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Mais bastidores do Tim Festival

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O outro post fez tanto sucesso que vou repetir a dose. De novo, a lista abaixo é um ctrl c / ctrl v do release enviado pela Tim e a Assessoria do festival. Editei apenas para tirar informações repetidas e outras que eram relativo ao show “Montage toca isso, Vanguart toca aquilo, etc”.

Very British
Os ingleses do Arctic Monkeys, atração da noite ‘Novo Rock UK’ do TIM Festival 2007, não negam a origem. Para o camarim pediram uma seleção de chás ingleses. As marcas preferidas do quarteto são as populares Yorkshire Tea, PG Tips e Tetley’s. Todos a serem degustados com um respingo de leite. Para acompanhar o momento, a turma solicitou que a produção do festival providenciasse os jornais ingleses do dia.

Embrulha para viagem
O quarteto inglês Arctic Monkeys gasta muitas calorias no palco. Os músicos gostam de repor as energias com pizza. Eles solicitaram seis grandes, a serem entregues logo após cada show do TIM Festival 2007, no ônibus da banda. A saber: duas vegetarianas, uma muzzarela, duas de peperoni e uma de carne.

Típico
O Arctic Monkeys, atração do TIM Festival 2007, solicitou um item curioso para o café da manhã. Além das tradicionais baguetes, cereais, iogurtes e sucos, o quarteto pediu Marmite. A pasta de levedo para passar na torrada, amarga e salgadíssima, é uma daquelas iguarias que só sendo inglês da gema para apreciar. Difícil é encontrar o acepipe no Brasil.

Sem bebedeira
Chama atenção um dos itens do rider técnico da banda Hot Chip para sua apresentação em outubro no TIM Festival. O documento, que lista em detalhes todos os equipamentos necessários para o show, pede, em letras maiúsculas, dois assistentes de palco competentes, pontuais e… …sóbrios.

Vestido para a capa
O disco de estréia da banda cuiabana Vanguart, uma das atrações do TIM Festival este ano, traz uma surpresa logo na capa. O vocalista Hélio Flanders surge usando um vestidinho bem-comportado. A irreverência está presente também no discurso do rapaz: “É o traje típico do cuiabano, lá faz muito calor. Pode ser encontrado em qualquer loja da cidade”.

Amigas de infância
Cibelle fez questão de estender sua estadia no Brasil para prestigiar a estréia do show de Vanessa da Mata no Rio de Janeiro. As duas são tão próximas que Cibelle compôs ‘Minha Neguinha’ em homenagem à amiga e gravou em seu último cd, ‘The Shine of Dried Electric Leaves’. Para retribuir o carinho, Vanessa é presença confirmada nos shows que Cibelle fará no TIM Festival, ainda em outubro.

Orquestra de Laptops
Conhecidos por usar novidades tecnológicas em seus shows, o Projeto Axial – que vem ao Rio pela primeira vez no próximo TIM Festival – vai inovar na apresentação que fará em São Paulo, dentro de uma série de música e tecnologia. O grupo, formado por Sandra Ximenez, Felipe Julian e Leonardo Correa, convidou outros três músicos, com quem formará uma Orquestra de Laptops, com direito a sete computadores no palco. “É uma formação de câmara, nem precisa de maestro”, brinca Julian que, nos shows do Axial, pilota dois laptops, além de um baixo acústico.

Na banda, sem ser músico
Um artista plástico que não toca nenhum instrumento também faz parte do grupo paulista Projeto Axial, que se apresenta pela primeira vez no Rio na próxima edição do TIM Festival. Presente no palco o tempo todo, Edu Marin projeta imagens cenográficas, que ele chama de videocenografia, durante o espetáculo. São fotos e pequenos vídeos, em preto e branco, editadas em tempo real e dialogando com o que está sendo tocado no palco.

Laptops e música étnica
Apesar de toda a tecnologia que cerca as apresentações do Projeto Axial – com direito a três laptops no palco-, a inspiração da vocalista e compositora do grupo, Sandra Ximenez, vem da música tradicional. Há 20 anos, ela desenvolve uma pesquisa sobre música étnica africana e suas variações brasileiras. Nos shows, Sandra canta em iorubá e creol do Haiti. Atração da próxima edição do TIM Festival, quando vem ao Rio pela primeira vez, o grupo também usa em suas letras a poesia de Guimarães Rosa e Manoel de Barros.

