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The most important independent band in Brazil

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Pelo menos é o que diz a Rough Trade. Que, por acaso, também é o selo independente mais importante no mundo, lançando todos os nomes que importam no pop, de Smiths aos Strokes. Catchy Chorus, vinil em edição limitada (apenas 200… eu disse DUZENTAS… cópias prensadas) do Autoramas está sendo vendido lá! Segundo a loja online, a banda é uma mistura de “b-52′s, devo, surf music and jovem guarda”. E apesar de já nascer raro, o disquinho custa apenas 4,99 libras!

Por falar em Autoramas, ainda deve demorar um pouco para sair um disco novo. A banda está no meio da temporada no Cinemateque, no Rio de Janeiro, onde se apresentam pela primeira vez em formato acústico. Todas as músicas ganharam novos arranjos. Enquanto isso, Gabriel Thomaz também prepara o celebrado reencontro do Little Quail! Uma das bandas de rock mais legais de Brasília e que mais faz falta. Ou você também não curtia aquele quase hardcore para o Samba do Arnesto?

Duffy – Rockferry

Já tem um bom tempo que quero falar da Duffy.

Antes, a grande notícia por trás desse disco: o catalogo da Rough Trade no Brasil, que havia se perdido na mão da Trama, agora está com a Universal. Talvez isso não faça diferença para eu e você, que baixamos música por ai, mas ainda somos minoria. E numa gravadora decente, as músicas tem mais chance de circular em rádios e TVs. O que me lembra: preciso fazer um post aqui sobre rádios.

De volta a ela. O Times não precisava ter juntado Duffy e Adele no mesmo saco apenas para dizer que elas seriam as próximas Amy’s. Basta ouvir cinco segundos de “Rockferry”, faixa que abre a batiza o disco de estréia da loirinha gaulesa. Antes mesmo do primeiro sinal de sua voz, acordes e toda informação anterior a isso – encarte, fotos, letras – já são recheadas de um tom fundo do poço que soa bastante recente para muitos. Quando sua entonação anasalada entra, fica impossível não ceder a comparação.

Mas ao mesmo tempo que ela se enquadra nesse caso da diva-auto-destrutiva-enquanto-gênero, Duffy coloca em cheque questões mais profundas de autenticidade. Dá pra curtir uma fossa ouvindo essas músicas. Dá mesmo, sem problemas. “I’m moving to Rockferry tomorrow / And i’ll build my house, baby, with Sorrow”. Assim como Amy, as duas evidenciam uma questão pouco cantada pelo soul, de que não existe fila de espera para o fundo do poço. Amy tem 25, Duffy 24 anos de idade.

A diferença é que a pose de uma está em fugir da re-habilitação, enquanto Duffy deseja a superação. “You got me begging for mercy / why won’t you release me?”. É ai que entra a questão: arrumar encrenca, ficar subnutrida e afundar em drogas virou a música de Amy Winehouse. As pessoas esperam muito mais essa performance de “eu preciso urgentemente de uma rehab”, que os versos, que agora não funcionam com uma cantora que esteja indo apenas ok no cotidiano.

E é por isso que Duffy não é uma próxima Amy. Ela é potencialmente mais, se esse público estiver interessado em ouvir mais música e menos colunismo sensacionalista. E ela canta isso, mesmo sem perceber, nas entrelinhas de versos como “I will never be your stepping stone / I’m standing upright on my own”. A música de Duffy dá brechas para essas interpretações, sem apontar para nenhuma certeza se ela está afundando ainda mais ou escalando até o topo.

“Rockferry” está longe de ser uma estréia. Funciona assim apenas no sentido convencional de que as pessoas ainda precisam de um álbum completo para legitimar um artista. Antes disso, Duffy esteve na edição deste ano do South by Southwest e no palco do Coachella. Seu primeiro hit “Mercy” – que é pista pura, anotem essa – já apareceu em trilhas de Grey’s Anatomy, ER e do filme Sex and the City (essa referência você não precisa anotar).

Sua embalagem mais pop faz que ela soe em certos momentos como uma KT Tunstall com maldade. O que tira um pouco do ótimo que esse disco mereceria. O excesso de açúcar certas horas tiram o potencial que Duffy teria de ser uma artista mais comentada. Ou talvez isso seja apenas ingenuidade minha em achar que existe parte relevante do público que está atrás de música e não de colunismo. Para não encerrar me repetindo, fica ainda o fato do ótimo gosto de Duffy. Aqui tem ela fazendo um cover do Ready to the Floor do Hot Chip:

Duffy – Ready to the Floor

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Belle and Sebastian – The Life Pursuit

Podem até dizer que, num sentido pejorativo, o Belle & Sebastian é uma banda fofa, mas é fato que ela nunca teve uma atmosfera muito feliz. Por trás da cara de bons moços dos ingleses e do encanto que é a voz Sarah Martin, sempre estiveram espaços para as sentenças diretas “já fui feliz um dia”, “era uma garota abusada”, “a garota errada” e tantos outros pessimimos. Eles estão mudando isso. “The Life Pursuit”, sexto da banda (sétimo para os fãs mais obsessivos, que contam também com uma trilha sonora feita pela banda), deve ser o disco mais otimista deles.

Lançado nos Estados Unidos em janeiro, o disco chegou só agora no Brasil via gravadora Trama. É um atraso bem saudável. Dois veículos de grande circulação chegaram a mudar de opinião sobre ele, atropelados pela pressa de noticiar logo o lançamento. Um dos motivos é que o Belle e Sebastian está no filão das bandas que podem se permitir serem pirateados à vontade. Seus fãs formam quase um culto religiosos e, cedo ou tarde, vão acabar comprando o disco. Todo cuidado é pouco ao opinar para um público fervoroso.

