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Recbeat 2008 – Primeiro dia

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Público do Recbeat na primeira noite 

Abertura muito legal ontem, a do Recbeat. O festival começou pontual, mesmo que isso significasse pouca gente para conferir o show da Ramma Seca, primeira banda da noite. Isso é sempre inevitável, porque sábado é o dia do Galo da Madrugada e público espontâneo do centro do Recife sempre fica exausto ainda de tarde. Mas nada é melhor que a lembrança do clima tranqüilo do ano passado se repetindo agora, com gente curtindo o palco, sempre fixados na banda que estava se apresentando toda fantasiada. 

O que chamou mais atenção na noite foi com certeza o Júlia Says. As músicas gravadas são bacanas, mas particularmente sempre me fizeram pensar que a banda estava sendo muito super estimada. Erro meu. No palco as músicas são mais encorpadas, a energia é bem mais forte e, mesmo eles ainda sendo um tanto verdes (esse é tipo o terceiro ou quarto show do Júlia Says), mandaram muito bem. A programação das batidas seguidas por uma bateria real dava vontade de danças e as vozes sem efeitos funcionam bem melhor que recheadas de ecos, como está no EP. 

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Ramma Seca

Ponto para eles que fizeram sua entrada no circuito dos festivais com questão de apresentar uma nova geração do Recife. As bandas Novanguarda e Erro de Transmissão participaram em dois momentos do show do Julia Says, que ainda não segura um repertório de quase uma hora, mas mandou um cover bacanudo do Gorillaz e repetiu, em clima de apoteose, a música do primeiro clipe deles, “Muhammed SakSak”.

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Júlia Says

Eu não sei se o Rio de Janeiro tem algum problema com o rock, ou se sou eu que tenho algum problema com o rock do Rio de Janeiro (será? Com meu favoritismo por Moptop e Rockz), mas essa Os Outros não me desceu bem. Os caras são animados no palco, tiram a onda deles lá sempre com muito cuidado, mas falta… falta alguma coisa. Ou então tem carioquisse em excesso, deixando pouco espaço para a música deles funcionar. Algo que, para mim, só desceu lá pela penúltima música. Exceção para uma versão sensacional que eles fizeram para “Agora Ninguém Chora Mais”, de Jorge Ben.

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Os Outros

Achei engraçado como Ras Bernardo já chegou no palco demarcando espaço. Era meio que para todo mundo entender logo quem era aquele cara que estava ali. O cara que fez o primeiro hit do Cidade Negra “Hey, Hey, estamos ai, para o que der e vier!”. Mas ele não se rendeu ao populismo e, passada as devidas apresentações, entrou com o repertório mais atual de suas músicas. Um reggae totalmente no caminho contrário da música de abertura, mais politizado, marcado por tons graves e compassos lentos. Era tipo uma coisa importante de se ver, mas complicado de compreender porque da importância. Show parecia se alongar mais que o tempo normal de músicas tão lentas.

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Ras Bernardo e Cannibal

Eu preciso dizer que passei boa parte do show do Ras Bernardo de olho no público e pensando “cara, não vai dar certo o Devotos, vai rolar confusão”. Cheguei até a dizer isso para umas três pessoas próximas no momento. Quando Cannibal subiu no palco para uma participação especial com Bernardo e a galera foi literalmente ao delírio, só tive certeza da minha teoria. Era uma versão reggae para “Punk Rock, Hardcore Alto José do Pinho” e muita gente já parecia ensandecida.

Com uma demora além do comum, a banda que fez desse show sua comemoração por 20 anos de carreira, finalmente entrou para encerrar a noite. Antes do primeiro riff, Cannibal pega o microfone e fala para todos brincarem em paz e sem violência. Dito e feito. Nunca vi em toda minha vida tamanho poder de liderança para alguém num palco, com tanto respeito do público pela figura em questão. Foi quase duas horas de hardcore nervoso e visceral, assistido na maior paz. Clima, arrisco dizer até, total família.

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Devotos + Clemente (Inocentes) 

Acho que esse poder pelo público deve ser o maior presente que uma banda como o Devotos pode descobrir aos 20 anos de carreira. O repertório foi nostálgico, com quase todas as músicas do primeiro disco da banda. No meio do show, Cannibal explica que essas duas décadas de hardcore são todas culpa de Clemente, dos Inocentes, influencia maior deles terem resolvido montar uma banda. E fala isso para anunciar que o pai da criança vai subir ao palco para acompanhar o restante da noite.

