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Rádio de Outono

Anunciado desde o começo de 2005 na edição Nordeste do Claro Q é Rock, a banda Rádio de Outono lançou finalmente seu primeiro disco. A banda foi uma das mais rodadas de pop-rock do Recife no ano, fazendo shows seguidos em quase todos os fins-de-semana. O excesso pode causar a impressão que eles acabariam lançando um disco com pouca novidade, mas o material que já circula na cidade surpreende. Tem uma família grande, maior que a própria banda, que dá uma força enorme na produção.

A Rádio de Outono é uma banda de pop rock (pop’n’roll, como eles chamam), sem guitarras. Atrativo que convida pouco para conhecer o som que, pela falta de expectativa, acaba agradando bastante. Algumas grudam feito chiclete, com letras simpáticas, que não falam sobre nada demais, de maneira despretensiosa, descompromissada e engraçada. O charme é mesmo um pianinho, as vezes escondido no palco, mas que conquista qualquer curioso de passagem.

Mas no CD a coisa cresce. E muito. O tempo, deverás demorado, para lançar o disco parece ter sido descontado na produção. A Rádio de Outono que vai chegar na casa das pessoas – e sem muita dificuldade nas rádios – é bem diferente da que estava nos palcos. Cheia de efeitos na voz, nas guitarras e, aparentemente, muito mais que um teclado fazem uma banda difícil de associar com a Rádio de Outono que chegou antes aos ouvidos via festinhas locais.

As sete músicas vem numa embalagem absurdamente simpática, com azuis e rosas claros e a foto de um igualmente simpático radinho dos tempos da vovó. Junto com as músicas e o tal pianinho que conquistam mais que a voz da cantora Bárbara Jones, faz do CD uma chave que abre portas na programação de qualquer eixo do Brasil.

Publicado originalmente em 30.11.05

Virou moda

Não foi o pop dos anos 90, indies, nem a música com interferências eletrônica ou regionais. Quase ninguém se deu conta, mas o que acabou virando moda foi mesmo o gênero “mpb-rock-em-cima-do-muro”. Começou com o surto do Los Hermanos e hoje as bandas que mais chamam atenção de público e crítica são a Nervoso, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Cidadão Instigado, Columbia e a lista segue, sem ter medo de soar pop demais.

Recife, por sinal, está muito bem nessa onda. Mombojó, Parafusa, Mula Manca e a Triste Figura, Del Rey e, forçando um pouco a barra, até a Rádio de Outono. O mais curioso é que essas são as músicas mais simples. Ninguém parece estar muito interessado em inovação ou rebuscamento. Por isso, não dê ouvido ao exagero que fazem com forçada invasão de referências que a mídia do sudeste persiste. Confie nos palcos.

No embalo
Procurando por sons interessantes no festival Cultura Independente, uma banda conseguiu ser realmente surpreendente: a Circo Vivant. Trompete, trombone, teclado, baixo, guitarra e voz, climão de Roberto e Erasmo com circo, que não tem medo de parecer com Los Hermanos na época boa – aquela onde eles ainda faziam melodia. A banda já se apresentou no Pátio do Rock e, ao vivo, parecem ser ainda mais promissores que no primeiro CD Demo. Quem quiser conferir, é uma ótima aposta para 2006. As músicas estão no site www.tramavirtual.com.br/circo_vivant.

Falando em moda
O jornalista paulista Lúcio Ribeiro deve ter gostado da comida típica do Recife. Ele vai voltar a cidade pela terceira vez em menos de cinco meses com sua festa “Popload”. De tanto querer lançar modas na sua coluna, ele decidiu fazer parte do mundo fashion e chega direto de uma apresentação no São Paulo Fashion Week. Aqui, ele toca na abertura da Comtex, feira importante para a indústria têxtil e mercado de roupas do Nordeste.

Na Internet
Ninguém faz a menor idéia ainda de quem seja Ewerton Assumção. Sua música, “Vou te excluir do meu orkut” foi a mais comentada na rede nessa última semana. Já tem até a letra no portal Terra. Quem também vazou na rede foi “Meds”, novo disco do Placebo, bem regular, sem hits certos e que promete passar batido.

