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Modelo de gestão
A idéia original era impressionar o público baiano com o ritmo do frevo, mas a ação em parceria entre Governo da Bahia e Fundarpe teve efeito também contrário ao grupo de jornalistas que esteve em Salvador no último fim de semana. O Pelourinho Cultural, espaço a criado há um ano, é um modelo de gestão que já deveria ter sido implementado no Recife Antigo, nosso centro histórico, há muito mais tempo. É um escritório próprio para pensar em ações específicas para a região, descarregando as secretarias de Cultura.
Além de organizar shows todos os fins de semana, o órgão cuida de interligar o comércio local, criar mais opções de informação para turistas e dar escoamento para produção cultural local. O mais interessante é que tudo é feito com parcerias – patrocínio da Petrobrás, por exemplo, cavado pela própria administração – pouco orçamento e mídia espontânea. Eles se conectam através de uma rede de blogs locais e acabam não precisando mais recorrer a tradicional TV e mídia impressa para atrais público.
Garanhuns
As inscrições para o Festival de Música de Garanhuns, que tem premiação que vai de R$ 150 mil a dois automóveis 0 km estão sendo feitas na loja Passa Disco, tradicional ponto de circulação da música pernambucana no Shopping Parnamirim, até dia 29 de fevereiro. Outra opção é pelo endereço www.femuartegaranhuns.com.br
Nordeste
Está em articulação o festival Nordeste Independente. Até agora, nove cidades da região farão shows simultâneos, promovendo troca de artistas e articulação de uma cena que agora engloba várias cidades. No Recife serão dois dias, 7 e 8 de março, no casarão onde funciona o restaurante Sabor Pernambucano.
Depois da Nave
Viagem é um troço que as vezes destrói o organismo da pessoa. Uns whiskys, cervejas, tequilas e vodkas a mais na Festa Nave, então, colabora.

Sempre achei a Nave impressionante, tipo top 5 melhores festas do Brasil. Mas quando cheguei lá no sábado e vi que tava rolando até cobertura do jornal local A Tarde (um dos maiores do Nordeste), vi que eles tinham crescido em larga proporção. Mas impressionante mesmo foi o set de Gabriel Thomaz, do Autoramas. Feeling de pista como ninguém, ele começou lento, mas conquistou todo mundo em questão de segundos, tocando até Placebo (!!!), além de Madonna, Arctic Monkeys e uma carreira inteira de hits. Saí de lá sem voz.
Pata de Elefante
Música instrumental sempre costuma passar uma falsa impressão de que ela precisa ser complicada, mais elaborada e de difícil recepção. A banda gaúcha Pata de Elefante pensa o contrário. Com um excelente novo disco recém lançado, eles fazem a mais pura e simples formula do pop, só que sem vocais. Canções que se constroem em repetição constante, com referências sonora que não remetem a outros grupos instrumentais, mas sim a grandes nomes da música pop, como Bob Dylan, The Who e Beatles.
A banda tem três integrantes. Gustavo Telles na bateria e Daniel Mossmann e Gabriel Guedes se revezando entre guitarra e baixo, no melhor estilo Tortoise (grande nome instrumental de Chicago). Os três compõem as músicas do grupo, “música pra tocas as pessoas”, segundo Telles. As primeiras faixas deste novo trabalho deles já pode ser encontrado para download na Internet, tanto no site oficial www.patadeelefante.com, quanto nas paginas que a banda mantêm no MySpace e Trama Virtual.
Debates
Até o fim do ano, o país não tem mais festival independente no calendário. Mas Salvador recebe o Fórum de Música, Mercado e Tecnologia. Passam por lá os jornalistas Alexandre Matias, Alex Antunes e o produtor do Goiânia Noise Fabrício Nobre, entre outros nomes. Quem for do Recife e quiser conferir, a melhor opção é enbarcar em quase 12 horas de estrada entre as cidades, numa viagem de ônibus que sai metade do valor de avião.
Agenda
Silvério Pessoa volta ao Teatro Santa Isabel para celebrar o sucesso do seu DVD “Cabeça Elétrica, Coração Acústico”. O show será dia 1 de dezembro. Ingressos promocionais estão sendo vendidos pelo preço único de R$ 20 nas lojas Tribos. Quem for ao teatro, desembolsa R$ 30 na inteira e R$ 15 com carteira de estudante
Abril pro Rock 2007 – Primeira noite

A edição de 15 anos do Abril pro Rock, que começou na sexta-feira 13 de 2007, foi muito mais importante do que muito certamente se progamou. Tudo por causa de uma trinca com Nação Zumbi, Moptop e Mutantes. Uma banda que propõe a originalidade, uma que a subverte e, a terceira, mais experiente e com pose de tiozinho de propaganda de refrigerante, que questiona o que é original na música popular – aliás, em todo a nação – brasileira. Parece confuso? É só prestar bastante atenção. Mas antes, claro, é preciso dar mérito a quem abriu a primeira noite do evento.
Um equivoco na ordem dos shows transformou o Palco 3 na melhor surpresa do ano. Explicando: o Quarto das Cinzas, do Ceará, poderia ter continuado no prório quarto que não faria diferença aos ouvidos de ninguém. Mas se tinha que tocar, que fosse um espaço menor. Como o que ficou reservado para a local Canivetes, responsável por um ótimo começo de festa. Tudo parecia ok, até mesmo o público, que mesmo cedo já começava a marcar presença no Centro de Convenções. O rock sessentista dos meninos podia inaugurar num espaço maior, enquanto os cearenese não teriam dificuldade de fazer o mesmo show chato no palco pequeno.
Canivetes é da escola de Júpiter Maçã e fizeram muito bem o dever de casa. Show empolgante, deixou a dever apenas pela tensão de tocar num grande evento. Se estivessem mais a vontade, aposto que poderiam ter quebrado alguma coisa ali em grande estilo.
Resultado: ótima novidade para quem ainda não conhecia eles – a banda se apresenta regularmente na cidade, tendo sido selecionada antes para o festival Pátio do Rock – apresentado com a pressão da estréia junto ao começo timido do festival. Enquanto um público maior era recebido por uma apresentação, do Quarto das Cinzas, que se esforçou para ficar no regular. Quando a Bonnies, de Natal, voltou ao palco 3, essa dança das cadeiras fez ainda mais sentido
Faltou um pouco de agrupamento. Intercalar bandas que são bem diferentes sempre causa um choque que o público responde com dispersão. Foi o que aconteceu com o Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicletas, de Salvador. Ótimo show, banda legal, mas que se apresentou apenas para os curiosos. A frente do palco estava tranquila o suficiente para circular e bater um papo. Mas com talento, os bahianos conseguiram fazer um troca da curiosidade pela animação em menos de 10 minutos – a metade – do show.
Até que começa, então, a dita trinca. Nação Zumbi faz seu show de número zilhões no Recife sempre com jogo ganho. Mesmo não tocando músicas da época do finado Chico Science, eles descobrem que, sim – aliás, porque não seria assim – os fãs conhecem todos os outros discos. Renovação de repertório? É delicado associar renovação a Nação Zumbi. Banda que reprocessa idéias que já vinham de Alceu Valença, Ave Sangria e de tantos pernambucanos antes deles. Isso é pecado? Na voz de Jorge du Peixe não parece. Na guitarra destruidora de Lúcio Maia, mesmo tocando o hino do Santa Cruz, tudo se encaixa perfeitamente. Reprocessar? Sim, essa parece uma idéia legal.
Aí o Moptop, do Rio de Janeiro, entra no palco. Mais do mesmo? Eles estão fazendo igual a outras bandas que estão estourando lá fora? Opa, mas não é exatamente isso que a Nação fez momentos antes? Na visão – aliás, audição – de tantas pessoas, agora parece algo errado. Primeira e seguramente melhor representante de um novo rock no Brasl, os cariocas fizeram o show para deixar a vista brilhando com a esperança de renovação. Isso mesmo. Esqueça esse pensamento submisso de que precisamos inventar algo. Se arte se confunde com reprodução, então o inverso também é verdade. E nós refrões de “ser alguém cansa demais”, eles dão o recado. São ótimos no que fazem. Tão ótimos como a resposta do público berrando no palco.
Mas porque todo esse papo? Afinal, muito antes do Abril pro Rock pensar em surgir, Sérgio Dias, o guitarrista do Mutantes soltou a máxima de que “o violão é português, a cerveja é alemã, futebol é inglês, a bossa nova é jazz, tudo que o Brasil diz ser genuinamente brasileiro vem de outros lugares”. Então, porque perder tempo tentando encontrar a materialide do autêntico? No palco, os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, junto com Zélia Duncan e um time de músicos dão o recado óbvio de que aquele *é um momento de Sérgio Dias*. Ele é o maestro e o que mais se aproveita deste retorno. O público reconhece e grita “Sérgio, Sérgio, Sérgio” entre as canções
Deveria ser o show menos autêntico de toda a noite, afinal, estavam lá repetindo um mesmo repertório que já fazem há mais de 30 anos. Isso não foi problema. De Ando Meio Desligado à Minha Menina, qualquer pulo deles no palco é razão para catarse. Tudo com um clima meio “fofo”, que deixa irrestivel tentar argumentar contra o momento. Mas nem é essa intenção. Nesse jogo de contextos sobre o que é autêntivo, o Mutantes serviu para demonstrar que não é isso que o público quer. Mas sim qualidade, como esta 15ª edição do Abril pro Rock.
MAS E O RESTO?
Tem tanto a se falar sobre esta edição do festival. O Abril pro Rock lavou a alma depois do pouco público – chutaria menos de 300 – do ano passado. Desta vez, algo entre 4 ou 5 mil pessoas apostaram nos shows. E foram fundamentais para que estes dessem ainda mais certo. A climatização do Centro de Convenções estranha, oras impressiona, mas não chega tanto a funcionar. Cheguei a pensar em ir de casaco antes. Para lá do fim da noite, suando feito um porco, notei o quanto me arrependeria.
A organização do festival está afinada. Os tempos entre os shows eram minimos, suficiente apenas para se deslocar entre os palcos. Som e iluminação deram um avanço consideravel – ainda mais na estrutura sem acústica do pavilhão – e, por fim, teve um grande acerto em diminuir a área utilzada do Centro de Convenções. Faltou apenas mais expositores na feirinha de discos e roupas. Parece que ano passado assustou um pouco os lojistas.
Foto de Gustavo Bettini cedida pela produção do evento