Enquanto o Tim não chega

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A assessoria de imprensa do Tim Festival é uma das mais legais de todas. Sabe o quanto queremos saber das loucuras de quem vem tocar e, por isso mesmo, todos os anos, manda para os jornais algumas notas sobre as exigências dos músicos. Confere ai um ctrl+c / ctrl+v do release, com a lista:

Pelo calendário
Os pedidos de bufê da cantora Feist, atração do show ‘Novas Divas’ do TIM Festival, estão divididos pelo dia da semana. Às segundas e quintas ela gosta de comer iogurte de baunilha, vegetais e amêndoas. Às terças, sextas e sábados ela prefere frios, frutas vermelhas e húmus. Já às quartas e sábados o cardápio tem que ter manteiga de amendoim, pão preto e cereais. Todos os dias a cantora quer em seu camarim 36 latas de cerveja, sucos frescos e uma tábua de queijos. Agora só falta descobrir o nome da dieta.

Calor humano
O cantor Antony Hegarty, líder da banda Antony and The Johnsons, surpreendeu a produção do TIM Festival com um pedido nada usual para estrelas em ascensão como ele: não quer nenhuma barricada de proteção entre o público e o palco. Normalmente o que se vê é o contrário, mas o artista inglês ouviu falar do calor do público brasileiro e quer senti-lo bem de perto.

Simplicidade
Conhecido pela simpatia, o cantor inglês Antony Hegarty, da banda Antony and The Johnsons, foi bem modesto nas exigências de camarim para suas apresentações no TIM Festival, em outubro. Além de frutas frescas, sanduíches e pequenas iguarias árabes, ele pede duas garrafas de vinho. Nada, porém, de marcas importadas. Sua única recomendação é que elas não custem menos de… 12 dólares (ou a bagatela de 24 reais!!!).

Bateria
A cantora Cat Power já é a campeã de exigências exóticas do TIM Festival 2007. Além de foto autografada por Bob Dylan e um par de óculos Ray-Ban no camarim, ela quer no palco uma bateria ‘vintage’. O instrumento tem que ser preferencialmente das marcas Gretsch, Ludwig ou Slingerland e deve ter sido fabricado somente entre os anos 60 e 70.

Flashback
O som nostálgico voltou com força total. Pelo menos é o que indica o gosto do elenco do TIM Festival 2007. Três dos artistas escalados para a edição deste ano usarão no palco o velho e bom órgão Hammond XK-3: além do organista americano Joey DeFrancesco, responsável por praticamente ‘ressuscitar’ o instrumento no jazz, e da cantora Cat Power, que o incluiu na formação da sua banda, o compositor escocês Craig Armstrong o escolheu como o principal personagem do show que apresentará ao lado do parceiro Scott Fraser. Os dois utilizarão vários Hammonds no projeto que batizaram simplesmente de ‘Winona’, ou ‘uma banda eletrônica vintage’.

Brotoeja
A equipe da cantora Björk surpreendeu a produção do TIM Festival 2007 por um detalhe muito peculiar: alguns dos seus 36 integrantes são extremamente alérgicos a determinados alimentos. No documento técnico que especifica as exigências da artista – conhecido no showbiz como ‘rider’ -, há um item marcado em amarelo que chama a atenção para a necessidade de se evitar, no bufê, pratos ou produtos que contenham os seguintes ingredientes: derivados de leite, açúcar refinado, vinagre, shoyu, cogumelos, lagosta e camarões.

Staff
Björk tem o maior entourage do TIM Festival deste ano. São ao todo 36 pessoas. Além de trazer seu próprio maquiador, a cantora incluiu na equipe uma babá. Mas, ao contrário do que imaginavam os organizadores do evento, a babá não é para os filhos da artista, mas para ela própria. A moça, islandesa como Björk e de apenas 26 anos de idade, tem nome de governanta alemã: Helga.

Top secret
Björk se inspirou em Madonna para driblar os fãs mais abusados que costumam ligar para os quartos dos hotéis onde se hospeda: passou a adotar codinomes. Os pseudônimos só são conhecidos pela equipe da cantora e mudam diariamente.

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Quando esteve no Brasil, em 93, Madonna registrou-se nos hotéis como Lola Montez, nome da famosa bailarina e cortesã irlandesa do século 19, amante do rei Ludwig I, da Bavária.

Inspiração
Pelas exigências que fez à produção do TIM Festival, tudo indica que a cantora norte-americana Cat Power pretende compor novas canções durante sua passagem pelo Brasil. Ela pede para o camarim um caderno em branco e lápis, muitos lápis.