Com Clemente, o repertório se transforma. Fica alternando entre uma do Devotos, outra dos Inocentes. Tinha uma alegria bonita no rosto da banda por estar construindo e dividindo aquele momento. Clima que só se multiplicou no público, que seguiu até o fim da noite em várias rodas de pogo, mas sem nenhuma violência sequer. Parece que a própria banda se armou das frases de efeito para definir essa celebração. De “Caso de Amor e Ódio”, “Eu tenho pressa”, “Luz da Salvação” à “Nós faremos com que você nunca se esqueça” do “Punk Rock Hardcore do Alto José do Pinho”.

E por falar em Recbeat

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Ontem na festa também entregaram o primeiro EP da Júlia Says, banda que toca no festival e que tem sido considerado por alguns a grande promessa de 2008. Conheci o pessoal, por sinal, na própria coletiva que rolou do Recbeat na Livraria Cultura. Gente simples e aparantemente do bom. Perguntei o que eles achavam de tantos, de uma hora para outra, estarem apostando neles quando só tinham feito um show e lançado quatro músicas no MySpace. A resposta foi honesta, do tipo “pô, nem sei, a gente vai fazendo nosso som sem esperar isso”.

Além de cinco músicas, eles também colocaram o clipe de “Mohamed SakSak” no CD. Saca ai:

Com o festival chegando, as bandas novas aproveitam o máximo possível para das as caras. Na sexta-feira a Bande Ciné deixou material lá no jornal. CDzinho com quatro faixas que mostram a proposta da banda de cantar clássicos franceses de outrora com arranjos mais bacanudos. É legal, mas eu acho que seria ainda mais legal se fossem músicas próprias na mesma vibe.

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Festinha do Recbeat

Ontem rolou um chill-in do festival Recbeat para alguns convidados na casa da Red Bull (e que casa!). Discotecagem de Catarina De Jah (nunca tinha visto, que figura) e Schneider, com algumas bandas e o povo de sempre, que sempre se vê em todo canto da cidade. Climão legal, que lembrou muito o fim de noite da edição passada, com uma mini confra espontânea nos camarins.

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Catarina De Jah

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Jarmeson e Nina Becker

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Renato L e Camile

Mais do que simplesmente encher a cara de Redbull e planejar derrubar Gutie na piscina da casa (o que acabou não rolando, porque ela tava super suja), a noite foi para lançar o DVD do documentário RecBeat e a Propriedade, de Pedro Bayeux. Como não é um produto feito para ser comercializado, as chances seriam que você que ficou de fora jamais visse o que foi registrado dos shows do ano passado. Mas, Bayeux, que não perde tempo, já jogou tudo no Youtube. Se liga ai na primeira parte, que o resto vem em links dentro do próprio vídeo.

O festival começa amanhã. Quem tá no vacilo de não conferir ainda a programação, só precisa sair clicando desesperadamente aqui pelo blog para encontrar. Uma dica é seguir a tag. :)

Prepare-se para o Rec-Beat

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A opção do Rec-Beat de enxugar as grandes atrações nacionais, assim como fez ano passado, é muito acertada e bem-vinda. Menos empurra-empurra em frente ao palco, mais público interessado em dançar e ver os shows. Equação simples: qualidade é maior que quantidade. E o festival tem boas opções para quem quer conhecer novas músicas. Fica aqui um mini guia Radiola de Ficha de apostas. Começando no sábado, é chance de ver o que a mais nova promessa local, Júlia Says, tem a mostrar. Na mesma noite, Ras Bernardo entra na categoria imperdível. Ele é o primeiro vocalista do Cidade Negra e um dos grandes compositores de reggae do Brasil.

O domingo deve ser a melhor noite do festival. O Móveis Coloniais de Acaju tem hoje o melhor show entre as bandas independentes do Brasil (palavra de quem já os viu pelo menos umas 10 vezes) e assisti-los ao ar livre, em plena folia, só multiplica a expectativa. Antes deles, Marina de La Riva é também show obrigatório de assistir. A Segunda é mais fria, com o Pânico no time das curiosidades. Já na terça, a Orquestra Típica Fernandez Fierro deve ficar como um dos grandes momentos do Carnaval de Pernambuco. É tango do mau, do tipo “obrigatório e imperdível”. Antes deles, o Lucy and the Popsonics deve sair da Cidade com uns fãs a mais na bagagem.

