Tagged: Rivotrill

Melhores de 2008

sadchildren

Eu gostei tanto da maneira como essa tirinha acima traduz meu sentimento aos discos deste ano, que tinha pensado em publicar apenas ela como explicação para não fazer uma lista. Fiz questão até de traduzir para o português. Mas pensei aqui com calma que seria rabugento demais. Não tenho o otimismo do Matias para achar que tiveram 50 discos que merecem destaque no ano e percebi que, até agora, quase todas as listas praticamente não têm nomes nacionais.

Resolvi fazer um Top 10 de discos de bandas independentes lançados este ano. Para minha supresa, fazendo as contas aqui, revirando CDs, relendo matérias e relembrando shows, acabei me deparando muito mais com discos de Pernambuco que de outros estados. Ficaram de fora, mas merecem menções, o Million Dollar Surf Band, do Dead Rocks; e o Um Olho no Fósforo, outro na Fagulha, do Pata de Elefante.

10- Curumin – Japan Pop Show
9- Wado - Terceiro Mundo Festivo
8- 3naMassa - Na Confraria das Sedutoras
7- Orquestra Contemporânea de Olinda – Orquestra Contemporânea de Olinda
6- Rivotrill – Curva do Vento
5- São Paulo Underground – The Principle of Intrusive Relationships
4- Cérebro Eletrônico – Pareço Moderno
3- Guizado – Punx
2- Amp – Pharmaco Dinamica
1 – Volver - Acima da Chuva

Nomes do Recbeat 2008

A programação final do festival Recbeat, que ocupa o pólo mangue do Carnaval do Recife, deve ser divulgado oficialmente na próxima terça-feira (15) em coletiva para imprensa. A coluna já adiantou alguns nomes, que valem ser revistos e, claro, acrescentados com pelo menos uma novidade internacional. A primeira internacional que anunciou vinda foi a chilena Panico! de electro-indie-rock. Além dela, se apresentam Pato Fu, Móveis Coloniais de Acaju, Fino Coletivo, Lucy and the Popsonics e a local Julia Says. O Devotos, que faria sua festa de 20 anos de banda no festival, confirmou no fim de semana que não tocará mais.

Mais um nome internacional para a lista é a argentina Orquestra Típica Fernandez Fierro. O grupo tem uma formação clássica de orquestra de tango, mas no palco trazem uma atitude rock nas performances e interpretações que deram a eles destaque internacional. São um tipo de guerrilheiros independentes de Buenos Aires, administrando um selo de distribuição e o Club Atlético Fernandez Fierro, com shows toda semana. São sete nomes, mas como a programação do Recbeat é extensa, eles não representam nem metade do que está por vir.

Abril pro Rock 2008
Pela primeira vez em 16 anos, o festival mais importante de rock do Recife (e um dos mais antigos do Brasil) terá sua programação feita por uma curadoria. Quem estará a frente da programação 2008 do Abril pro Rock, além do produtor Paulo André Pires, é este mesmo que vos escreve junto a Guilherme Moura, do site RecifeRock!. E já tem algumas boas novidades para divulgar a partir da próxima semana.

Rivotrill
Uma das bandas que foi destaque em 2007, o Rivotrill, lança finalmente o primeiro CD, chamado “Curva de Vento”, com show de graça no Teatro de Santa Isabel dia 25 de janeiro. Formada por Eluizo Junior, Rafael Duarte e Lucas dos Prazeres, a banda vai receber convidados mais que ilustres no palco. Gente do calibre de Naná Vasconcelos, Maestro Spok, Fabinho Costa, Renata Rosa e Yuri Queiroga.

Agenda
É imperdível, na sexta-feira, a volta da baiana Pitty aos palcos de Pernambuco após três anos. O novo Recicle Festival traz ainda as bandas River Raid, Carfax e Vamoz na abertura da noite no Clube Português. No sábado tem ainda a festinha de retorno do site O Grito! ( www.revistaogrito.com) no Boratcho.

Chame mais atenção

Conversando com outros colegas produtores de festivais e jornalistas, veio a tona como muitas bandas nunca se deram conta da importância de ter uma ferramenta simples a seu dispor. Para quem vive só de música, tipo cada vez mais raro, é fundamental hoje ter um blog (diário virtual) para contar todos os detalhes da banda. Ensaios, músicas novas, shows, estradas. Ter um canal direto com o público. Essa é a principal vantagem, por exemplo, do site MySpace, muitas vezes reduzido a um espaço apenas para colocar música.

