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Abril Pro Rock 2008

Esse ano eu (junto com o Guilherme) fiz curadoria das bandas independentes e dos debates; além de assessoria de imprensa para o festival Abril Pro Rock. Então, por questões éticas, não fiz a cobertura que costumava fazer do evento nos últimos quatro anos. Mas para não passar em branco, segue ai a cobertura que a Trama Virtual fez do festival:

E o pessoal do Project 666 gravou todo o show para lançar um DVD. Sacaê o teaser:

E o MySpace Brasil?

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Equipe do MySpace Brasil

Os últimos dois meses foram decisivos na forma como vamos consumir música no futuro. Desencadeado pela decisão da banda Radiohead em deixar que o público decida quanto vale seu disco, várias ações foram desenvolvidas de forma muito acelerada, reconfigurando a própria cadeia produtiva da música. Paralelamente, esse foi o tempo que a maior plataforma social de música no mundo, o site de relacionamentos MySpace, se instalou no Brasil. Passado esse primeiro impacto de novidades, a Folha de Pernambuco conversou sobre as mudanças com o jornalista Luiz Pimentel, Diretor de Conteúdo e um dos elaboradores do MySpace Brasil (http://br.myspace.com)

Criado em fevereiro de 1999, o MySpace chegou a marca de 100 milhões de usuários em 2006, se confirmado como principal rede social do mundo. Em apenas um ano, esse número dobrou, e com uma média de crescimento de 200 mil novos usuários por dia, o site já tem mais de 200 milhões de pessoas cadastradas. A grande maioria desse número é de bandas e músicos em geral. “Um portal como o MySpace fazia falta enorme aqui. Quer dizer, sempre tivemos MySpace, mas com ele em inglês ficava sempre uma plataforma distante”, comenta Pimentel. “Quando lançamos a versão em português, havia 55 mil bandas brasileiras, agora triplicou o número de registros e de acessos ao site”.

O MySpace é uma ferramenta poderosa. Nos Estados Unidos, turnês inteiras são fechadas e novos artistas contratados por selos e gravadoras através do site. Uma das estratégias mais vitoriosas, já em implementação no Brasil, é a articulação para que artistas lancem o disco primeiro no MySpace (para ser ouvido apenas) antes do CD físico chegar às lojas. “Nós estamos fazendo uma tonelada de lançamentos”, celebra Luiz Pimentel. Só no mês de janeiro, a plataforma serviu de ponto de partida para o novo clipe do Sepultura e dos discos das bandas Nitrominds, Carbona, Hill Valleys, Miss Kittin, Nada Surf e Bullet for My Valentine.

Sobre a forma como vamos passar a consumir música, os números dão ao MySpace posição central para o olho do furacão da música digital. “São 270 milhões de perfis no mundo inteiro, 120 milhões de visitantes diferentes por mês, 10 milhões de bandas no MySpace. São uploadeadas (enviadas) 10 milhões de fotos todos os dias, 100 mil vídeos, e os números não param de crescer. Você não tem limite de amigos, nem de fotos nem de vídeos, tem um blog acoplado ao seu perfil, um instant messenger com skype gratuito, pode ouvir músicas, assistir vídeos de todos esses artistas e adicionar todo esse conteúdo ao seu próprio perfil, que é inteiro customizável”.

Por ser uma ferramenta que permite interação com outros sites, o MySpace tem uma experiência positiva de remunerar artistas pelo download de música através do serviço Snocap. “O usuário que gosta, vai lá e compra a faixa por uma vitrine, por trás, ele está comprando do Snocap”, explica Pimentel. É similar ao que acontece com a Trama e sua plataforma Trama Virtual e ao mais recente serviço lançado pelo site Last.FM, com diferença de uma escala global – já estão sendo implementadas versões indiana e russa do site.

