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Hurtmold no Pelourinho

A banda estava em Salvador acompanhando Marcelo Camelo, que tocaria no dia seguinte, e aproveitou pra descolar um show próprio no sábado. Apresentação curtinha. Sempre acho Hurtmold bom, mas a banda não combina tanto com público em pé como combina com um lugar fechado. Comprei o Mestro, primeiro disco que perdi as MP3 e o primeiro do São Paulo Underground.

Nave Nerd

Hoje tem mais uma edição da Nave. E eu to lá de novo! :P Bora?

Explicando o South by Southwest

Se você procurar no Flickr por imagens do festival South by Southwest, vai demorar a encontrar uma foto de show. E isso porque os quatro dias do evento que acontece no Texas recebe, em média, 1.400 apresentações oficiais. Milequatrocentos, isso mesmo. Nas últimas edições passaram por lá nomes tão importantes quanto The Stooges e Morrissey, em edições que lançaram artistas como Amy Winehouse e, mais recentemente, Vampire Weekend.

Ultimamente, o SXSW (como é chamado) teve um interesse crescente na música brasileira. Tocaram lá desde Marcelo D2 a Curumim e Lucy and the Popsonics. E agora o diretor criativo e um dos fundadores do festival, Brent Grulke, está no Brasil. Ele vai participar da Feira da Música de Fortaleza, que acontece essa semana – e tem um formato até similar ao evento gringo. Mas sua primeira parada foi em Salvador, por sorte quando eu estava lá para a Mostra de Clipes. E, claro, fui conferir sua presença, que foi promovida pela fundação de cultura da Bahia, a Funceb.

Brent é uma figura bem simples. Já com cabelos grisalhos e cara de gringo típico. É bem econômico nas palavras e parece pensar bastante antes de falar. Ao contrário de Tracy Mann, agente de shows de World Music nos Estados Unidos e que participou da mesa (ok, pela foto acima, que tirei lá, dá para perceber que não é bem assim uma mesa). Ela fala pelos cotovelos e é bem mais marketeira. Lá fora ela fecha apresentações de Gilberto Gil, Céu e Maria Rita e, de cara, deixou claro que os clientes dela procuram uma brasilidade na música feita no Brasil. Rock está fora.

Aos poucos sua fala – em perfeito português – foi interrompida pela ansiedade do público, em grande parte formado por músicos que querem ser exportados. Foi quando Brent fez sua primeira incursão na conversa, explicando um conceito bem simples ao público. “A melhor coisa que você pode ter são pessoas que apaixonem por sua música”. Algo que, de cara, comecei a pensar que se perdeu um pouco na música independente do Brasil, caminhando cada vez mais para um formato business ou político.

Esse foi o gancho que ele usou para falar que o conceito por trás do South by Southwest é o de “creative relationship”, ou relacionamento criativos. Aquele velho papo de produção descentralizada de conteúdo colaborativo entre banda e fã que falamos tanto e, mesmo assim, parece ser tão complicado de implementar. “Hoje, o SXSW é o maior encontro da indústria musical nos Estados Unidos, mas mantêm nossa idéia original que era criar um lugar onde as pessoas podessem se encontrar”. E é por isso que, no Flickr, você não encontra fotos de shows, mas sim de rodas de amigos, pessoas, encontros, etc.

Segundo Grulke, cerca de 25% do público total do South by Southwest hoje é formado por pessoas de outros países. Boa parte das pessoas que passam por Austin, no Texas, onde ele acontece, são empresários da música, imprensa e entusiastas que podem transformar uma garota gordinha da Inglaterra com voz de diva na próxima musa anoréxica do pop mundial. E por isso o evento é bem disputado e seletivo sobre quem vai se apresentar lá.