Talvez soe uma dica muito simples, mas quem acompanha notícias de música vai perceber que quase todos os veículos sempre falam de um artista seguido da frase “escreveu recentemente em seu blog que…”. E, mesmo parecendo simples, nenhuma das grandes bandas de Pernambuco tem um canal de comunicação direto com o público. Se você acha que sua banda tem algo a dizer, existem várias ferramentas gratuitas para isso. Além do MySpace, a TramaVirtual, Blogger, Uol Blog, etc.

Sopa
Hoje, o programa Sopa Diário, apresentado por Roger de Renor, vai ter participação da banda Rivotrill.  Relativamente novo do Recife que vale a pena ficar atento. Fizeram um elogiado show na última edição do festival RecBeat, com direito até a cover de Jethro Tull.

Revista
Se a Bizz realmente acabar, como andam falando, não vai ser mais um triste fim. Na última edição, foi publicada uma das mais desnecessárias coberturas do festival Abril pro Rock. Duas pessoas para dizer que a maconha do Recife anda ruim, a comida boa e que a Soparia não existe mais. Jornalismo bem preguiçoso, a caça de clichês locais.

Inverno
A semana bateu recorde de emails perguntando pela programação do Festival de Inverno de Garanhuns. Mas, assim como o Circuito do Frio, a notícia é de que os interessados ainda devem aguardar. Não tem previsão para a nova produção divulgar os nomes, mesmo faltando um mês para o evento.

De fora
A banda de electro-tango Gotan Project poderia tocar no Recife na próxima turnê que fará ao Brasil. Poderia. Estava na pauta de interesses do centro cultural que será criado no Cinema São Luiz. Mas, como a Fundarpe continua dificultando a finalização da obra com questões do tipo “que tipo de tela vocês vão usar”, a cidade perde.

Recbeat 2007 – Segundo dia

ladeira.jpg

Com o transito louco do carnaval, todos os ônibus escoando pelas mesmas ruas, tudo bem infernal, é quase impossível chegar na hora planejada nos pólos. Me atrasei no segundo dia do Recbeat e peguei apenas o “boa noite!” de despedida do Rivotrill. Uma agonia quando isso acontece, porque metade do caminho entre minha casa e o Recife Antigo é preciso ser feito a pé nessa época. E quando se está na ponte, vendo o palco de longe, com as luzes vermelhas e fumaças, é algo bem próximo à sensação de ver seu ônibus ir embora num dia de chuva. Você fica olhando, cerrando a vista, tentando ativar a supervisão, dá uma corridinha e quando finalmente se aproxima constata: é, perdeu.

Nessas horas, o que resta é perguntar. Uma parte me diz que a banda foi super chata, outra me diz que foi excelente. Não por acaso, ambas argumentam usando os mesmos motivos. Como sai perguntando mais aleatoriamente, não me atentei muito ao gosto de quem opinava. Vai parecer um comentário genérico, mas vindo de quem não assistiu ao show não podia ser diferente. Um som com muita informação no palco, misturando jazz e referências folclóricas, e que – isto foi de comum acordo a todos – teve uma ótima resposta do público. Fico na dívida aqui de ver um show dos caras.

Algo fundamental a se considerar nesta noite do Recbeat. Na outra ponta da ilha, o Marco Zero recebia um mix de Mundo Livre S/A, Nação Zumbi, Marcelo D2, Pitty e Lenine. No Recife, estes nomes juntos formam o melhor sentido para a palavra confusão. Nas ruas paralelas estava impossível. Terceira vez consecutiva que vejo venda e consumo de crack no meio da rua, em plena mesa de bar. Muita briga, arrastão, colegas apanhando pelo descuido. Abortei qualquer intenção de chegar próximo ao palco principal do Recife Antigo já no começo da noite.

Volta então, no turbilhão da confusão, para o Recbeat. Era uma banda de pós-rock no palco? Breeders, Pixies? Canja Rave, guitar band de Porto Alegre. Parecia surpreender, mas ao mesmo tempo, indie demais para um palco de carnaval. Talvez isso + a cabeça ainda atordoada das ruas laterais fizeram do show um pouco confuso. Não mais confuso que Isca de Polícia. Show chato, descartável, desnecessário. Até agora, único erro real dessa programação.

