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Mombojó confirmado no Tim Festival

A organização do Tim Festival confirmou, hoje a tarde, a participação dos pernambucanos do Mombojó na programação do evento (dias 27, 28 e 29 de outubro). É o terceiro ano consecultivo que eles escalam um nome pernambucano. Em 2004 foi o Mundo Livre S/A que abriu para os Strokes. No ano anterior foi a Nação Zumbi.

Outros nomes nacionais também foram confirmados. Marcelo Brick (RS), rock gaúcho com um filtro eletrônico; Céu (SP) e Pet Duo (SP). Ela já é conhecida como nova voz revelação da MPB, enquanto o duo é um casal já conhecido da noite paulista. Fazem parte do refinado cast da Smartbiz.

A programação final do Tim Festival está prometida para o final do mês. Próxima semana vocês ainda conferem aqui uma exclusiva relacionada a escolha dos nomes, uma entrevista com a curadoria do evento.

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Mombojó – Homem Espuma

Na estante do novo rock

Bata as palmas e diga “yeah”, aliás, diga “Yeah, Yeah, Yeah”. Três vezes seguidas, porque chegou o segundo round das bandas que estouram na Internet pelo menos três meses antes de você começar a ouvir falar nelas. Cinco discos, todos lançados de uma só leva, para um público alvo que já sabe o que esperar (aliás, que já tem todos em MP3). Foram as melhores bandas da semana que vazaram na rede e agora, nas lojas, voltam ao posto de prestígio. Pelo menos dois meses de vida-útil certa, até que o próximo round vier com mais deste “novo rock”. É o método peneira digital dando certo.

No topo da lista, está “Show Your Bones”, da banda Yeah, Yeah, Yeahs. Perigoso, de tão viciante. A banda, formada em 2000, começou fazendo shows de abertura para as bandas The Strokes e White Stripes; origem inconfundível das influências. Eles só ganharam o mainstream indie (se é que isso existe) em 2003, com o hit “Maps”, do primeiro disco “Fever to Feel”. Com execução garantida nas rádios alternativas, eles só precisaram de um clipe dirigido pelo cultuado Spike Jonze (que assina, entre outros, os vídeos do Fatboy Slim) para entre em 10, de cada 10 posts dos blogs sobre música.

Em dois anos eles conquistaram quase tudo, inclusive um elogiado DVD com cenas de dois shows; sinais de uma banda com ritmo “fast food” de vida. Mas em “Show Your Bones”, lançado aqui pela Universal, o YYY volta mais limpo e direto, sem firulas, muito mais legal. “Honeybear” é a prova de fogo. Quem resistir a vocalista Karen O nos refrões “runaway, runaway, you want it”, pode parar por aqui. Aliás, como ela mesmo abre na música “turn yourself around, you weren’t invited” (vire-se, você não foi convidado).

Na sequência, chega também edição nacional do homônimo Clap Your Hands Say Yeah. Disco de estréia da banda, lançado ano passado nos Estados Unidos, conquistou logo de cara um prêmio do site exageradamente criterioso Pitchfork Media (que conta nos dedos a quantidade de notas 10 dadas para discos e bandas). A banda mais hypada do ano vêm de Nova York e tem na lista de fãs o nomes dos David’s Bowie e Byrne; e o segredo do sucesso na música “In This Home on Ice” . “Agora que estou tão triste e não muito bem / eu podia dançar a noite inteira”, são os versos para a pior noite nas melhores festas.

Depois dessas duas, não estranhe quando começar a surgir bandas com nomes longos e divertidos. Mas aquelas com nomes curtos e incomprrensíveis ainda cantam novidades. Dessas, The Brakes é a mais legal. Filha da Rough Trade, cultuada gravadora indie, eles chegam no Brasil via Trama, com “Give Blood”. O disco tem todas as introduções, meios e fins que alguém gostaria de ouvir numa festa decente. Aliás, ele dá a dica disso na ótima “All Night Disco Party”, música feita para ecoar em casas lotadas e abafadas de calor humano.

Quem encerra a lista é o The Rakes, com “Capture / Release” e escalação confirmada no Sonora Festival (ex- Curitiba Pop Festival). A banda queridinha da crítica faminta por criar modas começou abrindo shows do Franz Ferdinand e faz um rock na linha Bloc Party. É produzida, aliás, pelo mesmo Paul Epworth. Se eles são ou não “a salvação do rock” como escrevem por ai, só o tempo vai dizer. Quem quiser esperar, são recomendadas “Retreat” e “22 Grand Job” de trilha sonora para criar um clima mais que ótimista para a resposta final.

Do mesmo saco
Tem muito mais banda de onde essas vieram. Se lançar na Internet, hoje, já é muito mais lucrativo que um contrato com qualquer gravadora. Quem quiser se adiantar, vale uma visita por semana no site MySpace. Estão lá a página do super novo “Be Your Own Pet”, que antes de completar cinco músicas já era capa das principais revistas especializadas dos Estados Unidos e Europa. É obrigatório também fazer o download de “Crazy”, do Gnals Barkley. Parece, mas não é nome de cantor. É como foi batizado o projeto de fim de semana entre os rappers Danger Mouse e Cee-Lo.

Dois gumes no MySpace

Cuidado quando for colocar suas músicas no tão celebrado MySpace. O site, que nos Estados Unidos serve só para paquera, virou febre para as bandas pelas facilidades que oferece em criar uma “rede social” de música. Gente que não deveria ter saido do bairro, tipo o Arctic Monkeys e o Gnals Barkley, tem seu nome repetido em várias cidades do mundo. “Fenômeno” é apenas um, dos tantos adjetivos, que eles ganham.

