Vocês já se ligarem que o Marcelo Camelo tem um canal de vídeos no YouTube? E ele juntou vários vídeos de fãs cantando a música “Liberdade” em um único clipe. É meio manjado, mas o resultado ficou bem legal:
Vale muito a pena dar uma olhada no canal. Entre outros vídeos, tem até a Orquestra YouTube. Olha que louco:
O título desse post ia ser outro, fazendo algum trocadilho esperto com cinema. O lance é que quem está no Recife sabe que o mês de abril, além de ser pro rock, também é para os filmes. O Cine PE, festival de audiovisual da cidade (com chinfra de dizer que tem o maior público, porque afinal de contas acontece no maior teatro), movimenta a cidade muito mais do que qualquer evento de música. E isso é sério… talvez a gente só receba tanta festa assim em outra época durante o Carnaval.
Hoje, por sinal, o pessoal do filme Amigos de Risco, que comemora a exibição com festinha no Quintal do Lima e show do Chambaril e discotecagem de Catarina de Jah.
O mais legal corre por fora do circuito do festival. No dia 2 tem o Sapo Cururu, mostra de cinema do Recife. Que costuma ser muito mais lembrada pelas festas que pelos filmes. Este ano vai ter o filme de Paula Gaitán (e ai, gaitán?) e o que será o primeiro show de verdade do Maquinado, a banda de Lúcio Maia da Nação Zumbi no Recife. Eles tocaram no Abril Pro Rock, mas tudo ainda estava no campo das idéias. A banda era outra, as músicas eram outras e a vibe do dia simplesmente não colaborou.
Isso é o mais legal em relação a shows, claro. Porque o Sapo Cururu teve a sacada de criar um canal no Youtube, que será usado para exibir filmes em celular e câmera amadoras feita pelo público, tudo livremente, num telão montado na própria festa. Você manda e já cai lá.
A festa vai ser no Cine Olinda (desativado a mais de 20 anos), ao lado do Clube Atlântico. E para entrar custa R$ 15. Confere o flyer lá no sombarato.
Não é apenas a violência, impunidade e corrupção que não muda no Brasil. Além dessa santíssima trindade, o filme “Tropa de Elite” refrescou a memória musical de muita gente. O “Funk das Armas”, hit nas rádios há 10 anos, mostra como é repetitivo o processo da música popular brasileira. Muito parecido com a situação hoje do funk carioca, retratado como “algo novo” que após invadir o gosto das pessoas, passa a ser processado pelas gravadoras. A trilha do filme já era a etapa final desse processo, já que a música era, na época, o lançamento da vez de uma gravadora multinacional.
O funk parece estar preso nesse ciclo. Pela demora a ser incorporado como parte do repertório nacional, vive nos altos e baixos, sempre surgindo como algo novo e aparentemente chocante. A maneira como o filme brinca com nossa memória musical é um exercício divertido. “Shiny Happy People”, música do R.E.M que toca na festa dos universitários, soa como um clássico tão importante do rock quanto os Smiths, mesmo com apenas 6 anos de lançado. Com o dobro desse tempo, o funk ainda não conseguiu passar de seu primeiro estágio.
Virou moda
Depois que o Radiohead mostrou que vale a pena para um grande artista sair da gravadora (veja mais na capa de hoje), Madonna decidiu seguir os passos. Ela vai encerrar o contrato com a Warner em favor a uma agência de shows, valorizando suas apresentações muito mais que seus discos. Segundo boatos, a cifra passa os U$ 100 milhões.
Na Internet
A gravadora Trama lançou um canal completo no site de compartilhamento de vídeos Youtube. No endereço www.youtube.com/Trama, é possível ver clipes, entrevistas, bastidores, shows e cenas extraídas dos DVDs lançados por eles. A iniciativa chega bastante atrasada, mas é muito bem vinda. Com sorte, incentiva outras a fazer o mesmo.
Agenda
Continua hoje a temporada que a Bande Ciné está fazendo no Café Portenho. São arranjos novos para músicas francesas, como Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot. No fim de semana, tem o Baile do Baleiro, com Zeca Baleiro cantando Novos Baianos, Originais do Samba e Tim Maia. Participação confirmada de Siba, lá na Fashion Club. E a banda Eddie faz show único (?) na cidade, junto com o Eta Carinae, no Recife Antigo.
