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Coquetel Molotov 2009. Segundo dia, parte dois

Cobertura feita para o portal Conexão Vivo, publicada nos dias do festival

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Entrar no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções, nessa segunda noite do No Ar Coquetel Molotov, era perceber uma diferença gritante do público que assistia o show do Beirut no dia anterior. O músico Jr Black – outro que, antes mesmo de sair do estúdio, fazia sua primeira apresentação ao vivo no evento – era assistido por pessoas bem mais velhas. Era quase como se os filhos tivessem ido num dia e os pais no outro. Reflexo da presença de Milton Nascimento e Lô Borges, que fechariam a programação horas mais tarde.

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Coquetel Molotov 2009. Segundo dia, parte um

Cobertura feita para o portal Conexão Vivo, publicada nos dias do festival

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Quando a segunda noite do No Ar Coquetel Molotov começou, para as poucas pessoas que decidiram chegar mais cedo no Centro de Convenções, ainda não era possível suspeitar a principal característica dessa noite. Pela primeira vez, em seis anos, ao escalar o encontro entre Lô Borges e Milton Nascimento para celebrar os 35 anos do álbum Clube da Esquina, o festival conseguiu atrair um perfil totalmente inédito de público, que já havia passado dos 40 anos de idade e era totalmente despreocupado em desfilar o visual mais moderno do pavilhão.

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Coquetel Molotov 2009. Primeiro dia, parte dois

Cobertura feita para o portal Conexão Vivo, publicada nos dias do festival

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Toda essa impressão de que o Coquetel Molotov tinha triplicado de proporção fez ainda mais sentido quando se entrava no Teatro Guararapes. Palco meticulosamente montado com um telão aguardando o público que, aos poucos, começavam a já reservar seus lugares nas primeiras fileiras. Teatro sem lugares marcados geralmente é sinônimo de confusão. No festival, foi de tranqüilidade. Permitia um transito de vai e vem por quem não estava interessado em assistir um show inteiro (afinal, a maioria ainda estava ali por Beirut).

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Coquetel Molotov 2009. Primeiro dia, parte um

Cobertura feita para o portal Conexão Vivo, publicada nos dias do festival

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Tanta coisa mudou nessa nova edição do No Ar Coquetel Molotov. É como se um ciclo novo começasse agora, tanto para o evento quanto para a cidade. Quase todas as principais características das primeiras edições mudaram. A salinha apertada e fervendo de quente com os pocket-shows virou o espaçoso Auditório Tabocas, um dos lugares mais legais para se fazer shows no Recife e que pouca gente tinha percebido até então. Climatizado, com pufes da Vivo espalhados e um grande palco.

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Amp – Pharmako Dinamica

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A primeira década deste novo milênio termina com uma crise de identidade na música de Pernambuco. Existe uma ansiedade em proporção nacional para que o novo saia mais uma vez desse estado, mesmo que não exista mais continuidade daquilo que começou na década de 90. Associar imagens e sons a região se transformou em uma tarefa ingrata, na medida em que referências vão se distanciando desse “caráter multicultural” que, forçosamente, está determinado a carimbar todos os passaportes do estado.

Talvez, nessa ansiedade, tenhamos esquecidos que um dos aspectos do novo é de ser, antes de inédito, desafiador. E a Amp, formada por Capivara (guitarra e voz), Djalma (guitarra e voz), Dudu (baixo) e Crika (bateria) é a configuração musical mais desafiadora da estética local que surgiu nesse primeira década dos anos 2000. Sua música é a metáfora perfeita para aqueles filmes de ficção científica onde um monstro gigante devasta completamente uma cidade indefesa.

Seus passos largos representam a velocidade em que o quarteto avança na maturidade da música que fazem. O disco de estréia, Pharmako Dinâmica, não é rock para guetos, mas sim para multidões. Sem cara de produto reprocessado, mas assim como esses, milimetricamente planejado para conquistar espaços maiores. Trabalho do produtor musical Iuri Freiberger, ferreiro do rock nacional que imprimiu sua marca em discos como o da banda goiana MQN.

O grito grave do monstro é o baixo de Dudu, que faz pressão contra os ouvidos em cada nota, quase como um prenúncio apocalíptico. A parede sonora da Amp está toda em seu instrumento, que deixa inegável a referência que a banda tem ao rock do Helmet e Queens of the Stone Age. A metáfora encerra nos versos da própria banda que, quase ironicamente, descobre que ouvir suas músicas tem o mesmo efeito de presenciar essa invasão: “uma dose de adrenalina”.

Lançado pela Monstro Discos, Pharmako Dinâmica é apenas uma cereja no bolo do talento da Amp. As poucas músicas que lançaram no MySpace já garantiam a eles o prestígio de uma das melhores bandas de rock da cidade. Antes mesmo do disco sair, apenas com a promessa de reunião de alguns do melhores músicos de rock da cidade, rendeu a eles convites para tocar em festivais como o Abril Pro Rock (PE), Bananada (GO), Porão do Rock (DF), Goiânia Noise (GO), DoSol (RN), Calango (MT) e outros do circuito independente.

Sem a pressão de re-inventar a roda que tanto encerra carreiras em Pernambuco, Amp se destaca com o básico. Sexo, drogas e rock, muito rock, em riffs e refrões divertidíssimos. Sabe aquelas noites mais loucas, onde o sol nasce ainda ao som de guitarras, com amizades reforçadas, novos amores surgidos e ocasionais desventuras no banheiro? Essa é a trilha sonora perfeita dessas noites. A música que toca quando, por um breve instante, fechamos os olhos e sentimos o mundo girar e a vida acontecer ao nosso redor. Uma overdose de alegria.

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Esse, na verdade, é o release que eu fiz para o disco da banda, que começa a ser divulgado agora pela Monstro. Mas fiz de graça e portanto o sentimento é 100% honesto. Por isso estou publicando aqui entre outras resenhas. Seria o que eu realmente escreveria sobre eles em qualquer outra ocasião. Aproveitando, agradeço o convite para fazer o texto, fiquei felizão com a lembrança!