No momento, esse é o principal entrave para o Brasil. “Aqui há essa dificuldade de editores, mas vamos chegar a um modelo justo para os artistas, para que valorizem a própria obra”, comenta Luiz. “Na verdade, as bandas acabam inserindo o MySpace nas gravadoras, pois de modo geral elas gostam e usam. A maioria dos perfis de bandas, daqui e de fora, é tocado pelos próprios artistas. E nós somos amigos das gravadoras no sentido de que acabamos promovendo artistas”, completa.

Enquanto não chega a um acordo com os jogadores principais da indústria fonográfica, o MySpace Brasil se aproxima de outras frentes que também estão provocando mudanças no cenário nacional. Em breve, eles devem anunciar uma parceria com a Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin). “Nosso universo com o da Abrafin é o da música boa. Aqui não existe jabá, ninguém nunca sequer fez menção de falar para eu colocar tal banda, nada disso. Então, estamos juntos. Falta formalizar o melhor para ambos, afinal isso é o princípio de parceria”, conclui.

Bandas fecham turnês internacionais pela plataforma

Uma das definições desse novo mercado de música é que ele funciona totalmente através de nichos. Uma banda que encontraria poucos seguidores no Recife, por exemplo, consegue juntar público considerável pelo Brasil com muito mais facilidade e encontrar pares na Europa na distância de um clique. É o caso da banda de trash-death metal Project 666 (www.myspace.com/project666metal), de Olinda. “Uma das vantagens é que a banda recebe visibilidade no mundo todo. Para nós, que fazemos um som que visa tocar na Europa, o site já rendeu comentários de produtores e bandas de lá”, comenta o baterista da banda, Eduardo Martins.

Situação parecida com a da banda Astronautas (www.myspace.com/osastronautas). Depois de fechar o circuito de festivais independentes no Brasil, eles começam a mirar no exterior e o MySpace é um dos principais passaportes para o exterior. “Temos realizado contatos muito importantes, dentro e sobretudo fora do Brasil”, conta o vocalista André Frank. “Produtoras, agenciadores, bandas, estamos montando nossa turnê européia inteira a partir do MySpace”, completa.

Algumas promessas

Hoje, no lugar de apresentar uma única nova banda independente, vamos formatar uma mini expectativa para o ano de 2008. Apesar de ter sido um ano muito bom para a música, este que encerra foi meio morno de novidades. Alguns dos nomes mais interessantes que apareceram, na verdade, foram de bandas antigas decidindo retornar a carreira. Fica, então, uma lista de futuras promessas no rock pernambucano.Três parecem que vão dar o que falar. A mais experimetal Julia Says é uma dupla formada por Diego e Pauliño. O primeiro clipe, da música “Mohamed Saksak”, já ganhou um prêmio na cidade. No Myspace deles (/juliadisse), também vale ouvir “Eis a Canção”. A segunda banda é de metal e se chama Project 666. Reencontro de alguns dos melhores grupos de Olinda, o Pecapta e a Sick. Por fim, a de rock simples e direto Erro de Transmissão fecha o ciclo de promessas.

Menos é mais
Não é para parecer reclamão, mas as próximas programações da prefeitura poderiam prezar menos por quantidade. A programação de shows é tão grande (tanta coisa ao mesmo tempo), que muitos pólos, como o Sitio da Trindade, ficam completamente vazios. Soa como desperdício.

Recbeat
Dizem que a banda Panico é algo tipo “o Cansei de Ser Sexy do Chile”. Se é para tanto ou não, vamos descobrir em fevereiro. A banda de “tropical rave rock” (quantas aspas) está confirmadíssima na programação do Recbeat 2008. E fica dada a largada aqui na coluna para os furos nas escalações de festivais do próximo ano.

Mais Recicle
Durante uma tarde, o show da Pitty no Recife para o dia 11 de janeiro quase foi cancelado. O contratante do Rio de Janeiro ficou sem parceiro na cidade. Mas, agora, quem assume a responsabilidade é o Sun7 estúdios, que está levando o rock para a boate Nox. A programação será com a própria Vamoz, River Raid e Carfax.