Forçando a barra para uma reflexão… acho que a programação do Recbeat ficaria ótima se seguisse uma unidade. Canja Rave teria mais clima numa noite com o Mellotrons; Digitaria com o Montage; Bonde do Rolê com Mister Catra. Tudo bem que essa coisa de “noite por ritmos” tem muita cara de Abril pro Rock, mas ainda acho que seja algo que funcione melhor.

Por isso, Digitaria foi um show totalmente passável. Eletrônico, alto, muito alto, que afastou mais público do que poderia suportar. Frente do palco vazia, mesmo com toda a macaquice que eles tentavam fazer para animar. Tinha gente empolgada sim, claro. Quem ficou para ver eles, não fez esforço. Dançou com vontade, mas ainda não vi um show de música eletrônica ao ar livre – exceção do Fatboy Slim – que tenha realmente se dado bem no Recife. Posso estar errado, mas o inferninho apertado ainda é preferência para as pistas.

role01.jpg

Eu já vi shows suficientes do Bonde do Rolê para ter certeza que aquele seria mais outro fracasso. Surpresa. Aliás, surpresa fantástica. Eu posso falar bastante, mas não escrevo palavrão por qualquer coisa. E preciso dizer que rock-funk-curitibano do trio, ali naquele palco, foi simplesmente do caralho. Vou rebaixar aqui qualquer tentativa cabeçoide de uma analise aprofundada para me resumir a esta única avaliação: do caralho.

Considerado tanta gente de periferia que estava lá, a resposta do público ao pancadão é quase imediata. Complicado apenas porque o Bonde é uma banda com muita referência sonora, letras complicadas. Num determinado momento, dava para ver que o publico realmente funkeiro e de cabeça rosa e amarela simplesmente parou de dançar e ficou olhando para o palco. Tudo parecia muito louco, muito complexo. Boa parte desistiu, pelo “ainda bem” do restante das pessoas claramente assustadas com o risco de pancadaria iminente.

Os fotógrafos são um ótimo parâmetro de quão surpreendente foi o show. Em todos os outros, eles se entediavam na primeira música e já iam embora com uns poucos cliques. Durante o Bonde, ninguém quis sair. “Claro! Num show desses tudo é possível, qualquer coisa pode acontecer”, disse um deles, Ivan Alecrim, do Jornal do Commercio. E durante o Rolê, rolou de tudo. Deles descendo em pleno show para beijar as meninas, a um coro do público “vai Marina, mostra a vagina!”. Marina, a vocalista do trio, não mostrou. Mas não deixou de ser tudo muito memorável.

Programação de hoje

17h00 RECBITINHO: CIA TEATRO RASGADO
19h30 MELLOTRONS | PE
20h30 VANGUART | MT
21h30 RAIES DANÇA TEATRO | SP
23h00 MR CATRA | RJ
00h00 INSTITUTO canta Tim Maia Racional | SP
01h00 MONTAGE | CE

Programação Recbeat 2007

Foi divulgado oficialmente hoje, com coletiva no Recife (mesmo tendo sido liberado antes para a Folha de São Paulo, o que pessoalmente desaprovo).

Programação bem melhor que ano passado – o que não chega a ser um mérito. Agora bem mais coerente, com atrações que valem a pena segurar a madrugada.

Sábado – 17/02

19h30 – DJ Big & Confluência (PE)
20h30 – Erasto Vasconcelos (PE)
21h30 – Digital Groove (PE)
22h30 – Supergalo (DF)
23h30 – Zefirina Bomba (PB)
00h30 – Z’Africa Brasil (SP)

Domingo – 18/02
16h30 – Concentração do bloco Quanta Ladeira
20h30 – Canja Rave (RS)
21h30 – Rivotrill (PE)
23h00 – Isca de Polícia (SP)
00h15 – Digitaria (MG)
01h20 – Bonde do Rolê (PR)

Segunda – 19/02

17h00 – Recbitinho: Cia Teatro Rasgado / “O Pequenino Grão de Areia”
19h30 – Mellotrons (PE)
20h30 – Vanguart (MT)
21h30 – Raies Dança Teatro (SP)
23h00 – Mr. Catra (RJ)
00h00 – Instituto canta Tima Maia Racional (SP)
01h20 – Montage (CE)

Terça – 20/02

18h30 – Maracatu Nação Camginda Estrela (PE)
19h30 – João do Pife e Banda Dois Irmãos (PE)
20h30 – Parafusa & Trombonada (PE)
21h30 – Curumin & The Aipins (SP)
22h00 – 2IN-Par (Esp)
00h00 – Macaco Bong (MT)
01h20 – Tom Zé (BA)