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Franz Ferdinand – You Could Have it so Much Better

Não tem nada de novo para a música em “You could have it so much better”, novo disco do Franz Ferdinand. É a exata mesma sensação de ouvir o primeiro disco. Ainda bem. E não é porque ele está circulando pela Internet desde setembro, mas sim a textura velha que, sem motivo nenhum, pareceu ser a grande novidade de 2004. São 13 músicas, todas hits fáceis, que vão garantir mais um ano inteiro para o plano do vocalista Alex Kapranos de fazer as garotas dançarem nas festas. Ainda bem.

Talvez pela falta de impacto e surpresa, “You Could have it…” não chega a superar seu antecessor na primeira audição. Precisa de um pouco mais de tempo. O que era dor de cabeça das gravadoras, virou estratégia de jogo baixo. Franz Ferdinand circulou por tempo suficiente para fazer deste CD uma necessidade para quem gosta de rock’n’roll da fórmula mais simples. Não tem nada de novo e, de novo, vai ser esse o principal motivo das vendas.

Mas é claro que, para o Franz Ferdinand, o novo disco tem sim muita coisa diferente. Agora que a brincadeira deu certo, a banda decidiu tirar os efeitos em excesso das músicas, deixando tudo a cargo dos instrumentos num formato mais fácil de se imaginar em apresentações ao vivo. “Do You Want To”, a de trabalho, já cansou no repertório de festas, com a ótima introdução “quando eu me acordei hoje a noite / eu disse “vou fazer alguém me amar” / e agora eu sei que é você / você tem tanta sorte”.

Ainda assim, não faltam boas coisas para se encontrar nas faixas. Elas vêm na seqüência “You’re the reason i’m leaving”, “Eleanor put your boots on” e “Well that was easy”. Mostram a flexibilidade do Franz Ferdinand em trabalhar hits num tom bem próximo e de referência descarada aos Beatles. A terceira é para mostrar como isso ainda consegue ser feito com uma roupagem contemporânea sem soar clichê demais, caso dos conterrâneos de palco Strokes e Kings of Leon, que não sobreviveram tanto no segundo disco.

Lá fora, o Franz Ferdinand está sendo paquerado por todas as grandes gravadoras e uma segunda versão deste disco já começa a ser distribuído pela Sony. Aqui, para também ter novidade, “You Could Have it So Much Better” vem com disco duplo. O segundo é um DVD curtinho, mas merecido. São vídeos da banda no estúdio, entrevistas, clipes e galerias de fotos. A contrapartida do brinde, claro, é o preço final do CD. Um tanto salgado.

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Strokes – First Impressions of Earth

Publicado originalmente em 26.10.05

Nação Zumbi – Futura

Mais aguardado na música independente nacional do que o resultado da CPI do Mensalão, o novo disco da Nação Zumbi chega nas lojas do País na segunda-feira. “Futura”, que já tinha uma prévia circulando pela Internet no último mês, é o sexto da banda que estava há três anos sem novidade na praça. Período que rodou o mundo, absorveu referências, influências e transformou seu som em pleno palco.

A espera foi longa, mas antes de apertar o “play” é preciso se livrar de qualquer expectativa do que pode ser encontrado nas 12 faixas de “Futura”. O maracatu da Nação Zumbi perdeu uma tonelada, está menos percussivo, mais elétrico e até mesmo eletrônico. O pé, ainda com um cheiro forte de mangue, está fincado agora com muito mais força no dub, numa experiência linear, reflexiva e dançante. Sinais que a banda já mostrava no anterior homônimo.

A expectativa não vale nem sequer para a primeira impressão de “Hoje, Amanhã e Depois”, hit fácil e certo que já é trabalho de divulgação. O que segue no disco está mais contido, melancolico, conduzido de forma elétrica da marcação do baixo e guitarra. Em segundo plano, a percussão é acompanhada por efeitos e rebites eletrônicos que vão de VK7’s, TR808 (teclados sintetizados) a sons de videogames.

O primeiro grande surto vem na faixa sete, “Expresso da Elétrica Avenida”. Puxada por uma batida eletrônica, quase feita para as pistas de dança não fosse o grave da voz de Jorge du Peixe. Dela em diante, o disco fica agitado, com batidas mais fortes, chegando a lembrar os trabalhos anteriores da banda. “Pode Acreditar”, nome da penúltima música, é a palavra de ordem para “Futura”. Nação Zumbi surpreende, tirando o excesso regional do rock pernambucano.

Na sua fase mais psicodélica, a Nação Zumbi não só deu um tempo na batida do maracatu, como também dosou os instrumentos. “É um pouco da técnica do gringo que está trabalhando com a gente. Ele já tinha feito um pouco disso no anterior, só que agora ele estava com a gente desde o início”, explica o baixista Dengue, em referência a Scott Hardy.

