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A Dança da Noite

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Zé Cafofinhoo nosso próprio Beirut? – está nos finalmentes para lançar seu segundo disco, que vai se chamar Pra eles, pra elas. As passagens que fez pelo Sudeste fizeram muito bem a Tiago Cavalcanti, nome do cujo fora dos palcos. Não apenas o levou para o restrito circuito dos desfiles de moda, onde fez apresentações para a marca Seaweay, como fez com que sua música circulasse em outras camadas do repertório nacional. Uma parte do resultado disso está em A Dança da Noite, música que gravou com Arnaldo Antunes e que vai estar no novo CD.

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Compre discos

Se nada mudar até o final deste mês, o Brasil deve perder sua última fábrica de vinil. O Recife vive uma parte acelerada desse processo, sem nenhum artista local interessado em se lançar no formato clássico do bolachão, algo que ainda é muito comum nos Estados Unidos. Tão acelerado, que em nenhum Shopping Center da cidade hoje tem uma loja de CDs. E vamos acabar perdendo um dos grandes prazeres da música, que é se debruçar numa prateleira, catando disco por disco.

O mapa, para quem reconhece esse prazer e não quer deixá-lo morrer, é muito fácil de seguir. A Passa Disco, no Sítio Trindade, é reduto essencial do repertório pernambucano. Já o centro do Recife guarda raridades na Flowers, que fica por trás do cinema São Luiz, e na Blackout, localizada na rua da Riachuelo. A partir dessas, se entra num mundo próprio dos fãs de boa música. O restante é por sua conta.

Em São Paulo
A capital paulista está tomada pela mostra internacional de cinema, mas, no último fim de semana, quem quisesse uma programação diferente o esquema era o seguinte: Ortinho e Zé Cafofinho de um lado, Mula Manca e Fabulosa Figura do outro.

Contagem interrompida
O novo disco da Nação Zumbi, “Fome de Tudo“, chega oficialmente às lojas no dia 25. Quem for esperto, no entanto, já pode degustar tudo, porque ele caiu inteiro na Internet neste último fim de semana. Depois de ouvir, vale a pena comprar um original.

Agenda
O fim de semana chega com um novo festival de música no Recife. O Virtuemusica será na área externa do Armazém 14, com shows de Fresno (RS), Ramirez (RJ), Ludov (SP), Autoramas (RJ), The Sinks (RN), Fóssil (CE), Encarne (CE) e mais nove bandas locais.

Porão do Rock

Aproveitem as promoções das companhias aéreas este fim de semana para acompanhar os bons shows que os festivais vão trazer para o Brasil este semestre. Seguindo o calendário da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), o próximo imperdível da lista é Porão do Rock, em Brasília. A história que corre nos bastidores é que o evento deve trazer, em junho, pelo menos o show do Queens of the Stone Age ou o do Arctic Monkeys. E a passagem, para quem correr, sai 90% mais barata.

Quem foi conferir o Porão manda avisar que a estrutura lá é gigante, lembrando um pouco do que a gente vê nos festivais internacionais pela televisão e Internet. Ano passado, a banda Volver tocou e voltou com queixo caído. Este ano, nossos representantes confirmados são as bandas Vamoz e Nação Zumbi. Também estão confirmadas a banda americana The Beelrays, a portuguesa Born a Lyon, Mutantes e Angra. O Porão acontece entre os dias 1 e 3 de junho.

Guns n’Roses

A Secretaria de Turismo manda avisar que não vai ter o tal show do Guns n’Roses, como foi anunciado, naquele mesmo esquema com o Fatboy Slim no Marco Zero. Surpresos com a notícia, a assessoria informou ainda que não estão planejando nada do mesmo porte por um bom tempo.

Natal

O festival Tim Mada – Música Alimento da Alma, divulgou duas atrações principais da programação. A banda Skank e a Nação Zumbi. Vale a pena conferir também pela Moveis Coloniais de Acaju (BSB) e Cabaret (RJ). Esta última, já está fechando datas no Recife no mesmo fim de semana.

São Paulo

Pernambuco tomou conta da programação do Sesc Pompéia. Neste e no próximo mês serão apresentados shows de Zé Cafofinho, Volver, Nação Zumbi e Cordel do Fogo Encantado, entre outros conterrâneos. Um ótimo puxão de orelha para o público de centro conferir mais o Sesc daqui, que costuma atender mais a periferia

Zé Cafofinho e Suas Correntes – Um Pé na Meia, Outro de Fora

É estranho pensar que “Um pé na meia, outro de fora” é o primeiro disco de Tiago Andrade, o Zé Cafofinho. Quem for no show de lançamento amanhã, no Burburinho, vai entender o motivo. O rosto de Tiago já é um dos maiores lugar-comum (sem sentido pejorativo) da música pernambucana. Ele esteve na banda Songo, que ganhou palco e público em São Paulo e na França; na Variant, Originais do Sample, Punk Reggae Parque; nos discos do Eddie, Bonsucesso, Mombojó e mais numa série de outros projetos menores. Os contrastes entre experiência e começo se misturam num discho charmoso, de capa de fosco e tons vermelhos.

Esse passeio do Zé Cafofinho (e suas Correntes, pelo próposito do disco) traz o primeiro óbvio das músicas. Não tem nada fácil de identificar como sendo samba – a primeira impressão mais forte – ou ska, new-jazz ou um termo que o valha. É uma estética própria, que tem cara de música brasileira e não incomoda em nada por lembrar bastante os sons mais refinados de uma periferia cultural. A melhor maneira de colocar isso em palavras é lembrar que tem lá a rabeca de Zé Cafofinho com uma mistura de baixo de sete cordas, banjo, trompete e bateria. E que é bom de dançar.

Zé Cafofinho é ao mesmo tempo o que tem de fácil e de difícil no próprio disco. Fácil porque ele trouxe para gravação nomes que funcionam de selo de qualidade máxima do som pernambucano. China, Bacteria (Mundo Livre), Pupilo (Nação Zumbi), Chiquinho e Marcelo Machado (Mombojó) e até a Orquestra Sinfônica representada pelo nome João Carlos. Dificil porque o resultado final, a música, é uma que não remete muito a voz grave de Cafofinho, mas sim uma mais suave. Por isso a primeira impressão pode ser estranha – mas não equivocada). É questão de costume. Pela terceira audição, tudo já parece estar no lugar.

Nos detalhes, “Pé na meia…” é um disco muito bem montado. “Mucica”, faixa que abre, já mostra o potêncial máximo da banda, em letras que são ao mesmo tempo texto, imagem e som, “O sol prateado da manhã / Vai reluzindo / O tilindim da capela”. Assim como a caixinha que envolve o disco, as músicas de Zé Cafofinho tem um certo charme. Amadurecimento é um processo sempre constante, mas passeando pelas faixas, se percebe que a banda escolheu o momento certo para se lançar para o público, já que até então eles também não estão se apresentando na cidade.

Escute aqui: Mucica

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