Há mais ou menos três meses, entrei bebado na piscina com meu celular. Ele voltou a funcionar tem poucos dias, não sei como (talvez se eu tivesse testado antes, ele teria voltado antes :P). Para comemorar e testar as funções, fiz umas entrevistas no Coquetel Molotov. Acabou ficando legal! A música da Vamoz, que toca no começo, é a “Target of Rock” e não aquela que diz no final.
Edição surpreendente, essa última do festival, hein? Acho que o show do Love is All na primeira noite foi o mais representativo. Uma banda que ninguém conhece, ninguém estava falando, não apareceu em canto nenhum desde que foi anunciada, mas com o público inteiro desesperado na frente do palco, dançando e até arriscando cantar. Receptividade como não se via no Recife já tem bastante tempo.
Representativo, mas não bastou isso. Na segunda noite, recorde de público antes da metade do festival. Os ingressos esgotaram e as pessoas não param de chegar mesmo assim. Fila como nunca se vê no teatro da UFPE. Se não fosse proibido ultrapassar, eu arriscaria que tinha mais gente do que cabe no teatro. Gente da cidade falando que aquela era a primeira vez que estava indo para Coquetel Molotov, gente de outros estados (Bahia, João Pessoa, Natal, etc), que disse nunca ter vindo antes ao Recife. Realmente, algo surpreendente.
Quando o Coquetel Molotov começou, era um festival esquisito. Hoje, parece que sua fase de transição passou e agora é difícil imaginar como a cidade era antes. No final da banda Vamoz! um menino que não devia ter passado dos 16 reclamava com os amigos dizendo “que absurdo! Viu o que o vocalista falou no palco? Que era um show de rock, eu sai na mesma hora que ele avisou”. Novos tempos, novos públicos. Mesmo com um som deficiente – muito deficiente, pelo que parece, esqueceram de tirar a regulação do Nouvelle Vague qdo começaram os show – a Vamoz fez bonito. Detalhe que o público nem sempre repara, ainda mais com a presença de palco super profissional do trio.
Nessa hora, deixei de ver os shows para fazer essas entrevistas do video. Vi duas músicas só do Wado e pareceu tão bom quanto estava deslocado. Era a atração que mais trazia informação nas músicas, coisa que o público realmente não conseguiu processar. Quem curtiu, tem a boa nova de que ele já tem um novo show marcado na cidade, junto com a elogiada Inquilinus. Coloco os detalhes aqui em breve. O clima por trás do palco era muito, mas muito agitado. Alguns vários convidados assistiam o show de Cibelle por trás do palco, todos vidrados, sem tirar os olhos dela. O cineasta Leo Falcão ficava no laptop cuidando do telão que projetava imagens.
Estavam todos lá. O pessoal do Supercordas, do Love is All, as meninas do Hello Saferide e o Suburban Kids with Biblical Names. O clima era de confraternização, junto com gente de outras bandas da cidade, alguns jornalistas de fora da cidade que estavam cobrindo o evento. Quando começou o Nouvelle Vague, parecia uma festa inteira a parte, menor apenas da catarse causada no público que, tá ok, talvez nem soubesse o que era o Bauhaus, mas entrou no clima nas versões sempre deliciosas que a banda francesa faz das músicas. Fiquei pensando até onde aquilo era um cover de luxo, até passar a pensar o quanto eu estava pensando bobagem. :P
No segundo dia, o karaokê indie armado pela patrocinadora Tim tinha virado atração-mor do festival. Até os caras do Love is All ficavam assistindo as perolas do público. Tudo só aumentava a zona livre do festival, que dava proporção de que aquela era mesmo a edição mais numerosa. Perto do último show, algumas bancas de camiseta já estavam vazia.Teve bronca no bar. A polícia apareceu para proibir a venda de bebidas que estavam fazendo do lado de fora do teatro e teve até gente sendo presa. Resultado, acabou a bebida no meio da noite. O pessoal foi agil e conseguiu repor, mas por latas ainda quentes. Bronca com cerveja, aliás, é um clássico em festival de música. Com exceção do Tim Festival, onde a bebida custa mais caro que duas garrafas. Aí ninguém bebe mesmo :P