“A gente procurou fazer umas levadas mais livres, não está mais preso a um certo regionalismo”, comenta. Depois de três anos na estrada, fazendo o show do DVD, ele reflete que esse é, provavelmente, o disco mais pensado por toda a banda. “A gente teve tempo de conversar bastante, na hora que entrou em estúdio ainda conversou mais. E isso fez uma diferença muito grande no ‘Futura’”.

Dos planos da banda para esse disco, ficou de fora o sampler com um discursso de Che Guevara, porque a gravadora não conseguiu os direitos do áudio. “Foi um discurso antigo que ele fez em Cuba, algum universitário acabou prensando em vinil. Precisamos tirar em cima da hora para não perder a música”, lembra. Agora, a banda prepara a turnê de divulgação de “Futura”, que deve chegar no Recife em dezembro.

Publicado originalmente em 12.10.05

Fazendo justiça

Da coluna Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

Sempre fui muito preocupado em falar alguma bobagem grande nessa coluna, mas confesso que não imaginei que demoraria tão pouco tempo. Foram as últimas linhas do texto anterior, onde cometi um erro de ordem genética ao dizer que Fabrício Neto, da Monstro, era filho de Miranda, da Trama. Agradeço a Guilherme, do RecifeRock, pela correção que me fez reler o texto todo e encontrar a verdadeira bobagem que quero comentar aqui.

Foi na última linha, lá no finzinho, onde me parece que fui bem pedante a dizer “se deu mal o garoto”, me referindo às bandas desclassificadas no Claro que é Rock. Ora, elas saíram da competição justamente porque estão em lojas ou em contato grande com o público consumidor e, obviamente, não estão longe de estar mal. Afinal, muita das finalistas estão ainda distantes de ter as conquistas que as bandas da Monstro, como a Bois de Gerião, já têm.

Publicar algo escrito é sempre complicado, porque o autor dificilmente está satisfeito com o trabalho final. Por isso, quando eu acabo, nem passo outra vista. Mando logo para quem cabe fazer o restante (corrigir os erros, retirar um ou outro trecho desnecessário, etc). E, nessa agonia de não reler, acabei esquecendo também de falar dos pontos positivos da entrevista com Fabrício, informações que até então não circularam nos jornais.

A Monstro criou um novo selo para distribuir bandas que não se enquadram com o perfil mais guitarras pesadas deles. Entre as escolhidas para o primeiro trabalho está, ninguém menos, que o pessoal do Parafusa. Uma união muito justa principalmente para a banda, que tem trabalho de ótima qualidade. Passeando pelos shows, o produtor também não deixou de se impressionar com a iniciativa e música dos Playboys e não tardou em pedir material deles, para uma audição mais tranqüila depois.

Vale lembrar que, nas mãos dele, está a programação de três eventos importantes: o Goiana Noise Fest, o Bananada e o Goiana Rock City. Essa aproximação deve significar portas abertas para o rock pernambucano em edições futuras. Encerro a retratação só me explicando que, não foi nenhuma repreensão (sequer imagino que o Fabrício saiba da existência dessa coluna). Não acredito que jornalistas, bandas e gravadoras estejam no mesmo barco. Mas acredito que jornalismo ainda pode ser bem feito, então não custa nada dar informação certa e sensata de vez em quando.

Aproveitando o gancho de bastidores, aproveito para comentar também o enorme lapso de timing que existe entre bandas e produtores. Uma comum que percebi ao conversar com organizações de eventos como o Abril pro Rock, Mada e o próprio Goiana Noise, é que as bandas sempre deixam para enviar material muito em cima do tempo. Achando que um evento de grande porte se faz da noite para o dia.

Para se ter uma idéia – e fica aí o toque para as bandas – segundo Paulo André, o Abril pro Rock fecha a programação perto do fim de dezembro. Isso significa mandar material pelo menos três meses antes e, nesse meio tempo, batalhar para conseguir aparecer no fim de semana da cidade. Porque, como já comentei antes, as escolhas ainda são muito engessadas no cotidiano da cidade. Lógico que, raras exceções como o Superoutro, mostra a iniciativa que a banda tem para conquistar espaço (no caso da citada, bancar a viagem para tocar lá fora).

MOLHANDO O BICO

Uma banda que eu aposto muito no quesito de iniciativa é o Carfax. Eles têm tanta certeza que o som deles é bom que fizeram um esforço fora do comum para comprar o próprio palco. É aquela história de estar no mesmo barco. Grupo nenhum está no mesmo das casas de show.

Depois de fazer uma temporada com Roger, o Carfax está procurando por outras bandas locais que, como eles, estejam motivados pela insatisfação e queiram tocar junto. O contato deles é fácil de encontrar na comunidade que a banda tem no Orkut.

Publicado originalmente em 09.05.05