Tagged: Recife

Little Joy fará show no Recife!

little-joy

A dupla mais querida do momento, Fabrizio Moretti (Strokes) e Amarante (Los Hermanos) acabaram de confirmar mais uma data da turnê que o Little Joy vai fazer no Brasil. Essa chegou agorinha, com exclusividade para o Pop up. Será no dia 7 de fevereiro, um sábado, no Teatro da Universidade Federal. Ingressos por R$ 60 inteira / R$ 30 meia e com opção de R$ 40 + 1kg de alimento para quem não for estudante. Quem traz eles para cá é a Astronave, mesma que produz o Abril Pro Rock e Porto Musical.

Quem estiver nas redondezas de Pernambuco e perder, vai vacilar muito, hein?

Grito coletivo

underschool

O Grito Rock, considerado por alguns o maior festival independente da América Latina, começa a tomar forma já no primeiro mês de 2009. O Grito é, na prática, uma ação coletiva. Shows menores que acontecem em várias cidades do Brasil e em países vizinhos sob um mesmo nome. Algumas cidades, como Cuiabá (padrinhos do evento), leva o conceito além e cria um formato clássico de festival quando chega a data.

No Nordeste, o evento sempre foi meio mambembe. Conseguindo alguma força em cidades que já tem uma certa estrutura, como Natal, mas se dando mal em outras que são pouco preparadas até para shows cotidianos. Mas, parece que de tanto tentar, o Grito Rock chega na região na sua melhor forma agora.

O festival pode ser considerado o ponto alto das ações do Coletivo Lumo (aliás, to devendo falar mais sobre eles aqui) no Recife. Será em Porto de Galinhas (o que tem gerado vários “Como assim?”) com participação de Wado e Mombojó, além de bandas mais novas. A programação completa será divulgada no blog criado apenas para o Grito Porto.

Outro coletivo, o Mundo, que faz o Festival Mundo em João Pessoa, também dá uma crescida nas ações do Grito Rock na Paraíba. Lá, eles terão uma atração internacional, a Underschool Element, da Suiça. A banda também toca no Grito em Salvador, que será realizado por – sim, mais um coletivo – a Associação Cultural Clube do Rock (ACCR-BA).

Enquanto isso, em Natal, o Grito passa a se chamar Chamada Carnavalesca do Rock, com sete bandas, organizado pelo pessoal do Centro Cultural DoSol.  Esses não são exatamente um coletivo, mas você já conhece de festivais como DoSol e o tanto que eles fazem o Rio Grande do Norte repercurtir no cenário independente.

Então, só para organizar as agendas.

  • Grito Rock Porto de Galinhas: 30 e 31 de janeiro, com Wado, Mombojó, Amp, Trio Pouca Chinfra, Burro Morto, Nuda, Cabruêra (PB) e Gigante Animal (SP).
  • Grito Rock Paraíba: 13 de fevereiro, com Underschool Element, Nublado, Os Reis da Cocada Preta + 2 bandas.
  • Grito Rock Natal: 24 de fevereiro com AK-47, Camarones Orquestra Guitarrística, Bugs, Sinks e outras.

Daydreaming

Foto de Paula Muniz
Foto de Paula Muniz

Acho que depois do Mombojó, uma das bandas que mais me perguntam por novidades, quando estou fora do Recife, é o Mellotrons. A banda parece ter esticado umas férias longas, que encerram com um show que eles fizeram em julho lá em Natal. Depois disso, parece que o pique voltou e não pararam de tocar. Estiveram com o Amps & Lina e Pé Preto em duas ocasiões, dividindo a noite. E agora tocam terça-feira no UK Pub. É naquele esquema da casa “mulher de graça até às 22h, chopp dobrado até meia noite”. Homem paga R$ 7.

“Evening” virou meio que hino do fim do milênio para geração 80 do Recife, e eles ficaram como uma das mais queridas da cidade. Segundo Haymone, vocalista desde a formação original, essa noite da terça já vão ter novas músicas. E “EP deve ser gravado ainda nesse semestre”. Parece a noite perfeita para comemorar a divulgação da programação do Coquetel Molotov, que será no mesmo dia.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

“É preciso urbanizar o forró”

Foto de Paula Muniz

Não precisa de muito esforço, numa manhã de pouca chuva no Mercado da Madalena – ponto de encontro dos forrozeiros em Pernambuco – para perceber o quanto a figura de Xico Bizerra é central. Ele, ao contrário da maioria, não está tocando nenhum instrumento ou mesmo cantando. Mas quem se arrisca num acorde, sempre olha de volta em busca de uma aprovação. Quem chega, faz questão de cumprimentar ele que hoje é o compositor mais gravado do forró no estado. São cerca de 160 interpretes. Apenas “Se Tu Quiser”, sua música mais emblemática, foram mais de 65 regravações.

