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Recbeat 2009: Segundo dia

Apesar do festival ter começado já em ritmo acelerado, o segundo dia do Recbeat foi mais morno. Pelo menos dois fatores esgotaram com um pouco da empolgação das pessoas. A primeira foi a ressaca da chuva no dia anterior e, em segundo lugar, a infernal aglomeração que estava lá desde o começo da tarde para ver o bloco Quanta Ladeira. Eu devo estar entre as poucas pessoas que vão até o Carnaval, mas não se convencem com as letras de escracho sem trocadilho pela trupe. Muita gente no palco sem fazer nada, muita piada interna (tem até música para o drugdealer deles), muito desencontro que uma hora chega a ficar sem propósito.

Tá… fez piada com Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Mas quem é que não fez?

Talvez meu incomodo maior seja porque o bloco não agrega em absolutamente nada ao Recbeat. Terminada a apresentação, quando a banda River Raid subiu ao palco, o pólo já estava angustiante de tão vazio. Quem ficou, conseguiu conferir um dos melhores shows da noite. Tudo bem que rock, cheio de guitarras, combina cada vez menos com a programação do festival, mas foi uma oportunidade para ver o resultado do que aconteceu com a banda depois de tantas andanças pelos Estados Unidos.

A sequência seguinte parece um tanto sem sentido. O norte-americano Clayton Ross trouxe um country quase forró. Me parece ser o tipo de música interessante num contexto de World Music, mas mostrar para o Brasil mais de música brasileira não tem tanto impacto. Me fez pensar até em bandas de rock daqui tocando rock lá fora e como eles devem causar a mesma impressão de tédio. Acabou virando a “banda da cerveja” para muita gente, que usou o show para circular. Eu fui ver o Mundo Livre no Marco Zero, junto com Eugene Hurtz e Manu Chao.

A apresentação de Victor Araújo também me soou sub-aproveitada. Essa foi a primeira vez que o vi cantar, além de tocar piano. E, nesse formato, realmente sua apresentação ganha uma proporção muito maior e melhor quando é apenas instrumental. Mas o forte dele ainda é a performance. Mas Victor tocava um piano preto, em um palco preto, vestido de preto e, não fosse suficiente, de costas pra o público. A falta de cuidado cenográfica pesou muito contra para quem assistia o show do angulo de visão do público.

O angolano Wysa acabou sendo prejudicado pela onda irregular da noite. Seu show – música pop da Ângola, surpreendente e muito empolgante – demorou para pegar ritmo. Mas na segunda metade, já trazia de volta ao Recbeat o verdadeiro clima do Carnaval. Em parte pela participação especial de Zé Brown, ex-Faces do Subúrbio, que acelerou o ritmo da noite. Ficou a vontade de ver esse show fora do contexto de um festival. Foi uma das melhores surpresas até agora.

Não vi o show inteiro da Eddie, mas ai também já era jogo ganho. Apesar do mote do novo disco, o repertório ainda foi mais com músicas de trabalhos passados. Só fiquei com duas ressalvas. Acho que um letrista tão genial como Fábio Trummer não deveria se apoiar tanto nas músicas de Erasto Vasconcelos. Fico com a impressão que ele acaba perdendo apresentações no Carnaval por conta disso (que eu chamo de “efeito Sir Rossi”, pelo que a banda cover de Silvério acabou fazendo com Reginaldo Rossi). Ouvir o Baile Betinha em outra voz que não a de Erasto é quase pecado. A segunda ressalva é a versão para Nantes, de Beirut. Ficou horrível.

Mas acho que não representou nem 1% do show. Cheguei a pensar que o fosso em frente ao palco fosse derrubar de tanta gente dançando enlouquecida. Estou sem fotos. Minha câmera quebrou no primeiro dia do Recbeat. Vou atualizar aqui quando a assessoria do festival passar as de divulgação.

