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Pavilhão 9 – Público Alvo

Não importa o que fale as letras, o rap é música do crime. Tocada na periferia, para um público sem informação, que não compreende a mensagem e sente orgulho em pegar em armas. Não importa o que fale as letras, porque o cinema também fez sua parte construindo essa imagem de violência. Isso já foi bonito. O Pavilhão 9, mais explícito, já disse que “se Deus vier, que venha armado”. Mas em sinais de uma civilidade que vota pela venda de armas, fica o espaço apenas para o duplo sentido. “Público Alvo”.

Mais complicação para um público que, apesar dessas brincadeiras de civilidade, continua desinformado. Mesmo fora da Warner, o Pavilhão 9 precisa sobreviver no cenário “mainstream” de clipes na MTV e músicas na rádio que foi inserido. E, por isso, a banda que já excedia nas guitarras, baixos e baterias, fica ainda menos rap no seu sexto disco. E eles fazem isso muito bem, passando da antiga influência hardcore para um metal mais pesado.

“Público Alvo” é sonoramente mais violento, com participação do vocalista do Biohazard (um dos maiores berros existentes na música), mas de postura muito mais educada. Mostra que Rhossi e seu companheiros estão bem conscientes e com pé no chão. Se fosse o contrário, o disco passaria direto da rádio para as campanhas do “vote sim” ou “vote não” do atual referendo pelo desarmamento. Prefere ficar como um trabalho simples, mas sincero de música.

Mesmo assim, o Pavilhão não deixou de cantar o crime. Da mesma de forma de sempre, criticando, conscientizando, só que numa mensagem ainda mais difícil de captar pela classe mais baixa. Atitude que deixa tanto disco quanto banda em cima do muro. Uma pena, já que desinformação se confronta com verdades. O tipo de verdade que seria bem vinda de uma banda de rap montada em cima de uma ideologia e com grande área de efeito.

“O que eu posso dizer para você é que onda a gente chega, é bem recebido”. Munari, guitarrista do Pavilhão 9, não mede palavras. Numa sala onde se ouvia a voz de todos os integrantes da banda respondendo perguntas de jornalistas, ele cedeu uma entrevista por telefone sobre a resposta do público ao peso extra no novo disco. “Não é uma coisa pensada, planejada, vai da personalidade da gente”, garante.

É também sem meias palavras que explica que o Pavilhão 9 está “internacionalizando as influências”, mas é incisivo ao deixar claro que a banda ainda é de rap. “Sem querer soar exagerado, mas o rap tem uma força muito grande”, diz referente a mistura de ritmos. “Hoje você integra elementos de áreas diferentes do planeta, tem gente fazendo muita coisa boa com isso e tá expandido bastante”, lembra. “É bastante natural”.

Ele também reconhece a importância de um lançamento da banda em época de referendo. “É recorrente até ao próprio título do álbum, mas como movimento, me sinto até constrangido de me envolver publicamente”, comenta. Munari levanta questões de livre arbítrio, que ultrapassa qualquer direito e também da finalidade das armas, “é uma coisa feita para matar”. Confessa que “não quer parecer em cima do muro”. Mas protesta que “é uma chantagem quando você pergunta a um artista sobre isso, porque existem milhões de fundamentos que devem ser dados por especialistas e não por um músico”.

Publicado originalmente em 19.10.05

Diversão limitada

Faz vergonha não poder ir para um show e se sentir seguro. Sexta-feira, enquanto o Los Hermanos se apresentava no Clube Internacional, uma fileira inteira de carros era arrombada nos espaços externos usados como estacionamento. Enquanto a preocupação da organização com a segurança conseguiu levar policiais para dentro da casa de shows, a Secretaria de Defesa Social se esquece que também precisa trabalhar do lado de fora.

Todos os últimos shows que aconteceram na cidade fizeram parte dessa história. Nação Zumbi no Clube Português, Engenheiros do Hawaii no Catamarã, são outros dois que encerraram com vários carros arrombados. Como a grande arma da SDS contra o crime é a Lei Seca, podemos ter a consciência tranqüila que, na hora do roubo, os ladrões estavam todos sóbrios.

Recbeat
A programação do Recbeat causou controvérsias nas rodas de conversa do Recife. Só que muita gente esquece que em festival independente a gente vai para conhecer novas bandas e sons. E não para ver o ídolo do Disk MTV. Num papo rápido, o produtor Gutie disse ainda que não considera a grade fechada e alguma surpresa pode surgir. Fica a sugestão da coluna: Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta.

Anti-Jabá
Foi aberta uma votação pública para pressionar os deputados a aprovarem a lei contra a prática do Jabá. Isso significa que da próxima vez que uma gravadora der um carro de presente para um gerente de rádio, ele pode ir para a cadeia. É um passo pequeno e significativo para ouvirmos música boa nas programações locais. Para participar, basta acessar www2.camara.gov.br

Parcerias
Para ajudar a trazer bandas internacionais para o Porto Musical, a programação do evento fechou parcerias com várias organizações culturais interessadas em divulgar seu país. A Flemish Authorities, da Bélgica, traz o Think of One e o Bureau Export de La Musique Française traz o Bumcello. Um exemplo de como não é complicado fazer shows internacionais.