Quem percebe, mas não conhece sua história, atribui a seus cabelos brancos uma longa trajetória no forró pernambucano. Mas, na verdade, de carreira efetiva são curtos oito anos que ele soma no currículo. “Eu comecei a compor aos 15 anos, mas eu achava que não teria uma atividade profissional com isso. Preferi ganhar a feira, porque com música não conseguiria”, recorda. “Quando eu me aposentei, no ano 2000, comecei a pensar no que fazer para me ocupar o tempo e lembrei das músicas que fazia”.

Xico Bizerra nasceu no Crato, interior do Ceará, mas veio para o Recife ainda jovem no começo da década de 70. “Tenho mais tempo de vida aqui, por isso sempre digo que sou cearense de paridez, mas pernambucano de coração”. A primeira lembrança musical ainda vem de lá. “A poesia vem do meu avô, com quem eu me correspondia por carta, sempre em forma de sonetos; enquanto minha mãe tocava Bandolim. Acho até que ela usava isso de desculpa para andar com meu pai”, sorri. “Eu compunha, mas não dava vazão. Guardava para mostrar a alguém no momento correto”.

Quando chegou essa hora, Xico mandou uma cópia da sua primeira gravação, Forroboxote I, para 10 músicos do cenário pé-de-serra do Recife. “Foi gravado por Zé Bicudo na Sanfona, que esse ano está sendo homenageado no São João do Recife. E dois meninos que eu conheci no Bompreço. Bico de Pádua e Serginho Luz”. Três, dos 10, retornaram o compositor com elogios e incentivo para continuar e colocar o disco nas lojas. Irah Caldeira, Maciel Melo e Petrúcio Amorim. Ele prefere não lembrar o nome dos sete, mas garante que hoje todos já gravaram pelo menos uma de suas canções.

Esse foi também o primeiro contato que garantiu ao compositor contato com outros músicos de pé-de-serra. “Fui me chegando, juntando, conhecendo as pessoas. Foram me respeitando, talvez pelos meus cabelos brancos, vendo minha experiência. Então foram ouvindo, respeitando, gravando. Hoje eu faço parte até como fundador da Sociedade dos Forrozeiros de Pé de Serra e Ai”, lembra. Essa é outra parte de sua história que, para entender melhor, o cenário precisa mudara para sua residência.

Num apartamento bem mais distante do centro, em Candeias, a assepsias das paredes brancas contrasta com o cenário que o forró constrói em seu público. O escritório de Xico é extremamente organizado, com um ar condicionado forte garantindo a tranqüilidade no trabalho no computador. Sinais de uma organização quase compulsiva, que justifica todo o funcionamento de uma sociedade dos forrozeiros.

“E Ai”

Segundo Xico Bizerra, tudo começou de forma bastante empírica. “A gente se reunia para conversar aqui e acolá, trocando idéias do que deveria ser, até que em 2005 ela foi constituída por direito”. A Sociedade dos Forrozeiros Pé de Serra e Ai (o termo no fim é expressão comum no meio) é uma Organização Não Governamental que tem como principal objetivo “gerenciar o forró” e repassar informação de gestão para os músicos e compositores.

“Até alguns anos ninguém sabia o que era um home list ou uma proposta de negociação, era uma coisa muito solta”, conta Xico. Já organizados nesse ponto, eles começam a ganhar noções maiores de uma cadeia produtiva do forró pé-de-serra através de cursos e parcerias. “Pretendemos também dar curso de zabumba e triangulo, já tivemos um de canto”, garante. Formação que nunca fez parte da história do compositor.

“Nunca cheguei a estudar música”, afirma Xico Bizerra. “Aliás, eu não quero aprender absolutamente mais nada. E não é por achar que já sei de tudo, mas é que meu tempo para isso passou”, completa. “As vezes até brinco quando me perguntam se uma música é em tom maior ou menor. Eu não sei! Faço de um jeito que a música sai e pronto”, brinca. Apesar da produção prolífica, ele também garante que não tem método. “Eu não sento no computador e digo ‘pronto, vou compor’ e faço algo”.

O discernimento justifica para ele, mesmo com um grave quase barítono na voz, nunca ter arriscado cantar. “Não canto por vários motivos e o primeiro é que eu não sei cantar. O segundo é porque tem tanta gente boa por ai, que é melhor que faça as músicas e elas cantem”, afirma com modéstia. Xico diz que já se arriscou montar uma banda, mas a experiência não funcionou. E, nesse compasso, ele já completa sete discos que carregam sua marca Forroboxote.