A artista é conhecida pela maneira copiosa com que cria. Uma noite de insônia provocada por um pesadelo a inspirou a escrever em apenas algumas horas as canções do álbum ‘Moon Pix’, responsável por seu reconhecimento na cena indie rock.

Paladar
Originária de um dos países mais gelados do planeta, a Islândia, Björk tem hábitos alimentares peculiares. Diz que já experimentou carne de papagaio-do-mar, pequena ave típica de ilhas marinhas, e tubarão feito à moda islandesa, cujo processo é um tanto bizarro: depois de caçado, o tubarão recebe um jato de urina humana e é enterrado no solo por alguns meses. Depois é retirado, preparado e servido como fina iguaria.

Ao saber das experiências gastronômicas da cantora, a produção do TIM Festival tremeu nas bases. Mas logo se aliviou ao receber a sua lista de exigências: Björk quer apenas comidinhas simples, como frutas frescas e massas.

Gadget
Uma das grandes sensações do show ‘Volta’, que Björk traz em outubro para o TIM Festival, é o reacTable. O instrumento é uma espécie de sintetizador sem teclas. Para tocá-lo, o músico desloca diferentes objetos sobre uma mesa luminosa. Esta muda de aparência a cada movimento, exibindo animações e desenhos em sua superfície, graças a uma câmera e um monitor colocados sob a mesa. O som e os efeitos visuais, que o público pode acompanhar pelo telão, são de cair o queixo.

Pele
A produção do TIM Festival anda intrigada com a lista de pedidos recebidas até agora dos artistas que se apresentam este ano no evento. Absolutamente todos exigem que o bufê servido no camarim contenha hommus, a iguaria feita à base de grão-de-bico. Ficou a dúvida se tudo não passa de uma coincidente paixão pela culinária árabe ou se se trata de uma nova tendência gastronômica entre os descolados do circuito artístico internacional. Há quem defenda a tese de que o hommus faz bem para a pele, pois é fonte de ferro, vitamina C e proteínas e, quando consumido com pão árabe, contém todos os sais minerais necessários ao corpo.

Velinhas
Björk terá um convidado mais do que especial na platéia de seu show no TIM Festival, dia 26 de outubro, no Rio. O amigo e ídolo Milton Nascimento, de quem já gravou, em português, ‘Travessia’. Sua apresentação coincidirá com o aniversário do compositor. Tudo indica que ele ganhará um ‘Happy Birthday’ particular no camarim da cantora.

Ecológica
Cat Power solicitou um verdadeiro pomar em seu camarim para os shows do TIM Festival. Ela quer maças, uvas sem caroço, manga, melão, banana, tangerina, pêras e abacaxi. Tudo proveniente de horta orgânica. A cantora canadense pediu, ainda, tomate fatiado, hommus, rosbife e peito de peru – orgânicos também. Como ninguém é de ferro, um maço de cigarros light e outro vermelho, para rebater a refeição. Detalhe: na lista da cantora não há uma gota de bebida alcoólica.

Colecionadora
A cantora canadense Cat Power tem um gosto eclético, para se dizer o mínimo. Ela solicitou à produção do TIM Festival um par de cinzeiros. Até aí, nada demais. O que ela quer são cinzeiros tipo souvernir, daqueles que se vendem nas visitas ao Cristo Redentor, por exemplo. No fim dos shows ela leva os mimos para casa, onde guarda o resto de sua coleção.

Fresquinho
Craig Armstrong, que vem ao TIM Festival com seu projeto ‘Winona’ gosta de circular em ambientes fresquinhos. Para o seu camarim já pediu duas latas de aromatizador de ambientes do tipo neutro.

Funk das ginastas
Sucesso na noite underground de São Paulo, o Montage – que ostenta o título de ser a primeira banda de Eletro Rock do Nordeste brasileiro – vai apresentar uma inusitada homenagem às ginastas Daiane dos Santos e Daniele Hipólito, nos shows que vai apresentar na próxima edição do TIM Festival. Vocalista do grupo e autor da música “Ginastas cariocas”, Daniel Peixoto imita os movimentos das atletas, enquanto canta – acompanhado de um funk pesado – versos como “Ela pula, ela gira, ela dá cambalhota/ é no cavalo com alça, é na barra simétrica/ vai Daiane! Vai, Daniele! / Ela é adversária de Catarina Ivanov e toma sol no Posto 9”.

Formigas
Os integrantes do quarteto americano The Killers não estão nem aí para a crescente guerra contra os carboidratos dos amantes da boa forma. Em seu camarim no TIM Festival eles solicitaram dez barras de chocolate, um pacote de biscoitos com geléia de laranja, uma jarra de manteiga de amendoim cremosa, um pote de geléia de morango e cereais açucarados. Pura energia.