Acontece que, depois de pagar U$ 580 milhões pelo site, o Yahoo parece ter finalmente descoberto como ganhar dinheiro com ele. Uma brecha nos termos de compromissos, aquela página que ninguém realmente lê, traz uma nota afirmando que ao aceitar os termos no MySpace, você dá permissão para a empresa “copiar, modificar, adaptar, traduzir, representar, publicar, armazenar, reproduzir, retransmitir e distribuir” sua música. Numa confusão que acabou nos tribunais, o Arctic Monkeys quase perdeu os direitos por suas músicas.

Festivais
A programação do festival já começa a se desenhar. Também o boato de que este ano vão repetir a edição principal na cidade do Rio de Janeiro e não em São Paulo, como estava programado. A primeira banda a confirmar presença lá é a Devendra Branhart, grupo folk que esteve na abertuda do show do Mutantes, em Londres.

Em Curitiba, a primeira confirmação no Curitiba Rock Festival é a banda Ladytron

Por sinal
Falando em Mutantes, já está na Internet o show que eles fizeram no Barbicam Center, em Londres. Não é difícil encontrar. A dica é não procurar nos programas de troca. A nova febre dos downloads são os blogs que oferecem discos completos, geralmente temáticos sobre o gênero. Os que trazem música nacional só tem preciosidades, tipo os discos de Elis Regina de 1969 e a discografia de Lula Côrtes.

Mais Internet
Aproveitando esse papo online, o Podcast do CirtuitoPE está com uma entrevista com Marcelo Campelo, o Mombojó que mais dá entrevistas hoje, falando sobre o novo “Homem Espuma”, lá no www.circuitope.org. No Orkut, você já pode entrar na comunidade do PopCast, programa apresentado por mim aos sábados junto a Daniela Arrais na Rádio Folha, para opinar e participar. Tem o link no www.popcastfm.com

No clima

A Prefeitura de Olinda está de parabéns pela iniciativa de criar um festival de jazz (mais detalhes do evento neste caderno Programa). Falam do pouco espaço que o rock tem no Estado, mas quando se trata do gênero que deu vida a música popular, ele ainda se comporta aqui da mesma maneira que estava em Chicago, 1940. Nos becos, para um público restrito e estranho.

Conhecer o jazz é fundamental para o bom amante da música. Então, para entrar no clima, cate umas músicas de Charles Mingus, Thelonius Monk, Duke Ellington, John Coltrane e Chet Baker. O ritmo tem duas divisões clássicas, o Cool, tranqüilo, relaxante e cheio de idéias; e o Bebop, rápido, dançante e contagiante.

As autobiografias de Mingus e Chet Baker, ambas lançadas pela Jorge Zahar, são essenciais. Para fazer a tarefa de casa bem feita, é bom também conferir um pouco literária beatnik, nos livros de Jack Kerouack, Bukowski e Fante. O jazz é pano de fundo para as melhores histórias deles.

Tim Festival
Em Salvador, a casa com a melhor estrutura para receber o Tim Festival (e possivelmente o Radiohead), o Teatro Castro Alves, só tem espaço para duas mil pessoas, que não podem dançar nem usar bermuda. Chame de bairrismo, mas Recife ainda é uma melhor opção.

Tributo
Tudo bem que a influência do Legião Urbana no rock nacional é grande. Mas fazer um tributo oficial com uma faixa por Chorão (como assim, Chorão?) foi uma opção, no mínimo, estranha.

A voz do povo
Segundo a lista dos mais vendidos da Loja Passa disco, Pernambuco está entre 4, dos 10 mais. Se contar o Nordeste, são 6, que só não vencem Marisa Monte e o Tributo a Odair José (que tem 3 bandas daqui).

Strokes – First Impressions of Earth

O ritual já ficou datado e, muitas vezes, até brega. Quando a terceira música termina, a primeira já está sendo encaminhada para outras quatro pessoas desconhecidas. Com 30 minutos, um bando de viciados ansiosos já está com o novo disco do Strokes completo no computador. Quando “First Impressions of Earth” for lançado oficialmente em janeiro provavelmente já vai estar cansado de tanto tocar por ai, perdido nas festas.

Os Nova Iorquinos, que abriram as portas, em 2001, para aquele rock que soa velho, cheira a mofo, mas não deixa ninguém letárgico, estão de volta. Graças a eles, você certamente já conhece muito mais músicas do que significados para a palavra letárgico. Graças a eles também, o som ganhou mais fichas para continuar nessa partida por mais dois anos.

Quem escutou o primeiro hit, “Juicebox”, pode ter tido a impressão que a banda partia para uma re-invenção. Longe disso. “First Impression” cumpre seu papel, coloca o Strokes de volta na “top 5” das bandas indies que ditam a moda. Mas, no geral, é um disco sem surpresas. Tudo bem, dentro do esperado. A banda já não tinha vencido a síndrome do segundo. Perdeu também a luta contra o terceiro.

“Heart in a Cage” chama atenção, mostrando eles cedendo um pouco para a moda White Stripes. Baixo bem forte e riff dançante. O Strokes começou como uma banda de guitarras, mas agora a bateria vira o protagonista mais forte desse “exportação tipo festa”. Isso quer dizer que eles estão investindo menos no retrô e mais no rock cru.

A exceção é a baladinha “You Only Live Once”, que abre as 14 faixas do disco. Como primeira impressão, ela fica bem longe desta nova terra dos Strokes. Diferente também é “Hawaii”, que não entrou no disco, mas a banda mostrou durante o show que fez no Tim Festival. Assim como o novo disco, ela já está circulando na Internet.

Escute: You Only Live Once

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Franz Ferdinand – You Could it Have so Much Better

Publicado originalmente em 17.12.05