gilberto Gil chegou essa quarta-feira (6) ao Recife para fazer a abertura oficial da Feira Música Brasil, maior evento de negócios de música no país. Acompanhado por uma comitiva formada pelo prefeito João Paulo, o secretário municipal de cultura João Roberto Peixe e pela assessora especial do MinC Paula Porta, ele fez discurto para a imprensa no auditório armado no Terminal Marítimo, ao lado do Marco Zero.

“A música brasileira é uma das maiores forças da música mundial e a maior força da economia da cultura no Brasil”, a afirmativa abriu o discurso do ministro. Sua fala foi pontuada principalmente com vários dados sobre o mercado de música e cultura no Brasil. Trouxe informações como a que o mercado independente já conquistou 40% da parcela total do mercado de música no país.

“As formas de produzir, divulgar, distribuir e consumir música estão em processo acelerado de mudança”, continuou o ministro. Com a frase de imapacto, “momentos de mudanças são momentos de oportunidades” ele anunciou a abertura da feira como um momento para facilitar contatos e promover negócios. A proposta da FMB – que é promovida em parceria com o BNDES, Governo do Estado e pela produtora local Astronave – é criar um contexto que permita mapear melhor a cadeia produtiva de música.

Na rodada de perguntas, entrou como questionamento mais grave a atual situação das rádios, consideradas quase totalmente de fora desta cadeia produtiva. Apesar de não ter resposta ainda consistente para a situação, Gilberto Gil continua apontando interesse do ministério em tentar reverter esta situação junto às empresas privadas.

A Feira Música Brasil acontece entre os dias 7 e 11, com espaço para stands de produtoras, gravadoras e artistas; além de plataformas de palestras sobre importação e exportação de música – uma parceria com o Porto Musical. Paralelo ao evento, o Marco Zero, Arsenal e Teatro de Santa Isabel também oferece uma programação de shows gratuitos.

Música, tecnologia e negócios

No meio dos arranjos e sombrinhas do frevo que inundam o clima de Carnaval que já toma cada esquina da cidade, começa uma maratona de debates, palestras, shows e simples conversas que vão funcionar como um oásis de oportunidades para quem produz e compõe música. Com base no bairro do Recife Antigo, o Porto Musical abre sua programação até quarta-feira desta semana prometendo fervilhar de boas idéias e parcerias na cidade.

É um evento de interesse internacional. São 34 palestras, que falam sobre como importar a música brasileira, exportar a internacional e integrar essas propostas com tecnologia. E, por isso, está reunindo gente de todo o mundo no Recife. “A editora de música do Le Monde (principal jornal da França), Veronique Montaigne, já está na cidade”, adianta a produtora executiva do Porto Musical, Melina Hickson, da Astronave Iniciativas Culturais.

Segundo ela, a expectativa é que essas pessoas possam movimentar ainda mais o mercado de música, não só local, como nacional. “Peter Hvalkof, um dos conferencistas, é também o organizador do segundo maior festival de música pop na Europa, o Roskilde, e ele também vem para cá como olheiro, prestando atenção no que está acontecendo aqui para poder apresentar lá”, diz Melina. Ela também lembra da presença de Jean François Michel. “Foi ele quem criou o conceito de bureau de exportação de música e, por ano, passa pela mão dele um orçamento gigante só para investir em música”.

E quem vem para o Porto Musical, pretende aproveitar para ficar na cidade até o fim do Carnaval. Não só para aproveitar a festa, mas também para aproveitar e levar mais material para fora. Caso do jornalista paulista Alexandre Matias. Ele colabora constante para a revista Bizz e o jornal Folha de S. Paulo e, depois da palestra que faz aqui, onde vai debater sobre como a indústria do entretenimento pode ficar mais padronizada ao gosto do cliente, ele pretende ficar atento na movimentação local.

“Eu estou fazendo um projeto com Fred Leal, que vai fazer a conferência comigo, para a gente emendar com o Carnaval, aparecer no Recbeat e montar um ‘podcast’ (rádio online) com uma cobertura do que está acontecendo na cidade”, adianta. Segundo ele, se o projeto acontecer, eles vão “entrevistar pessoas nas ruas, artistas e comparar com opiniões de outros [conferencistas] de fora que também vão estar no Recife”.

Matias e os já citados europeus são apenas alguns, dos vários que, têm hoje o poder de colocar um artista na grande mídia, numa grande rádio ou até mesmo uma grande gravadora. Outros nomes são Fabrício Nobre e Rodrigo Lariú. Eles chegam representando as duas principais gravadoras independentes de verdade no País, a Monstro Discos e a MMRecords. Quem ficar atento aos nomes na programação do evento, pode terminar o Carnaval com malas prontas para uma carreira fora de Pernambuco.

Quem também está na cidade, de olho no Porto Musical, é o Ministro da Cultura, Gilberto Gil. Ele vem para anunciar, hoje mesmo, a parceria entre Brasil e Alemanha na feira Popkomm. Será a primeira vez que um país não-europeu participa do evento. O Brasil leva para seu estande, que terá 150 metros quadrados, 26 shows de artistas nacionais para apresentação internacional.