O que o SXSW procura? Segundo Brent, “primeiro, um trabalho consistente, que já tenha encontrado algum público em sua cidade local e que saiba como lidar com a imprensa; segundo, que tenha um representante nos Estados Unidos que possa dar continuidade ao trabalho (ai que entra a tal Tracy); terceiro uma platéia potencial nos Estados Unidos – isso significa saber em que nicho você vai se inserir e interagir; e vozes distintas. Pessoas que realmente acreditem no que estão fazendo”.

Um outro ponto, mais crítico, é “condições financeiras”. O South by Southwest não financia a ida de absolutamente ninguém ao festival. Como é um evento promocional e você está indo lá para vender seu peixe, então supõe um mínimo de bom senso para investir dinheiro em sua carreira. O SXSW também não paga cachê… oferece apenas uma pequena ajuda de custo (pequena mesmo) que ainda pode ser trocada por entrada livre em todos shows. Sim, porque mesmo quem vai tocar lá, não ganha ingresso para essas mil apresentações que acontecem de forma descentralizada na cidade.

Ah, mas eu queria muito ver as bandas reclamonas daqui num contexto desses :P Para vocês, por sinal, a inscrição é online a partir do site do festival.

Esse interesse que o SWSW tem na música brasileira é um reflexo óbvio de novas pesquisas musicais de Brent Grulke. Ele tem uma pequena loja de discos em Austin e a seção de discos brazucas – CSS não está nessa prateleira e Sepultura ele diz que não venda porque é cafona – é uma das mais procuradas recentemente. “Por ser do Brasil, já existe uma chance maior de ser visto pelo público do festival. Talvez eles nem gostem do show, mas vão ver com certeza”.

O tom de tudo era bem otimista, claro. Principalmente a frase acima. Tocar no South by Southwest é parte do trabalho de formiguinha para se chegar em algum lugar com a música. Vale lembrar que toda essa galera brasileira citada que tocou lá, voltou para o Brasil tão famosa quanto estava antes de viajar. O mais legal dessa conversa, foi reforçar essa função social dos eventos de música que parecem estar se perdendo. A idéia de criar um lugar legal para as pessoas se encontrarem, se socializarem, trocarem experiência, encherem a cara e terem alguma história de vergonha moral para contar aos filhos.

Abaixo tem trechos de vídeos que fiz durante a conversa com eles. O magrelo da esquerda se chama Mark e trabalha com Tracy exportando música brasileira pro exterior.


South by Southwest from Bruno Nogueira on Vimeo.

Resumão de Salvador

Eu sei que é meio esquisito como eu passei a gostar tanto de Salvador nos últimos cinco ou quatro anos. Mas depois depois da viagem entre quinta e domingo, quando fui mais uma vez na cidade, acho que eu consigo já ter motivos mais concretos além das pregações diárias de Luciano. Essa foi, de longe, a melhor visita que fiz a Bahia – e isso inclui o dia que pulei bêbado na piscina com o Blackberry no bolso. Começo pela oportunidade conhecer melhor pessoas que, até então só tinha tido contato mais breve. De Gabi, que me hospedou, a Messias, com quem até então sempre só trocava alguns oi. Engraçado que a sensação de ser bem recebido na cidade partiu de Jan, que ao me ver já mandou um “tem nem graça mais, parece até que você já mora aqui”.

Fui para a Mostra de Videoclipes (a IV, e não a VI como escrevi outra vez). É engraçado comparar como a produção lá é bem maior – mas muito maior – que a de Recife, que muitas vezes se resume a projetos experimentias de conclusão de curso de comunicação. Ter um representante ativo da MTV na cidade deve fazer diferença. E dos clipes selecionados – teve inscrição até de um fan-clipe do Chiclete com Banana! – teve algumas pérolas e outros que até me fizeram gostar mais de bandas que não curtia tanto assim.

