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Noites Abrafin no Porto Musical

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Além da programação de conferencistas, que já falei aqui no Pop up (representantes do SXSW, LastFM, Sire Records, só para listar alguns), e dos showcases que saiu recentemente no site oficial (Curumin, Mad Professor, Burro Morto, entre outros), o Porto Musical vai hospedar uma das reuniões anuais da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin). Aproveitando a passagem de produtores de eventos em todo o país, acontece na cidade mais uma vez a “Noites Abrafin”, este ano em parceria com a turma do Fora do Eixo.

Quem produz as três noites, que terão basicamente bandas do Nordeste – a exceção é a Dimitri Pellz do Mato Grosso do Sul – é a turma do Lumo Coletivo. Eles descolaram o palco no primeiro andar do bar Burburinho, perto de onde tudo acontece no festival. A ótima programação encerra com as três melhores bandas de rock da cidade – Vamoz, Amp e Sweet Fanny Adams – e também apresenta o novo som da Nublado (PB) e Rejects (RN), que foram citadas recentementes aqui no blog.

Dia 18
23:30 Amps & Lina (PE)
00:10 Calistoga (RN)
00:50 Irmãos da Bailarina (BA)
01:30 Sweet Fanny Adams (PE)

Dia 19
23:30 Nuda (PE)
00:10 Nublado (PB)
00:50 Reject (RN)
01:30 Vamoz (PE)

Dia 20
23:30 Candeias Rock City (PE)
00:10 Plastique Noir (CE)
00:50 Dimitri Pellz (MS)
01:30 Amp (PE)

March to Sickness – A Brazilian Tribute to Mudhoney

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É fascinante como o Brasil, mesmo recebendo shows de produções gigantescas, de diversas bandas lendárias, teve seu sua cena rock afetada, controversamente, pela passagem de bandas menores no circuito dos Estados Unidos. Talvez porque nessas passagens o contato com o público e outros grupos tenha sido mais forte. Mas desde a primeira vez que nomes como o Mudhoney e Man or Astroman passaram por aqui que fizeram surgir, no rastro, novas bandas, novos festivais e até mesmo novas cenas. Fazer um tributo a alguma delas, portanto, só parecia parte natural do processo.

March to Sickness, que está sendo lançado pela Monstro Discos, tem além dessa justificativa, os 20 anos de formação da banda, a turnê de volta que o ícone grunge Mark Arm e o Mudhoney fez pelo Brasil em outubro passado e as ações de comemoração de 10 anos do selo. Foi a quarta vez que a banda passou pelo país e, coincidência ou não, todas as outras vezes (2001, 2005 e 2007) marcaram transformações na cena independente. Seja estéticamente, quando uma nova geração rock lançava as primeiras gravações em 2001, ou em termos de mercado, quando a Associação de Festivais Independentes se formou em 2005.

Teorias de conspiração a parte, o Mudhoney ficou umbilicamente ligada a cena brasileria. Quase como uma daquelas bandas amigas, só que mais velha e com aparições mais raras ao longo do ano. E, nesse processo, acabou influênciando uma série outras menores bandas do país. Como o Walverdes, que abre esse tributo com Suck You Dry, primeiro single do disco “Piece of Cake“, que foi lançado um ano antes da banda gaúcha ganhar vida. Mas as conspirações são mesmo a parte no repertório que segue mais livre.

O mais legal do March to Sickness é que cada banda mostrou como uma música do Mudhoney ficaria se tivesse sido criada por eles. Um desavisado acharia que Poisoned Water era mesmo do MQN, ou que Well Well Song é uma baladinha eletrônica do Lucy and the Popsonics. Nesse clima, a melhor de todas fica com o Autoramas, que fizeram um versão space rock para In’n'Out of Grace, seguido pela Vamoz, com um rock on-the-road para Pokin’ Around, que transforma a gaita em guitarra em uma versão quase épica.

Também chama atenção os paulistas Detetives, cantando em Blinding Sun em espanhol. Além da arte do disco, um tributo inteiro a parte, assinada por “Márcio Mechanics”, que canta uma das versões mais clássicas do Mudhoney em todo o repertório, Here Como Sickness. O CD já está nas lojas em formato digipack, o que dá ainda mais charme ao pacote completo.

É claro que não dá para forçar a barra e dizer que a geração inteira daquele começo até hoje tem referências diretas ao Mudhoney. As versões de  Pitty e da já finada The Sinks são distantes demais e parecem muito mais experiências próprioas com os pais do grunge apenas como pretexto para tocar algo novo. Já as paulistas Holger e Debate levam essa idéia ao extremo e a associação já fica impossível. Mas talvez esses pontos de vistas totalmente alienigenas sejam a parte mais rica desse tributo.

O Mudhoney não deu origem a um “grunge brasileiro”, já que qualquer tentativa para esse lado puxou direto dos canônes Nirvana e Pearl Jam, mas acrescentou peso e atitude nas bandas que surgiram ao longo dos anos 90. Agora é esperar que os heróis dessa nova geração também se tornem bandas amigas, com voltas sempre repetidas pelo Brasil. Fico pensando aqui qual será o tributo que vamos ouvir no final da próxima década.

A foto que abre o post é de Daigo Oliva

Para ouvir | Vamoz – Pokin’ Around

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Para comprar | Monstro Discos

Popcast #11 – Rock duro!

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O Podcast andava muito eclético. Percebi que nas edições anteriores quase não tinha rock sendo tocado na programação. Esse é, portanto, o programa da redenção. Tem música e novidade do Walverdes, Amp, MQN, Macaco Bong, Helmet, Vamoz e Dinosaur Jr.