Esclarecendo
Depois de uma enxurrada de emails que chegaram sobre as programações do Rec-Beat e Pré-Amp, explicar um ponto importante: a contra partida do patrocínio público não é chamar a banda de todo mundo, mas garantir acesso a obra. Basta comparar com o disco: uma banda com patrocínio não tem regras de que música gravar, mas tem a obrigação de sempre disponibilizar uma cota de cópias.

Agonizando
A semana veio cheio de baques para a gigante da música EMI. Dona de um dos melhores catálogos de artistas internacionais, depois de perder o Radiohead foi a vez dos Rolling Stones trocarem de casa para a Universal. A cereja do bolo foi o anúncio da demissão de 20% dos empregados no mundo todo, cerca de 2 mil pessoas. O debate agora é: a culpa é da pirataria ou da gestão?

Recbeat 2008

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Eu tinha feito uns mil planos para uma expectativa de ano novo aqui. Mas tá foda. Eu tenho respondido email em mesa de bar, escrito matéria no banheiro e feito entrevista no elevador, para conseguir usar o máximo possível do meu tempo para dar conta de tudo que inventei de fazer.

No meio tempo, segue a programação do Recbeat. Esse ano o festival deu uma investida em bandas da América Latina, reflexo da participação de Gutie, produtor do evento, na criação de uma espécie de Abrafin da região latina. Tem algumas coisas que quero muito ver, como a Orquestra Típica e Marina de La Riva. Outras coisas que já vi, mas que quero ver no “efeito recbeat” (tocar numa área aberta, de graça, pra gente que nunca iria num festival independente) são o Móveis Coloniais e Lucy and the Popsonics.

Sábado – 02/02 – A partir das 20h30
00h30 – DEVOTOS & CLEMENTE (PE / SP)
23h00 – QG IMPERIAL & RAS BERNARDO (SP / RJ)
22h00 – OS OUTROS (RJ)
21h00 – JÚLIA SAYS (PE)
20h00 – RAMMA SECA (PE)

Domingo – 03/02 – A partir das 16h
00h30 – MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF)
23h20 – boTECOeletro (RJ)
22h10 – MARINA DE LA RIVA (SP)
21h00 – ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA (PE)
20h00 – TRIO POUCA CHINFRA E A COZINHA (PE)
16h30 – CONCENTRAÇÃO DO BLOCO QUANTA LADEIRA

Segunda – 04/02 – A partir das 17h
00h30 – PANICO (Chile)
23h10 – CHRIS MURRAY & FIREBUG (Canadá / SP)
22h00 – FINO COLETIVO & DAVI MORAES (RJ)
21h00 – METALEIRAS DA AMAZÔNIA (PA)
20h00 – ISAAR (PE)
17h00 – RECBITINHO – CARROÇA DE MAMULENGO (CE)

Terça – 05/02 – A partir das 19h 30
00h15 – PATO FU (MG)
23h15 – ORQUESTA TIPICA FERNANDEZ FIERRO (Argentina)
22h10 – LUCY AND THE POPSONICS (DF)
21h00 – PORCAS BORBOLETAS (MG)
20h00 – LES FRÈRES GUISSÉ (Senegal)
19h20 – BANDE CINÉ (PE)

O Recbeat (eu sei que escreve Rec-Beat, mas eu acho assim mais bonito) também vai fazer shows no Nascedouro de Peixinhos.

Domingo – 03/02 – A partir das 15h
18h30 – SAMBA DE COCO RAÍZES DE ARCOVERDE (PE)
17h10 – QG IMPERIAL & RAS BERNARDO (SP / RJ)
16h30 – ETNIA (PE)
15h00 – MARACATU NAÇÃO AXÉ DA LUA

Segunda – 04/02 – A partir das 15h
18h30 – DEVOTOS (PE)
17h10 – boTECOeletro (RJ)
16h30 – MAGNATAS DA BEIRA MAR (PE)
15h00 – AFOXÉ OYÁ ALAXÉ

Terça – 05/02 – A partir das 14h
18h40 – CORDEL DO FOGO ENCANTADO (PE)
17h10 – CHRIS MURRAY & FIREBUG (Canadá / SP)
16h00 – CARROÇA DE MAMULENGO (CE)
15h00 – COMBO PERCUSSIVO (PE)
14h00 – TROÇA ABANADORES DO ARRUDA

Para ver tudo que já saiu no Popup sobre o Recbeat, é só seguir a tag!