Recbeat 2009: Primeiro dia

Primeiro dia incomum, esse do festival Recbeat. O palco mais diversificado do Carnaval de Pernambuco virou o único palco, pelo menos na abertura da programação. Uma chuva, do tipo que Recife não via já tem muito tempo, fechou todas apresentações que aconteciam no bairro do Recife Antigo. O palco principal, no Marco Zero, chegou a se deslocar sozinho por mais de um metro. Isso acabou ajudando uma maior concentração de pessoas, coisa que não costuma acontecer no primeiro dia de Recbeat. Isso + chuva + Eugene Hurtz insano no palco fez parecer que já era o encerramento. Ecos da noita histórica com Pato Fu em 2008 passavam na memória de todos.

catarina

No geral, foi uma noite mais descompromissada. Talvez com exceção da potiguar Camarones Orquestra Guitarrística, que tinha o show mais ensaiado, as outras atrações que passaram no palco estavam em clima de descontração. A começar por Catarina Dee Jah. Esse foi o segundo show que vejo dela e, pelo menos nessa noite do Recbeat, parecia que a presença dela no palco tinha melhorado quase que exagaradamente (o que se justifica, afinal, o show anterior que eu tinha visto foi o primeiro que ela fazia na carreira). Acho que pouca coisa não funciona no Carnaval do Recife e, por isso, o brega modernoso dela até agradou. Mas com o começo pontual do festival, às 20h, pouca gente arriscava ganhar banho de chuva.

camarones

O bom de uma programação enxuta (sem trocadilhos. São quatro por noite) é que permitem apresentações mais longas. Com quase uma hora de show, a chuva já tinha ido embora e mais gente se acumulava para ver o começo da Camarones. Outra que também parece ter crescido um monte desde a última vez que pisou no Recife (e olha que não faz tanto tempo assim). Cresceu principalmente a parede sonora deles, algo importante para uma banda instrumental. O impacto das músicas são bem mais fortes, ao mesmo tempo em que elas estão mais pesadas e encorpadas. Foi o show mais redondinho da noite e o único que parece ter sido ensaiado. O que não tirou a espontâneidade deles, que conseguiram fazer um show acima da média sem todos os equipamentos no palco.

hamster

O que aconteceu é que a urucubaca da primeira noite do Carnaval também atingiu o Recbeat. O festival por pouco não segue os palcos vizinhos no cancelamento. O chileno Original Hamster também tocou sem parte dos equipamentos de palco, o que deixou o som um pouco mais baixo que o normal, algo que prejudica uma apresentação de um DJ solo. Ainda assim, foi ele quem começou a dar a forma dessa edição 2009 do festival. O começo foi bem modesto e ele até tocou remixes famosos (mas de outros DJs), até pegar o microfone e começar a cantar e instigar o público, que nessa hora já estava no clima certo para a noite.

dolores

Se eu tivesse que escolher um show para a noite, seria o do DJ Dolores. Geralmente as apresentações que ele faz com banda costumam ser mais melódicas, mas para o Carnaval ele preparou um formato totalmente a favor do harmônico. Com Jr. Black (Negroove) no microfone, cantando quase como se estivesse sendo remixado ao vivo, ele deu uma nova cara a antigos hits e fez a apresentação mais animada (e honesta) de toda noite. A única coisa deslocada foi uma “boxeadora” que ficava rodando pelo palco sem fazer muita coisa. Era pelo mis-en-cene, eu sei, mas ficou informação demais.

gogol-01

Por um momento, parecia que o show do Gogol Bordello (que resolveu tocar com banda e não sozinho) chegou a ser mesmo uma alternativa muito melhor que o Afrika Bambaata, que tocaria originalmente na programação. Eugene Hurtz é um tipo de Kramer dançarino e perde totalmente os bons costumes quando está no palco. É bem louco, correndo, pulando e gritando como se sobreviver dependesse da adrenalina de todos. E a turma até que foi na onda dele também, fazendo o mesmo.