Festivais, festivais, festivais

O bolso vai chorar muito agora no fim do ano com as novas atrações que estão sendo anunciadas para se apresentar no Brasil. Depois do Planeta Terra confirmar o Tokio Police Club, Kasabian e Pato Fu junto aos shows do CSS, Lily Allen, Devo e Supercordas, foi o Goiânia Noise que deu só um gostinho do que está vindo por ai com 10 atrações para a edição deste ano. Seis delas são gringas: Battles, The Legendary Tigerman, o duo chileno Perrosky, The DTs, o argertino Sebastian Rubin e os uruguaios do Motosierra. Para completar a prévia, tem também MQN, Mechanics, Ecos Falsos e Mundo Livre S/A.

O 13º terceiro Goiânia Noise será entre os dias 23 e 25 de novembro, apenas 15 dias após o Planeta Terra e um mês após o Tim Festival. O show do Battles e os DT’s estão na listas de imperdíveis do ano. Já o Tigerman, eu tive oportunidade de assistir numa edição passada do Abril pro Rock e não foi tão empolgante assim. Teve um pouco a ver com o público reduzido e o fato de que informação demais – o show dele tem muita informação, com filmes e garotas seminuas no palco – sempre choca na primeira impressão. Quem sabe agora ele tem mais sorte.


Essa abundância de festivais me lembra muito o fenômeno da cauda longa. Aquele que diz que os mercados de nicho estão desbancando o de massas. Tem tanta informação circulando, com tanta gente absorvendo, que simplesmente existe um público impressionante atrás de boa música. Eu falei aqui do Coquetel Molotov, mas se
liga só como foi o Se Rasgum no Rock, que rolou lá no Pará:


Cabaret é favorita aqui da casa, então sou suspeito para dizer que quem perdeu, já tem motivo para se arrepender. Enquanto Marvel – que virou muso-pop-trash por três dias no finado papelpobre – vomitava glitter no público, os Astronautas transformavam Minas Gerais no espaço sideral quando tocavam no Jambolada. Olha só as fotos:astronautas.jpgE no Multiply da Adreana tem muito mais foto do que rolou por lá.


Enquanto isso, em João Pessoa, o Festival Mundo mostrava que a cidade tem muita competência para ter uma grande estrutura de shows. E saiu com um saldo muito mais positivo que o esperado, graças as pessoas que acreditaram nesse potencial da região. No pique que está, o Nordeste vai ficar um lugar pequeno demais com tantos shows e bandas conseguindo um bom espaço.fossel.jpgE tem um montão mais de fotos do Mundo no flickr do Anderson


Sou só eu que acha impressionante quatro festivais de médio porte tão legais acontecendo ao mesmo tempo ao redor do país? Acho que não. Confere lá a cobertura que o Luciano Mantos fez do Se Rasgum.Esse mês ainda rola o Garimpo, organizado pelo pessoal do programa de TV Alto Falante em Belo Horizonte, e em novembro tem o Demo Sul, em Londrina. Mas depois dessa enxurrada de eventos, quem vai povoar os festivais do próximo ano? No fim de semana eu dou umas dicas de gente que anda atualizando o MySpace de música nova e de qualidade. Fica atento!

Adeus inesperado

Demorei um tempo para descobrir que o nome de D2 era, na verdade, Rafael. Nos conhecemos no colégio, eu no Contato Centro, ele no Lubienska. Em tempos da turma do M.U.T.C (nem queira saber o que é a sigla) e a dos festivais de bandas de colégio, onde tocavam Jack in the Box, Coff Joe e o Play Damião. Ainda estávamos longe de pensar em vestibular. Mais longe ainda de imaginar que, quase 10 anos depois, seu novo apelido seria O Rafa, e ele estaria tocando com o Mombojó no maior festival de música do Brasil e eu estaria lá fazendo a cobertura para um jornal.

Quando recebi a notícia, me dei conta também que nos meus quatro anos de redação, nunca pensei que um dia escreveria sobre o falecimento de um amigo. E não escrevi. Tudo foi acontecendo tão rápido que pedi a minha editora que outra pessoa o fizesse. Como amigo e multi-instrumentista, Rafael fará uma falta enorme ao Recife. Bastava um olhar rápido em seu velório para perceber que poucas pessoas juntariam tantos grupos diferentes da cidade, em tão grande número.