Discografia

Com o sucesso do primeiro trabalho, Xico Bizerra passou a lançar um disco por ano sempre com uma temática central. O segundo foi todo interpretado por Cleo Dantas e, no terceiro, fez uma homenagem as cantadoras do estado. “O disco se chamava ‘Mulheres Cantadeiras de uma Nação Chamada Nordeste’, com Irah Caldeira e Nadia Maia, entre outras cantando minhas músicas”. A versão masculina veio no Forroboxote 4, chamado “Cantadores da Nação do seu Luiz”, com participação de Dominguinhos, Flávio José e Quinteto Violado.

Seu disco mais marcante seria lançado no ano seguinte. Mesmo sem saber tocar sanfona, Xico Bizerra lança o “Alma Sanfonica”, seu primeiro disco sem nenhum forró. “Foi justamente para mostrar a beleza da sanfona como instrumento harmônico, então tinham sambas, choros, tudo instrumental”. Em seguida para homenagear os 60 anos do Baião, ele resgata os interpretes originais da terra do ritmo em “Baião do Reino Encatado do Novo Exu, as Veredas do Resto do Mundo e Adjacências”.

Em 2008, ele consegue implementar o forró pé de serra como instrumento didático nas escolhas públicas de Pernambuco com o Forroboxote 5. “Lancei o ‘Ser Tão Criança’, um disco com temática infantil, valorizando ritmos como xote, xaxado, baião, com temática mais lúdica, falando de céu, terra, sol e de outras coisas que não ‘chupa que é de uva’, para tentar combater esse crime, que é essa música que faz estimulo a droga, bebida e raparigagem”.

Estética do forró

Xico Bizerra está longe de ser um modelo purista, daqueles que quer guardar o ritmo que toca em uma redoma. “Precisamos urbanizar o forró. Tem que cantar o Sertão sim, mas também tem que cantar o urbano. Se continuarmos falando de Juazeiro, da asa branca, do jibão e da sanfona, o público mais jovem não vai querer saber disso”, reflete. “É por isso que eu procuro em meus trabalhos ter sempre algo moderno”. Entre os interpretes mais contemporâneos de Xico está também o cantor Geraldinho Lins, que representa melhor esse público.

“Até porque Gonzaga, em sua magnitude, esgotou. Falou de tudo, do passaro, da planta, do árvore, do rio, da terra, da seca. E falou tão bem que qualquer pessoa que falar disso hoje não conseguir fazer como ele fez”, completa. O orgulho se fere mais quando o forró eletrônico entra em questão. “Já fui sondado por uma banda, queriam conhecer meu repertório, mas disse que o meu estilo não combina com o que eles fazem. São concessões que não valem a pena fazer”, diz.

“Eu pessoalmente recrimino, e contesto a estética do forró que eles usam”, continua o compositor. “Acho até que o Ministério Público é omisso em algumas circunstancias porque uma música que fala ‘dinheiro na mão, calcinha no chão’, incita a prostituição. Um órgão público deveria impedir isso”.

Matéria publicada originalmente na Revista Continente de julho

Volver – Acima da Chuva

Depois de uma espera quase infinita, saiu o segundo disco da Volver. É, de longe, um dos lançamentos mais importantes do rock pernambuco. Leva a banda para um segundo nível. Mais pop, mais acessível, a voz de Bruno Souto agora é aproveitada no seu potencial máximo. Reflexo da produção da Leo D e William Paiva, bem mais leve que as escolhas de Phelipe Seabra para o primeiro single “Tão Perto, Tão Certo”. E o mais importante: tem hit. Pelo menos metade do disco é de viciar apenas na primeira audição.

Parece meio esquisito falar de Acima da Chuva só agora. O disco já estava pronto há certo tempo, esperando apenas acertar uma masterização final. Tempo que a banda usou para injetar as novas músicas no inconsciente do público, que cantava todas as letras desde a edição passada do No Ar: Coquetel Molotov. Acabou servindo como uma boa estratégia. O público agora encontra um produto que eles já estão familiarizados.

A Volver acabou sendo a primeira banda Pernambucana a ter um disco lançado na integra pelo MySpace. O que acabou virando também a primeira banda que eu resolvi baixar o disco por lá. Um dos maiores trunfos que vai ser também a maior dificuldade da banda agora: o MySpace divide o disco por faixa, sem Tags, sem identificação, sem nem mesmo o nome da faixa no arquivo. E o mais importante: um agendamento totalmente diferente: será que os jornais locais vão vencer a preguiça de escrever sobre um disco que eles não receberam na tranquilidade da redação?

Vou pedir desculpa ao MySpace aqui, mas eu compilei todas as faixas em ordem, coloquei às tags e organizei num arquivo só a favor do leitor. Quem quiser baixar, o link tá ai: