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Caras dessa idade…

Acabou a primeira turnê que o Panço fez para lançar o novo livro “Caras dessa idade já não lêem manuais“. Para quem ficou desorientado pela frase, Panço é o master-mind do Jason, uma das melhores, mais importantes bandas e dona de um dos melhores shows de hardcore que está em atividade no país. E também é autor de 2001: Uma Odisséia na Europa, talvez o livro mais importante para uma banda independente já lançado até hoje. Tem todas as dicas essênciais para quem quer fazer turnê no velho continente. Todas mesmo, até onde tem a melhor cerveja.

Ainda não li o segundo, mas só o precedente acima é suficiente para saber que, no mínimo, deve ser uma leitura interessante. Apesar de algumas opiniões importantes divergentes sobre o assunto.

Depois de descer o país – até nos esbarramos no fim de semana do Planeta Terra, numa pelada onde nem eu, nem ele, jogamos – o plano é subir para as bandas de cá no Nordeste. Enquanto se organiza com isso, faz lançamento especial no Rio de Janeiro com a  Voluntários da Pátria. Banda paralela de Tico Santa Cruz (!!!), que eu já vi ao vivo (!!!!!) e achei bem legal (!!!!!!!!!). Se liga no flyer:

Sistema Lapa de Samba

Olha só que foda esse material promocional do documentário que o Bruno Maia está fazendo. O Sistema Lapa de Samba lembra um bocado o livro do Micael Herschman “Lapa, Cidade da Música”, mostrando como o samba local está criando uma cadeia produtiva própria, bem parecida com aquela que a música independente em todo país está tentando formatar. Sem falar que, pasmem, é o primeiro registro feito pela cena do samba na Lapa! Aquela que continua como frente da atual MPB, com nomes como Teresa Cristina e Casuarina. Turma que, por sinal, tá registrada no vídeo.

A previsão, segundo Maia, é que o documentário final saia em 2009. Enquanto isso, o www.sistemalapadesamba.com.br vai apresentando novidades, além de legendas do vídeo promocional em francês, inglês, alemão e espanhol.

O nível profissional das imagens e, principalmente, da edição, deixou com a maior vontade de pegar uma câmera e registrar o Recife Antigo por aqui.

Cabaret no Jô Soares

Para quem perdeu ontem:

Isso bate com uma coisa que, volta e meia, eu falo aqui pelo blog. Sobre as tensões entre a cena independente e o que vai se tornar o mainstream pop brasileiro. A aproximação que existe hoje entre bandas e a produção de festivais independentes não é muito saudável. Poucas bandas conseguem diferenciar que para aquele produtor, atingir algo como a Abrafin é realmente um ponto muito alto. Mas para quem apenas toca não. E por isso tem muita gente arriscada em morrer no circuito de festivais, achando que o lance é realmente chegar ali e pronto. Não é difícil eu encontrar uma banda que vem me falar que não vai conseguir crescer, porque não está fazendo parte dessas escalações. Quando ainda existe muito mais.

O que existe a mais, aos poucos, começa a ser demonizado por essa própria cena. Vide casos como o da Pitty e do Los Hermanos. Existe uma suposta perda de autenticidade tanto para o público quanto para outras bandas quando um artista atinge mais. Como se ser cooptado por um grande veículo de mídia fosse uma força contrária a tudo que alguém constrói numa carreira.

Está se criando uma troca de valores e o novo máximo definido para uma banda atingir caiu bastante de conceito. São idéias muito generalistas (isso é óbvio, mas é sempre bom esclarecer). Mas se aplicarmos esse raciocínio a todas as outras bandas que fogem dessa lógica – curiosamente, as bandas que mais aparecem na programação dos festivais hoje – vamos perceber que esse é um dos grandes motivos para novas bandas terminarem tão cedo hoje. Ser notado, uma parte do processo que antes parecia ser impossível, agora passou a ser ignorado com a facilidade trazida pela Internet. Com isso, a ambição é pouca e a frustração é ainda maior.

Se por um lado, é triste ver uma banda conseguir chegar nesse ponto, tocar em dois ou três importantes festivais independentes e então não crescer em mais nada; é sempre algo incrível ver uma banda “passando de fase” para um nível maior. Não que tocar no Jô seja uma mega conquista, mas acho mesmo que essa participação representa essa divisão para o Cabaret, uma banda que sempre me pareceu predestinada para muito mais. Basta agora eles saberem utilizar a exposição.