Na Internet
Nesta última semana, o site TramaVirtual recebeu o cadastro de mais de 150 bandas de Pernambuco. A bolha da produção local estourou e quem quiser mostrar um trabalho de responsabilidade, precisa pensar em um espaço próprio. Quem fez isso muito bem essa semana foi a banda Terceira Edição. No endereço www.terceiraedicao.com.br já e possível ouvir todas as músicas do próximo disco.

Revista
Tive a oportunidade de ler esse fim de semana a nova edição da Coquetel Molotov. A revista está com Cibelle na capa que deve ser a mais bonita até agora. Com um projeto mais bem resolvido, traz mais resenhas e agora cobertura de shows, além das tradicionais entrevistas. A festa de lançamento será ainda este mês.

Prêmio
Semana passada foi divulgado o resultado do prêmio Toddy (antigo Dynamite). O Abril pro Rock ficou em primeiro lugar na categoria festival, vencendo nomes como o Tim Festival, Nokia Trends e Live N Louder. Pernambuco teve boas colocações em quase todas as categorias que passou, com Negroove e Astronautas entre os 5 melhores discos do ano.

Tim Festival 2006

Daft Punk

RIO DE JANEIRO – Na Grécia antiga, filósofos como Aristóteles passaram a vida definindo o que era a catarse. Já nesse nosso tempo hipermoderno, a dupla Daft Punk dedica sua carreira praticando a catarse. Um verdadeiro ritual de purificação da alma através de uma descarga .emocional, visual e chapante, como nesta inesquecível última edição do Tim Festival, na Marina da Gloria no Rio de Janeiro.

Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter, dupla que forma o Daft Punk, são os personagens certos para fazer a reflexão do fim do festival. Mesmo com um show restrito no formato profissional, mesclando (literalmente) os sucessos de seus três discos de estúdio, eles mostraram que a repetição, hoje, ganha um novo sentido quando o que importa é a performance do palco.

Do alto de uma enorme pirâmide, com uma atmosfera de disco voador, eles eram quase imperceptíveis usando capacetes de robôs. Controlavam a mistura do som, as batidas e o jogo viciante de luz que marcava o ritmo para o público. Todos pulavam e vibravam sob o comando das frases “ write it, cut it, paste it, save it, load it, check it, quit it”. Resultado de uma apresentação tão envolvente foi o encerramento repentido, mesmo após 1h30 de show, sem direito a bis.

Antes do Daft Punk, quem declarava o inicio do Tim Festival era a paulistana Céu. Show bom, no clima certo de receptividade da que deve ser a melhor voz do novo repertório brasileiro. Depois dessas duas atrações, o resto não passou do curioso. Com a exceção talvez do Devendra Branhart, que fez uma apresentação lamentável de músicas folks com cara de puro truque.

Noite feminina
No sábado, o clichê na boca do povo é que aquela seria uma noite das mulheres. Principalmente pelo show de Patti Smith. Uma apresentação que exigia um mínimo de contexto do público para entender que ela era uma das principais bases do rock and roll. Sem isso, e principalmente depois da apresentação do Daft Punk, ficaria apenas na repetição enfadada do formato guitarras e bateria.

Mas não para Patti Smith. Com toda elegância de quem cospe metade da água do corpo durante uma hora de palco, ela entoa hits como Because the Night para provocar delírio num público que varia muito de idade. Por isso, o mais do mesmo acabou caindo em Karen O, do Yeah Yeah Yeahs. Mesmo com um show mais rock, pesado e performático, a banda ficou devendo um pouco de tempero. O boato que circulava era que, naquela hora, a catarse mesmo estava no show do TV On The Radio, no palco vizinho.

O Tim Festival encerrou com seu maior público no domingo. Todos declaradamente para ver os Beastie Boys. Prova disso foi o show confuso e quase vazio que o gaúcho Marcelo Birck fez para abrir a noite. Parecia que a noite teria clima de ressaca de fim de festa. E quando, no Tim Stage, o DJ Shadow trazia o MC mais chavão que já pisou no Brasil (gritando somente “Are you Ready?” a cada dois minutos), a teoria estava perto de se confirmar.

Mas o falador saiu. O DJ entrou com um set matador e que esquentou bastante o ambiente de ansiedade. Quando os Beastie Boys entraram, o ciclo da catarse estava completo. Um quase desespero de pessoas pisoteando o show com força, querendo ser ouvidas. Das três noites, o hip hop foi de longe o mais divertido do Tim Festival. Um show aberto, cheio de dialogo para um publico que não tinha dificuldade de entender o idioma inglês.