Mas o show teve uma pitada forte de enrolação. Por que, na verdade, ele estava apenas trocando uns CDs para tocar, cantando por cima de uns e dançando em outros. Perdeu totalmente o sentido quando ele começou a tocar O Pobre dos Dente de Ouro, do Cidadão Instigado e, depois, Alceu Valença (sério). A partir dai ficou parecendo apenas um daqueles DJs bebados estraga festa. Mas isso foi para quem tava sóbrio, vendo o show quase sentado. Para o público, tudo era festa.

Recbeat 2009: Programação

bambaataa

Eu sei que a Abrafin abriu os olhos para vários outros festivais que acontecem o ano inteiro no Brasil, mas para mim, a sensação é de que o circuito começa mesmo com o Recbeat. O festival, que integra a programação do Carnaval do Recife, teve ano passado uma de suas edições mais históricas. Coisa que vai ser difícil superar em muito tempo. Mas nesse também tem muita coisa legal programada, como Eddie (que nem curto tanto, mas na folia sempre é legal), Afrika Bambaataa e, claro, o “polêmico” João do Morro. Aliás, nunca falei dele aqui, né?

Olha a programação:

21.02 SÁBADO
20h – CATARINA DEE JAH | PE
21h – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRISTICA | RN
22h – ORIGINAL HAMSTER | CHILE
23h – DJ DOLORES E BANDA | PE
24h – AFRIKA BAMBAATAA | EUA

22.02 DOMINGO
20h – RIVER RAID | PE
21h – CLAY ROSS | EUA
22h – VITOR ARAUJO TRIO | PE
23h – WYSA | ANGOLA
24h – EDDIE | PE

23.02 SEGUNDA
17h – RECBITINHO – DIXIE SQUARE BAND
20h – JOÃO DO MORRO | PE
21h – NUAGES | EQUADOR
22h – SKA MARIA PASTORA | PE
23h – SILVIA MACHETE | RJ
00h – DESORDEN PUBLICO | VENEZUELA

24.02 TERÇA
20h – BURRO MORTO | PB
21h – JUNIO BARRETO | PE
22h – GIOVANNA | URUGUAI
23h – BOMBA ESTEREO | COLÔMBIA
00h – CORDEL DO FOGO ENCANTADO | PE

Uma canção desesperada


Recbeat, uma canção desesperada. from Pedro Bayeux on Vimeo.

Pedro Bayeux manda avisar que já está na Internet o novo documentário Rec-Beat, uma canção desesperada. Para quem esteve em marte nos últimos três anos, talvez ainda não saiba que nas últimas edições do festival Bayeux sempre fez um documentário com tema distinto, lançando mais tarde em licença Creative Commons. Oportunidade para, quem teve a sorte de presenciar, se lembrar de uma das edições mais históricas do festival. Shows do Devotos, Móveis Coloniais de Acaju e Pato Fu que vão custar a sair da memória.

Falando em Rec-Beat, a edição 2009 começa a adiantar algumas novidades. Este ano terá uma etapa em São Paulo. Entre as atrações, tem um triunvirato latino, formado por Desorden Publico (Venezuela), BombaEstereo (Colombia) e Original Hamster (Chile). Além deles, Júlia Says, Catarina de Jah e DJ Dolores também estão confirmados em Sampa (mas ainda não no Recife). No mais, tem o Cordel do Fogo Encantado (que, por sinal, demorou para voltar ao Rec-Beat), Turbo Trio e o Camarones Orquestra Guitarrística, além do ainda não confirmado boato sobre o Burro Morto.

Ah, e Gutie, produtor da festa, disse por ai sobre a possibilidade do Afrika Bambaata. Bora?

Ah, o Carnaval…

A Trama Virtual publicou a cobertura que fizeram do Recbeat este ano. Tem eu bebado lá para o meio de um dos vídeos.

E a parte dois…

A minha versão você encontra seguindo a tag ai ao lado. Mas clica aqui também que facilita o processo