Ouvindo sem pressa, “The Life Pursuit” é um disco com vários motivos para ser muito bom. Os motivos estão todos escondidos após a primeira faixa, “Act of the Apostle”. É a prova de fé . Quem passa por ela, encontra uma melodia viciante, alegre e que pode ser identificado como sendo o Belle & Sebastian até de ouvidos tapados. “Another Sunny Day” é o começo desse novo otimismo da banda. “Você passou direto do meu olhar / eu me pergunto porque / mas nem reclamo / por favor faz isso de novo”, cantado num agudo apaixonado.

Se você for fisgado pelos versos, todo o restante do disco é de uma alegria enorme. “The White Collar Boy” e “The Blues are Still Blues” são para trilhas da melhor seção de amigos em casa, jogando pura conversa fiada fora. Esta última vem ainda com um dos melhores refrões do pop inglês do semestre, que diz “deixei minha roupa suja na lavanderia / você pode deixar um pouco de dinheiro lá / fazer uma pequena aposta”.

“The Life Pursuit” é pontuado por momentos que lembram o Belle & Sebastian dos discos anteriores. Não parecem estar lá para acalmar antigos fãs, mas sim para marcar um momento de transição da banda. O disco não é a reinvenção do septeto ingês, é apenas a necessidade de cantar acordes mais altos, com um leve clima de redenção “em busca da vida” (tradução do nome do disco). A sonoridade deles ainda é aquela mesma datada, cheia de referências folk e estética dos ano 60.

Belle & Sebastian – The Life Pursuit
Gravadora: Trama
Preço: R$ 32,90 [compre aqui]
Escute: The Blues are Still Blues

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Delays: Faded Seaside Glamour

Quando “Wanderlust”, primeira música do disco “Faded Seaside Glamour”, da inglesa Delays, começa a tocar, já deixa a impressão que o CD chegou para os órfãos do Cranberries. O lançamento é mais uma ótima novidade da Trama, que está trazendo apenas o que o selo inglês Rough Trade tem de melhor na prateleira. Essa surpresa inicial passa rápido, quando se dá uma olhada no encarte e descobre que aquela voz feminina é, na verdade, de um homem chamado Greg Gilbert.

Mas, calma, que androginia não é a praia da banda. Recheado de músicas que excedem na tranqüilidade, o disco, com 12 faixas, faz uma linha de trilha sonora para seriados americanos sobre adolescentes. Sempre com um clima de melancolia cotidiana nas letras e momentos onde a voz de Greg lembra um assobio longo. Tudo muito distante do rock britânico que domina hoje o que deve ser feito para música vender. Talvez por isso, “Faded…” tenha passado tão despercebido e só chegue no Brasil com quase dois anos de atraso.

A segunda música, “Nearer Than Heaven”, é dessas bem chorosas, que refrão e estrofes não saem por nada da cabeça. Faz apertar o botão para voltar a faixa, antes de dar seqüência ao resto do disco. Em outros momentos, o disco perde um pouco o foco e começa a parecer repetitivo, mas Greg aproveita para dar uma engrossada no timbre e simular um segundo vocal. A salvação chega em “Stay Where You Are”, com guitarra mais pesada e repetição bem dançante.

O Delays é uma dessas presenças obrigatórias em qualquer coleção. Não para fazer pose que conhece banda estranha, mas porque as músicas tem lugar certo em qualquer momento do dia. Para dar um contexto melhor, a gravadora Rough Trade também lançou, no passado, vários discos do Belle & Sebastian. Se o estilo agrada, é mais um motivo para ter em mãos este lançamento.

The Veils: Runaway Found

Não é justo que “Runaway Found”, novo disco do The Veils, lançado em 2004 e que só chega agora no Brasil pela Trama, dure tão pouco tempo. São pouco mais que 40 minutos de duração, nas 12 faixas de uma das melhores descobertas musicais dessa primeira década do novo milênio. Uma mistura de tudo que já foi feito de melhor na linha Suede, Smiths e Placebo, com uma identidade impagável, na voz de Finn, um inglês que desde os 19 anos (hoje tem 23) vem transformando as poesias que escrevia em música.

Do melancólico ao “levemente agitado”, as músicas conseguem ter uma carga triste sem se apoiar em letras pesadas, dessas que falam de suicídio, morte ou dores de cotovelo. Tem amor sim, mas desses que a proximidade machuca e, ainda assim, são difíceis de se livrar. Como em “The Leavers Dance”, onde ele fala que “não é nosso desejo, mas fomos feitos para cair juntos”. As faixas foram todas produzidas por Bernard Butler, ex-Suede, que não conseguiu deixar um toque de sua banda de fora.

Dois pontos opostos no disco, “Lavinia”, música para se ouvir de olhos fechados, se preparando para conter a energia que ele descarrega já no último minuto, e “The Tide That Left and Never Came Back”, mostram a pluralidade que a banda tem ao mostrar suas mensagens. A segunda, sempre agitada, é hit certo para qualquer DJ que se preze, junto com “More Heat Than Light”, ambas de vida útil longa. Podem tocar por uns dois anos nas festas que não deve ficar datado.

O melhor de “Runaway Found” é que as músicas conseguem fazer parte de toda essa atmosfera sem cair no comum de ser chamado de “fofo” ou adjetivos similares. The Veils é uma banda séria, uma versão bem madura do que o Coldplay vem tentando emplacar nos últimos discos. Este primeiro lançamento, chega no Brasil pela Trama, que fechou contrato com a Rough Trade (selo que lançou The Libertines), com preço pouco distante da realidade, R$ 29,00.