Publicado originalmente em 24.01.06

Música Fast Food

De todos os vícios do novo século, 2006 vai ser marcado principalmente pela pressa. O disco mais esperado do semestre, o primeiro da britânica Arctic Monkeys, não conseguiu completar um mês de sucesso. É a biografia inversa. Antes a carreira começava a contar a partir do primeiro disco, agora ele marca o final. O processo de produção e consumo rápido será o mal do ano.

E a pressa passa, mas o erro sempre fica. Alguns independentes encontraram a solução para isso nos EP’s. Discos que não passam das seis / sete músicas. Muitas já estão considerando os singles – com até duas músicas – parte definitiva da discografia. No fim, não vai ser a Internet quem vai decretar o fim da materialidade do disco, mas essa vontade descontrolada por novos sons.

Coquetel
O coletivo Coquetel Molotov anunciou a data do seu segundo festival, o “Coquetel Molotov Independente”. Será dia 28 de janeiro, no Pátio de São Pedro. No mesmo formato da edição anterior, o evento terá quatro bandas. As primeiras atrações já confirmadas são as locais The Dead Superstars e Backing Ballcats Barbis Vocals. Ano passado o festival também trouxe duas bandas de fora, Lulina (SP) e Brincando de Deus (BA).

Independentes
Um dos mais importantes prêmios da música independente do Brasil, o London Burning, divulgou a lista de seus indicados. Pernambuco está presente com o DJ Dolores, que concorre na categoria Melhor Disco de Eletrônica; e a Rádio de Outono, que aparece em duas categorias: Banda Revelação e Melhor EP. A votação é pública – pelo site – e vai até o fim do mês. O resultado sai em fevereiro.

Regulamentação
O Sindicato dos Músicos Profissionais de Pernambuco vai servir apenas de intermediário na nova disputa entre Ordem dos Músicos do Brasil(OMB) e o novo “Movimento dos Músicos de Pernambuco”. A iniciativa de participar como mediador das discussões foi do próprio sindicato, que faz questão de deixar claro que não tem nada contra a OMB.

Publicado originalmente em 10.01.06

Tudo de novo

Já ouvi uma vez que não é bom ser músico em Pernambuco, mas é muito bom ser músico pernambucano. Pura verdade. 2005 encerra com um adesivo do Sedex colado nas bandas de rock que lançaram seu primeiro trabalho ainda este ano. Numa conversa um tanto tensa com Lúcio Maia, o guitarrista da Nação Zumbi disparou: “não precisa hipocrisia, a gente sai porque no Recife não rola dinheiro”.

Faltam lugares decentes de médio porte na cidade para as bandas se apresentarem. O resultado são nomes super novos, como a Volver e a Rádio de Outono, com agendas já recheadas no sudeste do país. E o problema cresce. O público não aceita pagar o valor merecido de uma apresentação local. Com tanto desinteresse, só faltam os patrocinadores irem embora.

Abril
O Festival Abril pro Rock revelou para a coluna sua primeira banda confirmada. É a Cidadão Instigado, dona do disco independente “E o Meto Tufo de Experiência” (Slag Records), um dos mais elogiados pela crítica em 2005. O nome é disputado. Dois outros produtores da cidade já tinham mostrado interesse em organizar um show aqui no primeiro semestre.

Gringos
Recife já tem um show internacional marcado para 2006. São os portugueses da The Gift. Eletro-pop na encruzilhada entre Placebo e Portishead que já rendeu o prêmio MTV European Music Awards em 2005. As chances são que a banda vá se apresentar ou no Porto Musical ou no festival Abril pro Rock. Quem não conhece, as músicas estão no site http://www.thegift.pt/.

Vizinhos
O Tim Festival, que já trouxe os shows dos Strokes, Kraftewek e PJ Harvey para o Brasil anunciou que está bastante interessado em produzir uma edição do evento em Salvador. A idéia é agregar o público do Norte-Nordeste que não pode bancar uma passagem e hospedagem em São Paulo.

Publicado originalmente em 27.12.05