Esse aqui foi o mais gênial:

(repare, aos exatos um minuto, a cara de alegria do sujeito falando com a “véia mamãe” que vai ouvir MP3)

A cidade estava muito mais movimentada que o comum. Teve palestra com o diretor artístico do South by Southwest (que vai virar post depois), festa Nave, show do Lucy and the Popsonics, além do show da Banda de Rock. Uma espécie de Orquestra Manguefônica baiana, com figuras como Ronei Jorge cantando clássicos de rock soteropolitano. Nisso tudo, ainda tive oportunidade de reencontrar com Big, Rex, Luciano e Jan, o pessoal do Cascadura, além dos amigos menos famosos, mas não menos ilustres. :)

Consegui reencontrar com Fernanda & Pil pela primeira vez desde que eles voltaram dos EUA. E o show deles, que já foi até um pouco desajeitado num Mada agora distante, cresceu um monte. Ficou ainda melhor do que eles fizeram no Rec Beat desse ano. Parece que eles passaram por um intensivo na terra do rock. Só perdi o Coletivo Über Glam, que abriu a noite. Quero ver eles ao vivo desde que me passaram o link do MySpace pela primeira vez.

Mas parece que não vai faltar oportunidade. Com os motivos reforçados, acho que vou acabar voltando lá em menos de um mês.

Me recompondo

Eram oito horas da manhã do domingo. Dia das mães, alguns carros já passam pela beira mar ensolarada de uma Salvador mais fria do que o comum. O dia começava para a maioria das pessoas, mas o anterior ainda não havia encerrado para um grupo de seis pessoas, que dançavam na boate Boomerangue numa festa que havia começado às 22h do sábado. Das tantas que já passei, a Nave, comandada por Luciano Matos e Jan Balanco é a melhor do Brasil. E ontem foi a melhor de todas elas.

A foto que abre esse post é da fila. E ela continuava fazendo curva na rua mesmo depois das 3h, quando eu entrava no meu segundo set. Público insano, noite louca daquelas que muita gente vai chorar mais tarde ao perceber que nunca vai se repetir. No aniversário de três anos, foram 22 DJs em esquema de duelo. Eu toquei com Mariana o que deve ter sido meu set mais indie até agora. Sem hits, de Vampire Weekend a b-sides do Bloc Party. Precisei de dois dias para me recuperar de tudo.

Axé
Falando em Salvador… a cidade vai bem demais das pernas. Uma semana depois da Nave tem o Baile Esquema Novo. No dia seguinte a festa, tinha abertura de temporada do Cascadura. Temporada é uma coisa que ainda não existe para nenhuma banda de rock do Nordeste. Coisa que eles só conseguiram com o grande público que conquistaram em casa. Daqueles que pagam para ver ingresso. Camilo, do Baile e Dimitri, do Cascadura, estavam na Nave. Assim como Ronei Jorge, que discotecou enquanto se esquentava para lançar música inédita, “Vidinha”, só em forma de clipe. Esse é o tipo de diferença que uma única casa pode fazer numa cidade com cena unida.

É tipo matemática
Uma cidade tem que ter de tudo isso para a equação dar certo. Casa boa, banda boa, público bom. Enquanto Salvador celebra, Natal está em cheque logo agora que tem bandas ótimas. Com um público que não está conseguindo dar o devido valor a cena local, Anderson Foca está começando a anunciar aos poucos o fim do oásis do rock no Nordeste, o DoSol Rockbar. Fecha não, Foca!

Mas o intercâmbio segue
Nesse período tenebroso, o Recife começa a se reconfigurar com uma cidade movimentada justamente no inverno, época que as bandas escolhiam para ir ao sudeste (por sinal, o Julia Says tá por lá). Quem chega por aqui no fim de semana a Joseph K, de Fortaleza (e que teve disco lançado por Foca) já com uma agenda cheia de shows marcados na cidade nos dias 16 e 17. Logo depois parte para João Pessoa. Na outra semana, véspera de feriado, o novo projeto Pernambuco Pop, que já teve show com China, apresenta Nuda e Amp no bar Cortiço,