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A foto que abre o post é de Marcelo Lacerda. Foi durante um show do MQN no Recife. Na esquerda estão Capivara (Amp) e Eline (Hang the Superstars) e na direita ainda tem o Vitor (Black Drawing Chalks). Festão!

Vamoz – Damned Rock n’Roll

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Talvez essa seja uma associação baseada demais em experiências pessoais, mas não consigo ouvir as músicas de Damned Rock n’Roll, o segundo disco da Vamoz, e não pensar que são canções solitárias. A ausência do baixo nunca é compensa por guitarras graves, o que sempre reforça temas melancólicos como o de “You are Right”, que abre o repertório. “Este é o rock, ele nos fez livre” é uma exaltação a própria condição da banda, o que me dá um pouco de conforto em pensar que minha suspeita sobre um disco solitário não seja apenas reflexo meu como interlocutor.

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Porque naquele ofurô da década de 90 tiveram algumas bandas que navegaram sentido contrário. Decidiram trocar as alfaias por ainda mais guitarras e seguir cantando em inglês. Mas apenas a Vamoz levou isso realmente a sério. Talvez a solidão se encontre ai, enquanto eles cavavam sozinhos um pequeno espaço na parede sonora de Pernambuco, abrindo espaço para surgir algumas das bandas mais legais nessa primeira década. A sensação de que o trio não estava confortável na condição de heróis da resistência aparece escondida em trechos como “looks like everybody’s talking about you” e “hype music is a bogus show”.

Mas Damned Rock n’Roll não é sobre mensagens secretas ou entrelinhas. É uma constante auto-afirmação ao amor pelo rock. O gênero é um tópico tão recorrente nas canções quanto a própria frustração pelo amor não correspondido ou desencontrado. Eles aparecem como antagonistas aqui, com uma canção que diz “found me crying deeply” e “I got snow reminding me how I miss you dear” em oposição a “the Sonic Youth is here today” e claro, a grande máxima da banda, “rock n’roll saved my soul again”.

Esse misto de fúria e desolação chega a um ponto em comum na música que dá nome ao disco. Nela, quem escuta é deixado a sua própria interpretação, enquanto a batalha entre as guitarras segue as coordenadas da bateria sem nenhuma letra ou voz de acompanhamento. É quando todas as referências sonoras que passaram pelas canções são reunidas, mostrando como a Vamoz consegue processar tanto o folk rock e o hard rock sem se transformar em um frankstein desorientado.

Nesse embate entre a desilusão do amor e a paixão ardente pelo rock, talvez a última vença. Já que passadas as sensações em jogo, percebe-se que Damned Rock n’Roll não é um projeto solitário. Do quarto membro escondido, Felipe Vieira, que assina quase todas as letras, ao encarte recheado de logomarcas de diferentes estúdios, diferentes selos e até instituições de ensino, percebe-se o coro que se juntou para dar voz a este segundo disco da Vamoz. Esse ensaio de indústria, a sintonia dessa cooperação toda, é coisa rara de ser vista em uma cidade como Recife.

Talvez seja essa sintonia que defina a Vamoz com a banda de rock mais importante em atividade na cidade. Que coloque o trio Marcelo Gomão, Henrique Müller e Pedro Henrique como – com o perdão da repetição – heróis da resistência da cena local. Esse disco carrega o DNA de bandas como Sweet Fanny Adams, Amp e The Keith, que começam a dar nova vida a um Recife que passou muito tempo sob o regime do regionalismo.

Lançado em 2007, Damned Rock and Roll acaba de ser liberado totalmente para download pela banda. Tem um faixa a faixa no site oficial, mas eu reuni todas aqui em um único arquivo para quem quiser baixar o pacote completo. Lembrando que essa é apenas metade da experiência do “rock danado” (como Gomão sempre enfatiza). O disco original vem ainda com um DVD, com uma apresentação ao vivo da banda em show acústico, batizada de “Vamoz na Montanha”, um documentário sobre a gravação do disco, além de clipes e extras.

A volta do Tenente Douglas

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Que mané Los Hermanos! Volta mais que esperada acontece hoje à noite, no bar Dona Carolina. A banda Supersoniques, que carrega o DNA do novo rock de Pernambuco, se reencontra para fazer o nunca realizado lançamento do primeiro disco da banda. Acontece que, lá na década de 90, quando a gente ainda nem sabia que ia gastar toda a internet do trabalho baixando música, eles gravaram um disco no Fábrica Estúdios. Mas “As aventuras do Tenente Douglas” nunca saiu, mesmo com a banda indo bem na carreira, com passagem até pelo então iniciante festival Bananada.

A comissão de frente dos Soniques é formada por ninguém menos que Marcelo Gomão, hoje vocalista e compositor da Vamoz! e Zé Guilherme, que acabou se tornando um dos técnicos de som e produtores mais requisitados do país, fazendo o som de palcos como o do Tim Festival. O Dona Carolina não é endereço conhecido entre as festas de rock do Recife, por isso anota o silvisso ai: Rua Arthur Muniz, segundo jardim, Boa Viagem. Tem clone de Stella Artoir e discotecagem de Nicola Sultanum.

… por sinal, hoje à noite também tem Sweet Fanny Adams no UK Pub. Dois ótimos shows de rock, na zona sul, em plena terça-feira? Sinal de mudanças e do grande ano que 2009 promete ser na cidade.