Shows
Além dos debates, uma programação de shows foi organizada na Praça do Arsenal, com acesso aberto ao público. Virgínia Rodrigues, novo nome de sucesso em Salvador, faz a abertura dos shows no palco onde também vão passar as promessas Bumcello (França), The Gift (Portugual), La Pupuña (PA), entre outros, com os locais DJ Bruno Pedrosa e Bonsucesso Samba Clube.

Programação da segunda-feira (outros dias no site oficial)

Segunda-feira
Porto Digital Apolo
10h
Brad Powell
O Futuro da música independente
Jerome Vonk
Exportação da Música do Brasil
11h
Jorge Maldonado
América do Sul, Internet e as músicas do mundo
Michel Nicolau e Sérgio Sá Leitão
Exportação da música do Brasil
12h
José Carlos Cavalcanti
Incentivando as Indústrias Criativas em Pernambuco e no Brasil
Ney Messias
TV e Rádio Cultura
13h
Almoço Almoço
14h30
Bas Boorsma e Paul T. Morris
INEC International Network e-Communities
Johannes Theurer
Networking excelente cria redes de excelência
15h30 Filipe Luna
O sampler a composição musical
Alex Webb
De olho nos prêmios – A experiência da BBC
16h30 Gian Uccello
Relação gravadoras x telefonia móvel
Zjakki Willems / Jeroen Revalk
Titin na terra do mangue
Go Digital | Go Internacional | Go Brazil

Vou ver se faço um fotolog da cobertura aqui no site

Procuram-se produtores musicais

Já passou o tempo onde era preciso ter talento para uma banda ter sucesso. Hoje, uma passagem rápida na loja de instrumentos e uma semana de ensaios já garantem agenda de shows na cidade. Com pouco dinheiro no bolso e amigos certos, se consegue até palcos em outros estados com alguma facilidade. Mas o mercado ainda precisa fazer sua seleção e essa quantidade toda de bandas está “boiando”, sem ser aproveitada, por um motivo grave. Falta um personagem importante no cenário do Recife, o produtor musical.

Astronautas, Mundo Livre S/A e Cordel do Fogo Encantado são bandas de rock que definem “Pernambuco” hoje lá fora. A diferença delas para o Rádio de Outono e Volver é exatamente a falta desse produtor. Figura que pode ser melhor entendida se comparada com o diretor de um filme, explicação dada por Carlos Eduardo Miranda, da Trama. “Os músicos são os atores e roteiristas, o produtor é aquele cara que sabe amarrar tudo para fazer o filme dar certo”, parodia.

Responsável pelos ajustes em todas as músicas no disco “Samba Esquema Noise” do Mundo Livre, ele explica um pouco sobre seu trabalho. “Eu sempre procuro enriquecer a música, fazer ela ter algo de inusitado, mesmo que seja algo pop”, e não esconde que é rígido “nunca existe atrito, é sempre uma coisa positiva, mas tem vezes que a banda tem medo de experimentar quando eu digo que está na hora de mudar. Teve uma vez que já mandei a banda inteira do cara ir embora”, lembra.

É um trabalho de confiança mútua. A banda precisa ter consciência que o produtor tem sensibilidade e afinidade com a indústria fonográfica o suficiente para espremer tudo que a música pode oferecer de melhor. Muitas bandas, com medo de ter sua criatividade cortada, preferem se garantir nas tecnologias de mixagem e esquecem que o dedo do produtor é, na verdade, uma assinatura de qualidade e estilo.

No Recife, o trabalho do produtor ainda é ligado aos estúdios de gravação. A principal referência hoje é o Mr.Mouse, coordenado por Leo D e William P. “Geralmente o pessoal não procura o estúdio só para gravar, mas pela produção que a gente faz. Sempre opinamos no trabalho, entrando em consenso com a banda para fazer o melhor possível”, explica Leo. “Já aconteceu até de produzirmos bandas em outros estúdios, porque quando a banda agenda, vamos acompanhar os ensaios para conhecer o trabalho dela e trocar idéias”.

Foram eles os responsáveis pela gravação da banda Rádio de Outono, que será lançado em agosto. “Temos produtores para conseguir shows e contato com a imprensa, mas não um produtor artístico, por isso preferimos gravar o CD com ele”, comenta o baixista Kleber Crócia. Ele explica que a banda sente essa falta, e diz que está “se programando para isso, ele é uma ferramenta importante para a gravação do disco, mas por enquanto queremos fazer a música na paz”.

Fora do estúdio, as opções são ainda menores. O nome local que melhor traduz esse sentido de assinatura num disco é o do produtor Zé Guilherme, que não pôde ser contatado pela reportagem da Folha de Pernambuco porque, no momento, está acompanhando a turnê de uma artista local na Inglaterra. Apesar dessa ser, hoje, uma rotina comum no trabalho dele, as bandas do Recife só procuram o produtor na hora de fazer o disco, voltando logo em seguida para a independência. Atitude que pode ter custado essa passagem para Europa.

Publicado originalmente em 04.07.05